Indiana Jones e o Templo da Perdição / Indiana Jones and the Temple of Doom

Nota: ★★★½

A ação do segundo filme de Indiana Jones começa, como informa um letreiro logo no início, em Xangai, em 1935. E põe ação nisso. Da mesma maneira que o primeiro, Indiana Jones e Templo da Perdição começa a mil quilômetros por hora.

Começa, enquanto os créditos iniciais vão rolando, com uma beleza de número musical – uma fantástica homenagem de Steven Spielberg aos grandes musicais dos anos 30 e 40. Num amplo night club de Xangai, rola uma apresentação digna da Broadway, digna de um musical de Busby Berkeley, Vincente Minnelli, Stanley Donen. Umas 30, talvez 40 mulheres no palco, para emoldurar o brilho da estrela, uma americana loura, bonita, atraente, que canta “Anything goes”, de Cole Porter. Aquele night club, aquela cantora loura, Willie Scott, eram bem informadíssimos, uptodate demais da conta: “Anything goes” havia sido escrita por Cole Porter para seu musical do mesmo nome que havia estreado na Broadway em 1934, apenas um anos antes!

Willie Scott é interpretada por uma moça que havia sido escolhida para o papel entre mais de cem atrizes testadas pela produção, chamada Kate Capshaw. A moça eventualmente iria se tornar a segunda sra. Steven Spielberg de papel passado, e os dois teriam cinco filhos, mas, diacho, isso é outra história.

Depois do maravilhoso número musical, começa a ação, a aventura, a mil por hora: Indiana Jones-Harrison Ford, dublê de comportado professor de Arqueologia com aventureiro, caçador de valiosas peças do passado longínquo, entra no night club para entregar ao milionário mafioso chinês Lao Che (Roy Chiao) um achado arqueológico valiosíssimo, que remete à geração sei lá qual dos imperadores da China.

Revela-se que a cantora loura americana Willie Scott está na lista de funcionários de Lao Che, como prestadora de serviços pode-se imaginar quais. Indiana Jones exige o altíssimo pagamento combinado para entregar a peça valiosa – mas toma um gole da bebida que está à mesa, e Lao Che e seus Lao Chezinhos morrem de rir, porque na bebida há um veneno poderosíssimo. O mafioso chinês tem um antídoto que poderia salvar a vida do professor-caçador de preciosidades – mas só entrega se o americano entregar o diamante. Indy enfia uma faca no vestido da loura e, para não enfiar na loura propriamente dita, exige o antídoto.

Para encurtar o relato, o que há aí são uns 10, 12 minutos de uma sensacional sequência de ação dentro daquele night club chinês. Indiana Jones sai de lá com a boneca, perdão, a loura, que por sua vez carrega o tal antidoto, numa das fugas de local de tiroteio mais sensacionais da História do cinema – para cair exatamente no carro dirigido pelo Baixinho, como as legendas em Português traduzem Short Round, o apelido do garotinho chinês aí de uns 12 anos que é o terceiro personagem mais importante do filme, depois de Indy e da loura Willie.

O Baixinho, Short Round, o espectador verá, tornou-se um assistente de Indiana Jones quase tão absolutamente competente quanto o mestre.  Lá pelo meio do filme ficaremos sabendo que os dois se conheceram quando o garoto tentou furtar a carteira do americano numa rua de Xangai.

Alertado por Indy sabe-se lá como, o Baixinho havia fretado um pequeno avião no qual fugiriam da perseguição de Lao Che e seus muitos capangas. Entram no avião às pressas os três – Indy, o Baixinho e Willie.

Indy pensa que vai dar para dar uma descansadinha depois daqueles momentos de ação a mil por hora, e, depois de uma rápida discussão com a loura que não está entendendo absolutamente nada, bota o chapéu na cara para tirar uma soneca.

