Grisbi, Ouro Maldito / Touchez Pas Au Grisbi

Nota: ★★★☆

Touchez Pas Au Grisbi, no Brasil Grisbi, Ouro Maldito, que Jacques Becker lançou em 1954, fala sobre gângsteres, e tem, sim, rajadas de metralhadora. Mas é um filme em que o ambiente, o clima importam a rigor mais que a trama. E, como maravilhosamente definiu o historiador Georges Sadoul, é sobretudo um filme sobre a amizade e a chegada da velhice.

É um filme importante, admirável – e muito admirado. O grande Jean Gabin, então o maior astro do cinema francês, ganhou o prêmio de melhor ator no Festival de Veneza por sua interpretação de Max, o protagonista da história. E, mais que isso, teve sua carreira – que não andava bem – reavivada.

Foi a estréia de Lino Ventura no cinema – e é uma fantástica oportunidade de ver Jeanne Moreau na flor dos 26 aninhos, linda e gostosérrima, quatro anos antes de virar grande estrela com Os Amantes de Louis Malle e oito anos antes de se tornar a atriz querida de gerações e gerações com Jules et Jim de François Truffaut.

Max, feito por um Jean Gabin aos 50 anos mas parecendo bem mais que isso, é o primeiro a demonstrar que sabe que está ficando velho. A amante eventual, a loura Lola (Dora Doll), insiste para que ele estique a noitada até o night-club em que ela e sua amiga Josy (o papel de Jeanne Moreau) se apresentam como dançarinas – e Max resiste o quanto pode. Diz que a partir da meia-noite sente que está fazendo hora extra.

Mas é tanta insistência que ele acaba indo até o night club em que as duas moças vão se apresentar. Depois que se sentam à melhor mesa do lugar, diz para o grande amigo Riton, parceiro há 20 anos (o papel de René Dary) e o jovem Marco (Michel Jourdan), por quem demonstra quase um amor de pai para filho, que não ficará até o fim do espetáculo, irá embora antes – porque, se ficar, Lola vai querer ficar com ele, transar, e ele está cansado.

É importante realçar que Jean Gabin parece muito mais velho do que era

Não que Max já não ligue mais para sexo. Isso não. Ainda naquele night club que pertence a seu amigo Pierrot (Paul Frankeur), quando Nana, a secretária (Lucilla Solivani), vem dizer que o patrão gostaria de falar com ele no escritório, Max a segue pelos corredores e pelas escadas e, ousadamente, coloca as mãos sobre os peitos – bastante avantajados – da moça, brincando com um frase assim: – “Posso ajudar a carregá-los?”

Dias depois, quando vai visitar seu tio Oscar, um rico receptador de material roubado, engraça-se com a secretária dele, Hughette (Delia Scala), outra moça peituda.

O cinema francês, naqueles anos 50, adorava mulheres peitudas. Quando surgiu feito uma estrela supernova, aquelas que explodem de tanto brilho, em 1956, a jovem Brigitte Bardot possuía esse atributo que parecia indispensável.

Se Max não demonstrava muito interesse por Lola, a amante do momento, exibia-se assanhado com as secretárias. Mas a mulher de sua vida o espectador só vai conhecer bem mais tarde. Chama-se Betty (o papel da bela Marilyn Buferd, na foto abaixo), e tinha toda a aparência, o aplomb de uma dama rica, educada, elegante.

É importante insistir na coisa da aparência de bem mais velho de Jean Gabin, e portanto de Max, seu personagem. Jean Gabin aparenta aqui seguramente mais de 60 anos, talvez 70.

Claro que ajuda a dar essa aparência de mais velho o fato de ele ser corpulento, grande, forte. Ajuda também o fato de ele estar sempre vestido de terno – belo terno, aliás, de corte fino. Mas o mais importante, creio, é uma questão de época mesmo: nos anos 30, 40, 50, as pessoas pareciam mais velhas do que parecem nas duas ou três últimas décadas, hoje em dia. Basta pensar em Tom Cruise, que neste ano de 2018 fez 56 anos. Tom Cruise aos 56 parece ter 35, enquanto Jean Gabin aos 50 de fato parecia beirar os 70.

