Friends – A Primeira Temporada

Nota: ★★★☆

Friends completou um quarto de século em setembro de 2019 como uma das séries de televisão mais queridas por multidões de espectadores mundo afora. É impressionante como é grande a legião de fãs, e é impressionante como o amor deles pela série é imenso.

Nunca tinha visto um episódio sequer. Lembro que, naquele tempo feliz em que havia locadoras de vídeo, eu sempre via nas prateleiras montes e montes de DVDs de Friends, mas simplesmente não rolou de eu experimentar. Nos últimos dias, nas últimas semanas, falou-se tanto de Friends por causa do aniversário de 25 anos da estréia, que resolvi ver a primeira temporada – 24 episódios curtinhos, curtinhos, de 22 minutos cada.

(Na verdade, além da porção de matérias nos jornais, nas revistas, sobre a série, ainda houve outro motivo para que eu experimentasse: exatamente em setembro, o mês do aniversário da série, está na minha casa, para fazer um curso em São Paulo, minha sobrinha Rejane, uma apaixonada por séries, e por Friends especificamente. Que adorou a idéia de rever mais uma vez…)

Gostei de ver a primeira temporada. É leve, agradável, divertida, bem humorada, muitas vezes engraçadíssima. Gostei, e quase sem perceber já entrei na segunda temporada – vi os dois primeiros episódios da segunda.

Vai ser muito bom ter um texto sobre Friends no 50 Anos de Filmes. Sempre que posso insisto em que o site não é enciclopédico, não pretende de forma alguma ter tudo, nem sequer os filmes (e séries) mais importantes. O site tem e terá apenas posts sobre os filmes que aconteceu de eu ver e escrever sobre – sem regras, sem obrigações, sem deveres.

Mas que é bom quando o site ganha um post sobre um filme (ou série) importante, ah, lá isso é.

Então de fato vai ser bom ter um post sobre Friends.

O problema é que Friends é mais ou menos como Casablanca, ou como o luar, segundo o que Gil escreveu num momento de especial inspiração: “do luar não há mais nada a dizer a não ser que a gente precisa ver o luar”.

Esta anotação aqui não vai conseguir agradar aos fãs de Friends, porque não trará novidade alguma para eles. É uma anotação de quem não conhecia, só agora ficou conhecendo um pouquinho da série. Então só teria alguma serventia para os que nunca viram a série – mas existe mais alguém, além de mim, que ainda não tinha visto sequer uma temporada?
Esta, então, é uma anotação só para eu poder dizer que tem um post sobre Friends no 50 Anos de Filmes. Vamos lá.

Uma série profundamente anos 90

A primeira temporada de Friends estreou na NBC, uma das grandes redes nacionais de TV americanas, em setembro de 1994, e teve dez temporadas, num total de 236 episódios, até 2004. Consta que a dupla de criadores, David Crane e Marta Kaufman, partiu de um princípio básico combinado entre eles: “Vamos fazer uma série que nós dois gostaríamos de assistir”.

236 episódios. No New York Times (e no Estadão, que reproduziu o texto), Wesley Morris contabilizou que Friends teve apenas um a menos que a soma dos episódios de Game of Thrones, House of Cards e Orange Is the New Black.

No total, são 83 horas e 40 minutos, segundo a conta de André Bernardo, na Monet, a revista da Net.

São seis protagonistas, seis amigos que, na primeira temporada, estão aí na faixa de 25 a 31 anos, no início, portanto, da idade adulta, ainda começando na vida profissional. Vivem no Village, em Manhattan, Nova York, a capital do mundo. Falo um pouquinho de cada um daqui a pouco, mas já adianto algo que não vi nas longas e boas matérias sobre a série no Estadão, no Globo, na revista Monet: os seis personagens, três rapazes, três moças, são todos brancos. E são todos, todos, todos héteros. Tsc, tsc, tsc… Se fosse ser criada hoje, Friends seguramente teria que ter, por exigência destes nossos tempos politicamente corretos, um ou dois negros, um latino, pelo menos dois gays.

