Desaparecimento na Noruega / Forsvinningen på Lørenskog

Nota: ★★★☆

(Disponível na Netflix em setembro de 2022.)

A mulher de um dos homens mais ricos do país desaparece de casa; é deixada uma nota de sequestradores, exigindo a entrega de uma fortuna em criptomoedas, com a tradicional ameaça de que o contato com a polícia seria sentença de morte para a vítima.

Passam-se dias, semanas – e não há novos contatos dos sequestradores. A polícia começa a suspeitar do próprio marido.

Mesmo se acontecesse, digamos, nos Estados Unidos, ou no México, ou no Brasil, países em que a criminalidade e a violência são altíssimas, um caso assim mobilizaria a atenção de toda a imprensa, de imensa parcela da população.

Aconteceu na ordeira, organizada, em geral tranquila Noruega, um dos países mais ricos e de melhor distribuição de riqueza do mundo, segundo lugar no ranking de IDH do mundo, atrás apenas da Suíça e à frente da sua vizinha Suécia.

E foi há pouco tempo: no dia 31 de outubro de 2018, o empresário Tom Hagen, 70 anos, encontrou em sua casa em Lørenskog, nos arredores de Oslo, o bilhete exigindo resgate equivalente a quase US$ 10 milhões por sua mulher, Anne-Elisabeth Falkevik Hagen, de 68 anos.

O site brasileiro da BBC de Londres, em ampla reportagem sobre o caso publicada em maio de 2020, sintetizou com precisão o impacto da história: “Acostumados a viver em uma sociedade onde as taxas de criminalidade são notoriamente baixas, os noruegueses rapidamente se tornaram obcecados pelo caso.”

Como tantas outras histórias reais de desaparecimentos ou mortes que chocaram a opinião pública, a tragédia de Tom e Anne-Elisabeth foi reconstituída nas telas. Desaparecimento na Noruega, no original Forsvinningen på Lørenskog, nos países de língua inglesa The Lørenskog Disappearance, na França La Disparue de Lørenskog, é uma minissérie de cinco episódios de cerca de 50 minutos cada, com produção caprichada, nordicamente bem cuidada em todos os aspectos artesanais, lançada globalmente pela Netflix em 14 de setembro de 2022.

Na abertura de cada um dos cinco episódios, um letreiro dá o aviso tradicional: “Esta série é baseada em eventos reais. Certos nomes, acontecimentos, locais e diálogos foram adaptados para efeito de dramatização”. Para, em seguida, apresentar uma informação especialmente importante: “As perspectivas refletem as opiniões dos indivíduos representados nela”.

Ou seja: os realizadores avisam de cara que o que vai ser visto na tela não é o que eles consideram que aconteceu realmente. Não é a reprodução da verdade dos fatos. É, isso sim, o relato do que a polícia apurou e o relato do que jornalistas apuraram.

Mais ainda: não está dito expressamente aí, mas dá perfeitamente para o espectador inferir, a partir do letreiro inicial e diante do que a série mostra, que os realizadores não estão encampando como verdade o que as autoridades policiais afirmaram, nem o que os jornais escreveram.

O que a série mostra é o que teria acontecido segundo “as opiniões dos indivíduos representados nela”.

Os principais “indivíduos representados” na série são uma policial e seu parceiro, um jornalista e sua colega, e o advogado do milionário. O próprio Tom Hagen não é um dos protagonistas da história mostrada na série – é um coadjuvante. Tá bom, o principal coadjuvante, mas um coadjuvante.

Uma investigadora séria, competente, dedicada

A investigadora da polícia de Lørenskog que fica encarregada do caso se chama Jorunn (o papel de Yngvild Støen Grotmol, na foto acima, atriz de cinema, teatro e TV e também cantora, 42 anos em 2021, ano do lançamento da série). É uma policial dedicada, séria, de comportamento tanto pessoal quanto profissional irrepreensível.

