O Olho Mágico do Amor


Nota: ★½☆☆

Anotação em 1999: Sempre ouvi loas ao filme, que seria um exemplo de criatividade numa época em que os filmes de sacanagem, as pornochanchadas, imperavam no cinema brasileiro. Foi saudado como uma abençoada união entre os produtores da Boca do Lixo com os ensinamentos cinematográficos da ECA, a Escola de Comunicações e Artes da USP. Salvyano Cavalcanti de Paiva, por exemplo, diz que é revolucionário, mágico, obra para cinemaníacos e multidões, hino à originalidade, ao bom humor do cotidiano, ao naturalismo, à simplicidade narrativa.

De fato, o filme parte de uma idéia inteligente, interessante – o buraco na parede que permite à adolescente classe média que trabalha num escritório (Carla Camuratti, muitíssimo jovem e bonita) ver o outro mundo, o quarto da prostituta (Tânia Alves), o bas fond, o desfilar de tipos estranhos.

A partir daí se fez muita anologia entre o filme e Bela da Tarde, de Buñuel. A presença de artistas e personalidades da intelligentsia paulistana, como Cida Moreyra, Ismael Ivo, Arrigo Barnabé, Antônio Maschio, aumentou a aura.

Mas a verdade dos fatos é que, a partir daquela idéia original e inteligente, o que o filme faz é pornô puro e simples.

O Olho Mágico do Amor

De José Antônio Garcia e Ícaro Martins, Brasil, 1982.

Com Carla Camuratti, Tânia Alves, Ênio Gonçalves, Cida Moreyra, Tito Alencastro, Ismael Ivo, Arrigo Barnabé, Sérgio Mamberti, Antonio Maschio

Argumento e roteiro José Antônio Garcia e Ícaro Martins

Produção Olympus Filmes, SP.

Cor, 85 min

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