Friends é uma série dos anos 90 – e esta característica é uma das muitas que a tornam simpática, gostosa, atraente, divertida. É um perfeito espelho de seu tempo.

A ação se passa praticamente toda nos apartamentos dos protagonistas e numa cafeteria que eles frequentam, a Central Perk. Não há sequências externas, nas ruas – é tudo em interiores. Os amigos se visitam sempre, se reúnem sempre, e conversam sobre todos os assuntos possíveis e imagináveis, mas é claro que sobretudo sobre namoros, sexo. Entre uma sequência e outra, para pontuar a passagem de uma sequência para outra, há tomadas gerais de Nova York.

Esse esquema permite que as cenas sejam filmadas em estúdio, o que simplifica e barateia as coisas. E há, durante o tempo todo, as risadas, gargalhadas, aplausos de uma claque invisível – esse esquema que a mim parece chatérrimo, desagradável, quase intolerável, mas fazer o quê, né? É assim que é.

É obrigatório registrar: os criadores David Crane e Marta Kaufman não inventaram a roda – até porque a roda só se inventa uma vez, e, como Claude Lelouch sempre gostou de repetir, só existem duas ou três histórias na vida. Esse esquema todo de Friends – amigos nova-yorquinos que se encontram sempre no apartamento de um deles, e conversam, e conversam, e fazem a audiência rir – já estava presente em Seinfeld, a série que a rede NBC começou a exibir em 1989, e que teve nove temporadas de sucesso, até 1998.

Um detalhinho: todos os episódios de Friends têm títulos que começam com “The One” – “The One with the Thumb”, “The One With the East German Detergent”, “The One with the Blackout”. No Brasil, usou-se, numa boa sacada, “Aquele com”, “Aquele em que” – “Aquele com o Dedão”, “Aquele com o Blecaute”, “Aquele em que Nana Morre Duas Vezes”.

E cada episódio tem um pequeno intróito, antes dos créditos iniciais gostosos, engraçados, com montagem rápida, ao som de “I’ll Be There for You”, com o grupo The Rembrandts. Jamais tinha ouvido falar em The Rembrandts, mas eu sou mesmo um ignorante.

Um sucesso absoluto, absurdo

Caiu no gosto das pessoas, foi um sucesso tremendo, extraordinário, fantástico. Tinha uma audiência, na NBC, que variava entre 25 e 30 milhões de espectadores a cada noite.

Na primeira temporada, segundo a revista Monet, o elenco principal ganhava US$ 22,5 mil por episódio. Nas duas últimas, tinha saltado para US$ 1 milhão.

Em 2014, 20 anos depois da apresentação do último episódio da décima e última temporada, a Netflix pagou US$ 118 milhões pelo direito de colocar toda a série em seu catálogo, e, em 2018, mais US$ 100 milhões para mantê-la em cartaz. Foi na Netflix que vi a primeira temporada e o comecinho da segunda: estão lá as 10 temporadas, inteirinhas.

A série pertence, no entanto, ao canal Warner – foi uma produção da Bright/Kauffman/Crane Productions e Warner Bros. Television. No mês de aniversário, setembro de 2019, o canal Warner do Brasil exibiu uma maratona de Friends, os 236 episódios.

Há pelo menos dois livros inteiramente dedicados à série. Um deles tem um gostoso título que mistura a canção tema dos créditos com o “The One” que abre os títulos dos episódios – I’ll Be There for You: The One About Friends, de Kelsey Miller, lançado em 2018.

O outro tem um título assim mais com jeito de estudo sociológico: Generation Friends: An Inside Look at the Show that Defined a Television Era. Geração Friends: um olhar nos bastidores do show que definiu uma era da televisão. O autor é Saul Austerlitz.

O que será que explica tamanho sucesso, tamanha paixão de milhões e milhões de pessoas, não só nos Estados Unidos, mas mundo afora?