A câmara focaliza a aviãozinho antes que ele levante vôo – e o espectador vê algo que Indy não viu: o avião é da empresa Lao Che.

Aviões, o clima, o visual dos anos 30

Em diversos de seus filmes, Steven Spielberg demonstrou à exaustão que tem uma imensa paixão pelos anos 30 e 40, por tudo o que diz respeito a eles – em especial, é claro, os filmes daquelas décadas de ouro de Hollywood. Os filmes, os seriados de aventuras. As roupas, o clima, o visual, os carros – e, sobretudo, os aviões.

Quando, em 1987, depois de ter dirigido e/ou produzido sete dos até então 20 filmes de maior bilheteria da História do cinema, Spielberg lançou seu segundo filme denso, sério, pesado, em sequência, Império do Sol, fez com seu pobre herói – um garoto filho de riquíssimos ingleses na mesma Xangai do início dos anos 40, que se perde dos pais e vai parar num campo de concentração para estrangeiros – fosse um apaixonado por aviões. Afundado na mais profunda miséria do campo de concentração, o garotinho Jamie se entusiasma ao ver um avião, qualquer avião – e sabe identificar cada um deles.

Dois anos depois, em 1989, colocou os aviões dos anos 30, 40, como um dos elementos mais importantes de um de seus filmes mais subestimados, Além da Eternidade/Always – que, aliás, é uma refilmagem de uma obra de 1943, Dois no Céu/A Guy Named Joe, de Victor Fleming, com Spencer Tracy e Irene Dunne.

Quando Indy, o Baixinho e a loura Willie entram no aviãozinho da empresa do mafioso Lao Che, vemos na tela um mapa, mostrando a trajetória – de Xangai para Oeste, e depois para o Sul, rumo ao Nepal, e depois à Índia. Exatamente como na primeira aventura, Caçadores da Arca Perdida, havíamos visto mapas mostrando a trajetória de Indy de Los Angeles através do Pacífico, até ir parar no Nepal.

Dura menos de um minuto. Não deu sequer para o espectador respirar direito – e logo o piloto e o co-piloto, empregados de Lao Che, abandonam o avião e pulam de pára-quedas, enquanto nossos três personagens dormem.

Diacho! Me alonguei de novo no relato da trama, o que é besteira, porque todo mundo está cansado de saber da história. Na anotação sobre Caçadores da Arca Perdida, consegui não ficar falando da trama, mas agora cai na armadilha, na bobagem.

Inomináveis sacrifícios humanos a um deus cruel

O interessante é que, exatamente como em Caçadores, toda essa história que abre o filme não tem nada a ver com a trama que virá a seguir. Essa peça arqueológica raríssimo do período XPTO da China, o tal Lao Che, nada disso importa – da mesma forma com que não importa para a trama de Caçadores toda aquela abertura com Indiana Jones procurando, achando e depois perdendo uma imagem sagrada de uma civilização de um passado distantérrimo no Peru não tem nada a ver com a história mesmo, a da busca da Arca que conteria as tábuas que Moisés trouxe do Monte Sinai, após seu encontro com Deus.

A trama mesmo deste Indiana Jones Parte II começa quando o filme está com 20 dos seus 118 minutos, já tivemos uns 17 minutos de tanta ação que nos deixa sem fôlego, literalmente sem fôlego, e Indy, o Baixinho e a loura Willie avistam um senhorzinho indiano idoso, com cara de sábio e chefe de aldeia.

Sim, porque é claro que não seria o fato de estarem num avião sem piloto nem co-piloto que faria Indiana Jones e seus amigos morreram, certo? Claro. Até porque, quando o avião e se espatifa e explode junto de uma montanha da região ali do Himalaia, o filme está apenas com uns 15 minutos.

E então, quando o filme está com 20 minutos, nossos heróis avistam um senhorzinho indiano idoso, com cara de sábio e chefe de aldeia – e aí começa de fato a história de Indiana Jones e o Templo da Perdição.

