Rebellion

Nota: ★★★☆

Na Semana Santa de 1916, enquanto a Europa estava mergulhada na Primeira Guerra Mundial, a Grande Guerra, uns poucos milhares de irlandeses se armaram e pretenderam se libertar do Império Britânico, proclamar e estabelecer a República da Irlanda. 

Conseguiram tomar durante uns poucos dias alguns prédios públicos, como a sede dos Correios, em Dublin.

O episódio, extremamente sangrento, com dezenas de mortes de rebeldes irlandeses, de soldados britânicos e de civis, transeuntes, inclusive mulheres e crianças, ficou conhecido como Easter Rising, a Rebelião da Páscoa.

Rebellion, minissérie de 5 episódios de cerca de 50 minutos cada produzida para a Netflix na Irlanda em 2016, pretende reconstituir, com precisão, acuidade, cuidado, aquele episódio trágico, apavorante. A obra – criada, escrita e roteirizada pelo irlandês Colin Teevan, com direção do experiente finlandês Aku Louhimies – é tão pródiga em recursos, orçamento, e portanto cuidados finíssimos com direção de arte, figurinos, reconstituição de época, quanto em pretensão.

O autor Colin Teevan não quis se contentar com os personagens reais, as figuras históricas. Estes estão lá – vários dos líderes da rebelião, nomes da História da Irlanda, como James Connolly, Patrick Pearse, Michael Collins, Thomas Clarke, Eamon de Valera.

Colin Teevan criou toda uma galeria de tipos para protagonizar uma história fictícia que se entremeia com os fatos reais. Toda uma galeria de tipos – pessoas comuns, alguns riquíssimos, outros muito, muito pobres, alguns pró-Irlanda livre do jugo inglês, outros contentes com o status quo, um ou outro que não estão nem aí.

Como maravilhosamente sintetiza a tagline, a frase de marketing que vende a série, ordinary people, extraordinary times. Pessoas comuns, tempos extraordinários.

É uma série pretensiosa: parece que o realizador quis fazer seu Guerra e Paz

A série demonstra, o tempo todo, uma preocupação em aparentar que está reconstituindo fatos históricos. Letreiros vão informando o tempo todo para o espectador o onde e o quando, que prédio exatamente é aquele ali, qual é a data. Além do quando e onde, há também letreiros que procuram sintetizar um pouco do contexto.

“A Europa está à beira da guerra”, diz o primeiro letreiro: Rebellion começa com um intróito passado em 1914, pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, e em seguida passa para 1916. “A Irlanda, a colônia mais antiga do vasto Império Britânico, está dividida entre aqueles que apoiam o Home Rule e aqueles que não apoiam. Dublin, 3 de agosto de 1914.” (Falo sobre Home Rule mais adiante.)

Personagens fictícios em meio a fatos reais, convivendo com personagens reais, com um jeitão de reconstituição cuidadosa de fatos históricos. Coisa mais comum do mundo: boa parte da ficção que se faz na literatura, no teatro, no cinema, desde sempre, é exatamente assim.

Rebellion, no entanto, me pareceu mais pretensioso do que a imensa maioria da ficção que mistura personagens fictícios com personalidades reais, vidas fictícias com passagens da Grande História. Pode ter sido coisa apenas da minha cabeça, mas, lá pelo meio dos cinco episódios da minissérie, que devoramos em apenas dois dias, me peguei pensando que esse Colin Teevan quis fazer seu Guerra e Paz.

No Guerra e Paz da Rebelião da Páscoa irlandesa de 1916, não há uma Natasha Rostov, mas três mulheres fictícias em torno das quais gira a trama. Na verdade, a rigor, quatro, como na história dos mosqueteiros de Alexandre Dumas.

As três primeiras protagonistas, as Atos, Portos e Aramis de Rebellion, aparecem de cara, logo após aquele letreiro que transcrevi pouco acima, na abertura do primeiro episódio. Estão juntas e no palco, interpretando um número musical alegre, brincalhão, fingindo-se de japonesas.

