
(Disponível na GloboPlay, em 10/2025.)
Eram tempos tenebrosos, dos mais tenebrosos de toda a História do Brasil. Depois que caíra a Quarta-Feira de Cinzas sobre o país, em 1964, tinha havido o golpe dentro do golpe, a ditadura tinha ficado ainda mais dura. “Amigos presos, amigos sumindo assim pra nunca mais.” Pois foi exatamente ali, nos anos de chumbo do governo do general Garrastazu Médici, que Cacá Diegues se vingou juntando um numeroso bando de grandes artistas para celebrar a alegria, ao som de mais de uma dúzia do melhor produto de que este país é capaz, a música popular.
Quando o Carnaval Chegar, de 1972, é uma festa deliciosa no meio das trevas do pior momento da ditadura militar.
No elenco, Chico Buarque de Hollanda, Nara Leão, Maria Bethânia, Hugo Carvana, Antonio Pitanga, mais Ana Maria Magalhães, Elke Maravilha, José Lewgoy, Wilson Grey, e ainda, em participações especiais, Odete Lara e Scarlet Moon. A fotografia é do grande Dib Lutfi, a montagem, de Eduardo Escorel, três anos antes de seu primeiro longa como diretor, o respeitado Lição de Amor.
Na direção musical, Roberto Menescal.
Na trilha sonora, sete canções de Chico Buarque e dez de velhos mestres bambas – Noel Rosa, Assis Valente, Lamartine Babo, João de Barro, Alberto Ribeiro, Herivelto Martins, Nássara. Faço questão de, mais adiante, registrar todas as canções que ouvimos ao longo dos 100 minutos do filme.
O roteiro é do próprio Cacá Diegues, com base em história criada a seis mãos por ele, Chico Buarque e Hugo Carvana. (Credo em cruz: fico imaginando a quantidade de néctar escocês que os três consumiram criando juntos a trama…)
A trama, bem, a trama não chega lá a ser uma coisa assim à lá a Odisséia de Homero, Cem Anos de Solidão, Testemunha de Acusação. Mas, diacho, quem foi que disse que é necessária uma história sensacional para se fazer um belo, agradável, gostoso musical?

Um filme da fina linhagem sobre trupes mambembes
Quando o Carnaval Chegar mostra as aventuras e desventuras de uma trupe de artistas mambembes – às vezes nada mambembes – em suas andanças pelo Rio de Janeiro e cercanias.
Pertence, assim, a uma linhagem de filmes de respeito, como, para dar só uns poucos exemplos, Mulheres e Luzes de Federico Fellini e Alberto Lattuada (1950), La Strada também de Fellini (1954), Bronco Billy de Clint Eastwood (1980), A Viagem do Capitão Tornado de Ettore Scola (1990), Chocolate de Roschdy Zem (2016).
Nisso, nessa coisa de contar histórias de trupes mambembes, saltimbancos, artistas de variedades, que se põem na estrada e vão por aí exibindo suas artes, muitas vezes apenas por alguns trocados, Quando o Carnaval Chegar pode ser visto assim como um ensaio geral para Bye Bye Brasil, que Cacá Diegues lançaria em 1980, aquela obra-prima, beleza de grande cinema – de novo com canção de Chico Buarque, daquela vez em parceria com o mesmo Roberto Menescal que aqui é o diretor musical, o autor dos arranjos.
A trupe é formada pelos cantores Paulo (Chico), Mimi (Nara) e Rosa (Bethânia), o empresário Lourival (Hugo Carvana, na foto abaixo), se é que se pode usar o termo para aquela figura, e Cuíca (Antônio Pitanga), dublê de motorista da velha e sempre problemática jardineira e emérito tocador do brasileiríssimo instrumento que lhe dá o apelido carinhoso.