A história do segundo Indiana Jones vai incluir antigas lendas, inomináveis sacrifícios de vida humana em nome de um deus malvado, um palácio de marajá mais terrivelmente cheio de riqueza aparente do que todas as mansões dos astros de Hollywood juntas, mais do que a Xanadu de Charles Foster Kane que Orson Welles mostrou no filme que 9 de dada 10 críticos consideram o melhor que já foi feito em todos os tempos. Inclui também o uso de crianças para trabalho escravo, essa coisa inominável, absurda, esdrúxula – mas, na vida real dos países do Terceiro Mundo, nada fantasiosa.

Um jeito de contar a história que é puro George Lucas

Não fui eu, o cara que escreve sobre filmes faz tempo, que reparou. Foi Mary. No início de Caçadores da Arca Perdida há o letreiro: “América do Sul, 1936”. No início deste Templo da Perdição um letreiro informa: “Xangai, 1935”.

Diacho! O filme 2 se passa antes do filme 1!

Quer dizer então que Indiana Jones primeiro se meteu lá naquela aventura na China, e depois na Índia, na procura da pedra mágica roubada do vilarejo que então perdeu suas crianças e todas as suas plantações – para só depois se meter na busca da Arca com as tábuas dos Dez Mandamentos!

Primeiro Indy teve aquele caso com a cantora loura Willie Scott – para só depois, um ano depois, reencontrar, no Nepal, sua namorada dos tempos da faculdade, a morena e muito dona de si Marion (Karen Allen)!

Uau!

Nunca havia percebido isso. Nunca havia prestado atenção aos anos que aparecem nos letreiros iniciais das duas primeiras aventuras de Indiana Jones. Foi Mary que viu, com aquela capacidade feminina de bater o olho no detalhe e perceber tudo.

E foi ela mesma que fez a análise: essa coisa de contar primeiro uma história que aconteceu depois, para só depois contar a parte da história que aconteceu antes, isso é George Lucas puro! No sangue!

Uai! Isso é a mais pura verdade! É George Lucas puro essa coisa de começar a contar uma história pelo volume IV, depois V, depois VI, para só um porrilhão de anos depois apresentar os volumes I, II e III.

Uma história George Lucas puro; Lucas assina como autor da história, assim como em Caçadores. O roteiro é de Willard Huyck & Gloria Katz

Spielberg e Kate Capshaw, uma bela trama

Foi ao dar uma lida no IMDb, depois que Templo da Perdição terminou, que chequei também outras datas – as datas da vida pessoal desse senhor que é um dos maiores realizadores da História do Cinema, um realizador que tem no sangue Georges Meliès e os irmãos Lumière, um tanto de Charlie Chaplin e um tanto de D.W. Griffith, o espetáculo para todos e a forma de arte juntos e ao vivo na tela.

É interessante. Eu sabia que Spielberg havia sido casado com Amy Irving e com Kate Capshaw, a atriz que faz Willie Scott – só não me lembrava a ordem.

Spielberg foi legalmente casado com Amy Irving entre 1985 e 1989. Tiveram um filho, divorciaram-se. Alguns anos mais tarde, Amy Irving se casaria com o realizador Bruno Barreto; ficariam casados no papel de 1996 a 2005. No primeiro ano de casados, Barreto dirigiu a mulher em um belo filme, Atos de Amor/Carried Away, e, em 2000, fizeram juntos o gostoso Bossa Nova. Se não estou enganado, Spielberg jamais dirigiu Amy Irving.

Ele e Kate Capshaw se conheceram nos testes para a escolha da atriz que faria Willie, em 1985 – exatamente o ano do casamento dele com Amy Irving. Os dois viriam a se casar, como creio que já foi dito, em 1991. Permaneciam juntos quando revi Templo da Perdição, em abril de 2020.

Gosto muito de boas tramas. Nos filmes e na vida real.