Certamente os autores dos dois livros tentaram responder a essa pergunta básica, fundamental. Os autores das matérias que li depois de ver a primeira temporada dão algumas respostas. Eu mesmo tenho uma outra. Claro, as explicações são muitas. Vou tentar falar delas aqui.

Seguramente os seis personagens – interessantes, simpáticos, bem construídos – e os seis bons atores escolhidos para vivê-los são parte essencial, e imensa, dos motivos do sucesso.

Não há um personagem central – são os seis

A rigor, não há um personagem que se destaque mais que os outros. Há episódios em que um deles pode aparecer um pouco mais, mas em outros episódios aquele lá aparecerá um pouco menos, e tudo fica muito equilibrado. Claro que cada espectador pode contestar isso, porque dirá que o seu personagem predileto é mais importante, mas a verdade é que não há um protagonista, uma figura central – há seis.

Os nomes dos seis atores são apresentados nos créditos iniciais na velha e boa ordem alfabética, que é para não haver privilégio para nenhum deles – em ordem alfabética do sobrenome, como se usa nos países de língua inglesa. No quadro, os nomes do atores, com a data de nascimento e a idade que tinham em 1994, e os dos personagens.

Jennifer Aniston (1969 – 25 anos) Rachel Green (a terceira da esquerda para a direita)
Courteney Cox (1964 – 30 anos) Monica Geller (a quinta)
Lisa Kudrow (1963 – 31 anos) Phoebe Buffay (a primeira)
Matt LeBlanc (1967 – 27 anos) Joey Tribbiani (o sexto)
Matthew Perry (1969 – 25 anos) Chandler Bing (o segundo)
David Schwimmer (1966 – 28 anos) Ross Geller (o quarto)

Monica e Ross são irmãos. Ross é o único da turma que já se casou e o único formado em universidade – é paleontologista, trabalha num museu, gosta do que faz. Quando a série começa, está enfrentando uma barra pesada: sua mulher, Carol (Jane Sibbett), por quem é apaixonado, está se divorciando dele… para viver com outra mulher, Susan (Jessica Hecht).

Depois que Carol se separa de Ross e vai viver com Susan, descobre-se grávida. A convivência dos três, e a expectativa pelo nascimento da criança, vão ser tema ao longo de todos os 24 episódios da primeira temporada.

Monica é chef de cozinha, tem um trabalho fixo. É exigente, perfeccionista, quer sempre o melhor de si e dos outros. Não se dá nada bem com a mãe, que mora perto mas fora da cidade, provavelmente em algum subúrbio em Connecticut ou no Estado de Nova York mesmo, mais ao Norte. A mãe está sempre implicando com alguma coisa dela, e Monica odeia isso.

Boa parte da ação de Friends se passa no apartamento de Monica, onde todos os amigos gostam de se reunir. Jà no início da primeira temporada surge no apartamento dela uma grande amiga da cidade do interior onde elas cresceram – Rachel. Ela chega pedindo abrigo, depois que decide abandonar o noivo no altar – e acaba ficando, tornando-se roommate de Monica.

(Roommate. Essa é uma das muitas palavrinhas do Inglês que não têm um correspondente perfeito em Português. Colega de quarto não é exato, porque os roommates podem dividir um apartamento inteiro, como aqui no caso.)

As indicações dadas pelos criadores da série são de que Rachel é filha de gente rica. Os pais apoiavam, aprovavam seu casamento com Barry (Mitchell Whitfield), um próspero ortodontista. Mas, na última hora, Rachel decidiu que não era isso que queria – e fugiu da igreja, indo parar no apartamento da amiga Monica. Como não tem treinamento profissional algum, acaba trabalhando como garçonete, exatamente no Central Perk, o café ali no Village que a turma toda frequenta.

Uma das coisas mal explicadas no roteiro de Friends, ao menos nesta primeira temporada, é por que os caras do Central Perk não mandam Rachel embora. Ela é lindinha, simpática, e tal, mas é absolutamente incompetente como garçonete. Isso é realçado ao longo de quase todos os episódios.

