Homem com H

4.0 out of 5.0 stars

(Disponível na Netflix em 7/2025.)

Homem com H é uma absoluta maravilha de filme, uma coisa impressionante, extraordinária. O diretor e roteirista Esmir Filho e o ator Jesuíta Barbosa, em especial, e todo o elenco e a equipe merecem ser aplaudidos de pé, como na ópera, aos gritos de Bravo! Bravo!

O filme foi lançado nos cinemas no dia 1º de maio de 2025, e chegou à Netflix apenas dois meses e meio depois, em 17 de julho – um intervalo curtíssimo, até difícil de se entender. E vem sendo muitíssimo bem recebido. Tenho uma idiossincrasia, dessas coisas bestas de que a gente não consegue se livrar: tendo a ficar com o pé atrás diante de filmes incensados demais, e adiar a hora vê-los. Pois bem: rompi essa coisa, e quis ver logo a cinebiografia de Ney Matogrosso.

Pé atrás? Meu, não tem como ficar com o pé atrás diante deste filme. É cinema grande, de respeitar, de aplaudir,  de babar.

Peço perdão ao eventual leitor que chegou aqui via Google e esperava uma análise fria, objetiva, do filme. Tudo o que escrevo é opinativo, pessoal – pessoal e intransferível, feito dor de dente.

Para falar de Homem com H, me permito ser ainda mais opinativo e pessoal do que sempre, do que nunca. Uma das características que mais me impressionaram no filme não é assim propriamente do filme em si, mas do personagem que ele retrata tão bem: meu, a cada momento eu era surpreendido por informações sobre a vida de Ney que desconhecia. E não só eu: ao meu lado, Mary – fã do cantor que nem eu – se surpreendia também.

Não sei dizer, é claro, se todo mundo, ou boa parte das pessoas que viram o filme, tiveram essa mesma sensação. É possível que Mary e eu não sejamos bons leitores da imprensa de fofoca. Mas o que senti foi que Ney Matogrosso – esse ser ousado, abusado, exagerado, audaz, bravo, corajoso, destemido, intrépido, resoluto, valente, over, e todos os adjetivos nesse sentido que mais houver – conseguiu ser, ao mesmo tempo, de uma forma fantástica, discreto em relação à sua vida pessoal, ao longo de todos estes anos em que nós, brasileiros de bom gosto, acompanhamos sua extraordinária carreira.

A sensação que passa o filme belíssimo de Esmir Filho com o ator Jesuíta Barbosa encarnando Ney Matogrosso, mais do que interpretando, é a de que esse músico ímpar conseguiu fazer com que os brasileiros acompanhassem sua carreira – mas não sua vida pessoal.

Como se estivesse guardando as revelações sobre sua vida privada para este filme.

O filme vai fundo na vida pessoal e profissional de Ney

Se eu fosse crítico de cinema, poderia começar este texto mais ou menos assim:

Muitas cinebiografias de artistas concentram-se sobretudo na trajetória profissional do retratado – como, só para dar um exemplo, Música e Lágrimas (1954), de Anthony Mann, sobre o maestro Glenn Miller, interpretado por James Stewart. Outras, como Harlow: A Vênus Platinada (1965), de Gordon Douglas, em que Carroll Baker interpreta a estrela Jean Harlow, concentram-se principalmente na vida privada da pessoa.

Homem com H, extraordinária cinebiografia de Ney Matogrosso, um dos maiores nomes da música popular brasileira nas últimas cinco décadas e meia, faz, com extrema competência, as duas coisas. Mostra toda a evolução da carreira do cantor de voz absolutamente fora de série que mexeu profundamente com a forma de apresentação dos músicos no palco, e, ao fazer isso, chacoalhou os conceitos de sexualidade, em plena ditadura militar, ao mesmo tempo em que mergulha profundamente na vida privada de Ney, revelando uma série de informações que até então não eram conhecidas por boa parte de seus milhões de admiradores.

Diretor e roteirista, ator principal, todo o elenco – excelentes

Naturalmente, quem mais merece os cumprimentos pela qualidade do filme é esse Esmir Filho, de quem este ignorante aqui jamais tinha ouvido falar. Homem com H é o quarto longa-metragem desse cineasta jovem demais – nascido em São Paulo em 1982 –, depois de Os famosos e os Duendes da Morte (2009), Alguma Coisa Assim (2017) e Verlust (2020). Fez um trabalho admirável, tanto como roteirista quanto como o diretor, o maestro da orquestra toda.