Tudo indica que são grandes amigas, as maiores amigas, amigas de infância, de escola, amigas irmãs desde sempre.

O que rapidamente me deixou com a pulga idiota da objetividade atrás da orelha: como poderiam ser tão amigas aquelas três moças de origens tão absolutamente diferentes, numa sociedade tão classista, tão cheia de preconceitos de classe, como a das Ilhas Britânicas? Mas não vamos nos incomodar com a idiotice da objetividade.

Veremos que Elizabeth Butler (Charlie Murphy, à esquerda na foto abaixo) é de uma família milionária. O pai, Edward (Ian McElhinney), é dono de banco, elite da elite. A mãe, Dolly (Michelle Fairley), tem um porte aristocrático. O único irmão, Harry (Michael Ford-FitzGerald), é um bon-vivant, um hedonista, um sujeito que vive para os prazeres, e não produz absolutamente nada, não quer saber de nada que não seja bebida, mulher, jogo.

Quanto a ela, Elizabeth – que alguns chamam de Liza, outros de Liz, uma mulher que merece muitos nomes –, veremos que é tão devotada ao estudo de Medicina quanto ao socialismo. Tem absoluta certeza de que os ingleses tratam o povo irlandês como o lixo do lixo do lixo; de que as condições de vida dos pobres da Irlanda são as piores da Europa.

Elizabeth está noiva de Stephen Duffy Lyons (Paul Reid), homem de distinta família irlandesa, com conexões políticas, um membro da elite que acredita que negociações levariam a Irlanda a se tornar independente do Império Britânico. Stephen é oficial do exército britânico, e vai lutar no continente contra a Alemanha do kaiser Wilhem II e o Império Áustro-Húngaro. Quando volta à Irlanda em 1916, para um período de licença longe do front, quer marcar logo o casamento com Elizabeth. Tem toda a aprovação da família – mas Elizabeth, naquele momento, está pronta para participar do levante, da revolta, da rebelião que, na cabeça dos rebeldes, levaria à independência e à proclamação da República da Irlanda.

Uma das três protagonistas é riquíssima, as outras são  bem pobres

Outra das três amigas, as três mosqueteiras que brincam de japonesas em uma apresentação teatral para os amigos em 1914, é Frances O’Flaherty (Ruth Bradley, ao centro na foto acima e na foto abaixo).

Se a riquíssima Elizabeth chegou ao movimento pró-independência via estudo, via crença no socialismo, no ódio ao imperialismo britânico que fez da Irlanda uma pobreza só, Frances chegou à revolta via pobreza, um amor destemperado às origens gaélicas – e não anglo-saxônicas – do povo irlandês, e, conforme o espectador só ficará sabendo quando a minissérie se aproxima do fim, via o fato de ter sido filha de mãe solteira numa sociedade machista, careta, católica ao extremo, que tratava mulheres “desonradas” como párias.

Frances vai se revelar uma revolucionária de extrema firmeza, de sangue absolutamente frio. Aquele tipo que acredita piamente que os fins justificam os meios, e se os meios exigem que você atire e mate, tudo bem, maravilha – atire e mate.

A terceira das grandes amigas é May (Sarah Greene, à direita na foto acima), uma moça que veio da pequena Cork para Dublin, e arranjou emprego como secretária justamente no Castelo em que funciona a chefia da administração britânica na Irlanda. Ela é uma secretária competente, boa datilógrafa e boa estenógrafa – e, como se não bastasse isso, é amante do subchefe da administração britânica, Charles Hammond (Tom Turner).

Como uma moça de uma das famílias mais ricas de Dublin ficou tão amiga de infância de uma filha de mãe solteira criada por freiras e de uma moça de família sem recursos da distante Cork, ah, isso é um mistério neste mundo de mistérios. Mas nem todo mundo é Liev Tolstói, certo?