Joey é ator, Chandler não gosta do que faz, Phoebe é cuca fresca

No mesmo prédio de Monica e Rachel, no apartamento do outro lado do corredor, moram os amigos Chandler e Joey. Roommates de um lado, roommates de outro – e muitas sequências da série se passam no apartamento dos dois rapazes.

Joey é filho de descendentes de italianos, como o sobrenome Tribbiani indica, e lá pelo meio da primeira temporada conhecemos o pai e a mãe dele, dois italianos bem típicos, para não dizer estereotipados. É ator, ou, melhor dizendo, um aspirante a ator, um ator à procura de personagens. Só encontra alguns bicos aqui e ali. É simpático, bonitinho, legal, tem sangue latino – e é um namorador, um conquistador de primeira. Faz muito sucesso com as mulheres. Num dos episódios da primeira temporada, mostra-se que o rapaz jamais tinha ouvido falar em Josef Stálin – não tem a mínima idéia de quem seja.

Chandler é o único, ao lado de Ross, o paleontologista, que tem um emprego estável, firme, bem pago. Trabalha em uma grande empresa, daquelas que ocupam um imenso prédio em Manhattan, numa área burocrática qualquer, já faz cinco anos – mas não gosta daquilo de jeito algum. Sempre achou que aquele seria um trabalho temporário, até achar coisa melhor, até definir o que gostaria de fazer na vida.

As pessoas que não conhecem Chandler direito costumam achar que ele é gay. Não que ele tenha trejeitos, que desmunheque; não, ele não desmenheca. Mas as pessoas acham que ele tem um jeito de gay. E isso é motivo de grandes gozações dos amigos dele. É um tema que volta e meia aparece ao longo da primeira temporada.

Bem ao contrário do roommate Joey, Chandler não é um sujeito que dá muita sorte com as mulheres. Teve uma namorada firme, Janice (Maggie Wheeler), uma moça bem chatinha, e fica tentando se livrar dela – mas eles acabam voltando.

E, finalmente, temos Phoebe. Phoebe é massoterapeuta e, nas horas vagas, cantora e compositora. É a cuca-fresca da turma, sempre tranquila, na dela, na boa, nunca enrolada em problemas.

No meio das piadas, temas sérios, graves

De tão cuca-fresca, Phoebe às vezes é meio tontinha, bobinha demais. Num dos episódios da primeira temporada, ela diz que não acredita no evolucionismo – o que provoca uma discussão com Ross, que, afinal de contas, é paleontólogo, é cientista. Ross reduz a picadinho os argumentos anticiência de Phoebe.

E isso aí é um perfeito exemplo de uma das grandes qualidades da série: no meio das piadas, das brincadeiras, Friends discute temas sérios, importantes, grandes.

Quer tema mais sério, seja nos Estados Unidos de 1994, seja no Brasil de 2019, seja em qualquer lugar do mundo, em qualquer época, do que a defesa do criacionismo, a negação da teoria da evolução, a negação da ciência?

Da mesma maneira, a série já trazia à baila, em 1994, a questão dos casais gays com filhos. Já levantava a questão de que nem toda mãe é boa mãe, e algumas, como a de Monica e Ross, são um pé no saco. E discutia como as mães liberais demais podem ser prejudiciais aos filhos – o caso da mãe de Chandler, uma autora de livros eróticos que só pensa em sexo e lá pelas tantas dá de cima até em um amigo do filho – Ross, no caso.

E colocava em pauta a dificuldade da escolha de uma profissão. Dos seis protagonistas, um – Chandler – não gosta do que faz e outro – Rachel – não tem a mínima idéia do que vai fazer na vida.

Outra das qualidades da série, que seguramente a ajudou a conquistar mais e mais adeptos, é o fato de ela contar sempre com grandes astros, bons atores, em participações especiais.

A água corre pro mar, costumava repetir minha mãe, uma fã abnegada dos ditos populares. Sucesso atrai sucesso – e é difícil estabelecer quem veio primeiro, o ovo ou a galinha. O fato é que Friends atraiu um grande número de astros para participações especiais – prova de que era um belo sucesso e tinha prestígio no meio do showbizz.