Lourival quer a trupe unida e pronta para o grande show no Dia do Rei – mas há problemas. Claro que há problemas. Cuíca, por exemplo, conquista, com sua fina estampa e o som envolvente de sua cuíca, uma atriz francesa, uma louraça (interpretada por Elke Maravilha, na foto abaixo, ótima como sempre), e ela promete levá-lo para Paris. Surge na vida do trio de cantores uma moça linda e gostosa, Virgínia (o papel de Ana Maria Magalhães), e Paulo cai de amores por ela, para tristeza infinda de Mimi, que é absolutamente apaixonada pelo parceiro, e de tão triste diz que não canta mais. E Rosa também tem seus problemas: sua Mãe de Santo anda cobrando coisas que ela precisa fazer e não faz.
Quem contratou a trupe para o show no Dia do Rei foi o poderoso Anjo (José Lewgoy, sempre perfeito no papel de vilão), que vive acompanhado por seu escudeiro e capanga (interpretado por Wilson Grey, igualmente sempre perfeito para o papel de bandido). E por isso Lourival morre de medo de não ter sua turma unida, rente que nem pão quente. Desagradar o Anjo seria um risco perigosíssimo.

O jeito de contar é mais importante do que a trama em si
Bem… Resumindo assim, fica parecendo que a história é bem bobinha…
Volto àquela coisa que já falei: não é necessária uma história sensacional para se fazer um belo, agradável, gostoso musical. Estão aí para comprovar isso, apenas para dar alguns exemplos, A Roda da Fortuna/The Band Wagon (1943), Desfile de Páscoa/Easter Parade ( 1948), Um Dia em Nova York/On the Town (1949) – e mesmo a obra-prima felliniana La Strada, que não é um musical, mas, como este Quando o Carnaval Chegar, conta a história de uma trupe de artistas de variedades.
Sobre La Strada, anotei que para mim ficou absolutamente claro que Fellini e Tullio Pinelli deram muito mais importância à sceneggiatura (o roteiro) que ao soggetto (o argumento). À forma como os fatos são narrados do que à história em si. A história, a trama, é um fiapinho, coisa pouca.
Exatamente o mesmo se pode dizer, por exemplo, de Um Homem, Uma Mulher, o filme de 1966 com que Claude Lelouch conquistou ao mesmo tempo a Palma de Ouro, o Oscar e o desprezo de 11 de cada 10 críticos de cinema do mundo.

Um certo desprezo pela lógica, algo à la realismo fantástico
Há um elemento bastante fascinante nessa trupe, na forma com que é contada a história dela.
É uma trupe pobre… No máximo, no máximo, remediada – haja visto o estado do pequeno ônibus velho que os conduz, que está sendo tendo problema no motor…
No entanto, ela se apresenta no Quitandinha, em Petrópolis, aquele lugar que foi sinônimo de muita riqueza na primeira metade do século XX e até hoje é chiquetérrimo.
E, de repente, não mais que de repente, Chico, Nara e Bethânia, perdão, Paulo, Mimi e Rosa se exibem com roupas dignas do show mais caro da Broadway.
A história criada por Cacá Diegues, Chico Buarque e Hugo Carvana tem um pouco discreto desprezo pela lógica formal – e pelos idiotas da objetividade.
Seria possível dizer que, nesses quesitos aí, Quando o Carnaval Chegar flerta um tanto com o realismo fantástico dos grandes autores latino-americanos, de Gabriel García Márquez a Juan Rulfo.
A relação completa das pérolas que ouvimos no filme
Eis a relação das canções com que o filme brinda os ouvidos dos espectadores, nas vozes de Chico, Nara e Bethânia:
“Mambembe”,
“Baioque”,
“Caçada”,
“Quando o Carnaval Chegar”,
“Soneto”
“Bom Conselho”
“Partido Alto” (estas, de Chico Buarque),
“Cantores do Rádio” (Lamartine Babo-João de Barro-Alberto Ribeiro),
“Formosa” (Nássara-J.Rui),
“Minha Embaixada Chegou” (Assis Valente),
“Só Eu Sei” (Batatinha0-J. Lima),
“Tahí” (Joubert de Carvbalho),
“Mais Uma Estrela” (Herivelto Martins-Bonfíglio de Oliveira),
“Aquarela do Brasil” (Ary Barroso),
“Frevo” (Antônio Carlos Jobim),
“Provei” (Noel Rosa-Vadico),
“Anda, Luzia” (João de Barro)

Dessas 17 pérolas, 14 foram lançadas pela PolyGram-Phillips no disco da trilha sonora do filme, no mesmo ano de 1972. Na discografia de Chico, o álbum veio depois de Construção (1972) e antes de Sinal Fechado (1974).
