Agonia de Amor / The Paradine Case

Nota: ★★★☆

Não há um único momento de suspense em The Paradine Case, o décimo e último filme de Alfred Hitchcock na Era Selznick – os anos entre 1940 e 1947, em que o diretor, importado para Hollywood pelo poderoso produtor David O. Selznick, fez seus primeiros filmes americanos.

Nem um único pingo de suspense. Ao contrário: muito da trama é bastante previsível. Certamente foi por isso que ninguém gostou do resultado do filme lançado em 1947: nem o produtor Selznick, que também assinou o roteiro, nem Hitchcock, nem a crítica, nem o público.

No entanto, é um bom filme este Agonia de Amor.

E Agonia de Amor, o título escolhido pelos exibidores brasileiros, é um nome apropriado, sim. The Paradine Case não é um filme de suspense; trata de um assassinato, e parte dele acontece em um tribunal, mas na verdade é um drama romântico. Um dramalhão, para quem o detestar. Um melodrama.

Poderia perfeitamente ter a assinatura de Douglas Sirk, o realizador que elevou o melodrama ao status de arte.

Se fosse assinado por Douglas Sirk – o autor de Agonia de uma Vida, Desejo Atroz, Sublime Obsessão, Tudo o que o Céu Permite, Chamas que Não se Apagam, Palavras ao Vento, Almas Maculadas, Imitação da Vida – é bem provável que tivesse sido coberto de elogios pela crítica.

É a triste história de um advogado que se apaixona pela maravilhosa mulher acusada de assassinato que ele vai defender.

Da mulher acusada de assassinato que chega para abalar um casamento absolutamente feliz.

Já nos créditos iniciais, uma porção de elementos fascinantes

Há mais elementos fascinantes nos créditos iniciais de Agonia de Amor/The Paradine Case do que em centenas e centenas de filmes.

Começa com “David O. Selznick apresenta sua produção de The Paradine Case de Alfred Hitchcock”.

Clara, óbvia indicação de que, embora o diretor seja importante, embora a obra seja dele – “de Alfred Hitchcock”, o mais importante é o fato de que é uma produção de David O. Selznick.

Afinal, era o cara que tinha feito … E o Vento Levou/Gone With the Wind (1939), a maior superprodução de Hollywood até então.

Era o sujeito que mandava em tudo nos filmes que produzia. É unânime o entendimento de que Gone With the Wind é uma obra muito mais de Selznick do que do diretor que assina o filme, Victor Fleming, e do que do grande George Cukor, cujo nome não aparece nos créditos, mas dirigiu parte da megaprodução.

Um pouco adiante, o letreiro diz: “Roteiro de David O. Selznick”.

Isso é muito raro.

O chefão metia a mão em tudo nos filmes que seu estúdio produzia: escalava os atores, os diretores, dava ordens neles, mexia nos roteiros. Mas assinar com todas as letras – “Screen Play by David O. Selznik”, como está nos créditos inicias de The Paradine Case, isso ele assinou em apenas dois outros filmes (a não ser que o IMDb esteja enganado): Desde Que Partiste (1944) e Duelo ao Sol (1946). Com o detalhe fundamental de que esses dois foram filmes que ele produziu para o brilho da mulher por quem havia se apaixonado perdidamente, e que ele lutava para transformar em uma das maiores estrelas do cinema, Jennifer Jones.

Antes de “Roteiro de David O. Selznick”, aparece nos créditos: “Do romance de Robert Hichens. Adaptação de Alma Reville”.

Alma Reville, casada com Hitchcock de 1926 até a morte dele, em 1980, já trabalhava no cinema como auxiliar de montagem quando o então jovem Alfred começou a carreira. Experiente, inteligente, sempre foi a principal conselheira do marido, e dava pitacos em todos os seus filmes. Mas seu nome não aparecia nos créditos de todos eles. Não era algo tão raro quanto Selznick assinar o roteiro, mas também não era algo muito comum.

O romancista Robert Hichens (1864-1950) era prolífico: escreveu mais de 50 livros, vários deles levados para o cinema, como O Jardim de Alá, que teve uma versão em 1916, outra em 1927 e uma terceira em 1936, esta com Marlene Dietrich e Charles Boyer, e Bella Dona, filmada em 1915, 1923, 1934 e 1946.

“E apresentando Valli”, dizem os créditos, com o nome como se fosse uma logomarca

O elenco é estelar: Gregory Peck, Ann Todd, Charles Laughton, Charles Coburn, Ethel Barrymore – os nomes são apresentados nessa ordem.