Depois de Esmir Filho, o brilho, sem dúvida alguma, é do ator Jesuíta Barbosa, pernambucano de Salgueiro, apenas 34 anos quando o filme foi lançado, mas já com 30 títulos na filmografia, entre novelas, séries e filmes. Não é que ele interprete Ney Matogrosso. É mais que isso. O sujeito – repito – encarnou o Ney. Tá certo que foram três meses de preparação física e vocal, tá certo que ele ficou na cola do cantor por um tempo, estudando seus gestos, seu jeito – mas o que parece é que ele foi a um terreiro e um pai de santo fez baixar nele o Ney de Souza Pereira e o músico/artista performático/showman Ney Matogrosso.

Impressionante.

Jesuíta Barbosa é tão Ney, mas tão Ney, que confesso que fiquei achando que era ele mesmo que cantava as várias, várias, várias canções ao longo do filme. E Mary também teve essa mesma impressão. Não parece, realmente não parece que ele está dublando – mas está, sim, conforme se pode verificar em reportagens sobre o filme. E aí, agora, depois de saber disso, percebo que não teria mesmo sentido a voz nas canções ser de Jesuíta Barbosa, porque, afinal, a voz de Ney Matogrosso só Ney Matogrosso tem. Mas é para se aplaudir o trabalho do ator. É de fato espetacular.

(Há uma exceção: em “Rosa de Hiroshima”, poema de Vinicius de Moraes, música de Gérson Conrad, é o ator que canta.)

Um terceiro grande destaque do filme, na minha opinião, depois do trabalho do diretor e roteirista Esmir Filho e o do ator Jesuíta Barbosa, é o conjunto do elenco – o trabalho (e a sorte grande) de escolha dos atores, e a atuação de todos eles, de maneira ampla, geral e irrestrita.

Quem assina o casting é Anna Luiza Paes de Almeida; há crédito também para Cris Duarte pela preparação corporal e Roberto Audio pela preparação de elenco – e esses três profissionais fizeram um trabalho estupendo. Coroado, claro, pela direção de Esmir Filho, mas diacho, esses três aí merecem todos os aplausos.

Levei um susto na sequência em que Luli (interpretada por Bela Leindecker) apresenta Ney para dois sujeitos que procuravam um cantor para a banda que estavam querendo formar, uma tal de Secos & Molhados. A gente bate o olho e vê que são João Ricardo e Gérson Conrad! Impressionante!

João Ricardo é interpretado por Mauro Soares; Gérson Conrad, por Jeff Lyrio (na foto abaixo).

Acho que é desnecessário falar sobre os dois músicos da banda, por serem extremamente conhecidos, mas gostaria de registrar que, para mim, Luli era, naqueles anos 70, a metade da dupla Luli e Lucina, pioneira na música pop independente, que esteve ativa entre 1972 e 1996. Além de cantora, Luli (que mais tarde passou a se assinar Luhli) era também compositora; são delas as melodias de “O Vira” e “Fala” para as letras de João Ricardo, duas faixas do primeiro dos dois únicos álbuns do Secos & Molhados, o de 1973, com aquela capa impressionante, inesquecível, com as caras de Ney, João e Gérson servidas como bolos em uma mesa de festa.

Atores bem preparados, bem caracterizados, bem dirigidos

Bem mais adiante, quando Ney fica conhecendo um garotão boa pinta na praia, demonstra de imediato grande interesse, e é avisado pelo amigo que está com ele de que aquele garoto é filho do todo-poderoso diretor geral da SomLivre, a gravadora das Organizações Globo, de novo um susto: o ator Jullio Reis é muito parecido com o jovem Cazuza pouco antes da fama (na foto abaixo).

Tudo bem: é fato sabido a fortíssima ligação afetiva entre Ney, já absolutamente famoso, pós-Secos & Molhados, em respeitada, incensada carreira solo, e o garoto da classe média alta da Zona Sul do Rio que se revelaria um letrista absolutamente extraordinário e líder do Barão Vermelho. A relação dos dois, mostrada detalhadamente no filme, não é novidade.

Mas creio que a imensa maioria dos fãs de Ney não tinha ouvido falar do médico Marco de Maria. Talvez só os mais especialmente atentos sabiam que Ney teve como companheiro, em uma relação estável e duradoura, de 13 anos, um médico carioca. Aparentemente, o dr. Marco de Maria foi a única relação estável de Ney – mas não era algo de que ele falasse nas entrevistas, que proclamasse. A relação dele com o médico é uma das várias coisas de que eu não sabia, de que Mary não sabia, e que o filme revela.

Pois bem: uma procura pela internet mostra que o ator escolhido para fazer Marco de Maria, Bruno Montaleone, é muito parecido com a pessoa real.

