A Mulher Que Vendeu Sua Alma / En Kvinnas Ansikte

Nota: ★★★☆

Em 1938, um ano de ser importada para Hollywood pelo produtor David O. Selznick, Ingrid Bergman, o mais belo rosto que já passou diante de uma câmara de cinema, interpretou uma jovem mulher que teve a face desfigurada por uma horrível, gigantesca queimadura.

O filme se chamou Visage de Femme na França, A Woman’s Face nos Estados Unidos, Un Rostro de Mujer na Espanha, Um Rosto de Mulher em Portugal. No original sueco é En Kvinnas Ansikte e, se você colocar no tradutor do Google, ou qualquer outro, dá isso mesmo, Um Rosto de Mulher. Como os distribuidores brasileiros são capazes de inventar idiotices totais tipo Os Brutos Também Amam para Shane (1953), Assim Caminha a Humanidade para Giant (1956), Amor, Sublime Amor para West Side Story (1961), Noivo Neurótico, Noiva Nervosa para Annie Hall 1977), saíram-se com A Mulher Que Vendeu Sua Alma.

O título brasileiro é a pior coisa desse filme, que, se tem lá alguns defeitinhos, tem também várias características interessantes, fascinantes mesmo – a começar dessa coisa de botar Ingrid Bergman como uma mulher que se envergonha de seu rosto deformado, desfigurado, horroroso, e que, em boa parte exatamente por ter esse rosto que assusta as pessoas, se tornou uma bandida impiedosa, de coração duro feito pedra.

Num incêndio, Anna perdeu os pais – e a beleza

A trama de A Woman’s Face tem alguns elementos que são fantásticos, extraordinários – obras sensacionais de uma imaginação prodigiosa.

O roteiro – assinado por Gösta Stevens – baseia-se em uma peça de teatro do belga radicado na França Francis de Croisset (1877-1937) intitulada Il Était Une Fois, que estreou em Paris em 1932. Não consegui saber se o roteiro foi fiel à peça original, se os elementos que considerei extraordinários saíram da cabeça de Francis de Croisset ou de Gösta Stevens – mas isso não importa tanto. Importa é que há coisas na trama que são criações maravilhosas.

Anna Holm, a protagonista da história, interpretada por Ingrid Bergman, demora um pouquinho a aparecer. Os personagens que vemos primeiro são Vera (o papel de Karin Kavli) e Georg (Bror Bügler), um casal adúltero. Estão em um aposento de uma hospedaria, tomando um café e conversando sobre a chantagem a que Vera está sendo submetida. Bandidos estão de posse de cartas apaixonadas dela para Georg, e marcaram um encontro com ela para aquela noite, em que, seguramente, irão exigir dinheiro para não entregarem as cartas ao marido dela, o dr. Allan Wegert, um importante médico de Estocolmo.

O bandido que havia entrado com contato com Vera era um tal Nyman (Erik Berglund). Veremos que Nyman trabalha em parceria com um garçom daquela hospedaria, Herman (Magnus Kesster), que costuma ser muito procurada por casais não casados, muitos deles adúlteros como Vera e Georg. Herman dá um jeito de obter seus nomes e os fornece a Nyman, que então passa a chantagear um dos pombinhos.

Vemos uma conversa de Nyman com Herman numa sala – e percebemos que, num cômodo contíguo à sala, está a chefe do bando, da quadrilha. Até ouvimos sua voz – mas ela demora a aparecer diante da câmara. A chefe do bando é Anna Holm.

A primeira vez que a câmara a mostra ela está entrando na conversa que Nyman e Herman estavam tendo sobre Vera. Haviam falado do preço a ser cobrado dela – 5 mil coroas. Anna entra na conversa para dizer que quer mais, quer 10 mil. Nyman tenta argumentar que é muito, que a vítima não poderia pagar tanto. Ao que Anna diz:

– “Ela não tem tudo que uma mulher quer? Ela não é admirada, amada, adorada? Ela não é bela?”

A câmara está mostrando Anna pelas costas. Enquanto ela fala, caminha pelo quarto e se vira um pouco, de tal forma que vemos o lado direito de sua face – aquele rosto espantosamente belo de Ingrid Bergman. Anna caminha um pouco e se põe diante de um pequeno espelho. É no espelho que vemos pela primeira vez seu rosto inteiro. Todo o lado esquerdo de sua face, desde logo abaixo do olho até o lábio superior, é tomado por uma queimadura pavorosa.

