Ser ou Não Ser / To Be or Not To Be

Nota: ★★★★

Ser ou Não Ser, de Ernst Lubitsch, é um filme absolutamente brilhante. Tem inteligência faiscando, como no mais feérico show de fogos de artifício. Mas cometeu um crime: fez graça com a tragédia do nazismo no momento exato em que o Eixo – Alemanha, Itália e Japão – estava em guerra contra praticamente o resto do mundo.

A produção do filme foi preparada antes de os Estados Unidos entrarem na guerra. Mas as filmagens terminaram duas semanas após o ataque japonês à base militar de Pearl Harbor, no Havaí, em dezembro de 1941 – o evento que fez finalmente o país entrar na guerra contra o nazi-fascismo.

E, para piorar ainda mais, a estrela do filme, que era então a atriz mais bem paga de Hollywood, a bela, fulgurante Carole Lombard, morreu antes que Ser ou Não Ser fosse lançado. E morreu – com apenas 33 anos – num acidente aéreo, no dia 16 de janeiro de 1942, quando voltava, juntamente com a mãe, de uma viagem para divulgar a venda de bônus de guerra, os papéis emitidos pelo governo Roosevelt para ajudar a financiar a máquina militar americana. Morreram todos os 19 ocupantes do DC-3, numa montanha do Estado de Nevada.

Uma virulenta sátira do nazismo, uma tremenda gozação da figura de Adolf Hitler, no momento em que soldados americanos, canadenses, ingleses, franceses lutavam contra as tropas nazistas na Europa. Um filme que ria do inimigo – e chegava aos cinemas americanos seis meses depois da morte trágica de Carole Lombard.

O filme sofreu um bombardeio dos críticos que não ficava a dever aos ataques dos aviões da Luftwaffe sobre Londres. Ou dos aviões aliados sobre Dresden, mais para o final da Segunda Guerra Mundial.

Um autor genial de histórias que deram grandes filmes

A trama é uma absoluta pérola, uma gema. É produto da inteligência mais fina que pode haver. Mistura romance, ciúme e traição envolvendo um casal de atores de teatro na Varsóvia de 1939, pouco antes da invasão nazista da Polônia e depois durante a ocupação, com a luta da resistência aos invasores.

A história original é de um gênio, Melchior Lengyel (1880-1974), nascido no Império Áustro-Húngaro, que começou como correspondente de jornais da Hungria na Suíça e depois se firmou com escritor e crítico na Alemanha e na Áustria, no período entre as duas grandes guerras. Escreveu diversas peças de teatro, e tornou-se amigo de Ernst Lubitsch e outros grandes nomes do teatro e do cinema de língua alemã. Mudou-se para a Inglaterra em 1933, quando o nazismo já dominava a Alemanha, e depois, como o amigo Lubitsch e tantos e tantos outros europeus, transferiu-se para os Estados Unidos. Entre os filmes baseados em histórias de Lengyel estão Anjo (1937), Ninotchka (1939), Czarina/A Royal Scandal (1945) e Meias de Seda/Silk Stockings (1957).

Consta que Ernst Lubitsch (1892-1947) colaborou com seu amigo Melchior Lengyel na criação da história de Ser ou Não Ser. Não dá para saber se de fato a trama foi uma criação dos dois, a quatro mãos, ou se Lubitsch apenas colaborou com uns pitacos, algumas sugestões, idéias. Nos créditos iniciais, o grande diretor, o cineasta que ficou conhecido pelo toque elegante, fino – The Lubitsch Touch – não aparece como co-autor da história. O crédito é dado assim: “História original por Melchior Lengyel, roteiro por Edwin Justus Mayer”.

O começo do filho é um absoluto brilho

A abertura do filme é das mais brilhantes de toda a História do cinema.

