Pantaleão e as Visitadoras / Pantaleón y las Visitadoras

Nota: ★★★☆

O segundo Pantaleão e as Visitadoras, co-produção Peru-Espanha de 2000, é um bom filme. Claro: o ponto de partida, a história criada por Mario Vargas Llosa, é uma absoluta delícia. Mas o filme tem outros méritos além da história fascinante. Entre eles, uma atriz de beleza estonteante, um vulcão de sensualidade, a colombiana Angie Cepeda. 

No romance, a principal personagem feminina, Olga Arellana, é conhecida como A Brasileira, La Brasileña. No filme, Olga virou La Colombiana, já que o diretor Francisco J. Lombardi, ele mesmo peruano, e os produtores do filme escolheram Angie Cepeda para o papel.

Grande acerto. Maravilhoso acerto.

Confesso que não sabia, mas o romance de Mario Vargas Llosa, foi filmado duas vezes. A primeira foi em 1975, apenas dois anos depois do lançamento do livro – uma co-produção Espanha-República Dominicana; as filmagens foram naquele país da América Central, já que não seria possível fazer o filme no Peru do escritor, que vivia então, como tantos outros países sul-americanos, sob uma ditadura militar.

O próprio Vargas Llosa co-dirigiu o filme, juntamente com o espanhol José María Gutiérrez Santos. Uma única figura do elenco é conhecida internacionalmente – a fantástica mexicana Katy Jurado, presença forte, marcante, em Matar ou Morrer/High Noon (1952), de Fred Zinnemann, A Face Oculta/One Eyed Jack (1961), o único filme dirigido por Marlon Brando, e que trabalhou também em Pat Garrett & Billy the Kid (1973), de Sam Peckinpah.

Katy Jurado – que em High Noon fez uma mulher de cabaré, amante do xerife Will Kane (Gary Cooper) antes que ele conhecesse a imaculada quaker Amy (Grace Kelly), fazia em Pantaleão 1975 a simpática cafetina Chuchupe. La Brasileña era interpretada pela peruana Camucha Negrete. O papel central, do capitão Pantaleón Pantoja, foi de José Sacristán, um ator do cinema espanhol.

Quando a produção do filme se aproximava do fim, em março de 1975, Mario Vargas Llosa, um escritor que não tinha receio de se aventurar em outros domínios, e se arriscou a uma carreira política – foi candidato a presidente do Peru em 1990 – disse o seguinte sobre uma possível adesão à indústria cinematográfica:

“No sé si seguiré haciendo películas. Vamos a ver, primero, que pasa con esta, que resultó más complicada y larga de lo previsto, pero muy interesante, desde luego.”

Com o filme, pelo jeito, se passou que não foi grande sucesso – e Vargas Llosa não voltou a mexer com a produção de filmes. Interessante, mas o gosto pelo cinema tomou sua filha Claudia. Claudia Llosa, roteirista, diretora, é nome respeitado entre os críticos e os jurados de festivais; em 2016, colecionava 20 prêmios e outras 10 indicações, para filmes elogiadíssimos como A Teta Assustada (2009), feito no Peru, e Marcas do Passsado/Aloft (2014), caprichada co-produção Espanha-Canadá-França.

Esta segunda versão de Pantaleão foi imenso sucesso na América Latina

Não tinha lido Pantaleão e as Visitadoras; na verdade, até tentei começar, uns anos atrás, mas acabei deixando de lado bem no comecinho. Deu vontade de ver o filme por causa de Angie Cepeda: dias atrás, tínhamos visto Cavalos Selvagens/Wild Horses (2015), quinto filme do veterano ator Robert Duvall como diretor. Angie Cepeda faz o papel de uma mexicana, filha de criação do personagem interpretado pelo próprio Duvall. Depois de ver o filme, ao dar uma lida sobre ele, quis saber quem era aquela bela atriz, e aí vi que é uma colombiana nascida em Cartagena de las Indias em 1974, que estudou arte dramática em Bogotá e começou a carreira em novelas da TV colombiana. O diretor peruano Francisco Lombardi a convenceu a fazer o papel de Olga Arellana.

Acho difícil entender por que essa moça, depois de Pantaleão2000 – que, consta, foi grande sucesso de bilheteria no Peru, na Colômbia, na Argentina e na Espanha, e deve ter sido também em outros países da América Latina, pelo menos –, não virou uma grande estrela.