Lá pelo meio do filme ficaremos sabendo que os pais de Anna morreram num incêndio, quando ela era garota. Ela sobreviveu, mas com aquela queimadura horrorosa no rosto. Virou uma jovem mulher amargurada, amarga, com raiva do mundo – uma criminosa sem sombra de arrependimento de nenhum mal que tenha feito. Que usa o crime como uma forma de se vingar da vida que a tratou tão mal.

Ao longo da narrativa, Anna diz frases duras, dolorosas, como aquela em que mostra sua revolta contra Vera, uma mulher casada com um homem rico e que ainda por cima tem um amante.

Frases assim:

– “O que você tem a ver com isso? É a minha face! Não é da sua conta! Eu sou que eu sou, um monstro.”

– “Não me importo! Com a minha aparência, a vida vai ser sempre um inferno.”

Uma mulher de rosto desfigurado e um cirurgião plástico

Antes de Anna ir à casa de Vera, para tentar receber o dinheiro da chantagem, há uma reunião entre ela, Nyman e um outro personagem, um tal Conde Severin (Gösta Cederlund), com um sujeito que os procura porque precisa de um grupo que faça um trabalho sujo para ele. O sujeito se chama Torsten Barring (Georg Rydeberg); revela-se que é sobrinho de um milionário, dono de um conjunto de indústrias, o cônsul Magnus Barring (Tore Svennberg).

O milionário Magnus Barring tem um neto de uns 6 anos, Lars-Erik (Göran Bernhard). Os pais do menino haviam morrido em um acidente, e portanto Lars-Erik era o herdeiro das indústrias e de toda a fortuna. No entanto, caso viesse a acontecer algo com ele, um acidente fatal, algo assim, Torsten, como sobrinho e então o parente mais próximo do velho cônsul, passaria a ser um herdeiro.

A idéia de Torsten era indicar para o tio uma governanta da mais absoluta confiança daquela quadrilha, para que ela cativasse o garoto e seu velho avô. E depois, algum dia, quem sabe…

Anna diz que o trabalho pode ser feito – pelas 75 mil coroas que Torsten oferece, mais 25% da herança.

Depois dessa reunião que abre para a quadrilha a possibilidade de um golpe bilionário, Anna vai à casa da infiel Vera.

Conversam. Anna se dispõe a entregar as cartas mediante o pagamento de não mais 5 mil coroas, mas 10 mil. Vera sai de casa para buscar dinheiro com Georg, o amante, que estava ali por perto.

Enquanto ela está fora, chega o marido, o médico Allan Wegert (o papel de Anders Herikson). Anna tenta fugir pela janela, mas leva um tombo feio, torce o pé. O médico entende que a desconhecida é uma ladra – dentro de sua bolsa já estavam jóias de Vera. Quando Vera reaparece, vê a situação inesperada – o marido socorrendo a chantagista, examinando seu pé. Nenhuma das duas revela nada ao marido enganado, é óbvio.

E aqui vem um elemento que me deixou absolutamente fascinado com a imaginação de quem o criou, o inventou – não sei se o franco-belga Francis de Croisset, se o norueguês Gösta Stevens. Deve seguramente ser o primeiro, o autor da peça teatral, porque este é o ponto central da trama.

O dr. Allan Wegert, o marido da mulher infiel que está sendo chantageada por Anna, é um extraordinário cirurgião plástico!

Durante os minutos em que ficou sozinha na casa, quando Vera saiu para se encontrar com o amante e tentar pegar dinheiro com ele para pagar à chantagista, Anna (assim como os espectadores) havia visto, sobre um móvel, um álbum com fotos de homens com o rosto desfigurado e depois daqueles homens com o rosto recomposto por miraculosa cirurgia plástica. Na página de abertura, havia estas palavras, em francês: “Allan Wegert – Em reconhecimento pelos serviços prestados à França no Hospital Militar nº 1867 em Somme.”

Para que não reste dúvida, Wegert mais tarde contará para Anna (e para os espectadores) que cuidou de muitos homens que voltaram desfigurados da guerra.

Referia-se, claro, à Grande Guerra, a Primeira Guerra Mundial (1914-1918).

Ironia terrível: o filme foi lançado na Suécia em 31 de outubro de 1938. Nem um ano depois, em 1º de setembro de 1939, os nazistas de Adolf Hitler invadiriam a Polônia, dando início à Segunda Guerra Mundial.

Atenção: a rigor, abaixo há spoilers.

Quando se encontram a mulher com o rosto desfigurado por uma queimadura e o cirurgião plástico capaz de milagres, o filme está com 25 minutos. A rigor, a rigor, relatar o que vem a partir daí é spoiler. Assim, quem não viu o filme – que está disponível no Brasil em DVD – e tem interesse em ver deveria parar de ler este texto por aqui.