Vamos vendo placas de lojas no centro de Varsóvia, muita gente nas ruas, enquanto a voz em off de um narrador diz os nomes dos estabelecimentos e nos conta o onde e o quando:

– “Lubinski, Kubinski, Lominski, Rozanski, and Poznanski. Estamos  em Varsóvia, a capital da Polônia. É agosto de 1939. A Europa ainda está em paz. Neste momento, a vida em Varsóvia está normal como sempre. Mas de repente parece que aconteceu alguma coisa!”

Uma grande agitação. Diversas pessoas param de repente, os olhos arregalados, para observar algo muito, muito inesperado. O narrador está prosseguindo:

– “Será que esses poloneses estão vendo um fantasma? Por que esse carro parou de repente? Todos parecem estar se voltando numa única direção. As pessoas parecem atemorizadas, até mesmo aterrorizadas. Alguns estão estarrecidos! É possível que seja verdade? Deve ser verdade! Sem dúvida! O homem com o pequeno bigode – Adolf Hitler.”

Sim, lá está um sujeito bem parecido com o ditador, com a farda com que aparecia em público.

– “Adolf Hitler em Varsóvia quando os dois países ainda estão em paz? E sozinho? Ele parece estranhamento alheio a toda a excitação que está causando. Será que ele está interessado na delicatessen do sr. Maslowki?”

Hitler, ou o sósia de Hitler, pára diante da delicatessen Maslowki.

– “Isso é impossível! Ele é vegetariano! No entanto, nem sempre ele segue sua dieta. Às vezes ele engole países inteiros. Será que ele quer comer a Polônia também? De qualquer forma, como ele chegou aqui? Bem, tudo começou no quartel-general da Gestapo, em Berlim.”

E aí vem uma sequência de nazistas no que seria o QG da Gestapo. Lá pelas tantas aparece Hitler – ou melhor, aquele sósia de Hitler que havíamos visto nas ruas centrais de Varsóvia. Todos os que estão em torno dele dizem “Heil, Hitler”, e aí, quando ele aparece, ele diz: “Heil eu mesmo!”

É imediatamente repreendido por um homem que, é claro, o espectador identifica como o diretor. Aquela é uma companhia de teatro, e naquele momento ela estava ensaiando uma peça satírica sobre Hitler. Bronski, o ator que interpreta Hitler (o papel de Tom Dugan), tinha resolvido entrar com aquela caca, aquela fala não prevista, “Heil eu mesmo”. Leva uma hronca do diretor da trupe, Dobosh (  Charles Halton), que diz que ele não pode dizer nada naquela cena, não pode inventar falas que não estão na peça.

Há uma grande discussão. O diretor Dobosh diz que Bronski não está muito convincente como Hitler. Bronski diz que está absolutamente idêntico a Hitler, e vai provar isso: vai sair pelas ruas para ver a reação das pessoas.

A voz do narrador em off: – “E foi assim que Adolf  Hitler foi para Varsóvia em agosto de 1939”.

Voltamos para a mesma situação da genial sequência de abertura. O ator Bronski paramentado como Hitler está na calçada diante da delicatessen do sr. Maslowki. Uma pequena multidão o cerca. Uma garota se aproxima dele:

– “Pode me dar um autógrafo, sr. Bronski?”

Uma boa piada a cada minuto, o elenco afiadíssimo

Pertencem àquela trupe de teatro os dois protagonistas da história. São, na verdade, os dois principais nomes da companhia – e são casados. Ele é Joseph Tura (o papel de Jack Benny, o melhor papel que o ator teve na vida), um sujeito que se acha o maior ator de todos os tempos – e, na verdade, é um danado de um canastrão.

Ela, Maria Tura, é uma grande estrela, adorada pelo público. É, claro, o papel de Carole Lombard, no auge da fama, no auge da heleza aterradora, aos 33 anos de idade.

Há entre os dois uma imensa rivalidade. É claro, é óbvio: são atores, astros, e portanto são vaidosos, narcisistas, cada um quer brilhar mais que o outro.