Spielberg dirigiu quatro dos grandes hits dos anos 80

Caçadores, o filme número 1 de Indiana Jones, foi indicado a oito Oscars e levou quatro. Este Indiana Jones e o Templo da Perdição foi indicado só a dois – música, de John Williams, como sempre, e efeitos visuais. Ganhou esse de efeitos visuais.

Caçadores foi o filme de maior bilheteria em 1981. Templo da Perdição foi a segunda maior bilheteria de 1984, atrás de Os Caça-Fantasmas/Ghostbusters.

Caçadores tem 223 itens na página de Trivia do IMDb  – informações, curiosidades, bobagens, coincidências, etc. Templo da Perdição tem 130. Ser segundo filho tem desses problemas.

Harrison Ford estrelou quatro dos filmes que ficaram entre os cinco de maior bilheteria de cada ano entre 1980 e 1988, dois dirigidos por George Lucas (O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi), dois por Spielberg (Caçadores da Arca Perdida e este Templo da Perdição).

Spielberg dirigiu quatro desse grupo dos cinco filmes de maior bilheteria anual nos anos 80: além de Caçadores e Templo da perdição, E.T.: O Extraterrestre e A Cor Púrpura. E foi o produtor-executivo de três outros: Uma Cilada para Roger Rabbit, Gremlins e De Volta para o Futuro.

A página de Trívia do IMDb sobre o filme tem muita, mas muita informação interessante; vou transcrever umas poucas.

Contagem de mortos: 43. O filme mostra 43 mortes – 20 delas provocadas por Indiana Jones na luta contra os bandidos que transformam centenas de crianças em escravos.

Este foi o primeiro filme sequência, o segundo de uma série, dirigido por Spielberg.

Eis as épocas em que se passam os filmes da série:

Caçadores da Arca Perdida (1981) – 1936;

Indiana Jones e o Templo da Perdição (1984) – 1935;

Indiana Jones e a Última Cruzada (1989) – 1938;

Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal (2008) – 1957.

Spielberg não ficou satisfeito com o filme. Em uma entrevista em 1989, ele afirmou: “Não fiquei feliz de jeito nenhum com Templo da Perdição. Era muito dark, muito subterrâneo, muito horrível. Não há uma grama de meus sentimentos pessoais em Templo da Perdição”.

Mais tarde, na época da realização de um documentário sobre a produção do filme, ele afirmou: “Templo da Perdição é o filme de que gosto menos na trilogia. Quando me lembro dele, penso: Bem, a melhor coisa do filme foi que fiquei conhecendo Kate Capshaw. Nós nos casamos alguns anos depois, e para mim foi por isso que eu estava destinado a fazer Templo da Perdição”.

A própria atriz não tem qualquer simpatia pela sua personagem, a cantora Willie Scott. “Ela não é muito mais que uma loura burra que fica berrando”, disse ele.

De fato, é isso que Willie Scott é: uma loura burra que fica berrando ao longo de boa parte do tempo em que aparece na tela. Uma pena – ainda mais se a compararmos com a heroína do primeiro filme, aquela Marion Ravenwood (Karen Allen) forte, poderosa, corajosa, independente.

Um registro absolutamente necessário: o garoto que faz o Baixinho, o Short Round, se chama Ke Huy Quan – e é absolutamente sensacional. Nasceu em Saigon, então capital do Vietnã do Sul, em 1971, em plena guerra. A interpretação dele é uma das melhores coisas do filme.

No ano seguinte, ele faria o papel de um dos quatro garotos de Os Goonies, um dos deliciosos filmes para platéias infanto-juvenis de todas as idades que tiveram a assinatura de Spielberg como produtor executivo.

Depois desses dois filmes em que brilhou demais – os primeiros que fez –, apareceu em algumas séries de TV, trabalhou como diretor de fotografia, montador, diretor de segunda unidade. Em 2020, estavam sendo produzidos dois filmes em que ele voltou a trabalhar como ator, após um hiato de mais de uma década.