Na carreira de Nara, Quando o Carnaval Chegar veio após Dez Anos Depois (1971), o álbum duplo gravado em Paris em que a cantora fez as pazes com a bossa nova da qual havia sido a musa e depois se afastado. Depois dele viria Meu Primeiro Amor (1975), em que, segundo o belo texto assinado por ela na contracapa, estavam as músicas que cantava para Francisco e Isabel dormirem – os dois filhos então bem criancinhas que ela havia tido com Cacá Diegues. A cantora e o cineasta foram casados entre 1967 e 1977.
Para Bethânia, foi o disco entre Maria Bethânia Vianna Telles Veloso e Rosa dos Ventos (ambos de 1971), e A Cena Muda (1974).
É interessante e importante lembrar, registrar, que tanto Chico quanto Nara haviam se auto-exilado logo após o AI-5 de dezembro de 1968 – ela na Itália, ela na França. Naquele início dos anos 1970, haviam voltado, e reiniciavam a carreira no país.
Diferentemente dos amigos Chico e Nara e do irmão Caetano Veloso e de Gilberto Gil, que se exilaram em Londres após terem sido presos pouco depois do AI-5, Bethânia permaneceu no Brasil o tempo todo.

Nara, Bethânia, Chico, Cacá, Carvana – carreiras entrelaçadas
Fiquei pensando, depois de ver agora pela primeira este filme que não sei por que não vi e revi na época do lançamento, na quantidade de entrelaçamentos que há nas carreiras desses grandes artistas que participaram da produção de Quando o Carnaval Chegar. Era tudo uma só patota, impressionante.
Alguns dos laços já foram falados acima, mas vamos lá; vou juntar mais uns:
* O diretor Cacá Diegues e Nara Leão eram casados quando fizeram o filme;
* Maria Bethânia havia iniciado a carreira no circuito Rio-São Paaulo ao substituir Nara Leão no show Opinião, de Armando Costa, Oduvaldo Vianna Filho e Paulo Pontes, dirigido por Augusto Boal, que estreou no Rio de Janeiro em dezembro de 1964;
* Nara foi uma das primeiras pessoas a gravar músicas do então estreante Chico Buarque, e foi quem cantou “A Banda” no festival de música da TV Record de 1966, que transformou o rapaz em ídolo nacional; os dois fariam juntos depois um programa de TV – eram os “desanimadores de auditório”, segundo ele brincava; Nara continuaria gravando canções dele ao longo de toda a vida;
* Chico e Bethânia fariam um show histórico primeiro no Canecão do Rio e depois em turnê pelo país, em 1975, que resultou no belíssimo álbum Chico Buarque & Maria Bethânia ao Vivo;
* Chico e Roberto Menescal assinaram juntos “Bye Bye Brasil”, a canção-título do filme de Cacá Diegues de 1980;
* Os dois, Chico e Menescal, iriam se desentender ali por volta de 1980, quando o segundo era diretor artístico da PolyGram-Philips e o primeiro queria deixar a gravadora, convidado para assinar contrato, em condições extremamente vantajosas, com a Ariola, que à época chegava ao Brasil cheia de grana. A Philips, é claro, não queria perder o artista. Quando finalmente foi para a Ariola, o compositor contou a história na canção “A voz do dono e o dono da voz”, no seu álbum de estréia na nova casa, Almanaque (1981). “Até quem sabe a voz do dono / Gostava do dono da voz / Casal igual a nós, de entrega e de abandono / De guerra e paz, contras e prós / Fizeram bodas de acetato – de fato / Assim como os nossos avós / O dono prensa a voz, a voz resulta um prato / Que gira para todos nós.”