E há um probleminha: Maria Tura, a grande estrela do teatro polonês, é dada a flertar com homens bonitos e jovens. Ainda bem no início da narrativa, vai se interessar por um jovem tenente da aviação polonesa, Stanislav Sobinski (o papel de Robert Stack, na foto abaixo, então com apenas 23 aninhos, em início de carreira).

A peça satirizando Hitler e o nazismo não chega a estrear. Com a situação na Europa ficando cada vez mais tensa, a possibilidade de uma guerra ser iniciada cada vez mais próxima, as autoridades polonesas ordenam que a companhia desista de encenar a peça. Sem outra alternativa, a companhia relança uma peça que já havia encenado e é bem conhecida pelos atores: Hamlet.

O papel-título cabe a Joseph Tura. Maria Tura faz Ofélia.

O jovem tenente vai todas as noites ao teatro, e senta-se na segunda fila. Manda flores para o camarim de Maria Tura, uma vez, duas, três. Feliz da vida por estar sendo cortejada, a grande atriz manda um recado para o admirador. Ele poderá ir ao camarim visitá-la no momento em que Hamlet iniciar seu monólogo, o monólogo mais famoso do teatral mundial – “Ser ou não ser, eis a questão. Será mais nobre em nosso espírito sofrer pedras e flechas com que a Fortuna, enfurecida, nos alveja, ou insurgir-nos contra um mar de provocações e em luta pôr-lhes fim?”

Na apresentação seguinte, dá-se a cena impagável: quando Joseph Tura, sozinho no palco, começa a dizer “Ser ou não ser”, um jovem militar se levanta na segunda fila e sai da platéia. Ao final da apresentação, um ator atormentado dirá para a mulher sobre o jovem que tinha ido cortejá-la no camarim: – “Alguém levantou-se e me abandonou. Me diga, Maria, estou perdendo a forma?”

Maria, na maior cara de pau: – “Talvez ele não se sentisse bem. Talvez ele tivesse que sair. Talvez ele tenha tido um ataque cardíaco.”

Joseph: – “Espero que sim”.

Maria: – “Se ele ficasse, poderia ter morrido.

Joseph: – “Talvez ele já esteja morto! Ó, querida, você sabe como me confortar!”

Para Anna, a criada que a ajuda no camarim, Maria havia dito, antes de mandar o jovem visitá-la: – “É, ele é mesmo muito jovem. Ele fica mais bonito a cada noite… Não me entenda mal. Eu amo muito meu marido – e por que não? Ele é maravilhoso. Só fica meio irracional às vezes, tão incomodado com pequenas coisas…”

Anna: – “Como aquela pequena coisa na segunda fila…”

A cada minuto há um diálogo delicioso, inteligente, engraçado.         Todo o elenco está afiadíssimo. Os dois protagonistas estão perfeitos. Jack Benny está excelente como o ator canastrão, e Carole Lombard é sensacional como a Grande Dama do teatro polonês muito dada a uma infidelidadezinha. Sensacional, e linda, e gostosérrima. Os vestidos elegantes criados pela figurinista Irene (ela se assinava assim, apenas Irene) mostram para o espectador as espetaculares costas nuas da atriz, e destacam sua portentosa derrière.

Não é à toa que o jovem tenente polonês, e mais tarde um espião e um coronel nazista ficarão loucos por ela.

A trama maravilhosa envolverá o casal Joseph e Maria Tura, e mais toda a trupe do teatro, com um professor nazista que se faz passar por agente britânico, Alexander Siletsky (Stanley Ridges) e com o coronel que chefia as tropas invasoras nazistas, Ehrhardt (Sig Rumann).

Lá pelas tantas, Joseph Tura, disfarçando-se do professor Siletsky, em conversa com o coronel Ehrhardt, fala de Maria Tura e de si próprio: – “O marido dela é o grande, grande ator polonês, Joseph Tura. Provavelmente o senhor já ouviu falar nele.”