Embaixo do nome da grande atriz inglesa Ann Todd, com quem o mestre David Lean se casou e a quem dirigiu em três filmes – A História de uma Mulher (1949), As Cartas de Madeleine (1950), e Sem Barreira no Céu (1952) – aparece a informação: “Miss Todd aparece por acordo com a J. Arthur Rank Organization”. Na época, os atores mantinham contrato com os estúdios, que às vezes os emprestavam a outro mediante acordos.

Toda a ação do filme se passa na Inglaterra, a imensa maior parte em Londres – e, no entanto, entre os principais nomes do elenco só há dois ingleses, Ann Todd e Charles Laughton. Não deixa de ser estranho ver os americaníssimos Gregory Peck, Charles Coburn e Ethel Barrymore fazendo papéis de ingleses.

Mas o mais fascinante de todos os elementos dos créditos iniciais é o quadro que diz, depois dos nomes citados acima, o seguinte:

“e apresentando duas novas estrelas, Louis Jourdan e Valli”.

Com o “Valli” escrito com uma tipologia diferente – como se mais que um nome aquilo fosse um logotipo.

O “apresentando” se refere ao público americano, porque, naquele ano de 1947, o francês Louis Jourdan e a italiana Alida Valli já tinham vários títulos em suas filmografias. Só eram novidade para o público dos Estados Unidos. Louis Jourdan, nascido em Marselha em 1921, tinha começado a carreira em 1939, e feito 11 filmes antes deste The Paradine Case.

Alida Valli nasceu no mesmo ano de seu colega francês, 1921, em Pola, cidade à época pertencente à Itália (por causa das mudanças dax fronteiras após a Segunda Guerra Mundial, hoje fica na Croácia), começou no cinema ainda adolescente em 1935, e depois estudou no Centro Sperimentale di Cinematografia de Roma.

O adjetivo striking e o advérbio strikingly – notável, impressionante, incrível, espantoso, e suas formas com o sufixo mente – são em geral usados para se descrever a beleza de Alida Maria Laura von Altenburger. O Baseline a define como “Strikingly beautiful Italian actress”. O livro International Dictionary of Films and Filmakers diz que ela fez sucesso imediato na carreira devido a “her physical grace and striking looks”.

Gregory Peck declarou o seguinte: “Não apenas suas formas e traços são perfeitos: de seus olhos irradia uma irresistível luz de amor.”

“Uma mulher estranha, com um charme quase místico”

O espectador vê Alida Valli bem antes que o personagem de Gregory Peck a conheça. Alida Valli, ou melhor, Maddalena Anna Paradine está tocando piano na gigantesca sala de sua casa em Londres. A câmara de Alfred Hitchcock passeia pela sala, em lento, suave travelling – os travellings lentos, suaves, são uma das marcas registradas do realizador.

Numa das paredes, há um gigantesco quadro, um retrato de corpo inteiro do coronel Paradine – o riquíssimo marido da mulher ao piano, morto faz poucos dias. Assassinado com veneno, conforme o espectador ficará sabendo.

Primeiro o mordomo entra na sala para entregar à sra. Paradine um copo de bebida. Logo depois ele retorna, dessa vez para informar que o inspetor Ambrose bateu à porta e gostaria de falar com ela.

Britanicamente, educadissimamente, o inspetor Ambrose dirá à sra. Paradine que está ali para prendê-la, sob a acusação de ter assassinado o marido.

Sir Simon Flaquer (o papel de Charles Coburn), advogado do falecido coronel Paradine e grande amigo do casal, visita a sra. Paradine na delegacia de polícia. Diz a ela que providenciará um dos melhores advogados criminais de Londres para defendê-la.

Um dia depois, quando leva seu amigo, o advogado criminalista Tony Keane (o papel de um Gregory Peck envelhecido com parte do cabelo pintado de branco), para o primeiro encontro com a sra. Paradine na prisão, Sir Simon diz:

– “Você vai conhecer uma mulher estranha, com um charme quase místico.”

Para a sua filha, a simpática Judy (Joan Tetzel, ótima), Sir Simon definirá a sra. Paradine assim: – “Fascinante, fascinante. Eu sou uma velha ruína, mas ela seguramente acelera minha pulsação.”

O espectador não tem a menor dúvida, desde a sequência em que Sir Simon apresenta Tony Keane à sra. Paradine, na prisão: o sujeito se apaixona louca, perdidamente por aquela mulher de beleza estonteante.

Desde o primeiro momento fica claro que o advogado vai se apaixonar pela acusada

Não há suspense algum, não há surpresas, repito: o que vai acontecendo é até previsível.