Mais adiante, aparece Gonzaguinha, em um estúdio, com Mazzola (Samuel Toledo), o grande produtor fonográfico, um dos melhores que já houve no país. O filme mostra que Luiz Gonzaga do Nascimento Jr. apresenta a Ney a música “Homem com H”, do paraibano Antônio Barros, e sugere que ele grave. Ney tem naquele momento uma falha em sua antena, seu faro – não percebe que aquilo, na voz dele, no gestual dele, ficaria fantástico. Chega a dizer uma bobagem, tipo ah, não sei, eu não sou nordestino, eu nunca cantei xote… Gonzaguinha e Mazzola insistem…

Pois bem: acharam um ator bem parecido com Gonzaguinha, André Dale – ou então souberam como caracterizá-lo muito bem para aquela única sequência em que o grande cantor e compositor aparece. Sorte, talento.

Não creio ser absolutamente essencial, em uma cinebiografia, que os atores sejam bem parecidos com as figuras reais que interpretam, em especial as que não são as principais, as que aparecem pouco tempo em cena. Mas, diacho, quando se consegue isso – como neste filme –, é o tal do “plus a mais”, como a gente gosta de brincar.

Atores bem preparados, bem caracterizados, bem dirigidos – boas atuações de todo o elenco. Que coisa maravilhosa. Alguns anos atrás, eu achava que as atuações no cinema brasileiro – tirando as exceções óbvias – não andavam boas. Meu, como as coisas mudaram!

Um danado de um galinha, um promíscuo

Se há uma ressalva a se fazer, para mim, pelo menos, é a quantidade de homens trepando. Meu, é muito… Mas, diacho, o que se poderia esperar de um filme sobre Ney Matogrosso?

Homem com H confirma sobejamente uma impressão que, esta, Ney sempre passou: a de que ele era um namorador emérito, um galinha. O filme não se cansa de mostrar isso. O cara não começou muito cedo, antes o contrário – mas, depois que começou, não perdeu mais tempo. Era um devasso, um libertino, um promíscuo. Topava tudo, com todos e todas. E teve, como as pessoas de sua geração e das gerações próximas à dele, como eu mesmo, a sorte imensa, o privilégio de viver os anos da juventude depois da pílula, depois da revolução sexual do início dos anos 60, e antes da chegada da Aids.

A Aids é tema importante da narrativa, como não poderia deixar de ser, já que Cazuza e Marco de Maria foram vítimas da peste que abateu tantos milhares de pessoas. (Na foto abaixo, os atores que fazem Cazuza, Ney e Marco.)

De maneira muito interessante, fascinante, o filme demonstra, sem se preocupar em realçar muito isso, que, mesmo sendo galinha, promíscuo (ou talvez exatamente por isso), Ney não era, de forma alguma, possessivo, ciumento. De forma alguma. Como não era monogâmico, não cobrava monogamia dos parceiros. Na boas, na maior. Que figura!

Mais uma qualidade extraordinária do filme que tem que ser registrada: a direção de arte, a cenografia. Os créditos dizem que a direção de arte é de Thales Junqueira, a cenografia de Ciça Cristo, com figurinos de Gabriella Marra. Todos eles são profissionais para quem devemos tirar o chapéu. Trabalho maravilhoso, de gente competente, talentosa.

Esse é outro ponto em que o cinema brasileiro vem excedendo. Praticamente todo mundo que viu Ainda Estou Aqui ficou impressionado com a direção de arte, a cenografia, os figurinos, a reconstituição de época nos menores detalhes. Pois é. Tudo isso, neste Homem com H, é do mesmo nível do que vimos no maravilho filme de Walter Salles.

Um detalhinho que me chamou a atenção, talvez por motivo bem pesoal: lá pelas tantas, Ney tem um encontro com o pai, Antônio (o papel de Rômulo Braga). Eles estão no Centro de São Paulo, na esquina das ruas Martins Fontes e Major Quedinho, diante do prédio do jornal O Estado de S. Paulo, que depois de 1976 passou a ser do Diário Popular, onde funciona também, nos andares superiores, o Hotel Jaraguá, hoje em dia Hotel Nacional Inn Jaraguá. O pessoal da direção de arte tomou o cuidado de colocar funcionando o letreiro frontal, em que, até os anos 70, passavam as principais notícias do dia. Fiquei encantado com o cuidado que o pessoal tomou com esse detalhinho. (Tenho orgulho, é claro, de ter trabalhado naquele prédio durante seis anos, até a mudança do Estado e do Jornal da Tarde para a prédio novo na Marginal do Tietê.)