E o coronel Ehrhardt: – “Ah, sim. Eu o vi atuar uma vez quando estive em Varsóvia antes da guerra!”

Joseph: – “É mesmo?”

O coronel Ehrhardt: – “O que ele fez com Shakespeare nós estamos fazendo agora com a Polônia.”

“Um dos filmes mais controvertidos de sua época”

O CineBooks’ Motion Picture Guide – que dá a cotação máxima de 5 estrelas para o filme – sintetiza com brilhantismo: “Uma obra-prima de sátira e um dos filmes mais controvertidos de sua época, To Be or Not To Be é um brilhante exemplo de como a comédia pode promover a conscientização social e política ao mesmo tempo em que fornece grande entretenimento.”

Depois de uma detalhadíssima sinopse, o guia diz:

“Como Charlie Chaplin fez com The Great Dictator (1940), o produtor e diretor Ernst Lubitsch ataca o regime nazista e seu facilmente ridicularizável líder com uma comédia afiadíssima. Os nazistas são mostrados como completos imbecis, embora sejam capazes de executar opositores a sangue frio. Os poloneses, ao contrário, são retratados como bravos patriotas lutando por seu país.

“Lançado em 1942 (no dia 6 de março, para ser exato), em uma América profundamente envolvida na Segunda Guerra Mundial, To Be or Not To Be foi criticado por alguns que acharam que Lubitsch, um alemão, estava de alguma maneira fazendo piada com os poloneses. Uma frase foi particularmente criticada: depois de ver uma atuação apática de Benny como Hamlet, um oficial alemão diz: ‘O que ele fez com Shakespeare nós estamos fazendo agora com a Polônia.’ Até mesmo atores e técnicos que trabalharam no filme acharam que a fala era de mau gosto. Todavia, Lubitsch (que havia deixado a Alemanha bem antes da chegada de Hitler ao poder) se recusou a tirar a frase porque ela desencadeava muitas risadas.

“Forçado a se defender, Lubitsch escreveu uma carta ao New York Times: ‘Por que as audiências riem durante To Be or Not To Be, e às vezes riem demais? Elas não estão sabendo do que aconteceu à Polônia? Tentei fazer com que elas olhassem para a situação da Polônia através de óculos cor de rosa? Nada disso. (…) Não, as platéias americanas não riem daqueles nazistas porque elas minimizam sua ameaça, mas porque elas estão alegres de ver que essa nova ordem e sua ideologia estão sendo ridicularizadas.”

O maravilhoso livro Cinema Year by Year 1894-2000, que apresenta textos sobre os grandes acontecimentos do cinema como se fossem notícias de jornais da época, dá na mesma página os títulos “A trágica perda de Carole Lombard”, notícia de Los Angeles, no dia 17 de janeiro de 1942, e “A saudosa Carole Lombard brilha na sátira anti-nazista de Lubitsch”, notícia datada de Los Angeles, 6 de março de 1942.

A notícia da morte da estrela abre definindo Carole Lombard como uma atriz inteligente, glamourosa, dura, notavelmente franca e esplendidamente versátil.

Meu Deus! 33 anos de idade, no auge da fama!

A notícia sobre a estréia do filme começa assim: “Os críticos estão divididos sobre o mais recente filme de Ernst Lubitsch, To Be or Not To Be, uma sátira feroz passada na Varsóvia ocupada pelo nazistas. Jack Benny e Carole Lombard representam um casal de ator e atriz, Joseph e Maria Tura, que usam seus dotes dramáticos em uma batalha com os nazistas.”

E conclui assim: “Atuando completamente fora do seu terreno habitual, Benny, com a ajuda de uma luminosa Lombard em seu último filme, revela um talento muito maior do que o normal, enquanto Lubitsch demonstra que este é seu filme mais engraçado até agora, porque é o seu mais sério filme.”