Não vou relatar muito do que vem depois, mas é fundamental o registro de uma das cenas mais impressionantes do filme – o diálogo entre Anna com o garotinho Lars-Erik Barring, o herdeiro da fortuna do cônsul Magnus, na primeira noite em que ela vai passar na casa da família, tendo se apresentado como Anna Paulsson, experiente governanta indicada pelo sobrinho do magnata, Torsten.

Estamos, neste momento, com 45 minutos dos 104 que dura o filme.

Lars-Erik: – “Você gostava de brinquedos quando era pequena?”

Anna: – “Eu nunca tive brinquedo algum.”

Lars-Erik: – “Mesmo? Por quê?”

Anna: – “Ninguém nunca me deu brinquedo”.

Lars-Erik: – “Então você não era uma boa menina.”

E o garoto voa um pouco com o avião que o tio Harald o havia ajudado a construir – “Vrrrrruuuuum” – , e o pousa no chão, ao lado de sua caminha. A câmara mostra o rosto de Anna, uma expressão dura, gélida nele. Ela pergunta se ele não vai para a cama, ele diz que sim. Sobe na cama, enquanto fala sem parar, como as crianças costumam fazer: – “Meu avô me dá tudo. No verão passado, me deu uma bola de futebol, e, no Natal, deu esquis.       E no próximo verão vai me dar uma bicicleta.”

Anna, de pé, a dois passos da cama: – “Você tem sorte, Lars-Erik.” – Dá um passo em direção à cama. – “Você tem tudo o que quer. O que desejar.” – Ela se aproxima mais da cama, a câmara se aproxima dela. Plano americano. Ela está olhando para baixo, para o menino. – “Nunca fica com fome. Só tem pessoas boas ao seu redor.”

A câmara mostra o garotinho de 6 anos sentado em sua caminha, o rosto já um tanto assustado.

Anna prossegue: – “Ninguém reprime você, ou diz coisas ruins. Pode ser tão travesso quanto quiser.” – A voz dela se elevou uma oitava. – “Você tem tudo e consegue tudo. Tudo o que tem que fazer é dizer o que quer.”

A câmara volta a mostrar Lars-Erik, e ele está assustado mesmo. Fala com a voz bem mais baixa do que a da adulta diante dele: – “Por que está falando assim, senhorita? Achei que você era legal.”

Anna agora fala em outro tom de voz, bem mais suave, quase choroso, enquanto se aproxima do lado da cama: – “Eu sou, Lars-Erik. Não chore.” – Senta-se ao lado da cama. – “Por favor, não comece a chorar. Você pode ir dormir?”

Lars-Erik: – “Sim, eu vou. Você vai ser rigorosa comigo?”

Anna tenta dar um sorriso. – “Não. Eu vou ajudar a mimar você também.”

Estabelece-se uma trégua. O garoto gosta da resposta. Sorri, faz uma brincadeira. Anna sorri também, e o garoto diz que achava que ela não sabia sorrir.

E pede um beijo de boa noite. Anna acha estranho: – “As outras governantas davam beijo em você?”

– “Sim, quando sou bonzinho”, ele responde.

Anna suspira, prende a respiração. Vemos no rosto sua tensão, sua emoção diante daquelas coisas todas que ela não esperava. Consegue vencer a hesitação e se inclina sobre da cama do garoto para dar um beijo na face dele – e Lars-Eric põe os dois bracinhos ao redor da nuca dela.

Depois de um instante, ela se desvencilha dos bracinhos dele, se põe de novo de pé, e a câmara do diretor de fotografia Åke Dahlqvist mostra em close-up – pela primeira vez – o rosto de Anna-Ingrid Bergman.

Ela respira fundo, esboça um início de sorriso, e leva a mão ao rosto do menino para fazer um carinho nele enquanto os dois dizem boa noite.

Um beijo, um carinho. O assomar de uma sensação de ternura – muito provavelmente a primeira vez na vida em que ela sentia ternura por alguém.

Um beijo, um carinho, uma sensação de ternura pelo herdeiro que ela está incumbida de matar.

Tipos bem construídos – e bons atores

Uau, meu, que sequência! Que sequência!

A não-tem e o tem-tudo.

A órfã de pai fora-da-lei pé de chinelo, que além da miséria material carregou o estigma da cara pavorosa, assustadora – e o garotinho, órfão também de pai e mãe, mas crescido em berço de ouro, para usar a expressão que minha mãe costumava usar para os ricos.

