Quando Paris Alucina / Paris – When It Sizzles

Nota: ★★★☆

Quando Paris Alucina, comédia romântica de Richard Quine de 1964, é uma gostosíssima diversão. E é também um filme belo, bonito de se ver, que faz bem aos olhos: tem, como o título indica, um monte de tomadas de Paris, e um monte de tomadas de Audrey Hepburn. Vestida, naturalmente, por Givenchy.

E, para quem gosta de homem boa pinta, tem William Holden – e, de quebra, de troco, numa deliciosa participação especial, Tony Curtis.

Filme bonito é isso aí.

Para quem gosta de cinema, então, é uma festa. O filme tem carradas de piadas sobre cinema. É uma grande brincadeira de metalinguagem – fala-se em fade out, fade in, montagem, os truques dos roteiristas para manter a atenção do espectador, a necessidadede  haver reviravoltas na história, e mais reviravoltas, e mais reviravoltas.

O grande multitalento Noël Coward, Sir Noël Peirce Coward (1899-1973), dramaturgo, compositor, diretor, ator, cantor, tem participação especial em duas sequências – a de abertura e uma já para o fim, no clímax da trama, numa grande festa na Torre Eiffel.

Como brinde extra, há uma tomada – uma única tomada – em que vemos Marlene Dietrich descendo de um carro milionário e entrando numa loja chiquetérrima. O nome dela não aparece nos créditos – é uma participação especialíssima, uma aparição rápida como as de Alfred Hitchcock em seus filmes, o que os americanos chamam de cameo role. Foi a penúltima aparição da diva em um filme; veio depois de seus últimos grandes papéis em Testemunha de Acusação (1957), A Marca da Maldade (1958) e Julgamento em Nuremberg (1961). Depois desta aparição rapidíssima aqui, ele ainda faria um pequeno papel em Apenas um Gigolô (1978).

Um roteirista perto do prazo final de entregar uma história – e não há história

É a história de um…

A rigor, a rigor, a história em si não importa muito. Muita gente poderá achar que a história é boba, fraca – e talvez seja mesmo. Mas Paris – When it Sizzles é um daqueles filmes em que o modo de contar a história é mais importante do que a história em si.

É a história de um roteirista de cinema que tem que entregar o roteiro ao produtor num domingo, exatamente o 14 de Julho, o dia nacional da França, o que em inglês se diz Bastille Day. A ação começa na sexta-feira anterior ao domingo. O roteirista recebe uma datilógrafa no apartamento luxuoso, caréssimo, que está ocupando num bairro nobre de Paris, com vista para a Torre Eiffel, tudo às custas do produtor, é claro.

Só que ele não tem manuscrito algum para ser datilografado. Não escreveu uma linha. Pior ainda, muito pior: não tem idéia do que vai escrever. Tinha apenas o título, um título atraente – A Garota que Roubou a Torre Eiffel.

O roteirista havia telefonado para o produtor dizendo que já tinha 183 páginas escritas. Ele é chegado a um uísque, a uma vodca, a coquetéis.

O roteirista, Richard Benson, é interpretado, claro, por William Holden. A datilógrafa, Gabrielle Simpson, por Audrey Hepburn, evidentemente. O produtor, Alexander Meyerheim, por Noël Coward.

Ao longo de deliciosos 110 minutos, veremos Richard Benson tentar criar uma história para o filme A Garota que Roubou a Torre Eiffel. Inicialmente incapaz de bolar qualquer história, qualquer trama, Richard Benson só consegue usar os elementos que estão à sua frente: ele mesmo, com seu ego gigantesco, essa linda datilógrafa que apareceu diante dele, e algumas informações básicas sobre ela que a própria jovem oferece.

Assim, ele começa a imaginar dois personagens: um bonitão muito parecido com ele mesmo, chamado Rick, e uma jovem parisiense chamada Gaby, muito parecida com Gabrielle. Os dois vão se conhecer num café parisiense no 14 de Julho…

Audrey está maravilhosa, com seu belo timing de comediante

A trama pode de fato não ser lá grandes coisas – mas ver como a trama que Richard Benson tenta criar vai tomando vida na tela, com William Holden fazendo, além de Richard, o roteirista, também Rick, o personagem, e Audrey Hepburn fazendo Gaby, além de Gabrielle, a datilógrafa, é divertido, engraçado, charmoso.