Peggy e Arthur são muito pobres, têm vários filhos, e sofrem demais

A quarta mulher da história, a D’Artagnan que é o quarto dos Três Mosqueteiros, chama-se Peggy Mahon (Lydia McGuinness).

Todas as três outras mulheres da história sofrem demais, e a vida, afinal de contas, não é um campeonato de quem mais sofre, mas Peggy, meu Deus, Peggy come o pão que todos os diabos se reuniram para amassar.

Ela é pobre, quase miserável. Como em geral acontece com os pobres, quase miseráveis, teve uma penca de filhos. Quatro ou cinco, nem consegui saber exatamente. O marido, Arthur Mahon (Barry Ward), alistou-se no exército britânico, para garantir o sustento da família, e foi para o continente lutar na guerra que os líderes rebeldes irlandeses diziam que não era a guerra deles.

O irmão de Arthur, Jimmy (o papel de Brian Gleeson, na foto abaixo), é socialista, rebelde, um dos homens de confiança dos líderes republicanos, aqueles que tiveram existência real, James Connolly, Patrick Pearse; é grande amigo de Michael Collins.

Jimmy é também, desde sempre, apaixonado por Elizabeth Butler, a milionária socialista que luta junto com os rebeldes.

Assim como o tenente Stephen, o rico noivo de Elizabeth, o soldado Arthur Mahon também consegue uma licença para visitar a família, às vésperas da Semana Santa de 1916.

Briga com o irmão Jimmy assim que chega – talvez por puro ciúme, pelo fato de Jimmy ter ficado junto com a família que afinal é dele, Arthur, e não dele, Jimmy. Talvez por ódio por Jimmy lutar contra o Império Britânico que ele defende no campo de batalha. Por ódio – ou talvez por inveja.

Esse pobre Arthur, soldado do exército britânico, é o melhor personagem da série

Na minha opinião, esse Arthur Mahon é a pessoa mais fascinante, mais bem construída, e talvez a mais triste de todos os muito personagens de Rebellion.

Ele está sempre destroçado entre o que deve, o que tem que fazer, e o que gostaria de fazer.

Uma das sequências mais brilhantes da série é quando, a rebelião da Páscoa no seu auge, Arthur é colocado por seus superiores para retirar os cadáveres da rua. Quando vê o cadáver de uma moça, uma adolescente, da idade de sua filha Minnie (Jordanne Jones), ele pira – abandona o dever, e vai para casa. Pensa em desertar. fugir, escapar. Não aguenta mais servir ao exército do império que esmaga a vontade de seu povo de ser independente. E, politica à parte, simplesmente não aguenta mais pegar cadáveres de compatriotas na rua.

E então a mulher dele, essa Peggy maravilhosa, mulher tão sofrida quanto forte, diz que ele não pode desertar. Ele tem que voltar e se apresentar de novo aos superiores, e continuar trabalhando para o exército que mata irlandeses como eles, porque ele precisa continuar a ter o soldo que paga a comida da família.

É apavorante, chocante – e brilhante. É um dos pontos altos, talvez o mais alto da minissérie. Que atriz, essa Lydia McGuinness que faz Peggy Mahon.

A série não trata irlandeses e ingleses com maniqueísmo. Mas é anti-Igreja católica

Rebellion tem uma grande qualidade, entre várias outras: não cai no pecado mortal do maniqueísmo.

Nem todo inglês é filho da mãe, nem todo irlandês é um perfeito herói.

Claro: é uma série irlandesa, e evidentemente expõe o tamanho descomunal da brutalidade, da crueldade com que os ingleses enfrentaram os rebeldes da Easter Rising.

Mas não cai no maniqueísmo.

Não cai naquela coisa de que, ah, matar invasor, opressor, é uma maravilha, Deus está conosco.