“Tudo que eu fiz parece que foi pra contrariar a vontade dele”

O pai e a mãe de Ney têm, evidentemente, importância grande no filme – e, para mim, e também para a Mary, tudo aquilo que o filme mostra nas relações de Ney com os pais foi absoluta novidade. Não sabia de nada, nada daquilo.

Antônio Mattogrosso Pereira, o pai, era um militar da Aeronáutica – conservador, careta, rígido com os filhos, duro, que exigia disciplina férrea. Como tantos e tantos e tantos outros pais rígidos daquela época (Ney nasceu em 1941), batia nos filhos para que aprendessem as lições que julgava corretas. Bem no início da narrativa, Antônio dá uma surra em Ney (interpretado aí por Davi Malizia, um belo achado). E se enfurece porque o garoto não chorava – e então batia mais, até que a mãe aparece para intervir.

É uma sequência dura de se ver hoje, quando a pedagogia da porrada já não cabe mais no nosso universo – mas é uma bela sacada do roteirista e diretor Esmir Filho: logo de cara, de saída, ele mostra dois traços absolutamente marcante da personalidade de Ney: a firmeza e a coragem.

Como em tantas, tantas famílias daquelas décadas, o pai batia – e a mãe protegia. O filme mostra Beíta (o papel de Hermila Guedes, na foto abaixo, que está ótima) como uma mãe talvez um pouco fraca, por não enfrentar de frente o marido na criação dos filhos, mas de coração imenso, de uma generosidade sem fim.

Quando o filme já passa bem da metade, ali quando estamos com uns 1h35m, há um diálogo maravilhoso, sensacional, emocionante entre Beíta e o filho famosérrimo, um dos maiores artistas do Brasil, que tinha ido visitar a casa dos pais. Antônio, já muito doente, estava dormindo. Ney conversa com a mãe na cozinha, pergunta se ele tem dado muito trabalho.

– “Você conhece seu pai. Ele só faz o que ele quer. (Pequena pausa.) Aliás, vocês dois. Tudo farinha do mesmo saco.”

– “É? A gente é parecido, é, mãe?”

– “É. Rígidos, cabreiros, difíceis de dobrar. Só eu sei.”

A câmara do diretor de fotografia Azul Serra focaliza, em close-up, ora o rosto de Ney-Jesuíta Barbosa, ora o belo rosto de Beíta-Hermila Guedes, ao dois lado a lado, de pé na cozinha, junto da pia, descascando batatas, ou coisa parecida. Os dois falam baixo, e suas frases são entremeadas de pausas.

Ney: – “Sargento Matogrosso… Hum… (Pausa.) Mâe, às vezes eu acho que a maior autoridade que eu já enfrentei foi meu pai. Parece que tudo que eu fiz, minhas escolhas todas, parece que foi só pra contrariar a vontade dele.”

A mãe: – “E você contrariou bastante, sim. (Longa pausa.) Mas ele aprendeu com você também, meu filho.”

E aqui há um brilho de sacada. Corta, e vemos Ney em um show, terminando de cantar uma música. A câmara mostra Beíta-Hermila Guedes de costas, sentada na platéia do teatro, aplaudindo o filho, enquanto ouvimos a voz agora em off de Ney-Jesuíta Barbosa prosseguindo o diálogo: – “A senhora acha?”

Corta, voltamos à cozinha da casa de Beíta: – “Eu lembro a primeira vez que a gente te viu no palco.”

De novo no teatro; close-up do rosto dela, aplaudindo, sorriso imenso no rosto; close-up do rosto do marido, compenetrado, sério, sisudo. Os olhos – e a gente sabe que ele bem que não queria que aquilo acontecesse – ficam mareados.

Close-up do rosto maquiadíssimo de Ney-Jesuíta Barbosa no momento em que terminava aquele show. Sobre essa imagem, a voz de Beíta-Hermila Guedes: – “Quando a gente chegou em casa, ele foi procurar teu disco.”

Close-up do braço de um toca-discos indo para o início de um LP. Tomada do toca-discos em primeiro plano, o pai em segundo plano sentado segurando na mão a capa do primeiro álbum solo de Ney, Água do Céu – Pássaro, aquele que abre com “Homem de Neanderthal” (Luiz Carlos Sá) e segue com “O Corsário” (Aldir Blanc-João Bosco), “Açúcar Candy” (Sueli Costa-Tite de Lemos) e “Pedra de Rio” (Lucinda-Luli-Paulo César), lançado em 1975, um ano depois do segundo e último álbum dos Secos & Molhados.