Audrey está maravilhosa. Que belo timing de comediante tinha aquela moça. Que carinhas maravilhosas ela faz, que gestos perfeitos, uma mistura equilibrada de elegância, sutileza, bom humor, ironia, malícia…

Os diálogos são afiadíssimos, muitíssimo bem escritos, engraçadíssimos – e as piadas se sucedem numa velocidade vertiginosa. Obra de um roteirista experiente, seguro, dos grandes de sua época: George Axelrod (1922-2003) é o sujeito que escreveu a peça The Seven Year Itch, e, juntamente com Billy Wilder, fez o roteiro do filme baseado nela, uma das mais brilhantes comédias de Hollywood de todos os tempos – no Brasil, O Pecado Mora ao Lado. É dele também o roteiro original do ótimo Como Matar Seu Chefe (1965), dirigido, como este filme aqui, por Richard Quine.

Versátil, escreveu também roteiros dramáticos. É dele o roteiro de Sob o Domínio do Mal/The Manchurian Candidate (1962), de John Frankenheimer.

George Axelrod não escreveu a história que deu origem a Paris – When it Sizzles. Ela é de autoria de Julien Duvivier e Henri Jeanson, que Duvivier filmou em 1952 como La Fête à Henriette, no Brasil A Festa do Coração.

Axelrod baseou-se no filme de Duvivier, jogou fora alguns elementos, introduziu outros, praticamente criou uma nova história a partir daquela base – e escreveu os estupendos diálogos.

Os diálogos de Paris – When it Sizzles são como Ernest Hemingway descreveu Paris: uma festa.

Diálogos afiados, inteligentes, bem construídos

Eis o primeiro diálogo do filme. Gabrielle chega, toca a campainha. Richard estava bebendo numa bela varanda, camisa aberta, peito peludo à mostra.

Richard: – “Sim?”

Gabrielle: – “Mr. Benson?”

Richard: – “Você é, imagino, a jovem do escritório de datilografia?”

Gabrielle: – “Sou”.

Richard – “Neste caso, se é para termos uma relação feliz e harmoniosa, eu peço que você jamais responda a uma pergunta com uma pergunta. Está claro?

Gabrielle: – “Eu fiz isso?”

Richard: – “Lá vai você de novo, respondendo a uma pergunta com uma pergunta. Meu ‘sim’ original, quando você abriu a porta, era uma pergunta, o ponto de interrogação sugerido, naturalmente. Você sabe a diferente entre sugerir e deduzir?”

Gabrielle: – “Isso não é uma pergunta?”

Richard: – “Sim.”

Gabrielle: – “Bem, você acabou de responder à minha pergunta com uma pergunta. Sugerir é para indicar sem dizer abertamente ou diretamente. Inferir é chegar a uma conclusão a partir de algo sabido ou presumido.”

Mais adiante, Gabrielle pergunta sobre o que é o filme cujo roteiro ela vai datilografar. Richard, que, como já foi dito, não tinha a menor idéia sobre o tema do filme que ele já deveria ter escrito, responde: – “É um melodrama de ação/suspense romântico, com muito de comédia, claro. E, ahnn, no fundo, um substrato de crítica social.”

O roteirista fala várias vezes sobre fade out, fade in, fusion…

O roteirista Richard Benson usa diversas vezes as expressões fade out, fade in, fusion, termos técnicos sobre montagem, a arte de ligar uma tomada à tomada seguinte – ou, eventualmente, desligar uma da outra, afastar uma da outra.

No Glossário deste 50 Anos de Filmes, resumo as coisas assim: Fade out é quando o final da seqüência vai desaparecendo e a tela fica negra por alguns segundos, ou frações de segundos. Fade in é o contrário, quando vai surgindo da tela então negra a imagem da cena ou seqüência seguinte. Fusão é quando a imagem de uma cena ou uma seqüência vai se dissolvendo enquanto a seguinte já está aparecendo; por alguns segundos, ou frações de segundos, estão na tela duas imagens diferentes. Normalmente, de uma maneira geral, a fusão indica uma passagem de tempo mais rápida entre uma seqüência e outra do que quando há o fade out e fade in.

Exatos 21 anos depois que Richard Quine fez Paris – When it Sizzles, Woody Allen fez uma sequência absolutamente extraordinária, antológica, sobre o fade out. Em A Rosa Púrpura do Cairo, Tom Baxter (Jeff Daniels), o ator do filme que Cecilia (Mia Farrow) vê diversas, diversas vezes, sai da tela e vai conversar com aquela bela moça solitária. Passeiam pela cidade dela. Vão a um parque de diversões que não está funcionando. São as únicas pessoas ali. E então Tom Baxter dá um beijo em Cecília. E em seguida dá uma olhadinha ao redor, com um ar intrigado.