Matar é um horror, a minissérie mostra – e acentua, e insiste, e enfatiza. Guerra é suja, é uma porcaria, é um nojo, é um horror – mesmo quando é para garantir a independência de um país, um povo, uma nação.

Não foi para isso que lutamos, diz Elizabeth para Jimmy, quando seu sonho de um país melhor e mais justo acaba diante de um corpo de civil baleado estendido no chão.

Se não é maniqueísta quanto a ingleses e irlandeses, chega perto da coisa ruim quando trata da Igreja Católica. Rebellion aproveita todas as chances possíveis para dizer que a Igreja Católica é o horror dos horrores. Pior até, quem sabe, que o exército britânico.

O criador e roteirista Colin Teevan inventou diálogos entre um bom padre e o arcebispo de Dublin para demonstrar que a Santa Madre só pensa em luxo e riqueza, e não dá a mínima bola para os fiéis.

Cada um reage como quiser. Eu, pessoalmente, vejo que meu estômago se revira com esse tipo de maniqueísmo.

Uma história de séculos de conflitos sangrentos pela independência

O processo que levou a Irlanda a se tornar independente do Império Britânico foi extremamente doloroso – e extremamente longo. Já em 1798 houve uma revolta liderada por um grupo que se chamava de Sociedade de Irlandeses Unidos, que foi derrotada pelo governo. Em 1801, os parlamentos britânico e irlandês aprovaram os Atos de União, fundindo o Reino da Irlanda com o Reino da Grã-Bretanha e criando um Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda.

Houve nova rebelião em 1803, também esmagada, é claro.

No período da Grande Fome, entre 1845 e 1851, a Irlanda perdeu um terço de sua população: mais de um milhão de pessoas morreram de fome e doenças, e outros dois milhões emigraram – basicamente para os Estados Unidos e o Canadá.

A partir de 1860, os representantes irlandeses no Parlamento da Grã-Bretanha passaram a lutar por uma legislação de Home Rule, ou auto-governo. O ato acabou sendo aprovado no início de 1914, mas sua implementação na prática foi suspensa devido ao início da Primeira Guerra Mundial.

Os ativistas irlandeses se dividiam em organizações antagônicas. Em 1913 surgiu uma organização chamada Ulster Volunteers – voluntários dos condados do Norte da ilha, que se opunham ao Home Rule. Contra eles foi criado o Irish Volunteers – que, com a eclosão da Primeira Guerra, dividiu-se em dois; um grupo, que manteve o nome de Irish Volunteers, era contra a participação da Irlanda na guerra; o outro, sob o nome de National Volunteers, defendia, ao contrário, a participação dos irlandeses na Grande Guerra.

Foram os Irish Volunteers, os contrários à participação na guerra, unidos a um grupo menor, uma milícia socialista chamada Irish Citizen Army – exército dos cidadãos irlandeses –, que se rebelaram na Páscoa de 1916, o episódio que a minissérie Rebellion reconstitui.

A Easter Rising dcixou 486 mortos – pouco mais da metade eram civis, 30% britânicos e 16% rebeldes irlandeses.

A rebelião foi seguida de uma guerra pela independência, entre 1919 e 1921, um Tratado Anglo-Irlandês de 1921, e uma guerra civil entre irlandeses pró e contra o tratado, que durou entre 1922 e 1923. Uma Constituição irlandesa seria promulgada em 1937, mas a instauração da República da Irlanda só viria em 1949.

Isso sem falar dos sangrentos, tenebrosos conflitos na Irlanda do Norte, do final dos anos 1960 até os 1980.

Tem um ou outro defeitinho, mas é uma boa série – e uam boa aula de História

Obviamente, os parágrafos acima são um resumo resumidíssimo e talvez bastante falho do longo e doloroso processo de independência da Irlanda do Reino Unido.

