Jake Grandão / Big Jake

Nota: ★★★☆

Jake Grandão/Big Jake, lançado em 1971, foi o último filme dirigido por George Sherman, um realizador veterano, que havia se tornado amigo de John Wayne ainda nos anos 30.

Já estava bem doente durante as filmagens – boa parte delas realizadas no México –, e o próprio John Wayne, o grande astro do filme e dono de uma das companhias produtoras, a Batjac, assumiu a direção de várias sequências. Mas não quis ser creditado como diretor, e o nome de George Sherman aparece sozinho. (O realizador ainda dirigiria episódios de quatro séries de TV, e morreria em 1991, aos 82 anos.)

Não acho que chega a ser um filmaço, um grande western – mas tem ótimas cenas de ação, muito bom humor, ótima trilha sonora do especialista Elmer Bernstein, o quinto e último encontro nas telas de John Wayne e Maureen O’Hara, e uma abertura que é fantástica, espetacular, uma absoluta maravilha.

Um filme daquele subgênero nobre sobre o fim de uma era, o fim de um ciclo

Jake Grandão pertence àquela vertente de westerns – praticamente um subgênero – em que a ação se passa quando o Velho Oeste está deixando ou já deixou de ser o Velho Oeste. É uma forma de o cinema falar do fim de uma era, o desaparecimento de um tempo, o ocaso de uma forma de a sociedade se estruturar, se organizar. Um tempo de grandes, profundas mudanças, para as quais muita gente ainda não estava preparada.

Muitas pérolas do cinema americano são dessa vertente – e, como gosto especialmente de westerns, várias delas já foram comentadas aqui neste 50 Anos de Textos. Muitos desses filmes já trazem no próprio título essa coisa da finitude, de crepúsculo, pôr-do-sol, outono, a natureza que fenece com a chegada de um novo inverno. O Último Pôr-do-Sol/The Last Sunset (1951). Pistoleiros do Entardecer/Ride the High Country (1962). Crepúsculo de uma Raça/Cheyenne Autumn (1964).

Claro que há muitos outros que não expõem já no título essa coisa outonal, crepuscular: O Homem Que Luta Só/Ride Lonesome (1959). O Homem Que Matou o Facínora/The Man Who Shot Liberty Valence (1962). Era Uma Vez no Oeste/Once Upon a Time in the West (1968). Butch Cassidy and the Sundance Kid (1969) tinha muito disso também – aquela bicicleta em que Paul Newman brinca com Katharine Ross ao som de “Raindrops keep falling on my head” (meu Deus, quanto beleza junta) não é à toa.

De toda essa cepa de bons uísques cowboy, perdão, de bons filmes de cowboy, O Último Pistoleiro/The Shootist (1976) talvez seja um dos que mais realçam, enfatizam essa coisa de fim de uma era, um tipo de civilização – ou, no caso, de falta de civilização. Último filme de John Wayne, último western de James Stewart, o protagonista é, como indica o título brasileiro, um dos últimos de sua espécie, ou o último. JB Brooks, o personagem de John Wayne, está para morrer – assim como a sua era, a época do Velho Oeste. A cidade em que chega para consultar um médico, ouvir uma segunda opinião, já tem bonde, água encanada e luz elétrica. Aquele admirável mundo novo não tem mais lugar para um pistoleiro, um dinossauro, representante do já distante tempo sem lei e sem alma.

Na abertura do filme, mostra-se em belas pinceladas como era o mundo em 1909

Pois Jake Grandão abre realçando ainda mais a coisa de fim de era, enfatizando ainda mais o ocaso de uma civilização, do que o filme do mesmo John Wayne lançado cinco anos depois,

É um exagero de realce. É um exagero de brilho.

Por algum motivo qualquer, não havia visto Jake Grandão na época do lançamento, nem depois. Vejo muitos filmes desde sempre, mas é claro que não dá pra ver todos, e então Jake Grandão foi um dos que me passaram. Entrou na programação do Telecine Cult, e finalmente vi agora, 46 anos depois do lançamento.

Fiquei absolutamente mesmerizado com a abertura do filme. Chocado, espantado, bestificado.

É fascinante.

A voz em off de um locutor – com todo aquele jeitão de voz de locutor de rádio do passado, aquela coisa empostada, tonitroante. (O narrador, aprendi depois, chama-se George Fennemann, 1919-1997, famoso homem de rádio e TV americanos.)