– “Cadê o fade out? – pergunta.

– “O quê?” – pergunta Cecilia.

– “Sempre que o beijo fica quente e pesado, logo antes da cena de amor, há um fade out.”

– “E então?”

– “E então estamos fazendo amor em algum lugar em que não há mais ninguém, um lugar perfeito.”

– “Não é assim que acontece aqui”, diz Cecilia.

– “Como, não tem fade out?”

– “Não, mas quando você me beijou, eu senti como se meu coração ficasse fraco. Eu fechei os olhos, e fiquei num lugar sem mais ninguém.”

Tom está espantado: – “Que fascinante. Vocês fazem amor sem o fade out?”

– “Sim.”

– “Estou curioso para saber como é isso.”

Uma grande gozação da linguagem do cinema, dos filmes americanos…

Pois 21 anos antes de A Rosa Púrpura do Cairo, o roteirista George Axelrod e o diretor Richard Quine já haviam feito em Paris – When it Sizzles uma sequência absolutamente deliciosa brincando com essa coisa de que, nos filmes românticos, quando vinha o fade out depois de um beijo apaixonado, a platéia já sabia, já estava cansada de saber: aí vinha a trepada.

O filme, é claro, não mostraria a trepada em si – até meados dos anos 60, porque havia o Código Hays, o código de autocensura dos grandes estúdios de Hollywood. Depois dos anos 80, tornou-se comum os filmes mostrarem o começo da trepada – mas em algum momento, de qualquer forma, vinha o fade out.

Quando Paris – When it Sizzles está aí com uns 70 minutos, Rick e Gaby, os personagens do filme dentro do filme, estão em um estúdio cinematográfico em Paris. Chegam a um lugar do estúdio em que há uma magnífica cama de casal – e, enfim, depois de um pouco de diálogo, se abraçam. A câmara, no alto, em um plano de conjunto, bem aberto, amplo, os mostra abraçados, enquanto a voz de Richard, o roteirista, dita para Gabrielle datilografar:

– “Seus corpos de aproximam e rolam como grandes ondas que quebram numa praia deserta. E agora, agora… devagar, lentamente… a fusão!”

A tomada de Rick e Gaby na grande cama do estúdio se funde com a tomada seguinte, Richard e Gabrielle no apartamento parisiense que ele ocupa, ela datilografando febrilmente as palavras que ele dita..

Gabrielle se levanta, uma expressão preocupada. Richard pergunta qual é o problema – ela não gostou?

– “Eu gostei. Mas você acha que vão deixar você fazer isso?”

(Era 1964. O Código Hays ainda estava em vigor.)

– “É que é uma cena assim, na cama, bastante sugestiva… Não acha que vão objetar?”

– “Como eles poderiam objetar contra a cena? Nós fundimos, não foi?

Gabrielle tem dúvidas: – “É, mas…”

Richard aproveita para pegar na mão dela e puxá-la para o sofá em que está sentado: – “Miss Simpson, como eu disse antes, a fusão é um recurso muito útil. Não só nos leva de um lugar para o outro, como também deixa o que acontece na tela na imaginação do espectador. E então, Miss Simpson, eu, se fosse você, deixaria de ir a esses teatros pecaminosos, e começaria a ver mais daqueles bons filmes americanos para a família. Não sei o que você e a censura acha que eles estavam fazendo, mas eu sou da opinião de que eles estavam jogando…”

E vemos então Rick e Gaby sentados na grande cama jogando uma partida de um jogo de tabuleiro. Gaby está rolando os dados.

Absoluta delícia!

Uma porção de brincadeiras sobre o próprio cinema

Há montes de citações a coisas do cinema. Numa sequência especialmente feliz, Richard faz aquele gesto com as duas mãos, desenhando um quadrado – como se fosse o campo a ser focalizado pela câmara – e aproxima o quadrado dos dedos do rosto de Gabrielle-Audrey Hepburn. E então a câmara do diretor de fotografia Charles Lang mostra em super ultra big close-up os olhos, depois o nariz, depois a boca de Audrey Hepburn, com aquele sorriso que faz derreter o coração de qualquer frade de pedra.