Isso acontece com homens e mulheres. Não há dúvida alguma: as pessoas parecem hoje muito mais joviais do que nos 30, 40, 50.

O filme vai nos apresentando os personagens, sem pressa de mostrar a trama

Mas a questão de Max estar envelhecendo não tem a ver apenas com  aparência, ou com evitar programas que avancem noite adentro, em especial com a amante do momento.

Max estava querendo se aposentar, parar. Ficar tranquilo, aproveitar a vida que restava. Tinha sido para isso que havia feito aquele último assalto.

Não que o espectador fique sabendo claramente disso logo.

A menção a um assalto vem na primeira tomada do filme, logo após os créditos iniciais. Enquanto rolam os créditos, a câmara vai fazendo uma panorâmica de Paris, devagar, bem suavemente, rolando sobre si da esquerda para a direita. Vemos, bem lá longe, a Basílica de Sacré-Coeur, em Montmartre. A câmara prossegue girando sobre si mesma, lentamente, suavemente, até focalizar o Boulevard de Clichy, com os grandes anúncios em neon das casas noturnas – o habitat de Max.

Quando terminam os créditos iniciais, vemos Max-Jean Gabin em plano americano, sentado a uma mesa de um restaurante. Alguém da mesa ao lado pergunta se ele já havia visto aquela notícia – e passa um jornal para ele. A câmara mostra o título da notícia: “Os 50 milhões de ouro roubados no mês passado em Orly permanecem desaparecidos”.

Max agradece ao conhecido da outra mesa, devolve para ele o jornal.

À mesa, junto com ele, estão o grande amigo Riton e as moças Lola e Josy. Lola, a amante da vez de Max, que não dá muita bola para ela. Josy, a amante de Riton – que, veremos depois, está bastante apaixonado por ela.

Josy, o personagem de Jeanne Moreau, terá importância fundamental na trama – mas a verdade é que, até o filme chegar aí a uns 35 minutos, o espectador ainda não percebeu muito bem qual é a trama.

Quando o filme estava com uns 30 minutos, Mary comentou que ainda não havia se configurado propriamente uma história. Não era uma crítica, uma reclamação – apenas uma constatação.

Um retrato do gueto em que vivem os bandidos

Jacques Becker de fato não tem pressa alguma. Sem dúvida alguma para ele, como anotei no primeiro parágrafo deste texto, o ambiente, o clima importam mais que a trama.

Foi depois de escrever esta frase que li o verbete sobre o filme no magnífico Guide des Films do mestre Jean Tulard. E o Guide transcreve algumas frases de uma entrevista que Jacques Becker deu aos Cahiers du Cinéma, e foi publicada no número 32 da revista em que, na segunda metade dos anos 50, escreveriam os jovens críticos e cinéfilos François Truffaut, Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette.

– “Já disseram de mim: ‘Eis um homem que se interessa pelo lado social das coisas’. E não é assim. O que me interessa mais são os personagens, muito mais que a história, por exemplo, ou o meio.”

E aí o Guide faz sua apreciação:

“Agradável surpresa esta bastante honesta adaptação do romance de Albert Simonin. (…) Becker trabalha, efetivamente, ao inverso do filme noir americano. Ele recusa a crônica social que mistura bandidos e gente honesta para se contentar com retratos de alguns malfeitores dentro de um ‘gueto’ do meio, onde os únicos burgueses são ou corruptos ou elementos mudos, decorativos. Os bandidos parecem a ele pequenos comerciantes de um tipo de negócio que possui suas próprias leis, seus códigos e sua estrutura. Nem juiz nem policial para perturbar o ordenamento aparente das coisas: os sobressaltos provêm do próprio meio. Becker filma com uma habilidade muito discreta.”