Vemos imagens antigas, em preto-e-branco, algumas em sépia, enquanto ouvimos a voz empostada, tonitroante de George Fennemann dizendo este texto:

– “1909. A Era de Ouro Eduardina. Uma civilização amável, educada tomou conta da Inglaterra, o Continente e o Leste dos Estados Unidos. Nova York se rivaliza com Londres e Paris entre as grandes metrópoles do mundo. Albert Einstein havia apresentado a sua Teoria da Relatividade  em 1905, e a Ciência revelava as maravilhas do mundo moderno.”

Fotos e filmes antigos, em montagem acelerada, vão ilustrando cada uma das coisas que o locutor diz.

– “Cultura e refinamento haviam chegado à Costa Leste da América. Caruso estava cantando Pagliacci no Met. Arturo Toscanini era o maestro. Os Barrymores estavam se apresentando. E a garota Ziegfield era um sucesso. Mas em 1909 as partes mais a Oeste dos Estados Unidos não eram tão refinadas.”

Vemos uma foto de uma pequena multidão numa cidade do Velho Oeste acompanhando um enforcamento. Depois fotos de índios. A música de fundo vai mudando de acordo com o que o vai sendo dito e mostrado.

– “Os índios sobreviventes já haviam sido recrutados pelo Exército americano. Em Washington, William Howard Taft, 300 libras de puro republicano, era presidente, e a vida era confortável.”

Vemos uma foto do gordo Taft, 130 quilos.

– “Em outras partes do país, os homens estavam lutando entre si – e contra os elementos. Nas lojas de departamento de Nova York, as senhoras podiam comprar saias e botas, e viver em grande estilo. No Oeste, não se pensava em estilo – apenas em viver. Construtores de impérios do Leste tinham assegurado suas fortunas. Os Morgans, os Vanderbilts, os Carnegies. Havia impérios no Oeste, também, como o rancho dos McCandles. Mas esses gigantescos ranchos eram mantidos apenas com a força de homens e armas. O time de futebol da Universidade de Notre Dame tinha Knute Rockne. No território do Arizona, um outro time, os Arizona Rangers, estava apenas tentando manter a paz.”

Jamais tinha ouvido falar em Knute Rockne, mas, pelo jeito, Knute Rockne era, naquele começo de século XX, o que bem mais tarde foi o maridão da Giselle Bündchen, Tom Brady: uma lenda do futebol americano.

Aí o texto que o locutor lê vai fundo na brincadeira, na gozação – maior delícia:

– “Anna Pavlova, prima ballerina do balé russo, estava dançando O Lago dos Cisnes. As dançarinas de saloon da corrida do ouro de Klondike eram um tanto diferentes.”

Folo de Pavlova, foto de uma bailarina-puta de saloon da época da corrida do ouro no Canadá.

– “Por volta de 1909, a fotografia tinha adquirido vida. Os filmes haviam nascido com O Grande Assalto do Trem. Enquanto aquele drama faz-de-conta estava nas telas dos cinemas, nove homens cruzaram o Rio Bravo para dentro do Texas. Os anos turbulentos entre a Guerra Civil e a rodada do século fez aparecer o melhor de algumas pessoas – para outros, fez aparecer o pior.”

A abertura com fotos e filmes da época se funde com as primeiras sequências

Ah, meu, é bom demais esse texto, com aquela voz de George Fennemann, com aquelas fotos, as músicas de fundo que vão mudando de acordo com o que está sendo mostrado. É simplesmente arrebatadora essa abertura, que vem ao mesmo tempo em que rolam os créditos iniciais.

Verdade: é muita informação junta. Há a voz do narrador, as legendas para quem não domina com absoluta proficiency o inglês, as fotos e filmes, e mais os nomes da produtora, dos atores, do diretor de fotografia, do compositor… É muita informação.

Por puro prazer, revi algumas vezes a abertura. Depois tentei achar o texto já devidamente decupado, transcrito na internet. Não achei – mas achei o trechinho do filme, é claro. Está aí, porque vale a pena ver – uma absoluta maravilha.

Não termina naquele trecho que traduzi – “para outros, fez aparecer o pior”. Naquele momento, a abertura do filme funde as fotos e cenas reais com a primeira sequência de Jake Grandão: vemos então, ainda em sépia, como nas fotos e filmes que acabavam de mostrar a realidade, um grupo de nove homens a cavalo, enquanto a voz de George Fennemann continua:

– “Os anos turbulentos entre a Guerra Civil e a rodada do século fez aparecer o melhor de algumas pessoas – para outros, fez aparecer o pior. Exemplo: O’Brien, apache mestiço, mãe chiricahua, pai irlandês, pistoleiro profissional, um dos últimos de sua espécie.”

