Crime Verdadeiro / True Crime


Nota: ★★★☆

Anotação em 1999: Não é o melhor Clint Eastwood dos anos 1990, depois que ele se estabeleceu definitivamente como um dos melhores diretores do mundo com o glorioso Os Imperdoáveis. Na verdade, entre os filmes de Clint pós Os Imperdoáveis, é um dos menores. Mas um filme menor de Clint ainda assim é um grande filme.

Da segunda vez, gostei mais do que quando vi pela primeira, no cinema. Da primeira vez, me aborreci com o exagero do final. Me pareceu apelativo, hollywoodiano demais, coisa que hoje em dia o monstro Clint Eastwood não precisa mais ser – como o final do filme dentro do filme O Jogador, de Robert Altman, exatamente o final da câmara de gás, Bruce Willis chegando para salvar Julia Roberts da morte, ela perguntando por que ele demorou tanto, e ele dizendo, com o jeito mais casual do mundo, “Desculpe, o trânsito estava um horror”.

Desta vez, nem esse exagero me incomodou. Achei que a causa, afinal – expor o horror da pena de morte – vale o exagero.

É especialmente brilhante o primeiro diálogo do repórter Steve Everett com a avó do garoto assassino – a dor da mulher com o peso de todo o desrespeito pelos pobres, negros, os rejeitados do sonho americano.

James Woods está ótimo como o editor do jornal que tem que tourear a briga de egos entre o repórter excelente mas criador de casos e danado de mulherengo (o papel de Clint) e o editor (Denis Learey) que detesta o subordinado direto e o que considera seus estrelismos.  

Entre as várias atrações especiais do DVD, há um interessantíssimo depoimento de um repórter sobre um caso semelhante ao mostrado no filme, de um erro judiciário que ele, repórter, expõe e obriga a Justiça a consertar. O documentário insiste em que não foi nesse caso narrado pelo repórter que o filme se baseou. Mas é semelhante, bem semelhante – e tem um trama ainda mais interessante.

Crime Verdadeiro/True Crime

De Clint Eastwood, EUA, 1999.

Com Clint Eastwood (Steve Everett), James Woods, Isaiah Washington, Denis Learey, Lisa Gay Hamilton, Diane Venora, Bernard Hill

Roteiro Larry Gross, Paul Brickman e Stephen Schiff

Baseado na novela de Andrew Klavan

Música Lennie Niehaus

Produção Zanuck Company e Malpaso. Warner.

Cor, 127 min.

Um Comentário

  1. José Luís
    Postado em 30 maio 2013 às 10:23 pm | Permalink

    Aqui está um filme que tenho de rever.
    Anda um tanto esquecido entre tantos bons filmes que Clint realizou.
    Foi bom ler esta crónica para lembrar.

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » O Informante / The Insider em 3 novembro 2010 às 9:56 pm

    […] imensa, cercada por amplo gramado, é uma casa de novo rico. Não conta nada para a mulher, Liane (Diane Venora) – e fica absolutamente claro o tipo de casamento que é aquele, e que tipo de mulher é aquela. […]

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