Beíta prossegue: – “Ficou ouvindo lá na sala, bem alto. Eu perguntei se ele tinha gostado do show. Ai ele chegou e disse: ‘Ney é um grande artista.’”

O bicho Ney passa parte do tempo entre mato e bichos

Ney Matogrosso contou, em entrevista na época de lançamento do filme, que sua mãe não iria ver sua biografia. – “Ela não se mexe mais, não se levanta mais. Minha mãe está com 103 anos. Até os 100, ela cuidou do meu sítio, dos nove empregados da fazenda, mas agora não funciona mais. Tem dias que já não me reconhece. Ela não tem condições de assistir ao filme”.

O que ele chama modestamente de “sítio” é uma fazenda de 26 hectares localizada em uma região de Mata Atlântica no município de Saquarema, no Norte do Estado do Rio. Como o filme mostra, Ney comprou a propriedade ainda nos anos 1990 – e, por uma dessas coincidências de que é feita a vida, o terreno fica junto de uma serra que tem o nome de Mato Grosso.

O filme não conta, não era o caso, mas o artista transformou sua fazenda em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). “A área é usada para soltura de animais silvestres em parceria com o Instituto Vida Livre”, informa-se na internet. “O processo de criação da reserva levou dez anos e foi oficializado em 2010.”

O bicho Ney Matogrosso passa parte do seu tempo entre mato e bichos. Que Deus o tenha.

Como muitíssimo acertadamente diz a dedicatória do filme, antes dos crédito iniciais, “A Ney Matogrosso, por ousar ser livre”.

Anotação em julho de 2025

Homem com H

De Esmir Filho, Brasil, 2025

Com Jesuíta Barbosa (Ney Matogrosso)

Hermila Guedes (Beíta, a mãe de Ney), Rômulo Braga (Antônio, o pai de Ney), Davi Malizia (Ney criança),

Bruno Montaleone (Marco de Maria, o companheiro por 13 anos), Jullio Reis (Cazuza), Mauro Soares (João Ricardo), Jeff Lyrio (Gérson Conrad), Bela Leindecker (Luli), Augusto Trainotti (soldado Cato, o primeiro amor), Bruno Parmera (Luizinho), André Dale (Gonzaguinha), Caroline Abras (Yara Neiva), Lara Tremouroux (Regina), Danilo Grangheia (Eugênio), Artur Volpi (Tonho), João Camarero (Raphael Rabello), Zeca Mallembah (João Apolinário, o pai de João Ricardo), Samuel Toledo (Mazzola, o produtor de discos), Remo Trajano (Moracy do Val)

e, em participação especial, Ney Matogrosso (como ele mesmo), Céu (Elvira Pagã),

Roteiro Esmir Filho

Baseado no livro “Ney Matogrosso: A Biografia”, de Julio Maria.

Fotografia Azul Serra

Música Gui Amabis e Rica Amabis

Montagem Germano de Oliveira

Direção de arte Thales Junqueira

Cenografia Ciça Cristo

Casting Anna Luiza Paes de Almeida

Figurinos Gabriella Marra

Produção André Fraccaroli, Marcio Fraccaroli, Veronica Stumpf, Paris Entretenimento, Paris Filmes

Cor, 129 min (2h09)

****

5 Comentários para “Homem com H”

  1. Quanta emoção, empolgação e admiração seu texto passa! Esse filme é maravilhoso pq todas as técnicas, toda a complexidade dessa magnífica arte está em profunda harmonia. Atores, direção, cenários, cor, montagem tudo, absolutamente tudo está em harmoniosa integração. Fiquei triste de seu texto acabar. Lindo e, claro, concordo com tudo. Vc arrasou. Abração

  2. Também queria elogiar que você não esqueceu de nenhum profissional. Jesuíta Barbosa está realmente possuído. Há momentos em que ele parece o Ney. Nao estou falando de quando está maquiado. Estou falando do jeito de olhar, das mãos, da cabeça e da personalidade de Ney. Quanto prazer me dá assistir a um filme brasileiro (Ainda Estou Aqui também) tão perfeito.

  3. Eu vi no cinema e é realmente excelente. Elenco, direção, direção de arte … eu nem conhecia muito do Ney, só por ser espalhafatoso, e gostei demais de ver tudo o que ele fez.
    Agora, sobre o sexo: eu via e esrava achando “demais”, até que lembrei do filme do Queen e pensei que este aqui teve a coragem de mostrar tudo o que Bohemian Rhapsody escondeu, e o filme cresceu mais um pouco ao meu ver.

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