A Sombra da Dúvida / L’Ombre du Doute


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Uma surpresa. Primeiro filme que vejo dessa cineasta francesa nascida em 1948, que estreou na direção em 1982. O tema pesadíssimo – uma filha de 11 anos que acusa o pai de molestá-la sexualmente, na região de Bordeaux, nos dias de hoje, em plena classe média – é enfrentado como se ela estivesse fazendo um documentário. Continue lendo “A Sombra da Dúvida / L’Ombre du Doute”

Razão e Sensibilidade / Sense and Sensibility


Nota: ★★★½

Anotação em 1996: O filme ganhou o Urso de Ouro em Berlim e os Globo de Ouro de Filme e Roteiro, além de sete indicações para o Oscar. É um grande prazer para os olhos, visualmente uma pérola, cenografia e fotografia esplêndidas, elenco excelente – com superlativos para Emma, essa atriz absolutamente brilhante, e para Kate Winslet. Continue lendo “Razão e Sensibilidade / Sense and Sensibility”

O Passado do Meu Marido / The Constant Husband


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996:  É uma boa comédia bem inglesa. Um sujeito acorda num quarto de hotel com amnésia. Olha para fora, está na beira do mar. Sai, e vê um monte de pescadores conversando numa língua estranha. Pergunta em alemão se eles falam alemão, em francês se falam francês. Nada. Pergunta se alguém fala inglês e percebe que está no País de Gales. Continue lendo “O Passado do Meu Marido / The Constant Husband”

Paixão Bandida / Feeling Minnesota


Nota: ½☆☆☆

Anotação em 1997: Meia estrela, a pior cotação possível – embora tenha uma apresentação interessante, trilha sonora que começa com Johnny Cash cantando Ring of Fire e fecha com nada menos que Bob Dylan cantando a mesma música em gravação que eu desconhecia, e tenha tido apoio do Sundance, o instituto criado por Robert Redford que é grande incentivador do cinema independente americano. Continue lendo “Paixão Bandida / Feeling Minnesota”

O Outro Lado da Nobreza / Restoration


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996, com complemento em 2008: Belo filme, bela surpresa. Não é nada naturalista, é todo exagerado, exageradíssimo. Na verdade é uma fábula, com uma belíssima moral da história, embora óbvia, mas dita de uma forma brilhante: cada pessoa tem um lado escuro e um lado claro, e dentro das limitacões todas pode escolher o que querem. Continue lendo “O Outro Lado da Nobreza / Restoration”

Não Amarás / Krotki Film o Milosci


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Um filme muito, muito triste, amargo, desesperançado. A moral seria mais ou menos assim: não amarás – ou então, caso ames, serás tragado pelo inferno da infelicidade, da solidão, da falta, da ausência, da privação. Ou ainda: o amor não é encontro, é necessariamente desencontro, frustração, vontade que não pode ser saciada. Ou ainda: o amor é sempre unilateral e nunca tem duas vias ao mesmo tempo. Continue lendo “Não Amarás / Krotki Film o Milosci”

Um Mundo Perfeito / A Perfect World


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996, com acréscimos em 2008: Acabamos meia hora atrás de ver, pela primeira vez, Um Mundo Perfeito, o primeiro filme de Clint Eastwood depois de Os Imperdoáveis. Que brilhantíssimo artista é esse cara. Que trajetória mais extremamente pessoal que ele carrega nas obras dele na maturidade. Que figura mais estranhamente multifacetada, que coisa mais difícil de se rotular, que enigma dentro do esquemão das grandes corporações. Continue lendo “Um Mundo Perfeito / A Perfect World”

A Mulher Infiel / La Femme Infidèle


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Claude Chabrol insiste, como vários de seus contemporâneos, em mostrar as vilanias da burguesia. Pega aqui uma família de posses (cuja origem do dinheiro nunca é mostrada), que mora numa bela propriedade num subúrbio de Paris, garoto de uns dez anos pouco delineado, mulher jovem, bonita e sensual (Stéphane Audran), marido (Michel Bouquet) mais velho, educado, polido, frio e nunca interessado em carinho ou sexo. Continue lendo “A Mulher Infiel / La Femme Infidèle”

Os Miseráveis / Les Misérables


Nota: ★★★★

Anotação em 1996: Lindo, emocionante, brilhante, inteligente, bem feito, com tudo da parte técnica absolutamente perfeito. Uma obra-prima, um tour-de-force, uma imensa beleza. Tudo bem, Lelouch é um dos meus cineastas preferidos, é um cineasta do meu coração, e sento numa poltrona de cinema diante de um filme dele não para julgar, mas para me entregar à beleza e à emoção. Continue lendo “Os Miseráveis / Les Misérables”

Minha Mãe é uma Sereia / Mermaids


Nota: ★★★½

Resenha para a revista Bárbara, em 1996: “Vocês não vieram com manual de instruções”, diz a mãe para a filha adolescente em Minha Mãe é Uma Sereia/Mermaids, 1990. É verdade que o personagem da mãe, interpretada por Cher, aquela ex-cantora e atriz conhecida por aparecer em entregas de Oscar com as roupas mais exóticas que se poderia imaginar, não é o protótipo do que é tido como uma “boa mãe”. Ao contrário. Continue lendo “Minha Mãe é uma Sereia / Mermaids”

Minha Secretária / Nélly et Monsieur Arnaud


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Acerta na mosca o Jean Tulard no Dicionário de Cinema dele quando diz que os filmes de Sautet, sempre interpretados pela mesma equipe de atores (Michel Piccoli, Yves Montand, Romy Schneider), sempre com música de Philippe Sarde, se fixam nos meios abastados da capital francesa e pegam os mesmos personagens, “suas dores do coração e suas dificuldades financeiras”. Continue lendo “Minha Secretária / Nélly et Monsieur Arnaud”