Previsivelmente, o espectador perceberá que a sra. Paradine é apaixonada por Andre Latour (o papel de Louis Jourdan), o canadense que era o valet do milionário coronel Paradine: valet, secretário particular, amigo, confidente.

Previsibilissimamente, a bela, simpática, doce Gay Keane (o papel de Ann Todd, nas duas fotos abaixo) perceberá de imediato que o marido se apaixonou pela mulher acusada de assassinato que ele irá defender no tribunal do júri.

Gay me pareceu a personagem mais interessante, mais rica, mais impressionante do filme – e o desempenho de Ann Todd é deslumbrante.

Gay aparece pela primeira vez numa longa sequência, quando Tony chega em casa ao final de um dia duro de trabalho – o dia em que seu amigo Sir Simon ligou pedindo para ele defender a viúva Paradine. A sequência é toda feita – e muito bem feita – para mostrar que aquele ali é um casal feliz, que se ama, que tem ternura um pelo o outro. Um casal como poucos – conforme ela mesma dirá, bem mais tarde, quando o casamento já está profundamente abalado pela entrada em cena daquela outra mulher belíssima.

Tony conta do telefone de Sir Simon. Gay, evidentemente, conhece o caso, a história está em todos os jornais, o rico coronel assassinado, e agora a viúva linda sendo acusada pelo crime. Então ela diz para o marido: – “Não acredito que ela seja a assassina. Boas pessoas não saem por aí assassinando boas pessoas.”

Tony pergunta como ela sabe que a sra. Paradine é uma boa pessoa, e Gay responde: – “Sim, pelas fotos. Qualquer pessoa que não fosse boa não se casaria com aquele pobre homem cego.”

Sim, o coronel havia ficado cego. Não se diz explicitamente, mas muito provavelmente tinha sido na guerra.

Nao, não foi o homem que se aproveitou dela. Foi ela que se aproveitou dele

Na primeira conversa só entre os dois, na prisão, o advogado explica para a acusada que precisa saber sobre seu passado, que é fundamental ele estar preparado para o que a acusação poderá usar contra ela.

E então Alida Valli-sra. Paradine, aquele monumento, aquela Vênus, diz: – “Espero que você não fique chocado por saber que sou uma mulher – como você diria? – que viveu muito. Uma mulher que viu muito da vida.”

E conta que, quando tinha 16 anos, fugiu com um homem: – “Istambul, Atenas, Cairo…”, ela vai enumerando as viagens.

Tony, o advogado, já defendendo a acusada que vai defender diante do júri: – “Ele era bem mais velho, claro. Rico. E se aproveitou da sua juventude.”

A bela não esconde o jogo. Muito ao contrário: ela se escancara.

– “Ele era casado, respeitado. Eu me aproveitei dele.”

Se fosse esperto, se quisesse evitar que sua vida virasse um melodrama de filme de Douglas Sirk, Tony Keane teria pulado fora aí mesmo. Mas aí não haveria o filme número 33 da carreira de Alfred Hitchcock.

Quando o filme está com 35 minutos, há uma conversa dolorosa entre Tony e sua mulher. Ela sente que o marido está escapando entre seus dedos. Ele pergunta: – “De que você tem medo?” Ela responde com outra pergunta, que explica tudo, mesmo sem pronunciar o nome da mulher Paradine: – “Eu preciso mesmo dizer?”

Nessa hora, Tony chega a dizer que vai abandonar o caso, vai dizer ao amigo Simon para encontrar outro advogado.

É a mulher que está sendo preterida pela outra que diz, com firmeza, que ele deve continuar.

É preciso lembrar que, em 1946, o ano em que se passa a ação, ainda havia pena de morte na Grã-Bretanha – e os assassinos muitas vezes eram condenados à morte. A pena de morte é citada várias vezes ao longo do filme.

A mulher do advogado é uma bela personagem, e Ann Todd brilha no papel

Mais adiante, quando o filme já está com 56 minutos, há outro diálogo doloroso entre Tony e Gay. Ele tinha viajado por alguns dias, para visitar a propriedade dos Paradine no interior, tinha conhecido André Latour, e, ao voltar para Londres, tinha ido direto ao presídio para conversar com a viúva Paradine. Em seguida, tinha ido para o escritório Quando ele chega em casa à noite, Gay tinha diante dela uma foto do marido saindo da prisão, depois de ter mais uma entrevista com a ré.

Gay tenta evitar a conversa, mas Tony vê o jornal em cima de um sofá. – “Suponho que você a odeie.”