Elliott Gould interpreta Jack Geller, o pai de Monica e Ross.

George Clooney aparece em um dos episódios da primeira temporada como um médico – na época, o rapaz ainda nem era tão belo quanto ficaria com a maturidade, e trabalhava na série Plantão Médico/ER.

A lista dos atores que apareceriam em participações especiais nas temporadas seguintes de Friends é assombrosa. Aqui vão alguns nomes além de Gould e Clooney, em ordem alfabética (pelo prenome):

Alec Baldwin

Billy Crystal

Brooke Shields

Bruce Willis

Charlton Heston

Chris Isaak

Christina Applegate

Dakota Fanning

Danny DeVito

Dermot Mulroney

Gary Oldman

Giovanni Ribisi

Greg Kinnear

Hugh Laurie

Isabella Rossellini

Jean-Claude Van Damme

Jeff Goldblum

Julia Roberts

Kathleen Turner

Paul Rudd

Reese Witherspoon

Robin Williams

Sean Penn

Selma Blair

Susan Sarandon

Teri Garr

Tom Selleck

Winona Ryder

A série foi um ponto alto nas carreiras dos seis

Os seis atores que fazem os protagonistas da série estavam todos, como mostra o quadro que apresentei mais acima, entre os 25 e os 31 anos, e já tinham feito alguns filmes e séries de TV, embora nenhum deles fosse  em 1994 um grande astro. Para cada um eles, Friends foi um dos pontos altos de suas carreiras. Creio que dá para dizer que a série foi o maior sucesso na vida dos três atores homens – e também que as três atrizes construíram carreiras mais bem sucedidas que seus colegas homens.

Lisa Kudrow tem uma filmografia com 80 títulos. Courtney Cox, com 66. Jennifer Aniston tem menos títulos que as outras duas, 64 – mas tem um currículo mais cheio de sucessos do que elas. Desde meados dos anos 90, a ex-namorada de Brad Pitt tem sido “a perfeita tradução de comedinha romântica hollywoodiana dos últimos tempos, da mesma maneira como Meg Ryan também já foi, uma década antes”. Essa definição eu escrevi em 2007, e continua valendo agora, 2019, como mostram os títulos abaixo, para citar apenas alguns que já estão aqui neste 50 Anos,

Nosso Tipo de Mulher / She’s the One, de Edward Burns, EUA, 1996,

A Razão do Meu Afeto / The Object of My Affection, de Nicholas Hytner, EUA, 1998,

Dizem por Aí / Rumor Has It…, de Rob Reiner, EUA-Austrália, 2005,

Amigas com Dinheiro / Friends with Money, de Nicole Holofcener, EUA, 2006,

Separados pelo Casamento / The Break-Up, de Peyton Reed, EUA, 2006,

Ele não está tão a fim de você / He’s just not that into you, de Ken Kwapis, EUA, 2009,

O Amor Acontece / Love Happens, de Brandon Camp, EUA, 2009,

Caçador de Recompensas / The Bounty Hunter, de Andy Tennant, EUA, 2010,

Um Amor a Cada Esquina / She’s Funny That Way, de Peter Bogdanovich, EUA, 2014,

O Maior Amor do Mundo / Mother’s Day, de Garry Marshall, EUA, 2016.

As três atrizes tiveram mais sucesso que seus colegas homens, creio – mas isso não significa que eles tenham desaparecido. De forma alguma. Matt LeBlanc viveu o seu próprio personagem Joey Tribbiani em uma série em que ele era o grande astro, Joey, no Brasil Vida de Artista, que teve duas temporadas, de 2004 a 2006. E continua na ativa na série O Chefe da Casa, lançada em 2016 e ainda no ar em 2019.

Matthew Perry tem feito várias séries de TV; a última dela foi The Kennedys after Camelot, de 2017.

E David Schwimmer tem feito filmes (Sete Dias, Sete Noites) e séries de TV (Band of Brothers), além de dublar personagens de animação. E tem também dirigido. Em 2010, por exemplo, fez um drama familiar sério, pesado, inquietante, apavorante, Confiar/Trust.