Richard uma hora qualquer diz para Gabrielle que Frankenstein e My Fair Lady têm muitos pontos em comum. Naquele mesmo ano de 1964 Audrey Hepburn interpretou Eliza Doolittle em My Fair Lady.

A certa altura, o toca-discos toca “Funny Face”, com Fred Astaire – a canção que o personagem de Astaire canta para a personagem de Audrey em Cinderela em Paris/Funny Face (1957).

Há também uma referência explícita a Bonequinha de Luxo/Breakfast at Tiffany’s (1961).

E não faltam, é claro, referências a Casablanca – a começar pelo nome do personagem do filme dentro do filme, Rick, o mesmo do protagonista da história, interpretado por Humphrey Bogart.

Audrey e Paris combinam perfeitamente. Elles ont três biens ensemble

É fascinante ver como Audrey Hepburn e Paris combinam. Como diria Paul McCartney, sont des mots que vont três bien ensemble.

As personagens de Audrey Hepburn passearam por Paris em Sabrina (1954), Cinderela em Paris (1957), Amor na Tarde (1957), Charada (1963), Como Roubar um Milhão de Dólares (1966) e neste filme aqui. E viajou pela França, por várias cidades do interior francês, em Um Caminho para Dois (1967).

Audrey está na capa do deslumbrante livro Paris by Hollywood / Paris Vu par Hollywood, editado por Antoine De Baecque, Editions Flammarion, 2012. E o livro tem, como não poderia deixar de ser, um capítulo inteiro dedicado à atriz – “Audrey Hepburn: Parisian Icon”, assinado por Christian Viviani. É um texto sofisticado, elegante, como Audrey e Paris merecem. Um trecho:

“Poucas atrizes americanas percebidas como européias estiveram tão associadas a uma locação não americana quanto Audrey Hepburn esteve com Paris. Lenda radiante dos últimos dias do cinema americano clássico, Hepburn estava claramente afirmando que Hollywood poderia ser encontrada em outro lugar que não Hollywood. Paris, mais como um símbolo cosmopolitano do que como a capital da França, ofereceu à atriz uma paisagem que sugeria raízes não americanas, ao mesmo tempo em que permanecia suficientemente vaga. Além dos clichês turísticos que são inerentes ao duo Hepburn-Paris, essa rara relação entre uma atriz e uma cidade (e, num registro diferente, Anna Magnani e Roma vêm à mente), aponta para uma importante fase na evolução de Hollywood, e para o reconhecimento estrondoso da América de que suas raízes podem ser encontradas na Europa.”

 Maltin meteu o pau. O Guide de Jean Tulard diz que o casal é animado

Leonard Maltin não gostou nada do filme. Deu apenas 1.5 estrelas em 4 e arrasou assim: “Comédia muito trabalhada, sem graça, derrota um bom elenco, na história de um roteirista e secretária que atuam em fantasias de um filme a fim de terminar um roteiro. Locações em Paris, cameo de Marlene Dietrich e outros não ajudam.”

O Guide de Films de Jean Tulard diz sobre Deux Têtes Folles, duas cabeças malucas, o estranho título escolhido pelos exibidores franceses: “Divertido, mas diretamente inspirado em La Fête à Henriette de Duvivier. As paródias dos filmes de espionagem e de terror são bem feitas e o casal Holden-Hepburn é animado.”

Algumas informações e curiosidades sobre o filme e sua produção, a maior parte delas tirada da página de Trivia do IMDb:

* Lançado em 1964, o filme no entanto foi rodado em 1962. As filmagens terminaram em novembro daquele ano – apenas alguns dias antes do início das filmagens de Charada, cuja ação também se passa em Paris. Charada foi lançado em 1963, antes, portanto, de Quando Paris Alucina.

* O nome do filme vem de um verso de “I love Paris”, a canção de Cole Porter lançada em 1953, escrita para o musical Can-Can – filmado por Walter Lang em 1960. O verbo to sizzle significa estar quente demais, estar pegando fogo, estar queimando.

* Além das participações especiais citadas mais acima de Tony Curtis e Marlene Dietrich, há também a de Mel Ferrer, então marido de Audrey. Ele aparece como Dr. Jekyll e Mr. Hyde na festa à fantasia quase ao final do filme, realizada na Torre Eiffel.

* A vida imita a arte. William Holden bebia na vida real em quantidades industriais, assim como seu personagem Richard Benson. Durante as filmagens, arrebentou uma Ferrari novinha contra um muro, se feriu – e foi internado em uma clínica para desintoxicação.