* Já Nara e Menescal continuariam amigos até o fim da vida dela – um fim que veio tão absolutamente cedo, em 1989, aos 47 anos. Ele foi o produtor e o violonista nos três últimos álbuns dela, os belos Abraços e Beijinhos e Carinhos sem Ter Fim (1984), Garota de Ipanema (1985) e My Foolish Heart (1989).
* Chico compôs “Vai Trabalhar, Vagabundo” para o filme do mesmo nome que Hugo Carvana escreveu e dirigiu em 1973, o ano seguinte ao deste Quando o Carnaval Chegar. Em Vai Trabalhar, Vagabundo, a bela Odete Lara – que aqui aparece apenas durante uma única sequência, interpretando a si própria – faz uma das principais personagens;
* Lá atrás, em 1966, em seu LP para a gravadora Elenco, a mesma que lançou o primeiro disco de Nara, Odete Lara havia gravado “Tem Mais Samba”, do então iniciante Chico Buarque de Hollanda;
* Wilson Grey trabalhou em Bar Esperança, o gostoso filme que Hugo Carvana realizou em 1983;
* Antônio Pitanga já havia sido dirigido por Cacá Diegues em Ganga Zumba, de 1963 – ele fazia o papel-título de um dos filmes mais marcantes do cinema novo brasileiro.
E há ainda… Aaaahnn… É algo absolutamente pessoal, mas, diacho, este site é absolutamente pessoal mesmo, então lá vai:
Há ainda um outro entrelaçamento…
Chico Buarque e Nara Leão foram, os dois, em épocas não muito distantes uma da outra, visitados em suas casas e entrevistados por este escriba aqui… Nara, em uma entrevista para o Jornal da Tarde, na época do lançamento de seu álbum Nasci Para Bailar, em 1982. Chico, para a matéria de capa da revista Afinal, em novembro de 1987, na época do lançamento do álbum Francisco, assinada por Melchíades Cunha Júnior, Carla Rodrigues e eu. E ambos tiveram discos seus comentados por mim na minha curta encadernação como crítico de música no Jornal da Tarde.

“Um filme de sobrevivência num contexto político adverso”
Ao fazer o convite para sua mulher ser uma das estrelas do filme que estava para realizar, Cacá Diegues estava certo de que ela não aceitaria. Pois Nara não só aceitou como fazer o filme se transformou em “uma brincadeira de família”. É o que conta o jornalista, compositor e pesquisador de música brasileira Sérgio Cabral em Nara Leão – Uma Biografia (Lumiar Editora, 2001), uma obra magnífica, detalhadíssima, minuciosa:
“’Fiz o convite convicto de que ela não aceitaria’, lembrou Cacá. No entanto, ao saber das condições em que o filme seria realizado, Nara concordou. Um pouco da hesitação dela ficou por conta dos quilos a mais que ganhou com a gravidez de Francisco. Mas argumentou: ‘Se Elizabeth Taylor, bem mais gorda do que eu, está ganhando um milhão de dólares por filme, por que não posso fazer meus filmezinhos no Brasil?’ Com a participação de Chico Buarque de Holanda, Maria Betânia e do ator Hugo Carvana, entre outros, o filme foi, para Cacá Diegues, ‘uma brincadeira de família’, pois não faltava a presença de crianças no antigo hotel Quitandinha e em outros locais onde as filmagens foram realizadas. Nara amamentava Francisco nos momentos de folga e lá estavam também a filha Isabel, as filhas de Marieta e Chico Buarque, além de Pedrinho, filho de Marta Alencar e Hugo Carvana, nascido em Paris. O imenso Ford Landau de Maria Bethânia era o local mais utilizado pelas mães para cuidarem das crianças e fazê-las dormir. Nara fez o papel de Mimi, uma cantora mineira que só pensava no passado. Quando o Carnaval Chegar foi um filme despretensioso, mas extremamente agradável. Glauber Rocha escreveu a Cacá Diegues para dizer que foi um dos melhores filmes que vira em toda a vida. O público só ficou em dúvida sobre quem se divertia mais: se ele, que pagou para isso, ou os cantores, apresentando músicas antigas e inéditas de Chico Buarque.”