A partir do primeiro telefonema de Tom Hagen comunicando que a mulher havia sido sequestrada, a polícia começa a agir um tanto de mãos atadas – tem que tomar todas as precauções para não dar mostra alguma de que o milionário havia desobedecido aos sequestradores e procurado as autoridades. Não pode, por exemplo, examinar a casa da família atrás de vestígios dos invasores – temia-se que os sequestradores pudessem estar de olho na casa, exatamente para verificar se em algum momento haveria sinal da polícia.

E, assim, Jorunn e seu parceiro, Micael Delvir (o papel de Kidane Gjølme Dalva), têm pouquíssima liberdade de ação. Ficam, conforme as instruções de sua chefia, à espera de um novo contato dos sequestradores. Que não vem nos primeiros dias, nem nas primeiras semanas.

Depois de passado um bom tempo, a polícia começa a considerar a possibilidade de que o próprio Tom Hagen estivesse envolvido no desaparecimento da mulher. Que tivesse pago para que bandidos simulassem o sequestro da mulher. Levantam-se informações de que o casamento não andava bem, e Anne-Elisabeth poderia estar querendo o divórcio.

Em algum momento, a polícia decide passar para a imprensa a informação sobre o sequestro – na esperança de que, com a notícia vindo a público, alguma testemunha pudesse ajudar, dar alguma pista.

É onde entram os repórteres Erlend Moe Riise (interpretado por Christian Rubeck) e Aleks Zaretski (Victoria Ose, na foto abaixo).

A investigadora Jorunn e os jornalistas Erlend e Aleks são os protagonistas da série, juntamente com Svein Holden (Henrik Rafaelsen), o advogado de Tom Hagen. Até os títulos de cada um dos episódios indica esse protagonismo. O primeiro episódio é “Investigadores”, o segundo, “Jornalistas”, o terceiro, “Advogados”, o quarto, “Jornalistas 2”. O q      uinto e último tem o título de “Informantes”.

Os criadores e principais roteiristas da série, Nikolaj Frobenius e Stephen Uhlander, fizeram essa interessante opção de não transformar Tom Hagen, o marido da desaparecida, no principal personagem da história. Vemos Tom Hagen (interpretado por Terje Strømdahl) conversar com os policiais, em companhia da filha (o papel de Helene Bjørneby), sempre nervosa, tensa, apavorada com a possibilidade de perder a mãe; vemos Tom Hagen conversando com seu advogado Svein Holden – mas nunca o vemos em casa, sozinho, ou conversando na intimidade com a filha, ou com algum grande amigo.

O espectador fica com a óbvia sensação de que os realizadores conversaram com os policiais diretamente envolvidos no caso, com os jornalistas, com o advogado. São as versões deles que vemos na tela. Mas aparentemente não houve entrevistas dos realizadores com o marido da vítima do sequestro.

A série faz diversos questionamentos

Elementos da intimidade, da vida pessoal da investigadora Jorunn e dos repórteres Erlend e Aleks nos são apresentados. Em vários momentos ao longo dos cinco episódios, vemos cenas de Jorunn e seu pai, idoso, solitário – seguramente já viúvo. A relação é dura, difícil, trabalhosa para a policial. É sempre assim: as pessoas cuidam dos filhos e, mais tarde, têm que cuidar dos pais.

Jorunn visita o pai com frequência, supervisiona o trabalho da cuidadora dele. Não se especifica – porque não é necessário – se o pai tem Alzheimer ou simplesmente a demência que chega com a idade provecta. Mas vemos que ele confunde as coisas, não se lembra das coisas. Jorunn tem imensa paciência e dedicação ao pai. Com o tempo, não terá coragem de encaminhá-lo para um lar de idosos, e renunciará a ter sua própria casa para cuidar dele mais de perto.

Os pais são também importantes para cada um dos dois jovens repórteres.

Com algumas rápidas pinceladas, a série nos mostra que o pai de Erlend batia na mãe. E que o pai da bela Aleks, um bielo-russo, foi perseguido e difamado pela imprensa chapa-branca da ditadura de Aleksandr Lukashenko por ser um crítico do regime.