A câmara está então focalizando o rosto do ator que faz O’Brien, Glenn Corbett, enquanto ele cavalga junto com os outros oito sujeitos do bando.

A voz em off do narrador e a câmara vão nos apresentando os nove bandidos, um a um.

Como alguns dos grandes mestres, John Wayne trabalhava sempre com a mesma turma

Pode à primeira vista parecer loucura, insensatez absoluta, mas a verdade é que John Wayne tem pelo menos uma coisa em comum com Ingmar Bergman, Federico Fellini, François Truffaut e outros dos grandes gênios do cinema: exatamente como esses mestres citados aí, John Wayne gostava de trabalhar sempre com as mesmas pessoas, a mesma turma.

E exatamente como Jean Renoir e Claude Chabrol, o Duke gostava de botar parentes nos filmes que estrelava e/ou produzia.

Por exemplo: este foi o décimo dos dez filmes de John Wayne em que trabalha também seu filho Patrick Wayne. Patrick interpreta James, o filho de Jacob McCandles – o protagonista da história, o papel dele mesmo, Duke.

Ethan Wayne, o garotinho que interpreta Little Jake, o neto do protagonista, na verdade é filho do Duke.

O outro filho do Big Jake, Michael, é interpretado por Christopher Mitchum – filho de Robert Mitchum, que trabalhou com o Duke em El Dorado (1967). Este aqui foi um dos três filmes em que John Wayne trabalhou com o filho de Robert Mitchum.

O líder dos nove bandidos que saem do México, atravessam o Rio Grande e vão assaltar o riquíssimo rancho texano dos McCandles, John Fain, é interpretado por Richard Boone. Richard Boone (1917-1981) é um dos casos mais fantásticos de ator que já nasce com o physique du rôle pré-determinado: ele tem todo o tipo perfeito para interpretar bandido – e bandido especialmente mau.

Como a vida é cheia de surpresas, e as aparências sempre enganam, o cartunista Carlos Estêvão que não nos deixe mentir, Richard Boone, com aquela cara perfeita de bandido, interpretou o sujeito que para os texanos em especial e os americanos de uma maneira geral é tido como grande herói, e, para os mexicanos, como um carrasco, o general Sam Houston, em O Álamo, que John Wayne produziu e dirigiu em 1960. Viriam a trabalhar juntos uma terceira vez, o sujeito especializado em fazer o cowboy bom, o mocinho, e o sujeito especializado em fazer o bandido mau, exatamente em O Último Pistoleiro.

Mas três filmes juntos é até pouco. Bruce Cabot, o ator que faz o índio Sam, o maior amigo do Jake Grandão, trabalhou dez vezes com John Wayne.

John Agar trabalhou seis vezes com o Duke. Aqui, John Agar faz o papel de Bert Ryan, o capataz do rancho dos McCandles. Bert Ryan é assassinado nos primeiros minutos do filme, quando os nove bandidos liderados por John Fain chegam ao riquíssimo rancho dos McCandles.

Para dar jeito nisso, só uma pessoa “muito dura e desagradável”

 Está faltando uma sinopse, ainda que mínima. Um resuminho da trama do filme.

Um casal assina o roteiro deste Big Jake: Harry Julian Fink e Rita M. Fink. É um roteiro original: a história foi criada pelo casal diretamente para o filme.

A trama é simples: nove bandidos atacam um riquíssimo rancho, matam umas dez pessoas, e seqüestram uma criança – o único neto da matriarca, Martha McCandles (o papel da red haired lady Maureen O’Hara).

Deixam uma nota: é para a família levar US$ 1 milhão para a quadrilha, no México, se quiser ver de novo o garoto, o Little Jake.

Tanto o Exército dos US of A quanto os Texas Rangers se oferecem para ir atrás dos bandidos e recuperar o garotinho.

Martha McCandles-Maureen Cabelos de Fogo O’Hara suspira e diz:

– “This is going to be a very harsh and unpleasant business, and will take an equally harsh and unpleasant person to see to it.”

Isso vai ser um troço muito duro (rude, extremo) e desagradável, e então vai precisar de uma pessoa igualmente dura e desagradável.

A pessoa dura, rude, extremamente desagradável é o marido dela, Jacob McCandles. O papel de John Wayne – que só aparece quando o filme está com exatos 20 minutos.