“Um filme de sobrevivência num contexto político adverso e repressivo.” Essa sintética mas exata, precisa definição está no verbete sobre Carlos Diegues na excelente Enciclopédia do Cinema Brasileiro, de Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda (Editora Senac São Paulo, 1997). Eis o trecho em que os autores mostram o contexto em que foi feito Quando o Carnaval Chegar:
“Em 1969 (Carlos Diegues) realiza Os Herdeiros, em que, devido à censura e à violência da ditadura militar, se distancia da proposta realista e entra na metáfora da história do Brasil. O primeiro título do filme, O Brado Retumbante, referência ao Hino Nacional, foi sutilmente vetado pela censura. Em seguida, Os Herdeiros foi proibido, e graças a um convite do Festival de Veneza, Cacá sai do país e se radica em Paris junto com sua esposa, na época a cantora Nara Leão. No exílio nasce sua primeira filha, Isabel. Conforme ele mesmo diz, passou os dois anos no exterior tentando fazer algum filme. Retorna ao Brasil em 1971, onde a ditadura estava fortalecida. Em meio ao clima de terror escreve um documento – 1972 –, cujo conteúdo significa a sobrevivência dos cineastas e intelectuais ao processo político em marcha. Nessa conjuntura surge primeiro Quando o Carnaval Chegar e logo Joana Francesa. Ambos são filmes de sobrevivência num contexto político adverso e repressivo. Quando o Carnaval Chegar, revalorizado com o tempo, na época foi destruído pela crítica. É uma homenagem aos cantores populares e à chanchada carioca.”
E faço um último registro: a qualidade da cópia de Quando o Carnaval Chegar disponível na GloboPlay – que foi a que Mary e eu vimos em outubro de 2025– é péssima, um horror, uma coisa pavorosa. As cores fotografadas pelo grande Dib Lutfi estão absolutamente esmaecidas, quase desaparecendo. E também o som está abafado, achatado – às vezes fica difícil compreender os diálogos.
É uma grande pena. Diacho, alguma grande empresa, uma gravadora, bem que poderia ganhar um desconto no Imposto de Renda em troca de financiar a restauração deste filme.
Nem mesmo boas fotos em cores do filme estão disponíveis na internet! Incrível como o Brasil trata mal Quando o Carnaval Chegar. Diacho: não é uma obra-prima, um filmaço – mas é uma agradabilíssima diversão, feita por um dos maiores cineastas brasileiros, com uma grande equipe e um elenco estelar que inclui três dos mais importantes músicos do Brasil.
Anotação em outubro de 2025
Quando o Carnaval Chegar
De Carlos Diegues, Brasil, 1972.
Com Chico Buarque de Hollanda (Paulo),
Nara Leão (Mimi),
Maria Bethânia (Rosa).
Hugo Carvana (Lourival), Antonio Pitanga (Cuíca), Ana Maria Magalhães (Virgínia), José Lewgoy (Anjo), Elke Maravilha (atriz francesa), Wilson Grey (o capanga do Anjo)
e, em participações especiais, Odete Lara (ela mesma), Scarlet Moon
Roteiro Carlos Diegues
Argumento Carlos Diegues, Chico Buarque, Hugo Carvana
gotografia Dib Lutfi
Música Chico Buarque de Hollanda
Direção musical Roberto Menescal, Magro Waghabi
Montagem Eduardo Escorel
Direção de arte Carlos Diegues
Figurinos Fernando Bedê
Produção Carlos Diegues, Zelito Viana, Mapa Filmes.
Cor, 100 min as 1h40)
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