É fantástico como os realizadores fizeram refletir no comportamento, na postura de cada um dos dois repórteres esse passado familiar.

Erland (na foto abaixo, o ator Christian Rubeck), filho de pai violento, agressor da mulher, acredita piamente que Tom Hagen é culpado, que foi o responsável pela encenação de um falso sequestro. E a jovem Aleks, filha de pai humilhado por uma imprensa irresponsável, luta para que o jornal em que os dois trabalham leve em consideração a outra possibilidade – a de que o milionário tenha, meses após o desaparecimento da mulher, sido apontado como culpado por uma polícia que não tinha qualquer prova concreta contra ele. Aleks defende que o jornal não trate o milionário como suspeito, e investigue a ação de grupos de criminosos que possam ter sido responsáveis pelo efetivo sequestro de Anne-Elisabeth.

Em diversas ocasiões, personagens da série comentam sobre a importância de alguns elementos da história envolvendo Tom Hagen e sua mulher. O fato de ele ser um dos homens mais ricos da Noruega faz com que todas as atenções da população se voltem para o caso, claro – mas faz também muita gente, inclusive na polícia e na imprensa, vê-lo como uma pessoa antipática, não confiável.

A série levanta várias questões. O fato de a Noruega ser um dos países mais ricos – e menos violentos – do mundo torna tudo um tanto mais complexo. Estaria a polícia da Noruega preparada para enfrentar um caso como esse? Ou não seria ela um tanto incompetente?

Como deve se comportar a imprensa diante de um caso assim? Qual é o dever da imprensa? Como deve ser o relacionamento entre os jornalistas e os policiais?

Coisa dos nórdicos. Mesmo em uma série sobre um crime, fazem-se questionamentos importantes, amplos, gerais, irrestritos.

Diferentes formas de abordar esses casos reais

Gostaria de registrar alguns outros casos reais de desaparecimentos e/ou assassinatos que viraram filmes e/ou séries de TV. É fascinante ver como há diferentes formas de o cinema abordar essas histórias reais.

Começo por um evento marcante acontecido na vizinha Suécia. Na noite de 28 de fevereiro de 1986, numa rua do centro de Estocolmo, o primeiro-ministro Olof Palme foi assassinado a tiros. É incrível, inacreditável, inaceitável, mas a Polícia e a Justiça daquele que é um dos países mais ricos, civilizados, avançados do planeta não foram capazes de comprovar quem matou e por que matou o primeiro-ministro que tinha a admiração de boa parte dos suecos e do mundo.

A minissérie sueca Assassinato do Primeiro-Ministro/Den Osannolika Mördaren, de 2021, é uma cuidadosíssima reconstituição não dos fatos envolvendo o assassinato – mas de como muito seguramente devem ter sido. Os realizadores assumiram como verdade uma das muitas teorias que foram levantadas; é uma teoria muitíssimo bem embasada, construída após pesquisa feita ao longo de 12 anos por um jornalista, Thomas Pettersson. A mesma teoria foi apresentada como verdade pelo chefe dos promotores públicos da Suécia, Krister Petersson, em uma entrevista coletiva em 10 de junho de 2020, com que o Estado sueco encerrou finalmente o caso. Mas o fato é que jamais foram mostradas provas claras, inequívocas, de que o assassino foi mesmo o designer gráfico Stig Engström.

No dia 9 de dezembro de 2001, o escritor americano Michael Petersen ligou para a polícia de Durham, Carolina do Norte, dizendo que havia encontrado sua mulher, Kathleen, morta, junto da escada do térreo para o primeiro andar de sua casa. Garantia que havia sido um acidente – mas, em 2003, foi condenado pelo assassinato da mulher. Oito anos depois, houve um novo julgamento; ele foi libertado em 2017, após cumprir vários anos de prisão e fazer um acordo com a promotoria admitindo oficialmente ter sido o autor do assassinato – embora continuasse o tempo todo negando isso.