Max terá que optar entre manter o butim ou salvar a vida do amigo

Como Becker e seus co-roteiristas optaram por ir mostrando aqueles personagens sem pressa de apresentar a trama, o emaranhado de fatos que acabará levando às confrontações violentas, às rajadas de metralhadoras, vou tentar não relatar em detalhes o que virá após os 35 minutos iniciais – aqueles em que o espectador não percebe onde tudo aquilo vai dar, não compreende que história, afinal, é essa que está sendo contada.

Acho que daria para resumir assim: envolvido emocionalmente com a bela Josy, muito mais que ela por ele, Riton, o grande amigo, companheiro, parceiro de Max, conta para ela que os dois terão um futuro bastante confortável à frente. Esperta, Josy entende com isso que Riton possui ou está na iminência de possuir muito dinheiro, um grana preta, um tesouro – grisbi, a palavra do título, é gíria francesa dos anos 50 para dinheiro, bufunfa em grande quantidade, tesouro.

Acontece que Josy, jovem, a vida pela frente, entre o velho, nada bonito Riton, e o jovem Angelo, bandido em ascensão (o papel de Lino Ventura), prefere este último – e conta para ele que seu velho namorado é o feliz possuidor de um grisbi.

E então Max, que havia comandado com Riton um assalto no aeroporto de Orly, e embolsado 8 barras de ouro no valor de 50 milhões de francos, pensando na doce aposentadoria, será obrigado a escolher entre o grisbi e a vida do grande amigo.

Jacques Becker faz o espectador ouvir o pensamento do protagonista da história!

Quando Touchez Pas Au Grisbi está com 56 minutos dos seus 96, há uma sequência fascinante. Max-Jean Gabin está de volta ao seu apartamento reserva, o lugar que mantinha escondido de todos, para usar apenas nos momentos de grande necessidade – e para viver no futuro, após a aposentadoria garantida com o último golpe. Na noite anterior, havia levado o amigo Riton para lá, para impedir que ele fosse encontrado por Angelo e seus capangas. Mas, ao chegar ao apartamento, o encontra vazio, deserto. Riton estava nas ruas – e portanto presa fácil de Angelo.

E então Max anda pelo apartamento, com aquela sua cara, sua pinta, sua panca de Jean Gabin, pensando alto: – “Esse Riton! Que merda! Tem sido um problema para mim faz anos. Sempre atrapalhando tudo. Que idiota! Jesus, como é possível ser tão imbecil?”

É algo notável, sensacional. Nada, nada comum. Na verdade, raro, raríssimo: vemos o protagonista da história sozinho, num momento de grande angústia, sua boca fechada – e ouvimos sua voz dizendo o que está passando pela sua cabeça!

Ele não está se dirigindo à câmara, ao espectador. De forma alguma. Ele está remoendo-se em seus pensamentos, sua angústia, andando sem rumo dentro do apartamento, o lugar em que esperava passar uma velhice tranquila, depois de uma vida de assaltos e sabe-se lá mais o quê,. A boca está absolutamente cerrada – mas o espectador ouve o que ele está pensando.

Jacques Becker faz o espectador ouvir o pensamento do protagonista da história!

– “Ele acha que é especial porque tem coragem, mas é um cretino. Eu nunca deveria ter ficado amigo de um cara desses. Os trabalhos que eu poderia ter conseguido se não tivesse que carregá-lo nas costas! Bem, é tudo culpa minha. Eu deveria trabalhar sozinho. Mas deixei os sentimentos interferirem. Bom, vou aprender a lição. Mas como fui me envolver com um cara desses?”

E, depois de mais algumas considerações, que vão e vêm e não chegam a lugar algum, sua voz diz, embora sua boca permaneça fechada:

– “Muito bem, ele que se vire agora.”