Não virou uma grande estrela, mas já participou de produções de diversos países. Esteve, entre outros, em Love for Rent (2005), co-produção EUA-Colômbia, O Amor nos Tempos do Cólera (2007), a produção americana que jogou fora o fantástico romance de Gabriel García Márquez, o belo espanhol Mãos Que Curam/El Mal Ajeno (2010) e também o brasileiro Heleno (2001), de José Henrique Fonseca, a cinebiografia do grande jogador Heleno de Freitas, com Rodrigo Santoro.

A rigor, falar da trama do filme para quem não conhece é spoiler

Tudo bem, mas lá se foram muitas linhas e não cheguei ainda propriamente ao filme, a segunda versão cinematográfica de Pantaléon y las Visitadoras.

Creio que fiquei adiando a hora de falar especificamente do filme porque considero que falar da trama – a maravilhosa, deliciosa, saborosa, divertida e também trágica história criada por Mario Vargas Llosa – é um tanto spoiler.

Claro: os elementos básicos da trama todo mundo sabe. Mesmo quem não tenha lido o livro nem visto o filme. É um tanto common knowledge, conhecimentos gerais básicos saber do que trata Pantaleón y las Visitadoras.

Eu sabia o básico, quando comecei a ver o filme. Mas só o básico. E tudo foi me parecendo surpreendente e delicioso, delicioso e surpreendente, desde as primeiras sequências.

Então é assim: considero que falar da trama do filme, mesmo que bem do comecinho, a rigor, a rigor, é spoiler. Posso estar ficando um tanto neurótico com essa coisa de spoiler, mas é melhor tomar cuidado do que tirar o prazer de um eventual leitor se surpreender com a trama do filme.

Então lá vai o aviso:

Se o eventual leitor não conhece a trama, não leia a partir daqui. Leia o livro, veja o filme

Pantaleón 2000 começa com uma das coisas mais belas e mais específicas do cinema, o plano-sequência.

Vamos vendo um sujeito de uniforme carregando uma pasta de papel através de uma sala que parece não ter fim nunca. O cara vai andando, a câmara, colocada em cima de um carrinho, vai andando à frente dele, mostrando o sujeito caminhando, caminhando, caminhando, no que parece ser um imenso escritório, ocupado por dezenas, talvez centenas de pessoas sentadas em cadeiras enfileiradas da forma mais simétrica, mais organizada possível.

Faz lembrar o ambiente mostrado por Billy Wilder em Se Meu Apartamento Falasse/The Apartment (1960), uma das comédias mais absolutamente tristes que já foram feitas: o gigantesco escritório de uma gigantesca empresa, em que dezenas, centenas de funcionários trabalham em máquinas iguais, em mesas iguais, todas dispostas em fileiras perfeitamente simétricas.

Em The Apartment, a sala sem fim de pessoas fazendo aquele trabalho alienante, louco, onde lá no meio está o protagonista da história, o personagem interpretado por Jack Lemmon, é mostrada em algumas tomadas em plongée, a câmara bem no alto, as mesas todas lá embaixo.

Aqui, na abertura de Pantaleón, não. A câmara está na altura do olhar humano, que é onde toda câmara, a rigor, a rigor, deveria estar. Vamos vendo o sujeito andando, andando, andando, e ao lado dele as fileiras de mesas em que pessoas uniformizadas fazem uniformemente o seu trabalho diante de teclados e telas de computador.

Os créditos iniciais vão rolando ao longo desse longo plano-sequência.

Pantaleón Pantoja é um militar cheio de qualidades, sem defeito

Quando os créditos iniciais terminam – é tudo bem sincronizado –, o sujeito entra na sala de um oficial e entrega a pasta que carregava.

O oficial – o coronel López, do Exército do Peru (interpretado por Gustavo Bueno) então abre a pasta e a examina. Contém todas as informações levantadas pelo serviço de inteligência do Exército a respeito de Pantaleón Pantoja (o papel de Salvador del Solar), que acaba de ser promovido a capitão.

O coronel López leva a pasta sobre o capitão Pantoja ao general Collazos (Gianfranco Brero). Não há nada especificando a posição do general Collazos, mas o espectador verá que ele é poderosíssimo; é o comandante em chefe do Exército, se não for o próprio ministro da Defesa. Manda pra cacete.

O general pergunta ao coronel se aquele é mesmo o homem de que eles estão precisando, e o coronel então repete para o superior – e para o espectador, facilitando a vida dele – o que diz o levantamento dos serviços de inteligência a respeito do nosso Pantaleón Pantoja:

– “Entrou na Academia Militar em primeiro lugar. Escolheu a Intendência. Tirou as melhores notas em matemática, administração e economia. Durante todo o curso, teve a honra de levantar a bandeira no fim das aulas. Até hoje, oito anos depois que ele se formou, nenhum cadete conseguiu alcançar sua média. Prefere esportes e estudos a festas e diversões, mas tem vida social. Assistiu à sua formatura com Alfonsina Reaño, com quem três anos depois se casou. É uma moça decente, séria, boa dona de casa e boa esposa.”