William Holden e Audrey Hepburn namoraram na época de Sabrina

Este foi o segundo filme em que William Holden e Audrey Hepburn contracenam. O primeiro, claro, foi Sabrina, em que Holden faz o irmão mais jovem da família milionária para a qual o pai da protagonista trabalha como chofer. O irmão mais velho era interpretado por Humphrey Bogart.

Na época das filmagens de Sabrina – que foi lançado nos Estados Unidos em outubro de 1954 –, Holden e Hepburn se apaixonaram, tiveram um caso. É fato sabido, comentado. O livro Billy Wilder – E o resto é loucura fala do romance. O livro Hollywood Picks the Classics confirma o namoro. O IMDb chega a dizer que Audrey rompeu o namoro ao saber que William Holden não poderia ter filhos.

Em 25 de setembro de 1954, menos de um mês antes de Sabrina estrear, Audrey se casou com o ator Mel Ferrer, com quem teria um filho e viveria até 1968.

Audrey e Mel Ferrer estavam casados, portanto, em 1962, quando foram feitas as filmagens deste Paris – When It Sizzles. Como já foi dito, o ator até faz uma participação especial na cena do baile à fantasia na Torre Eiffel.

Nas suas memórias, Sam Hepburn Ferrer, o filho do casal, afirma que este aqui é o filme de que Audrey menos gostava. Ela dizia que foi gostoso fazer o filme – ou seja, ela não viu problema em filmar cenas de amor com o ex-namorado. Segundo o livro escrito pelo filho, ela teria dito: – “Só porque o filme foi fácil de fazer não quer dizer que ele vai ser muito bom”.

Quando vemos um filme pronto, acabado, depois de passar semanas no laboratório de montagem e então ser submetido ao crivo final do realizador e muitas vezes também dos produtores e de audiências chamadas para ver antes da estréia e fazer avaliações, não dá, evidentemente, para saber como estavam as coisas no momento das filmagens. Como estavam as relações entre os atores, os técnicos, todas as dezenas de pessoas envolvidas e o diretor, esse maestro que maneja toda a grande orquestra.

Ao ver Paris – When It Sizzles, seja na época do lançamento, seja agora, mais de meio século depois, e ver como funcionava bem a dupla central, como parecem tão à vontade, alegres, soltos, William Holden e Audrey Hepburn, é impossível imaginar que houvesse problemas, tensões, no estúdio.

Anotação em abril de 2018

Quando Paris Alucina/Paris – When It Sizzles

De Richard Quine, EUA, 1964.

Com William Holden (Richard Benson/Rick), Audrey Hepburn (Gabrielle Simpson/Gaby)

e Noël Coward (Alexander Meyerheim), Grégoire Aslan (inspetor Gilet), Evi Marandi (Evi Marandi, a atriz grega da primeira sequência), Tony Curtis (Maurice / Philippe – não creditado), Orestis Ganakis (Philippe)

e, em participações especiais, Marlene Dietrich e Mel Ferrer

Roteiro George Axelrod

Baseado no filme La Fête à Henriette (1952), roteiro de Julien Duvivier e Henri Jeanson

Fotografia Charles Lang e (não creditado) Claude Renoir

Música Nelson Riddle

Montagem Archie Marshek

Figurinos de Audrey Hepburn por Hubert de Givenchy

Produção Richard Quine Productions, George Axelrod Productions.

Cor, 110 min (1h50)

R, ***

Título na França: Deux têtes folles. Em Portugal: Quando Paris Delira.

2 Comentários

  1. Carla
    Postado em 20 julho 2018 às 9:00 pm | Permalink

    Em “O Magnifico”, filme de Philipe de Broca de 1973, posterior, portanto, Jean-Paul Belmondo é um escritor de romances de espionagem que tem de escrever um novo livro, e usa figuras que conhece como modelos na trama – por exemplo, além dele mesmo, sua linda vizinha, Jacqueline Bisset, e seu editor (que, salvo má lembrança minha, é o vilão do romance).

  2. Sérgio Vaz
    Postado em 20 julho 2018 às 9:32 pm | Permalink

    Você tem toda razão, Carla. Há semelhança nisso aí entre os dois filmes.

    Eu gosto demais do Philippe de Broca e em especial de “O Magnífico”. Já escrevi sobre o filme aqui: http://50anosdefilmes.com.br/2009/o-magnifico-le-magnifique/

    Um abraço, e obrigado pelo comentário, Carla!

    Sérgio

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