Uma experiência fantástica: dez anos juntos

Creio que a grande qualidade de Friends, talvez a maior de todas as suas muitas qualidades, seja exatamente o fato de que durou dez anos, de 1994 até 2004.

O público todo teve (e tem ainda, é claro) a oportunidade de acompanhar as mudanças, o crescimento, o amadurecimento de Rachel, Monica, Phoebe, Joey, Chandler e Ross, ao longo de dez anos. Atravessando a maior parte dos anos 90, e entrando no novo século, no novo milênio.

Não é pouca coisa. De jeito nenhum. Muito ao contrário: é coisa pacas. É uma experiência e tanto, algo raro, algo maravilhoso.

Os personagens foram amadurecendo, os atores foram amadurecendo, os roteiristas foram amadurecendo.

Imagine: vemos aquelas pessoas simpáticas, agradáveis, cada um deles com muitas características parecidas com as nossas, ou de nossos amigos, ou de nossas namoradas, companheiras, mulheres, atravessando dez anos! Vemos Rachel se transformando desde ali seus 25 anos até chegar a 35! Vemos Monica enfrentar barras, alegrias, tristezas, encontros e desencontros dos 30 até os 40 anos de idade!

Eles se transformam em nossos amigos, velhos e queridos amigos. E, como Fernando Brant sintetizou em um momento de muita inspiração, amigo é coisa pra se guardar do lado esquerdo do peito.

Não tem como não gostar de Friends.

Anotação em setembro de 2019

Friends – A Primeira Temporada

De: David Crane e Marta Kauffman, criadores, 1994

Diretores James Burrows , Peter Bonerz, Pamela Fryman, Arlene Sanford

Com Jennifer Aniston (Rachel Green), Courteney Cox (Monica Geller), Lisa Kudrow (Phoebe Buffay), Matt LeBlanc (Joey Tribbiani), Matthew Perry (Chandler Bing), David Schwimmer (Ross Geller)

e Elliott Gould  (Jack Geller, o pai de Monica e Ross), Christina Pickles (Judy Geller, a mãe de Monica e Ross), Maggie Wheeler (Janice), Jane Sibbett (Carol Willick, a ex-mulher de Ross), Jessica Hecht (Susan Bunch, a mulher de Carol), Mitchell Whitfield (Barry, o noivo de Rachel), Hank Azaria (David), Larry Hankin (Mr. Heckles, o vizinho), Morgan Fairchild (Nora Tyler Bing, a mãe de Chandler), Cynthia Mann (Jasmine), Cosimo Fusco (Paolo, que namora Rachel), Mary Pat Gleason (enfermeira Sizemore), Jill Goodacre (Jill Goodacre), Geoffrey Lower (Alan), John Allen Nelson (Paul), Robert Costanzo (Joey Tribbiani pai), Jonathan Silverman (Dr. Franzblau), George Clooney (Dr. Michael Mitchell)

Roteiro David Crane e Marta Kauffman, criadores, Adam Chase, Alexa Junge, Ira Ungerleider, Jeff Astrof, Mike Sikowitz

Fotografia Richard Hissong, Ken Lamkin

Música Michael Skloff

Montagem Stephen Prime, David Helfand, Andy Zall

Casting Ellie Kanner

Produção Bright/Kauffman/Crane Productions, Warner Bros. Television

Cor, cerca de 528 min (8h40)

***

Um comentário para “Friends – A Primeira Temporada”

  1. Olá!

    Eu também nunca vi sequer um episódio dessa série. O tema me atrai bastante e, por todos os comentários, parece ter sido bem realizado. Só que eu já tenho tanta coisa pra ver, que me dá uma certa preguiça… Mas foi bom saber que são episódios curtos… talvez dê pra encaixar em minha rotina.

    Obrigado por compartilhar sua experiência, e as informações. Sempre tem alguém que sabe menos que a gente e pode se beneficiar com nosso conhecimento!

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