Muitos críticos torceram o nariz. O público adorou

O Guide des Films de Jean Tulard dá 3 estrelas em 4 a Indiana Jones et le Temple Maudit: “Spielberg retoma as boas e velhas receitas de Aventuriers de l’Arche Perdue. É desenho animado com um pouco de sadismo e um papel simpático de garoto esperto. A direção é particularmente eficaz. Tudo é sacrificado em nome do espetáculo.”

Leonard Maltin foi duro com o filme, ao qual deu apenas 2 estrelas em 4. Diz que é “uma prequel de Caçadores da Arca Perdida que dá dor de cabeça”. Não temos uma palavra em Português para prequel – algo como sequência prévia. “Só que desta vez o arqueólogo-aventureiro dos anos 30 tem uma história mais fraca e uma heroína mais chorona. Recria (e suplanta) várias sequências tipo queda de penhasco, mas nunca nos dá a chance de respirar… e tenta bater a sequência das cobras de Caçadores com uma variedade de gags ‘brutas’.”

Em seu livro Box Office Hits, Susan Sackett diz – com toda razão – que Indiana Jones and the Temple of Doom tem uma dos mais memoráveis aberturas da História do cinema – e, ao falar do número na boate em que Kate Capshaw brilha, lembra os musicais de Busby Berkeley. O que, claro, me deixa contente, porque quando fiz referência, lá em cima, ao diretor dos números musicais mais rococós do cinema, não havia ainda, é claro, lido a página sobre o filme no livro.

Mais adiante, a autora diz que, apesar de toda a ação, muita gente considera que este é o filme mais fraco dos três com Indiana Jones (o livro foi escrito antes do lançamento do quarto filme). “Com muito da trama centrando-se em crianças que foram sequestradas e viraram escravas, mais espancamentos, adoração do diabo e corações arrancados do peito – temas nada engraçados para jovens –, havia pouco do tom leve, inspirador do primeiro filme”.

Ela transcreve trechos de críticas duras ao filme, e diz: “As audiências não prestaram a menor atenção a esses detratores. Pagaram o dinheiro, se divertiram e voltaram pedindo mais. Indiana Jones e o Templo da Perdição tomou seu lugar como a oitava maior bilheteria de todos os tempos, logo atrás de Caçadores da Arca Perdida.”

Bem, o livro de Susan Sackett foi lançado em 1990, e, naturalmente, a lista das maiores bilheterias mudou demais, nestes 30 anos. Até hoje, segundo o site especializado Box Offie Mojo, o filme rendeu US$ 333 milhões.

Anotação em abril de 2020

Indiana Jones e o Templo da Perdição/Indiana Jones and the Temple of Doom

De Steven Spielberg, EUA, 1984

Com Harrison Ford (Indiana Jones)

e Kate Capshaw (Willie Scott)), Ke Huy Quan (Short Round), Amrish Puri (Mola Ram, o sacerdote do templo), Roshan Seth (Chattar Lal), Philip Stone (capitão Blumburtt), Roy Chiao (Lao Che, o milionário chinês), David Yip (Wu Han), Ric Young (Kao Kan), Chua Kah Joo (Chen), Rex Ngui (Maitre), Philip Tan (capanga). Dan Aykroyd (Weber), Akio Mitamura (piloto chinês), Michael Yama (co-piloto chinês)

Roteiro Willard Huyck & Gloria Katz

Baseado em história de George Lucas

Fotografia Douglas Slocombe

Música John Williams

Montagem Michael Kahn (e George Lucas, que não aparece nos créditos)_

Casting Jane Feinberg, Mike Fenton, Marci Liroff e Mary Selway

No Produção LucasFilm, Paramount. DVD Paramount

Cor, 118 min (1h58)

R, ***1/2

Disponível em DVD.

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