O abismo de classes em uma sequência. A have-not e o have, a não-tem e o tem-tudo – e a mulher sente ternura pela primeira vez na vida diante do menino que ela tem que matar para que a fortuna toda do avô vá para o sobrinho bandido.

De fato, a trama deste filme tem achados dramáticos impressionantes, fantásticos.

E ainda tem essa atriz esplendorosa, esse excesso de beleza e talento.

O roteirista Gösta Stevens (1897-1965) e o diretor Gustaf Molander (1988-1973) – o mesmo que havia dirigido Ingrid em Intermezzo, o filme que fez David O. Selznick importar a atriz para Hollywood – souberam construir muito bem a protagonista e, da mesma forma, os personagens secundários da história.

O cônsul Magnus Barring do ator Tore Svennberg é uma figura fascinante, a bondade, o coração grande, a generosidade em forma de gente. Fiquei pensando que ele é o milionário mais simpático, mais agradável, mais bom caráter que já vi em um filme.

A relação entre ele e sua governanta Emma (Hilda Borgström), outra excelente figura, é uma absoluta delícia. Cada um deles finge ser muito exigente com o outro – quando no fundo dá para ver que se gostam, se respeitam, se curtem. Naquela mesma noite do diálogo que transcrevi – a primeira que Anna passa na casa –, Emma pergunta se o cônsul está se lembrando que dia é o dia seguinte. Era uma forma cortês, educada, de a criada lembrar ao patrão o aniversário da morte dos pais de Lars-Erik em um acidente. Magnus diz que sim, que está se lembrando. Depois diz para Emma: – “Durante 40 anos, você tem trabalhado para mim, e tem sido impertinente em todos eles. Isso vai continuar?”

E Emma: – “Espero que sim, para o bem de nós dois.”

É interessante também como são absolutamente opostos, antípodas, os dois parentes do garoto, Torsten Barring e Harald Berg – e como foi acertada a escolha de cada ator para interpretá-los. Torsten é o Mal em si, o mau-caráter, o sujeito que deseja que assassinem o garoto para ele se apossar da fortuna inteira do tio. E o ator que o interpreta, Georg Rydeberg, tem o physique du rôle perfeito – parece ter nascido para interpretar sujeitos que são o Mal em si.

Já Harald Berg é uma boa pessoa, um sujeito alegre, bonachão, bon-vivant. Gosta de verdade do sobrinho – tanto que o sobrinho o adora. E seria a coisa mais natural do mundo que se interessasse pela nova governanta do garoto, a primeira jovem, e lindérrima, depois de tantas velhas feias. E o ator Gunnar Sjöberg – impressionante – tem cara de alegre, bonachão, bon-vivant.

Como Intermezzo, este filme seria refeito pelos americanos

Da mesma maneira com que Hollywood iria refilmar Intermezzo, com a própria Ingrid reprisando seu papel do filme originalmente dirigido por Gustaf Molander, a história deste En Kvinnas Ansikte seria recontada pouco depois em filme americano. E numa produção classe A, como foi também o Intermezzo americano, de 1939.

Um Rosto de Mulher/A Woman’s Face, de 1941, foi dirigido pelo respeitável e respeitado George Cukor, em produção da MGM, com, no papel central, Joan Fontaine, a grande atriz e gigantesca estrela, Melvyn Douglas no do médico e Conrad Veidt no de Torsten Barring. Eu nunca tinha ouvido falar nesse filme (ou não me lembrava de ter ouvido falar, o que dá na mesma).

Na fase inicial da carreira, entre 1932 e 1940, Ingrid Bergman fez 11 filmes na Suécia e um na Alemanha. Vários deles foram dirigidos por Gustav Molander, que foi um tanto seu descobridor. Quando Molander dirigiu Intermezzo, em 1936, Ingrid ainda era o terceiro nome nos créditos iniciais, depois de Gösta Ekman, que faz o violinista, professor Holger Brandt, e Inga Tidblad, que faz a mulher dele, Margit Brandt. Ingrid, que fazia a pianista que se torna a amante do grande músico, vinha depois.

Neste Em Kvinnas Ansikte, lançado apenas dois anos depois, seu nome já aparecia em primeiro lugar nos créditos especiais, em letra maior, em destaque. Em 1938, o ano em que fez 23 aninhos, já era o que em Hollywood se chama de top billing, o primeiro nome, o nome no topo – à frente de uma penca de veteranos atores do cinema sueco.