Diversos bons filmes abordam esse período conturbado, cheio de idas e vindas, acordos, desacordos e lutas, até a independência da Irlanda. O gigante Ken Loach, um dos maiores cineastas de todos os tempos, fez dois: Ventos da Liberdade/The Wind that Shakes the Barley (2006) e O Salão de Jimmy/Jimmy’s Hall (2014). O irlandês Neil Jordan fez, em 1996, Michael Collins; O Preço da Liberdade, em que Liam Neeson interpreta o político que aparece já com algum destaque neste Rebellion.

A série mostra, no quinto e último episódio, Michael Collins entre os revoltosos presos que, como Jimmy Mahon, foram transferidos para presídios na Inglaterra. O filme de Neil Jordan começa mais ou menos onde Rebellion termina, com Michael Collins, libertado, voltando para a Irlanda e para luta pela independência.

Por falar em onde Rebellion termina, um ponto que tem que ser registrado. O quinto e último episódio da série termina de forma a permitir que venha uma segunda temporada, com aqueles mesmos personagens. É tudo muito aberto, muito propício a uma continuação. Aparentemente, no entanto, não houve interesse do público. Não se falou de uma segunda temporada.

Rebellion tem lá seus defeitos, como aquela falta de lógica que já citei lá em cima sobre a amizade entre moças de meios sociais tão absolutamente diferentes. Peca também, por exemplo, ao botar os personagens a discutir teses a respeito da injustiça social ou da necessidade de luta contra a opressão no meio dos tiroteiros.

Mas são coisas menores. É uma boa série. E serve como boa aula sobre a História da Irlanda. Uma História danada de complicada, complexa, mas talvez por isso mesmo fascinante.

Anotação em julho de 2018

Rebellion

De Colin Teevan, criador, roteirista, Irlanda, 2016

Diretor: Aku Louhimies

Com Ruth Bradley (Frances O’Flaherty), Charlie Murphy (Elizabeth Butler), Sarah Greene (May)

e (na família e no entorno de Ruth) Paul Reid (Stephen Duffy Lyons, o noivo), Michelle Fairley (Dolly Butler, a mãe), Michael Ford-FitzGerald (Harry Butler, o irmão), Ian McElhinney (Edward Butler, o pai), Ryan McAllister (Sylvester, o mordomo),

(no entorno de May) Tom Turner (Charles Hammond, o amante, alto funcionário britânico), Perdita Weeks (Vanessa Hammond, a mulher de Charles), Michael Feast (Sir Matthew Nathan, o chefe de Charles), Jane Herbert (Gretta, a criada),

(na família Mahon e seu entorno) Brian Gleeson (Jimmy Mahon, o socialista, irmão de Arthur), Barry Ward (Arthur Mahon, o soldado, pai da família), Lydia McGuinness (Peggy Mahon, a mãe da família), Jordanne Jones (Minnie Mahon, a filha mais velha), Millie Donnelly (Gracie Mahon), Jaelynne Wallace Ruane (Sadie Mahon), Jason Cullen (Peter Mahon),

(entre os rebeldes) Brian McCardie (James Connolly, um dos líderes), Marcus Lamb (Patrick Pearse, um dos líderes), Joanne Brennan (dra. Kathleen Lynn), Sebastian Thommen (Michael Collins), Lalor Roddy (Thomas Clarke), Stephen Mullan (Eamon de Valera)

(e ainda) Gus McDonagh (Monsignor Mulcahy, irmão de Dolly Butler),Andrew Simpson (George Wilson, o advogado, amigo de Stephen), Sophie Robinson (Ingrid Webster, a namorada de George), Steve Wall (detetive Coleman), Barry McGovern (arcebispo William Walsh),

Argumento e roteiro Colin Teevan

Fotografia Tim Fleming

Música Stephen Rennicks

Montagem Benjamin Mercer

Casting Maureen Hughes

Produção Zodiak Media Ireland, Element Pictures, SundanceTV,

Raidió Teilifís Éireann (RTÉ), Touchpaper Television.

Cor, 258 min (4h18)

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