Gay faz em seguida uma longa declaração de que só uma mulher de imenso caráter, maturidade e coragem seria capaz – algo muito avançado, muito à frente do tempo, que ainda hoje não seria usual. E Ann Todd brilha nessa sequência de forma impressionante:

– “Não nego que tive momentos que já desejei o pior para ela. Não é fácil imaginar perder você. Nós somos realmente bem casados, como poucas pessoas são. (…) Mas agora quero que ela viva e seja solta. Que fique livre para matar e arranjar outro marido, ou qualquer outra coisa que deseje. (…) Eu me importo por ela, não por razões nobres – eu a odeio –, mas quero que tudo termine logo, essa confusão de ver você em parte advogado, em parte amante.”

Tony interrompe com um “Que besteira!” que é absolutamente besta, e Gay continua:

– “Tudo bem; amante frustrado, então. (…) Estou vendo você se torturar. E amo você demais e não quero deixar que isso torture você. (…) Quero que ela viva para que a briga seja de igual para igual. Porque se ela morrer eu vou perder você para sempre.”

É uma beleza de diálogo, e essa Gay Keane feita por Ann Todd é uma personagem fascinante.

Uma personagem perfeita para um dos belos melodramas de Douglas Sirk.

O produtor Selznick dizia que o filme tinha muitas falhas

Quando estamos com uns 15 minutos de filme, há uma sequência em que o casal Keane, o velho Sir Simon e sua simpática filha Judy vão jantar na casa de um amigo deles, o rico, aristocrata, emproado, chato, desagradável Lord Thomas Horfield – um papel perfeito para o grande, em todos os sentidos, Charles Laughton.

Esse sujeito – que trata a mulher, Lady Sophie (o papel de Ethel Barrymore), da forma mais grosseira, mais abjeta que pode haver – avança sobre Gay, num momento em que estão sentados lado a lado na biblioteca da casa dele, após o jantar.

É um assédio grosseiro, feio, brutal.

Horfield é juiz – e será exatamente o juiz do caso Paradine.

Confesso que não fiz a ligação, que é bastante óbvia, entre a firme recusa de Gay em ceder ao avanço do juiz e a maneira pouquíssimo imparcial com que ele agirá com relação a Tony ao longo do julgamento. Erro meu, tremendo erro de falta de percepção. O livro The Films of Alfred Hitchcock fala sobre isso – diz que Horfield é “abertamente hostil” ao advogado no tribunal, ressentido porque sua tentativa de seduzir Gay foi em vão.

Esse livro sobre os filmes de Hitchcock, de autoria de Robert A. Harris e Michael S. Lasky, transcreve trecho de um memorando de David O. Selznick para Daniel O’Shea, seu principal assistente, datado de 22 de novembro de 1946, quando as filmagens já estavam bem avançadas: “Tenho certeza de que The Paradine Case tem tremendas falhas. (…) Simplesmente teremos que esperar para reunir o elenco para fazer o que inevitavelmente serão dispendiosas novas sequências”.

Foi um filme caro – custou US$ 3 milhões, soma muito alta para a época. Só a recriação do tribunal londrino conhecido como Old Bailey no estúdio de Hollywood custou US$ 70 mil e 1.700 horas-homem, segundo The Films of Alfred Hitchcock, que afirma: “Mesmo depois de o roteiro passar por diversas modificações e de se usarem elaboradas construções de sets, o filme não resultou em nada melhor que um quem-matou longo demais, produzido demais – em suma, o tipo de filme que Hitchcock sempre disse detestar”.

E o livro conclui seu capítulo sobre o filme dizendo que foi o último que o realizador fez para o produtor. “Foi uma despedida amigável, mas ninguém deve ser levado a acreditar que Hitchcock estava mais feliz com ela do que Selznick.”

O filme seguinte do diretor seria seu primeiro em cores e o primeiro para a Warner Bros. – Festim Diabólico/Rope (1948).

Hitccock reclamou dos atores que, segundo ele, foram impostos por Selznick

O próprio Hitchcock, nas conversas com seu fã François Truffaut que resultaram no maravilhoso livro HitchcockTruffaut, reclama que o método de trabalho adotado por Selznick – ele “escrevia cenas e mandava levá-las ao estúdio a cada dois dias’ – era “impraticável”. Hitch gostava de planejar todas as sequências com antecedência, e chegar ao estúdio para filmar com tudo já inteiramente definido.

