O Homem das Estrelas / L’Uomo delle Stelle


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Uma beleza emocionante. O filme rompe aquela estrutura normal das tragicomédias em que a gente começa rindo e aos poucos vai deixando de rir e vai ficando amargurado. É dividido em dois tempos distintos, e a passagem da comédia para a tragédia se dá de repente, num momento só, o momento em que Joe Morelli cruza pela segunda vez com o carabinieri, agora tornado delegado, e é preso, espancado pela máfia e na saída da prisão encontra a Beata louca.

Mas vamos por partes.   Continue lendo “O Homem das Estrelas / L’Uomo delle Stelle”

Guantanamera


Nota: ★★★½

Anotação em 1996: Uma delícia, tão bom, competente e bem feito quanto o anterior da dupla de diretores cubanos, Morango e Chocolate. (Alea morreu em abril deste ano, 1996.) É igualmente crítico dos erros do regime cubano, mas com uma crítica feita com amor e simpatia. A rigor, é ainda mais crítico que o anterior, é mais contudente no ataque à rigidez do regime, à incapacidade do regime de se adaptar, abrir brechas na estrutura imutável desde 1960. Continue lendo “Guantanamera”

Fargo


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: O filme é baseado em fatos reais, nos avisam os irmãos Coen logo de cara – embora seja uma mentira. Parece ter saído da cabeça de um escritor de livros policiais, tipo Um Plano Simples. Se fosse uma história real, seria mais uma prova de que vida e arte nos Estados Unidos espelham a mesma realidade: uma sociedade rica, a mais rica do planeta, e inteiramente ensandecida, em que, por um pouco de dinheiro, se matam pessoas – sete, no caso específico – com a mesma facilidade com que se matam baratas. Continue lendo “Fargo”

Um Encontro Para Sempre / A Month by the Lake


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996: Quase um belo filme. Inglesa de meia idade, Miss Bentley (Vanessa, com uma beleza esplendorosa aos 58 anos de idade), vai pelo 16º ano consecutivo passar as férias de abril em uma vila italiana perto do Lago Como, em 1937, às vésperas da Segunda Guerra, e pela primeira vez sem o pai, pintor, morto pouco antes. Continue lendo “Um Encontro Para Sempre / A Month by the Lake”

Desafio no Bronx / A Bronx Tale


Nota: ★★★★

Anotação em 1996: No seu primeiro filme como diretor, De Niro fala de temas que estão em alguns de seus grandes filmes como ator, como Era Uma Vez na América, Bons Companheiros, Mean Streets: crescer nos bairros de Nova York em meio aos gângesters e à violência. E se revela um diretor talentoso. Mais do que isso, se revela um diretor sensível, sério, mais interessado no interior dos personagens que em ação. O fato de ter escolhido a história de Palminteri já é prova disso. Mas no trabalho de direção ele evidencia, o tempo todo, essa opção preferencial pelo mais importante – mesmo indo contra as regras da bilheteria. Continue lendo “Desafio no Bronx / A Bronx Tale”

Copycat – A Vida Imita a Morte / Copycat


Nota: ★★★½

Anotação em 1996: Um bom, competente thriller. Alguém disse que é o melhor thriller americano desde O Silêncio dos Inocentes. Pois, olha, acho que é mesmo. Redondinho, inteligente, bem up-to-date, com muita computação e internet. Logo no começo do filme, com uns dez minutos de ação, o cara faz um plano seqüência de quase três minutos – a policial intepretada por Holly Hunter entrando numa casa cena de crime, andando por vários aposentos, passando por várias pessoas – que define competência, talento. Continue lendo “Copycat – A Vida Imita a Morte / Copycat”

O Céu de Lisboa / Lisbon Story


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Virou moda: a cada novo filme de Wim Wenders, a crítica desce o pau. Foi assim com Até o Fim do Mundo, foi assim com Tão Longe, Tão Perto, a continuação de Asas do Desejo, que eu perdi, e agora com este Lisbon Story. A crítica que vá à merda. O filme prossegue na catilinária de Wenders sobre a banalização das imagens, mas é um belo – embora propositadamente lento e sem qualquer ação, mas cheio de monólogos – manifesto de amor ao cinema no ano do seu centenário, à Europa unificada, à interligação entre culturas diferentes. Continue lendo “O Céu de Lisboa / Lisbon Story”

Caminhos Mal Traçados / The Rain People


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996: Esta obra do jovem Francis Ford Coppola, que eu não conhecia nem de ouvir falar, é um dos primeiros longa-metragens dele como diretor. Antes, ele havia feito Agora Você é um Homem/You’re a big boy now (também com a mesma boa atriz, Shirley Knight, uma comédia sobre o início da influência da contracultura, uma espécie de versão nova-iorquina de A Primeira Noite de um Homem/The Graduate), e O Caminho do Arco-Íris/Finian’s Rainbow (em que resolveu se aventurar no musical, com o já velho Fred Astaire e a cantora inglesa Petula Clark). Neste aqui, de 1969, Coppola se antecipa em três décadas aos road-movies feministas, Thelma & Louise e os demais. Continue lendo “Caminhos Mal Traçados / The Rain People”

Os Irmãos McMullen / The McMullen Brothers

Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Uma bela surpresa. O filme, independente, dirigido por um garoto estreante de 28 anos com orçamento de US$ 25 mil, chegou ao Sundance Festival, promovido por Robert Redford, e ganhou o Grande Prêmio da Crítica. Por causa do sucesso (faturou US$ 10 milhões e foi proporcionalmente o filme mais rentável do ano), Edward Burns já fez um segundo filme, com orçamento de US$ 3,5 milhões. Continue lendo “Os Irmãos McMullen / The McMullen Brothers”

Caros F… Amigos / Cari Fottutissimi Amici


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996: Engraçadíssima e amarga comédia do velho Monicelli, tendo como pano de fundo a Itália entre a chegada das tropas aliadas, em 1943, e o final da guerra. É um road-movie à la italiana, como As Aventuras do Capitão Tornado, de Scola (que em momentos faz lembrar outro road-movie à latina, Bye, Bye Brasil). Continue lendo “Caros F… Amigos / Cari Fottutissimi Amici”