Registro aqui que jamais tinha visto qualquer um dos filmes suecos de Ingrid Bergman até agora, 2020, quando comprei uma fantástica caixa de 2 DVDs com 4 daqueles 13 filmes, lançada no Brasil pela Obras Primas M.D.V.R. Além deste En Kvinnas Ansikte (A Mulher que Vendeu Sua Alma é a senhora mãezinha do distribuidor que teve a idéia de dar esse título ao filme), a caixa traz O Grande Pecado, de1935, Intermezzo, de 1936, e Uma Noite em Junho, de 1940, quando Ingrid já estava radicada nos Estados Unidos – seguramente feito antes da refilmagem americana de Intermezzo, mas finalizado e lançado depois, coisa de louco.

O guia de Leonard Maltin não fala deste A Woman’s Face aqui. Assim como o de Jean Tulard não fala sobre Visage de Femme. E são guias amplos, enciclopédicos.

Não são mesmo muito conhecidos os filmes da fase sueca de Ingrid – com exceção de Intermezzo. Vários dele aparentemente nem sequer chegaram a ter lançamento no Brasil – seis, se minha rápida pesquisa estiver certa. O IMDb informa que a Criterion (uma das mais respeitadas empresas de home vídeo do mundo, ao lado da MK2 francesa, especializada em lançamentos de cópias restauradas, bem cuidadas de obras clássicas e raras) lançou o filme na caixa de DVDs Ingrid Bergman’s Swedish Years.

Pode parecer algo absolutamente dinossáurico nestes tempos de streaming, mas eu adoro um suporte físico. Com as fotos da jovem Ingrid que ele tem, então…

Como se falava de infidelidade nos filmes suecos!

Estaria perfeitamente bem se eu encerrasse por aqui, mas quero ainda fazer uma rápida digressãozinha sobre os três filmes suecos de Ingrid que já vi (falta ver Uma Noite em Junho).

É impressionante como se falava em infidelidade, casos extra-conjugais, adultério, pulada de cerca, naqueles filmes dos anos 1930!

Impressionante!

Já falei, logo acima, en passant do adultério em Intermezzo. Veterano, consagrado violonista, bem casado, pai de um adolescente e uma garotinha de uns 7 anos apaixona-se pela jovem professora de piano da filha.

Em O Grande Pecado, Ingrid interpreta uma jovem que é perdidamente apaixonada por seu patrão, um sujeito bom, de bom coração, bom caráter, que vive um casamento infeliz com uma mulher que não quer ter filhos para manter a aparência sempre jovem,

Neste En Kvinnas Ansikte, a quadrilha da protagonista explora e chantageia os casais adúlteros – algo que, aparentemente, dava mais, na Suécia daqueles anos 30, do que chuchu na cerca no interiorzão do Brasil.

E Ingrid, tão jovem, tão absolutamente jovem, aí entre os 21 e os 23 anos, interpretou, nesses três filmes, uma adúltera, uma quase adúltera e uma bandida.

Fantástico!

Anotação em junho de 2020

A Mulher Que Vendeu Sua Alma/En Kvinnas Ansikte

De Gustaf Molander, Suécia, 1938

Com Ingrid Bergman (Anna Holm, depois Anna Paulsson)

e Tore Svennberg (Magnus Barring, o milionário), Anders Henrikson (Dr. Allan Wegert, o médico), Georg Rydeberg (Torsten Barring, sobrinho de Magnus), Gunnar Sjöberg (Harald Berg, o tio do garoto Lars-Erick), Göran Bernhard (Lars-Erik Barring, o neto e herdeiro e Magnus), Hilda Borgström (Emma, a governanta), Karin Kavli (Vera Wegert, a mulher infiel do médico), Erik Berglund (Nyman, da gangue de Anna), Sigurd Wallén (Miller), Gösta Cederlund (Conde Severin), Magnus Kesster (Herman), Bror Bügler (Georg Mark, o amante de Vera), John Ericsson (Wickman, o serviçal de Magnus)

Roteiro Gösta Stevens. Com Stina Bergman e Ragnhild Prim, não creditados)

Baseado na peça de Francis de Croisset

Fotografia Åke Dahlqvist       

Música Eric Bengtson   

Montagem Oscar Rosander

Produção Svensk Filmindustri. DVD Obras Primas, M.D.R.V.

P&B, 104 min (1h44)

***

Disponível em DVD.

2 Comentários para “A Mulher Que Vendeu Sua Alma / En Kvinnas Ansikte”

  1. Conheço esse filme pelo remake estrelado por Joan Crawford.
    Eu gostei do filme mais pela atuação da atriz pois em alguns momentos o ritmo fica bem arrastado.
    Depois vou procurar pela versão sueca, dizem que há diferenças entre os filmes.

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