Sozinho em sua casa, remoendo os pensamentos, Max mente para si mesmo. É óbvio que ele não vai abandonar o grande amigo. Riton pode ser um imbecil, um cretino, um problema – mas é o grande amigo dele.

Com este filme, a carreira de Gabin foi reavivada

Jean Gabin, nascido Jean-Alexis Moncorg em 1904, filho de um artista que se apresentava em cafés da Cidade Luz com o pseudônimo de Gabin, não é apenas um dos maiores atores do cinema de todos os tempos – é uma lenda.

“Gabin era o homem – o super-homem, o ‘homem para a vida’. Era o ideal que todas as mulheres procuram. Nada nele era falso. Tudo era claro e transparente. Era bom, suplantava aqueles que, em vão, tentavam imitá-lo.”

Esse deslumbramento é de Marlene Dietrich, em sua deliciosa autobiografia. Ela conta que os dois se conheceram na América, em Hollywood, para onde se mudaram quando o nazismo começou a espalhar suas patas pela Europa. Ela ensinou inglês para ele, cozinhou para ele. “Tomava conta de seus contratos e de sua casa. (…) Lutávamos juntos, de mãos dadas. Gabin fazia filmes, cumpria seus contratos e decidiu aderir às Forces Françaises Libres. Queria lutar. Entendia muito bem essa vontade. Eu era sua mãe, sua irmã, sua amiga – e muito mais.”

Seguramente muito mais. Sem dúvida alguma muito mais.

Depois de sua temporada em Hollywood, entre 1940 e 1943, Gabin engajou-se, como indica Marlene Dietrich em suas memórias, nas forças anti-nazistas lideradas pelo general Charles De Gaulle; lutou com os Aliados no Norte da África, participou do desembarque na Normandia em 6 de junho de 1944, e esteve presente no contingente militar que entrou na Paris enfim liberada, em 25 de agosto daquele ano. Foi agraciado pelo novo governo francês com a Medalha Militar e a Cruz da Guerra.

A carreira como ator, no entanto, não ia bem. Os dois filmes feitos nos Estados Unidos, Brumas (1942) e O Impostor (1944), não fizeram sucesso. Um produtor francês teve a idéia de reuni-lo com Marlene Dietrich, e ela viajou dos Estados Unidos para a França para fazer com o amante Mulher Perversa/Martin Roumagnac – mas o filme, aliás bem ruim, foi um fracasso.

Foi com a interpretação de Max neste Grisbi que a carreira de Jean Gabin foi reavivada. Quando morreu em 1976, aos 72 anos, era uma lenda, um ídolo.

Albert Simonin é tido como o fundador do “romance de bandidos à francesa”

Eis o que diz o historiador e crítico Georges Sadou sobre Grisbi, em seu Dicionário de Filmes:

“Dois gângsteres de Montmartre, Max Le Menteur (J.G.) e seu amigo Riton (R.D.) querem garantir a aposentadoria com um grisbi (tesouro) de 50 milhões de ouro em lingotes roubados, mas o chefe de uma quadrilha rival, Angelo, chantageia-os e seqüestra Riton. (…) Rajadas de metralhadoras. (…)”

Nas frases que suprimi, trocando por três pontinhos, Sadoul faz spoilers bravos. Em seguida, ele comenta: “O romance de Albert Simonin era um ‘série noire’ tradicional demais, que valia sobretudo pela comicidade de sua gíria. Tendo aceitado adaptá-lo, Becker, perfeitamente senhor de sua técnica e seus brilhantes encadeamentos, transformou-o num solilóquio sobre a amizade e o início da velhice. Excelente música de Wiener, cujo tema de Max, ritornello trágico, tornou-se muito popular.”