Como eu definitivamente não sei fazer um resumo da trama bem curto, sintético, me estendi muito mais do que devia.

Mas vou resumir a partir daqui:

E então saem duas diferentes tropas para atravessar o Rio Grande e ir atrás dos bandidões no México: primeiro, uma de Texas Rangers, com carros, sim, automóveis – estávamos em 1909, certo? Junto da primeira vão dois dos filhos do casal Jacob e Martha McCandles: James e Michael (respectivamente, lembrando, Patrick Wayne e Christophert Mitchum). Michael vai numa moto. A primeira vez em que a moto aparece em cena, assusta o cavalo de Jake Grandão, e ele cai numa poça de lama.

A segunda tropa que sai para enfrentar os bandidos e salvar a criança sequestrada é formada por Jake Grandão e seu fiel amigo Sam, o índio.

Quando as duas tropas partem atrás dos bandidões, estamos com uns 30 minutos de filme.

Quem adivinhar o que vai acontecer a partir daí ganha no máximo, no máximo, uma moeda de 1 guarani paraguaio furada – e já está bom demais, porque existem poucas coisas tão absolutamente previsíveis quanto uma comedinha romântica ou um faroeste como este aqui.

O filme mostra como os machos são tronchos quando se trata de sentimentos

Muito mais do que o jeito com que os mocinhos vão vencer os bandidos, me interessam alguns pequenos detalhes, algumas indicativos de como o filme encarava as relações humanas, aquilo que realmente importa.

Jake Grandão sabe mostrar muito bem que os homens, os machos, essa metade da humanidade dotada de um aparelhinho entre as pernas, são absolutamente tronchos, desajeitados, patetas, com tudo o que tem a ver com demonstrar os sentimentos.

Jake Grandão saiu de casa uns dez anos antes da época em que a ação começa – 1909, o momento em que o rico rancho é atacado pelos nove bandidões vindos do México.

Ao se reencontrar com dois dos três filhos (um deles, o do meio, Jeff, interpretado pelo cantor – ruinzinho – Bobby Vinton, leva um tiro logo no início e fica de cama), faz questão de estabelece que pai é que manda e os filhos obedecem, e o pai é que sabe tudo e os filhos têm que aprender – à força. Na porrada.

James, o papel de Patrick Wayne, chama o pai que não via fazia uns dez anos de daddy – papai, paizinho. Jake Grandão dá-lhe várias porradas, e esclarece: – “Você pode me chamar de pai, de Jacob ou de Jake. Mas se me chamar de daddy de novo, eu termino essa briga”.

Há alguns mistérios bem misteriosos que o roteiro nem tenta explicar

Então, tá: com os filhos, o relacionamento de Jake Grandão é como os relacionamentos entre homens, mesmo: uma coisa troncha, sem jeito, besta.

Agora… Por que exatamente Jake Grandão e Martha brigaram, e se separaram? O filme dá uma pista: Jake Grandão era mulherengo.

Legal. OK.

Mas… O que exatamente Jake Grandão ficou fazendo nos últimos dez anos, antes de ser chamado para acudir Martha, após o assalto ao rancho e o sequestro do neto?

Nobody knows. Que nem the troubles I’ve seen.

O que o rancho McCandles ficou fazendo durante aqueles dez anos, para que eles ficassem assim tão mais ricos do que na época em que o marido ainda estava?

Nobody knows the troubles I’ve seen.

Consta que John Wayne não gostou de tanta violência, e pediu mais humor

A maravilhosa Maureen O’Hara ficou um tanto brava, ou chateada, ou as duas coisas, por seu papel ter ficado tão pequeno na montagem final. Várias cenas que ela filmou acabaram sendo extirpadas na montagem final do filme.

Parece que o final cut ficou grande mesmo. John Wayne achou que havia muita violência, e então pediu que na montagem final houvesse mais cenas bem humoradas.

Fãs tradicionais de western não costumam gostar muito de cenas bem humoradas. O que é esquisito, porque o maior realizador de westerns de todos os tempos, John Ford, sempre enfiava cenas bem humoradas em seus maravilhosos filmes.

Lembrando das cenas bem humoradas bastante bobas do grande clássico Rastros de Ódio/The Searchers (1956), juro que me ocorreu que neste filme menor aqui o bom humor está muito mais bem colocado do que naquele que é unanimemente considerado um dos melhores westerns de todos os tempos.

