Jack


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Em entrevistas, Coppola disse que este filme não tem nada de pessoal, dele; que é um projeto industrial. Me lembro de ter lido uma entrevista em que ele dizia esperar que o filme fizesse sucesso porque isso o ajudaria a ter condições de, no futuro, fazer um filme pessoal. OK – não é um grande filme. Mas é muito bom.

As imagens da apresentação – o mundo visto pelo bebê, Jack, em super-big-close-ups – são estonteantes. Os meninos escolhidos para serem os colegas de Jack na escola e no bairro são excelentes – e é fantástico como o casting conseguiu encontrar garotos de 17 anos parecidos com os de 10, para representar os personagens na seqüência final, quando eles se formam na high school.

Há excelentes seqüências com a câmara em movimento, como a cena de abertura, um baile à fantasia, em que a mãe de Jack, grávida de três meses, sente contrações, e como as das brincadeiras de Jack e a mãe brincando de esconde-esconde dentro de casa.

Detalhe: Diane Lane, que faz a mãe de Jack, é uma jovem atriz (nasceu em 1965) que o Coppola deve adorar: trabalhou em três ou quatro filmes dele, antes deste.

Mas o grande brilho do filme é mesmo Robin Williams.

A história é uma fábula, que parte de um princípio totalmente ilógico, irracional: Jack é uma pessoa cuja relação com o tempo é diferente de todas as demais. Seu corpo se desenvolve em um ano o que nos outros leva quatro anos. Assim, vem ao mundo aos três meses de gravidez. E, aos 10 anos, tem o corpo de 40, embora a cabeça de 10. Algo como o conto de F. Scott Fitzgerald, “O curioso caso de Benjamin Button”, em que ele nasce velhinho e vai ficando mais novo à medida em que os anos passam.

A moral da história é boa, embora óbvia: tudo se resolve com amor e amizade; os adultos ficam menores e mais bobos do que poderiam ser porque perdem a criança que foram; ficam sérios, preocupados só com a sobrevivência, o emprego, a competição, os bens materiais. A vida passa depressa demais, e é preciso aproveitar bem cada pequeno momento, sugar a seiva da vida.

É mais ou menos – me ocorre agora – exatamente a mesma moral de Hook, de Sociedade dos Poetas Mortos e até de Uma Babá Quase Perfeita, não por acaso três filmes em que brilha o talento de Robin Williams.

E que talento. Ele tem – notou Marynha – o brilho dos olhos de uma criança. Ele anda como uma criança de dez anos. As mãos são de uma criança de dez anos. É impressionante.

Jack

De Francis Ford Coppola, EUA, 1996.

Com Robin Williams, Diane Lane, Jennifer Lopez, Bill Cosby

Roteiro James DeMonaco e Gary Nadeau

Cor, 113 min.

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