Essa coisa da gíria, do argot, é importante, interessante. Aparentemente, usar as gírias do mundo do crime era uma característica à qual se dava importância, nos livros policiais da metade do século passado na França. Só para lembrar: a expressão rififi se universalizou a partir do livro Du Rififi Chez les Hommes, de 1953, e do filme de Jules Dassin baseado nele, de 1954. O livro é de autoria de Auguste Le Breton, e consta que o autor foi o primeiro a divulgar a palavra na linguagem escrita. Rififi está hoje nos dicionários de diversas línguas; no Aurélio, aparece como sinônimo popular de “rolo”.

Só por curiosidade: grisbi não consta do Le Robert de Poche de 2013 – que, embora “de bolso”, é uma trolhinha de mais de 1.700 páginas e 61.000 definições. Está, no entanto, no meu velhíssimo Petit Larousse: grisbi, substantivo masculino, gíria, significa argent.

Por falar em Larousse, o Larousse des Films

(Pô, Sérgio Vaz, mas que gancho de açougue, hein, meu?)

… diz o seguinte sobre Grisbi: “O mundo dos bandidos, seu código de honra e seu culto pela amizade viril – todo esse folclore que dominava os anos 1950 nos romances de Auguste Le Breton, Albert Simonin e José Giovanni é reconstituído com cuidado por Jacques Becker, que manifesta aqui seu gosto pelo detalhe realista”.

Albert Simonin (1905-1980) é considerado o fundador do “romance de bandidos à francesa”, e foi um pioneiro no uso das gírias faladas no meio. Ele chegou a escrever um dicionário de gírias, publicado em 1957.

O livro Touchez Pas Au Grisbi pertence a uma trilogia com o protagonista Max Le Menteur, Max O Mentiroso.

Simonin participou da adaptação de seu livro para o cinema. Os créditos iniciais do filme mostram que a adaptação é de Jacques Becker, Albert Simonin e Maurice Griffe, com diálogos de Albert Simonin.

Um último registro: Grisbi, Ouro Maldito, foi lançado neste ano de 2018 em uma preciosa caixa de três DVDs pela Versátil, Filme Noir Francês. São seis filmes, produzidos entre 1954 e 1979, e os diretores são, além de Becker, Jean-Pierre Melville, Claude Sautet, Alain Corneau, Gilles Grangier e Georges Lautner.

A Versátil já havia lançado ao menos 6 caixas de filmes noir americanos.

Ainda bem que essa empresa existe.

Anotação em agosto de 2018

Grisbi, Ouro Maldito/Touchez Pas Au Grisbi

De Jacques Becker, França-Itália, 1954

Com Jean Gabin (Max)

e René Dary (Riton), Michel Jourdan (Marco), Lino Ventura (Angelo), Jeanne Moreau (Josy), Dora Doll (Lola), Paul Frankeur (Pierrot, o Gordo), Gaby Basset (Marinette, a mulher de Pierrot), Denise Clair (Madame Bouche, a dona do restaurante), Marilyn Buferd (Betty, a namorada de Max), Lucilla Solivani (Nana, a secretária de Pierrot), Paul Oettly (Oscar, o receptador, tio de Max), Delia Scala (Hughette, a secretária de Oscar), Vittorio Sanipoli (Ramon, capanga de Angelo), Daniel Cauchy (Fifi, outro capanga de Angelo), Paul Barge (Eugène), Angelo Dessy (Bastien), Jean Riveyre (o porteiro do Hotel Moderna)

Roteiro e adaptação Jacques Becker & Albert Simonin & Maurice Griffe

Diálogos Albert Simonin

Baseado na novela de Albert Simonin

Fotografia Pierre Montazel

Música Jean Wiener

Montagem Marguerite Renoir

Produção Robert Dorfmann, Del Duca Films, Antares Produzione Cinematografica. DVD Versátil.

P&B, 96 min (1h36)

***

Titulo nos EUA: Grisbi, depois Don’t Touch the Looth. Na Inglaterra: Honor Among Thieves. Em Portugal: O Último Golpe.

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