Mel Brooks aproveitou e reaproveitou a idéia

Leonard Maltin estranhamente não dá a nota máxima de 4 estrelas – dá 3.5: “Benny tem o papel de sua vida como ‘aquele grande, grande ator’ Joseph Tura, cuja trupe teatral na Polônia é obrigada a sair de cena pelos invasores nazistas – até que eles se vêem envolvidos em espionagem e têm seus talentos dramático postos à prova num teste final. Soberba comédia negra com roteiro de Edwin Justus Mayer; a gag de abertura com Dugan é uma pérola. Último filme de Lombard, lançado depois de sua morte. Refeito em 1983”.

Sim: a história foi refilmada em 1983 por Mel Brooks, o cineasta das comédias amalucadas dos anos 60 em diante, com o mesmo título original – e para ele os exibidores brasileiros inventaram Sou ou Não Sou. O próprio Brooks faz o papel principal que havia sido de Jack Benny, e sua própria mulher na vida real, a maravilhosa Anne Bancroft, faz o papel que havia sido de Carole Lombard.

O To Be or Not To Be de 1983 foi apenas um capítulo de um longo caso de amor de Brooks pela história criada originalmente por Melchior Lengyel.

Ainda em 1967, Brooks escreveu e dirigiu The Producers, que no Brasil ganhou o título de Primavera para Hitler. Era a história de dois produtores de teatro da Broadway – interpretados por Gene Wilder e Zero Mostel – que bolam um plano para ganhar muito dinheiro do seguro: planejam uma peça que tinha absolutamente tudo para ser um fracasso, uma sátira a Hitler e o nazismo. Acontece uma imensa zebra, e a peça faz um tremendo sucesso.

O filme Primavera para Hitler/The Producers também fez sucesso – o que levou Brooks a transformá-lo em um musical da Broadway, em 2001. A mesma história do filme de 1967, acrescida de números musicais. De novo, foi um sucesso. Aí, em 2006, a peça musical do teatro virou um novo filme, Os Produtores/The Producers, com direção de Susan Stroman e, no elenco, Nathan Lane, Matthew Broderick, Uma Thurman, Will Farrell. Brooks foi um dos produtores.

Isso é que é aproveitar e reaproveitar e reaproveitar uma bela história. Mas, por mais que os filmes de Brooks sejam engraçados, não dá para competir: o Ser ou Não Ser original de Ernst Lubitsch não tem igual.

Anotação em maio de 2019

Ser ou Não Ser/To Be or Not To Be

De Ernst Lubitsch, EUA, 1942

Com Carole Lombard (Maria Tura), Jack Benny (Joseph Tura)

e Robert Stack (tenente Stanislav Sobinski), Felix Bressart (Greenberg), Lionel Atwill (Rawitch), Stanley Ridges (Professor Alexander Siletsky), Sig Rumann      (coronel Ehrhardt), Tom Dugan (Bronski, o ator que interpreta Hitler), Charles Halton (Dobosh, o diretor da companhia de teatro), Peter Caldwell (Wilhelm Kunze), Helmut Dantine (co-piloto), Otto Reichow, co-piloto), Miles Mander (major Cunningham), Henry Victor (capitão Schultz), Maude Eburne (Anna, a criada), Erno Verebes (gerente de palco), Halliwell Hobbes (general Armstrong), Leslie Denison (capitão), Frank Reicher (oficial polonês)

Roteiro Edwin Justus Mayer

Baseado em história de Melchior Lengyel e Ernst Lubitsch

Fotografia Rudolph Maté

Música Werner R. Heymann

Montagem Dorothy Spencer

Desenho de produção Vincent Korda

Figurinos Irene

Produção Alexander Korda, Ernst Lubitsch, Romaine Film Corporation. Distribuição United Artists. DVD Versátil.

P&B, 99 min (1h39)

R, ****

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