Um bangue-bangue em que John Wayne repete o Bogart do noir clássico

Gostaria ainda de registrar duas coisas: um diálogo sobre racismo que remete de alguma maneira a Rastros de Ódio, e uma frase em que este western sobre tempos de mudança, de fim de era, cita um filme noir.

O Ethan Edwards que John Wayne interpreta em Rastros de Ódio é um homem profundamente racista; tem um ódio tão forte, tão arraigado dos índios que, quando reencontra finalmente a sobrinha que havia sido raptada por uma tribo vários anos antes, e vê que ela se veste como índia, parece uma perfeita índia, chega a ter vontade de matá-la.

O Big Jake deste filme aqui é, nesse ponto, infinitamente melhor que Ethan Edwards. Aleluia!

Big Jake tem em Sam, um velho apache, o seu melhor amigo. É a pessoa em que mais confia na vida.

Quando os dois se encontram pela primeira vez na tela, há um diálogo fascinante. Big Jake diz ao amigo que os dois vão caçar. Sam pergunta o quê, e Jake diz que vão caçar homens.

Sam: – “Eu não mato apaches. Não mato gente do meu povo.”

Big Jake: – “Eles sequestraram meu neto. Não sei a cor deles. Não me interessa saber.”

É uma maravilha ouvir isso da boca de John Wayne: não importa a cor. Não interessa.

E, para encerrar, a cena em que John Wayne imita Humphrey Bogart.

Em Relíquia Macabra/The Maltese Falcon (1941), a estréia de John Huston na direção, o detetive particular Sam Spade, ao ver a valiosíssima estátua do falcão maltês, o tesouro por quem os homens lutavam até a morte, exclama:

– “That’s the stuff the dreams are made of.”

Eis aí a coisa de que são feitos os sonhos.

Quando este Big Jake se aproxima do fim, o bandidão John Fain-Richard Boone pede para Jake Grandão abrir o baú, para que ele visse a dinheirama, as centenas de notas pequenas que juntas dariam US$ 1 milhão.

E então Jake Grandão-John Wayne repete Humphrey Bogart, tintim por tintim:

– “That’s the stuff the dreams are made of.”

Anotação em dezembro de 2017

Jake Grandão/Big Jake

De George Sherman, EUA, 1971

Com John Wayne (Jacob McCandles)

e Richard Boone (John Fain), Maureen O’Hara (Martha McCandles), Patrick Wayne (James McCandles), Christopher Mitchum (Michael McCandles), Bobby Vinton (Jeff McCandles), Bruce Cabot (Sam Sharpnose), Glenn Corbett (O’Brien), Harry Carey Jr. (Pop Dawson), John Doucette (Buck Dugan), John Agar (Bert Ryan, o capataz dos McCandles), Gregg Palmer (John Goodfellow), Jim Burk (Trooper), Robert Warner (Will Fain)

Argumento e roteiro Harry Julian Fink & Rita M. Fink

Fotografia William H. Clothier

Música Elmer Bernstein

Montagem Harruy Gerstad

Casting Hoyt Bowers

Produção Cinema Center Films, Batjac Productions.

Cor, 110 min (1h50)

***

2 Comentários

  1. Senhorita
    Postado em 12 abril 2018 às 1:50 pm | Permalink

    Delícia de texto. A sogra da Maureen faleceu aos 102 anos. Numa entrevista ela disse que morreria com a mesma idade. Não deu, mas taí o 50 Anos para relembrar nossa diva.

  2. José Luís
    Postado em 13 abril 2018 às 8:20 am | Permalink

    O título brasileiro dá vontade de rir; sobre o filme não sei dizer nada porque não vi.
    Por cá chamou-se “Julgava-te morto, Mr. Jake” o que também não me parece brilhante.

Um Trackback

  1. […] “Maureen O’Hara, então uma atriz desconhecida de 18 anos, foi escolhida para o principal papel feminino, Mary, que chega à hospedaria Jamaica para ficar com sua tia Patience (Marie Ney) e o marido dela, sujeito suspeito, Joss Merlyn (Leslie Banks). Mary descobre que a hospedaria é a base de um grupo de piratas, e salva a vida de um dos homens quando o bando tenta matá-lo. Acontece que ele é um agente da polícia trabalhando disfarçado. O papel foi feito por Robert Newton, que interpretaria o mais famoso pirata de todos os tempos, Long John Silver, na versão de A Ilha do Tesouro de Robert Louis Stevenson de 1950. Tudo termina melodramaticamente” … […]

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