Pânico no Lago / Lake Placid

Nota: ½☆☆☆

Estava zapeando de madrugadão, anunciava-se o começo do filme, me preparei para ver ao menos o começo. Pela sinopse, dava para perceber que não era coisa boa – bicho monstruoso ataca em lago do Maine. Mais um filme aterrorizante na sombra de Tubarão (1975), Piranha (1978). 

Mas tinha Bridget Fonda, e então, ah, definitivamente, eu queria ao menos dar uma olhada.

A neta de Henry, sobrinha de Jane, filha de Peter Fonda é um sonho, uma maravilha: não apenas é linda como os parentes augustos como é também talentosa como eles. Por algum motivo, desistiu da carreira cedo demais – é uma das grandes atrizes de que mais sinto falta.

E então me dispus a ver a coisa.

O elenco é bom: além de Bridget Maravilha, tem Bill Pullman, sujeito simpático, Oliver Platt, o grandalhão irlandês Brendan Gleeson e até a bela Mariska Hargitay, a detetive Olivia Benson de Law & Order: Special Victims Unit.

Começa até que com uma bela tomada aérea de um lindo lago, cercado de vegetação – o lago plácido do título original. Vão rolando os créditos iniciais – é uma produção de 1999, e naquela época ainda havia filmes com créditos iniciais.

A câmara vai se aproximando mais e mais lago – e aí entra para baixo da água. Submerge. Submersa, passeia ali pelas águas plácidas. Legal.

O diretor se chama Steve Miner, o autor do roteiro original, David E. Kelley. Os nomes não me dizem nada.

Terminados os créditos iniciais, vemos um bote no meio do lago, com o xerife do local, interpretado pelo grande Brendan Gleeson, e mais um mergulhador, um sujeito provavelmente de alguma agência federal relacionada a meio-ambiente, algo assim.

O mergulhador mergulha. A câmara o segue, mergulhada que nem ele. De repente…

Quando o monstro ataca, o mergulhador sai à tona – mas, é claro, é óbvio que naquele momento o xerife está olhando para o outro lado.

O mergulhador sai à tona de novo – e de novo o xerife está olhando para o outro lado.

Depois de um minuto disso, o xerife finalmente percebe que o mergulhador está pedindo socorro, e aí vai retirá-lo da água. Retira meio mergulhador, apenas – a outra metade estava no papo do bicho monstruoso.

Há um filme em que o canastrão Ronald Reagan perde a perna, e dá um grito lancinante: “Onde está o resto de mim?” Há uma longa canção de Eric Bogle em que o soldado que é levado de volta para sua pátria, a Austrália, olha para o lugar em que suas pernas costumavam estar. Lembro dessas duas coisas agora, enquanto escrevo – no momento em que o xerife retira meio corpo do mergulhador não dá para pensar absolutamente nada.

O filme é tão ruim que Bridget está mal

Não foi tanto essa cena horrorosa – digna do pior slasher movie feito para adolescentes que adoram cenas explícita tipo sangue esguichando da carótida cortada – que definiu que este é um filme horripilantemente ruim. Claro, só isso aí já seria o suficiente para saber que se trata de um abacaxi dos mais azedos que há.

Mas é pior.

Corta, e vemos Bridget Fonda em um museu de História Natural, ou uma unidade de universidade dedicada à História Natural. A personagem dela é uma paleontóloga de respeito. Acontece que a paleontóloga acaba de levar um fora do namorado, que é o chefe dela – e o ex-namorado a abandona por causa da grande amiga dela.

E aí vai a pior parte da tragédia que não tem fim: Bridget Fonda está trabalhando mal!

Bridget Fonda, a neta de Henry, a sobrinha de Jane, a filha de Peter, a grande atriz que me seduz há anos com interpretações maravilhosas, está trabalhando de maneira grotesca, fazendo caretas, como se estivesse numa novela da Globo! Das piores!

Desliguei a TV.

Ah, sim. O monstro do Lake Placid – informa qualquer sinopse deste filme de josta – é um crocodilo de 10 metros de comprimento.

Bem condescendente, Leonard Maltin deu 2 estrelas em 4 para o abacaxi. Mas no texto foi bem duro: “A criatura que aterroriza um lago no Maine (que não é Lake Placid, N.Y.) vem a ser – descobre-se – um crocodilo especialmente grande. Entre discussões, a paleontóloga Fonda, o oficial encarregado do caso Pullman, o xerife Gleason e o irritante e rico acadêmico Platt tentam descobrir o que fazer com aquilo. David E. Kelly, o roteirista, produz muitos gracejos, mas pouco medo. Filme curto mas cansativo tenta – e não consegue – ser um filme de monstro e ambientalmente correto ao mesmo tempo.”

O grande Roger Ebert deu 1 estrela em 4, e terminou seu texto assim: “É horripilante, depois cheio de maneirismos, depois satírico e depois sociológico, e então às vezes pausa para algumas tiradas intelectuais. Ocasionalmente o crocodilo pula para fora da água e arranca vítimas da praia, com a aparência de um grande produto verde da fábrica onde produzem brinquedos Barney. Esse é o tipo de filmes que os atores discutem em longas, tristes conversas com seus agentes.”

A referência aos brinquedos Barney seguramente faz todo sentido para os americanos, embora não muito para o restante da humanidade. Mas acho que dá pra gente entender o que ele quer dizer.

Anotação em setembro de 2018

Pânico no Lago/Lake Placid

De Steve Miner, EUA, 1999

Com Bill Pullman (Jack Wells), Bridget Fonda (Kelly Scott), Oliver Platt (Hector Cyr), Brendan Gleeson (xerife Hank Keough), Betty White     (Mrs. Delores Bickerman), David Lewis (Walt Lawson), Tim Dixon (Stephen Daniels), Natassia Malthe (Janine), Mariska Hargitay (Myra Okubo), Meredith Salenger (Sharon Gare), Jed Rees (Burke)

Argumento e roteiro David E. Kelley

Fotografia Daryn Okada

Música John Orttman

Montagem Marshall Harvey e Paul Hirsch

Produção Fox 2000 Pictures, Phoenix Pictures, Rocking Chair Productions.

Cor, 82 min (1h22)

1/2

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