O Céu de Lisboa / Lisbon Story


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Virou moda: a cada novo filme de Wim Wenders, a crítica desce o pau. Foi assim com Até o Fim do Mundo, foi assim com Tão Longe, Tão Perto, a continuação de Asas do Desejo, que eu perdi, e agora com este Lisbon Story. A crítica que vá à merda. O filme prossegue na catilinária de Wenders sobre a banalização das imagens, mas é um belo – embora propositadamente lento e sem qualquer ação, mas cheio de monólogos – manifesto de amor ao cinema no ano do seu centenário, à Europa unificada, à interligação entre culturas diferentes. Continue lendo “O Céu de Lisboa / Lisbon Story”

Caminhos Mal Traçados / The Rain People


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996: Esta obra do jovem Francis Ford Coppola, que eu não conhecia nem de ouvir falar, é um dos primeiros longa-metragens dele como diretor. Antes, ele havia feito Agora Você é um Homem/You’re a big boy now (também com a mesma boa atriz, Shirley Knight, uma comédia sobre o início da influência da contracultura, uma espécie de versão nova-iorquina de A Primeira Noite de um Homem/The Graduate), e O Caminho do Arco-Íris/Finian’s Rainbow (em que resolveu se aventurar no musical, com o já velho Fred Astaire e a cantora inglesa Petula Clark). Neste aqui, de 1969, Coppola se antecipa em três décadas aos road-movies feministas, Thelma & Louise e os demais. Continue lendo “Caminhos Mal Traçados / The Rain People”

Os Irmãos McMullen / The McMullen Brothers

Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Uma bela surpresa. O filme, independente, dirigido por um garoto estreante de 28 anos com orçamento de US$ 25 mil, chegou ao Sundance Festival, promovido por Robert Redford, e ganhou o Grande Prêmio da Crítica. Por causa do sucesso (faturou US$ 10 milhões e foi proporcionalmente o filme mais rentável do ano), Edward Burns já fez um segundo filme, com orçamento de US$ 3,5 milhões. Continue lendo “Os Irmãos McMullen / The McMullen Brothers”

A Guerra de um Homem Só / One Man’s War


Nota: ★★☆☆

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Este filme é bem um exemplo de que o inferno está de fato cheio de boas intenções. Os gringos querem mostrar um saudável exemplo da luta contra uma ditadura de direita lá no cu do quinto mundo. (Trata-se especificamente do Paraguai; nada de disfarces do tipo “algum país da América do Sul”; tudo explícito, com nome do Stroessner, com aviso de cara que é história real.) Continue lendo “A Guerra de um Homem Só / One Man’s War”

Corrina, uma Babá Perfeita / Corrina, Corrina


Nota: ★★½☆

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Uma boa surpresa. Uma história de amor entre um branco, filho de judeus, e uma negra, numa cidade média, não identificada, dos Estados Unidos, em época não precisa (algo entre final dos 50 e começo dos 60), contada com sensibilidade. Continue lendo “Corrina, uma Babá Perfeita / Corrina, Corrina”

Coronel Chabert / Le Colonel Chabert


Nota: ★★★½

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Uma beleza espantosa, emocionante. A história, escrita por Balzac, é riquíssima, os personagens são fortes, bem delineados – e os diálogos, de Jean Cosmon, são brilhantes. Com produção requintada, reconstituição de época cuidadosa, Yves Angelo, que vinha de experiência como diretor de fotografia (é dele, por exemplo, a fotografia de Todas as Manhãs do Mundo), criou em seu filme de estréia na direção imagens belíssimas, ao som de músicas de Beethoven, Mozart, Scarlatti, Schubert e Schuman.   Continue lendo “Coronel Chabert / Le Colonel Chabert”

Daens – Um Grito de Justiça / Daens


Nota: ★★★☆

Anotação em 1995: Belo filme, pesado e triste como a miséria, com narrativa bem tradicional, mas tudo funcionando bem. Foi indicado para o Oscar de filme estrangeiro (perdeu para Indochina, de Régis Wargnier), apesar de ser deliciosamente fora de época, remando contra os ventos liberais (em termos econômicos, não sociais ou comportamentais) pós-queda do muro e fim do comunismo. Continue lendo “Daens – Um Grito de Justiça / Daens”

Crimes de Amor / Love Crimes


Nota: ★★½☆

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Os guias americanos metem o pau. Não entenderam nada. É um belo filme, corajoso e (para ele a palavra, embora gasta, realmente vale) instigante. A diretora do filme, Lizzie Borden, coloca em discussão as relações homem-mulher, a diferença entre estupro e sexo consentido – e não da maneira cega, vesga, calhorda, politicamente correta do feminismo linha xiita, e sim mostrando ambiguidades, a ampla linha da ambiguidade. Continue lendo “Crimes de Amor / Love Crimes”