O caso deu origem a uma minissérie francesa que estreou em 2004 e seguiu toda a história até 2018, Soupçons, suspeita, nos Estados Unidos The Staircase. E, em 2022, houve uma nova minissérie, que conta todo o caso, mostrando inclusive, em detalhes, como teria sido a filmagem do documentário francês; a série americana A Escadaria/The Staircase teve o inglês Colin Firth no papel de Michael Peterson, a australiana Toni Collette no de Kathleen e Juliette Binoche como a montadora da minissérie francesa, que se apaixonou por Peterson ao longo de todo o processo.

Os realizadores dessa minissérie optaram por apresentar todas as versões da história: a de que Kathleen teria morrido acidentalmente, a de ela teria sido assassinada pelo marido. O espectador vê a cena da morte da mulher mais de uma vez – a morte acidental, a morte acidental provocada pelo ataque de corujas, a morte pelas mãos do marido. A série deixa o espectador tendendo a acreditar na hipótese do acidente – mas os realizadores, diferentemente do que acontece na série sueca Assassinato do Primeiro-Ministro, não bancam abertamente essa versão.

Uma garota italiana, uma francesa, uma mexicana…  

No início da noite de 26 de novembro de 2010, Yara Gambirasio, uma garota de 13 anos de idade, saiu do ginásio de esportes em que treinava, na cidade de Brembate di Sopra, perto de Bérgamo, no Norte da Itália, em direção a sua casa, distante menos de 1 quilômetro – e desapareceu. O caso comoveu a Itália, provocou discussões políticas acaloradas.

Em 2021, foi lançado o filme Yara, relatando todo o caso; a protagonista do filme é a promotora de Justiça Letizia Ruggeri (o papel Isabella Ragonese), e a narrativa é toda voltada para a investigação policial – primeiro em busca da localização de Yara, e, depois de encontrado o corpo, do responsável ou responsáveis pelo sequestro e assassinato da garota. (No sistema legal italiano, é um promotor de Justiça que chefia a investigação policial, o trabalho dos carabinieri, os policiais militares.) O que o filme mostra é a versão oficial, o da promotora e da polícia.

Um ano antes do lançamento do italiano Yara, os franceses haviam feito a série Laëtitia, sobre o desaparecimento de uma jovem de 18 anos, Laëtitia Perrais, na região de Loire Atlantique, Oeste da França, na noite de 18 para 19 de janeiro de 2011. É um trabalho extraordinário, excepcional. A série reconstitui os fatos reais, mas vai muito, muito, muito, muito além dos eventos ligados diretamente ao desaparecimento de Laëtitia, ao trabalho policial, à localização do corpo e à procura pelo assassino. Ela reconstitui – e, por todas as informações, da forma mais acurada, mais exata possível – muitos dos fatos mais importantes de toda a vida da garota e de sua irmã gêmea Jessica. Faz um retrato da família, do meio em que as duas meninas nasceram e cresceram. Depois faz um retrato do assassino – focalizando sua família, sua adolescência.

Mais um caso:

Em 2010, uma tragédia familiar chocou e comoveu o México: Paulette Gebara Farah, uma garotinha de 4 anos de idade, desapareceu de sua casa, num condomínio de ricos na cidade de Huixquilucan, na região metropolitana da capital federal. Nove dias depois, seu corpo foi encontrado – em seu próprio quarto, na sua própria cama. O caso não saía das manchetes dos jornais, dos telejornais.

Historia de un Crimen: La Búsqueda, no Brasil simplesmente A Busca, minissérie de 6 episódios, de 2020, conta todo o caso. É uma série bem realizada em todos os quesitos, e a história é fascinante – e chocante. A polícia cometeu todo tipo de erro possível e imaginável – e, ao fim e ao cabo, ninguém ficou sabendo exatamente o que aconteceu.

Em vários casos, nunca se sabe o que de fato ocorreu

Todos esses casos reais causaram profunda comoção em seus países. Mas os filmes e séries sobre eles têm diferentes tipos de abordagem.

