Um Encontro Para Sempre / A Month by the Lake


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996: Quase um belo filme. Inglesa de meia idade, Miss Bentley (Vanessa, com uma beleza esplendorosa aos 58 anos de idade), vai pelo 16º ano consecutivo passar as férias de abril em uma vila italiana perto do Lago Como, em 1937, às vésperas da Segunda Guerra, e pela primeira vez sem o pai, pintor, morto pouco antes. Continue lendo “Um Encontro Para Sempre / A Month by the Lake”

O Céu de Lisboa / Lisbon Story


Nota: ★★★☆

Anotação em 1996: Virou moda: a cada novo filme de Wim Wenders, a crítica desce o pau. Foi assim com Até o Fim do Mundo, foi assim com Tão Longe, Tão Perto, a continuação de Asas do Desejo, que eu perdi, e agora com este Lisbon Story. A crítica que vá à merda. O filme prossegue na catilinária de Wenders sobre a banalização das imagens, mas é um belo – embora propositadamente lento e sem qualquer ação, mas cheio de monólogos – manifesto de amor ao cinema no ano do seu centenário, à Europa unificada, à interligação entre culturas diferentes. Continue lendo “O Céu de Lisboa / Lisbon Story”

Caros F… Amigos / Cari Fottutissimi Amici


Nota: ★★½☆

Anotação em 1996: Engraçadíssima e amarga comédia do velho Monicelli, tendo como pano de fundo a Itália entre a chegada das tropas aliadas, em 1943, e o final da guerra. É um road-movie à la italiana, como As Aventuras do Capitão Tornado, de Scola (que em momentos faz lembrar outro road-movie à latina, Bye, Bye Brasil). Continue lendo “Caros F… Amigos / Cari Fottutissimi Amici”

A Guerra de um Homem Só / One Man’s War


Nota: ★★☆☆

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Este filme é bem um exemplo de que o inferno está de fato cheio de boas intenções. Os gringos querem mostrar um saudável exemplo da luta contra uma ditadura de direita lá no cu do quinto mundo. (Trata-se especificamente do Paraguai; nada de disfarces do tipo “algum país da América do Sul”; tudo explícito, com nome do Stroessner, com aviso de cara que é história real.) Continue lendo “A Guerra de um Homem Só / One Man’s War”

Coronel Chabert / Le Colonel Chabert


Nota: ★★★½

Anotação em 1995, com complemento em 2008: Uma beleza espantosa, emocionante. A história, escrita por Balzac, é riquíssima, os personagens são fortes, bem delineados – e os diálogos, de Jean Cosmon, são brilhantes. Com produção requintada, reconstituição de época cuidadosa, Yves Angelo, que vinha de experiência como diretor de fotografia (é dele, por exemplo, a fotografia de Todas as Manhãs do Mundo), criou em seu filme de estréia na direção imagens belíssimas, ao som de músicas de Beethoven, Mozart, Scarlatti, Schubert e Schuman.   Continue lendo “Coronel Chabert / Le Colonel Chabert”

Daens – Um Grito de Justiça / Daens


Nota: ★★★☆

Anotação em 1995: Belo filme, pesado e triste como a miséria, com narrativa bem tradicional, mas tudo funcionando bem. Foi indicado para o Oscar de filme estrangeiro (perdeu para Indochina, de Régis Wargnier), apesar de ser deliciosamente fora de época, remando contra os ventos liberais (em termos econômicos, não sociais ou comportamentais) pós-queda do muro e fim do comunismo. Continue lendo “Daens – Um Grito de Justiça / Daens”

Anna dos 6 aos 18 / Anna: Ot shesti do vosemnadtsati


Nota: ★★★☆

Anotação em 1995: A idéia em si já é brilhante: Nikita Mikhalkov mostra a evolução de sua filha Anna dos 6 aos 18 anos – e, paralelamente, a história da União Soviética durante esse período. Foram 13 anos, portanto, para completar o filme. Uma vez por ano, ao longo de 12 anos, ele filma a filha e lhe pergunta o que ela mais ama, o que ela mais odeia, o que ela teme. Fez uma história dos últimos anos do império soviético até sua explosão. Continue lendo “Anna dos 6 aos 18 / Anna: Ot shesti do vosemnadtsati”

Nascido para Matar / Full Metal Jacket


Nota: ★★★★

Texto publicado na revista Afinal de 19 de janeiro de 1988: O recruta Joker é o único dos membros de sua turma que ousa tentar reagir à enxurrada de ordens e impropérios com que o sargento instrutor se apresenta, logo no início dos treinamentos – mas, até por isso mesmo, é promovido a líder do grupo e, na prática, entrega-se à lavagem cerebral imposta a todos os futuros fuzileiros navais. Mais tarde, no Vietnã, é capaz de manter um aguçado espírito crítico e uma boa dose de humanidade – mas, ao mesmo tempo, se diz entediado quando passa um dia sem ver sangue. Continue lendo “Nascido para Matar / Full Metal Jacket”