Ele reclama do elenco. Diz que Gregory Peck não poderia ter interpretado um advogado britânico, já que “um advogados britânico é um homem muito educado e pertencente à classe alta”. Por ele, o papel seria de Laurence Olivier. Reclama que, para o papel chave da sra. Paradine, ele queria – pretensão é isso aí – Greta Garbo, que já havia abandonado o cinema fazia já seis anos (seu último filme, Duas Vezes Meu/Two-Faced Woman, é de 1941). E reclama, sobretudo, da escolha de Louis Jourdan para o papel do valet do ricaço.

Diz Hitch: “Infelizmente, Selznick tinha contratado Alida Valli, pensando que ela seria uma segunda Ingrid Bergman, e também tinha Louis Jourdan sob contrato, então foi preciso utilizá-los. Tudo isso tirou consideravelmente o sabor da história.”

Leonard Maltin, o autor do guia de filmes mais vendido da História, no tempo em que se vendiam guias de filme, deu 2.5 estrelas em 4: “Falação, falação, falação, em um drama de tribunal complicado, teatral, passado na Inglaterra.” E acrescenta que o filme originalmente tinha 132 minutos, foi cortado para 125 e finalmente para 116.

Pauline Kael diz que o filme é um thriller de tribunal mal concebido que tem poucas emoções.

O Guide des Films de Jean Tulard diz que o filme sofreu um tanto por causa dos atores impostos por Selznick: “Se Alida Valli e Charles Laughton se saem bem, a escolha de Gregory Peck para o papel do advogado e de Louis Jourdan para o do valet prejudica consideravelmente o filme.”

E conclui dizendo que a segunda hora, que se passa no tribunal, é impressionantemente bem realizada, em ambientação soberba, com roupas e perucas apropriadas. “Charles Laughton, que encarna um juiz, gordo, repugnante, lascivo, oferece uma caricatura mordaz da justiça inglesa.”

Pois eu insisto: é um bom drama romântico, um triste melodrama sobre um belo casamento ameaçado por uma mulher fatal. Se fosse assinado por Douglas Sirk, teria tido todos os elogios possíveis.

Anotação em fevereiro de 2018

Agonia de Amor/The Paradine Case

De Alfred Hitchcock, EUA, 1947

Com Gregory Peck (Anthony Keane), Alida Valli (Maddalena Anna Paradine), Ann Todd (Gay Keane), Charles Coburn (Sir Simon Flaquer), Joan Tetzel (Judy Flaquer, a filha de Sir Simon), Charles Laughton (Lord Horfield, o juiz), Ethel Barrymore (Lady Sophie Horfield), Louis Jourdan (Andre Latour), Leo G. Carroll (Sir Joseph Farrell, o promotor), Isobel Elsom (a dona da estalagem)

Roteiro David O. Selznick

Adaptação Alma Reville

Baseado no romance de Robert Hichens

Fotografia Lee Garmes

Música Franz Waxman

Montagem Hal C. Kern e John Faure

Figurinos Travis Banton

Produção David O. Selznick, The Selznik Studio.

P&B, 116 min (1h56)

***

Título na França: Le Procès Paradine. Em Portugal: O Caso Paradine.

3 Comentários

  1. Senhorita
    Postado em 23 maio 2018 às 6:33 pm | Permalink

    “Certamente foi por isso que ninguém gostou do resultado do filme lançado em 1947: nem o produtor Selznick, que também assinou o roteiro, nem Hitchcock, nem a crítica, nem o público.”
    Eu gostei. Deve ser por não gostar do diretor 😀
    (Importante salientar que minha alegria em ver Gregory Peck deve afetar meu julgamento sobre qualquer filme com ele)

  2. José Luís
    Postado em 27 maio 2018 às 10:59 am | Permalink

    Um filme de Hitchcock e sem humor (ao que parece) não me seduz. No livro da conversa com Truffaut o espaço dedicado ao filme é curto, o que dá ideia do pouco valor que ambos lhe atribuíam, Por isso nunca vi.

  3. José Luís
    Postado em 28 maio 2018 às 10:24 am | Permalink

    Devia ter ficado assim:
    “Um filme de Hitchcock sem suspense e sem humor (ao que parece) não me seduz. No livro da conversa com Truffaut o espaço dedicado ao filme é curto, o que dá ideia do pouco valor que ambos lhe atribuíam, Por isso nunca vi.”
    Peço desculpa.

Um Trackback

  1. […] este A Estalagem Maldita/Jamaica Inn, de 1939, tem alguns pontos de contato com aquele que Alfred Hitchcock faria em 1949. São, os dois, assustadores, apavorantes. Assustam, apavoram o pobre espectador de […]

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