Yara e Laëtitia, produções da Itália e da França, narram os fatos conforme a versão oficial apresentada pelas autoridades e pela imprensa. A série mexicana vai fundo na crítica à incompetência da polícia e do envolvimento da política no caso da criança desaparecido.

A série sueca opta por bancar uma versão da história, mesmo não havendo provas irrefutáveis de que ela é a verdadeira.

A série americana apresenta as diferentes versões da história.

Esta série norueguesa aqui opta por uma abordagem semelhante à da americana. Ela simplesmente não se propõe a mostrar o que aconteceu – porque não se sabe, raios, o que de fato aconteceu!

Achei essa abordagem forte, corajosa.

Há muitos crimes ou casos de desaparecimento por algum acidente que são assim mesmo: ninguém na verdade fica sabendo o que de fato se passou.

Nos tribunais – e isso a série americana A Escada/The Staircase mostra clarissimamente, à exaustão –, apresentam-se versões. A versão que tiver uma encenação mais atraente, mais envolvente, será escolhida pelo júri, depois pela imprensa e pelo público em geral.

Para encerrar, gostaria de fazer um registro sobre essa atriz interessante, Yngvild Støen Grotmol, que faz a investigadora Jorunn.

Nascida em Oslo em 1980, Yngvild já morou em San Francisco, Santo Domingo da República Dominicana, Nova York, Los Angeles e Londres, e domina o inglês e o espanhol. Tem em paralelo as carreiras de atriz e de cantora. No YouTube há uma bela gravação dela cantando – acompanhada por um jovem violonista – “Manhã de Carnaval”, a maravilha de Luiz Bonfá e Antônio Maria. Em inglês e em português. Um ótimo português.

Esses nórdicos são danados.

Anotação em setembro de 2022

Desaparecimento na Noruega/Forsvinningen på Lørenskog

De Nikolaj Frobenius e Stephen Uhlander, Noruega, 2022

Direção Gjyljeta Berisha, Erik Skjoldbjærg, Fredrik Horn Akselsen

Com Yngvild Støen Grotmol (Jorunn, a investigadora),

Christian Rubeck (Erlend Moe Riise, o jornalista),

Victoria Ose (Aleks Zaretski, a jornalista),

e Terje Strømdahl (Tom Hagen, o milionário, marido da desaparecida), Henrik Rafaelsen (Svein Holden, o advogado de Tom Hagem), Kidane Gjølme Dalva (Micael Delvir, o policial parceiro de Jorunn), Paal Herman Ims (Jacub), Fridtjov Såheim (Jacob Winkelmann), Besir Zeciri (Edoni Emani), Joakim Skarli (Fabian Bengtsson), Jonas Strand Gravli (Tord, o namorado de Aleks), Seda Witt (Indira), Hermann Sabado (Harris, policial), Ingar Helge Gimle (Reidar Lakke Jr), Per Frisch (Mannfred), Pål Tøien (Mattis Lirhus), Aslak Maurstad (Anders, o expert em criptografia), Helene Bjørneby (a filha de Tom Hagen), Atle Knudsen (Peder Vistnes). Ulrikke Hansen Døvigen (Beate Grav Bjercke, a chefe de Erlend e Aleks no jornal), Kjersti Dalseide (Ida Velum, a namorada de Erlend)

Roteiro Nikolaj Frobenius, Stephen Uhlander, criadores, Thea Camilla Eriksen, Per Asle Rustad, Torjus Hembre Singstad, Fredrik Horn Akselsen

Fotografia John-Erling H. Fredriksen, Sven-Erling Brusletto

Música Ola Fløttum

Montagem Vidar Flataukan, Sverrir Kristjánsson, Zaklina Stojcevska, Merete Kvamme

Figurinos Ingjerd Meland

Produção Maren K. Onsaker, Mari Nygaard, Trond Winterkjær        

Cor, cerca de 250 min (4h10)

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