Estamos ainda ouvindo o que o coronel fala sobre Pantoja, e já o vemos na tela, arrumando o uniforme militar, enquanto a mulher, Alfonsina, que ele trata apenas pelo apelido de Poncha ou pelo diminutivo Ponchita, se pergunta e pergunta ao marido sobre o próximo posto para onde o Exército deverá enviá-lo.

Pantoja diz que para ele, tanto faz: o que importa é servir ao Peru, seja em que lugar for.

Poncha (o papel de Mónica Sánchez, na foto acima, boa atriz, baixinha, bonitinha, simpática) diz que eles afinal têm que pensar no “cadedito” que está para ser encomendado, e diz que não precisam necessariamente esperar pelas 10 horas da noite do sábado seguinte para tentar encomendar o filhote.

Mas Pantoja já está um tanto atrasado para a reunião com o general Collazos, para a qual havia sido convocado.

Sério, dedicado, o capitão Pantoja não sabe o que significa “visitadoras”  

Na reunião com o general Collazos e o coronel López, o capitão Pantoja é informado que terá que se apresentar em Iquitos para o comandante da área, o general Scavino (Carlos Tuccio).

Iquitos – se o distraído espectador não souber, ficará sabendo ao ver o filme – fica às margens de um caudaloso rio de águas barrentas que nasce ali no trecho peruano da Cordilheira dos Andes, e percorre grande trecho de floresta tropical em solo peruano, para depois adentrar pelo Brasil, onde tem o nome de Solimões. Para simplificar, Iquitos fica longe de qualquer grande centro urbano deste insensato mundo, bem no meio da Floresta Amazônica. Amazônica, de Amazonas – nome que, no Brasil, só existe depois que o Solimões recebe o Negro.

O general Scavino, o chefe da 5ª Região Militar do Exército Peruano, cuja sede fica em Iquitos, lê para o capitão Pantoja o documento que havia recebido das autoridades superiores em Lima:

– “Confia-se ao capitão do Exército Peruano Pantaleón Pantoja a missão de organizar, implementar e administrar um serviço de visitadoras para as guarnições, postos de fronteira e afins, para atender às necessidades materiais, etc, etc…”

E o general pára por aí.

Pantoja não tinha entendido, e então pergunta: – “Desculpe, general. O que quer dizer visitadoras?”

E o general: – “Putas. Sim, putas.”

Pantoja fará tudo com perfeição. O problema é que surge na história La Colombiana

Realmente, a trama criada por Vargas Llosa é um brilho. A trama, os personagens – e, pelo que pude ver, o filme é bastante fiel ao livro, à trama e também ao espírito do livro.

O capitão Pantaleón Pantoja é um CDF, um caxias, um sujeito absolutamente sério, capaz, íntegro, trabalhador incansável, competente. Tudo o que o mandam fazer, faz absolutamente bem feito.

Quando o filme já está para lá da metade, o tenente Bacacorzo (Sergio Galliani), que é destacado para ser o ajudante de ordens de Pantoja, diz, maravilhado pelo empreendedorismo do capitão, uma frase maravilhosa:

– “Se todos fossem como você, nosso país seria a Suíça das Américas!”

Mais adiante ainda, numa conversa dificílima em que tenta impedir que Poncha o abandone, o próprio Pantoja argumenta que ela sabe como ele é, ele se envolve até o pescoço com a tarefa a cumprir. Quando esteve cuidando da alimentação – ele é da Intendência, repito –, aprendeu a cozinhar, estudou culinária, provou de tudo, engordou um monte de quilos. Quando o designaram para cuidar das fardas, das roupas todas dos soldados, estudou moda a fundo, passou a entender tanto de moda que começaram a chamá-lo de veado.

É exatamente isso, o capitão Pantaleón Pantoja: um trabalhador incansável, abnegado, que se lança de cabeça em tudo o que faz.

Quando o general Scavino explica para ele qual será sua função, Pantoja pede para fazer qualquer outra coisa. Não quer se meter com aquilo de putas. Fica bem nítido que jamais tinha comido uma puta na vida, nunca tinha entrado num puteiro. É um sujeito absolutamente fiel à sua Ponchita – a quem come religiosamente todo sábado às 10 horas da noite. Não fuma, não bebe, não joga.

O general diz que ele foi escolhido para aquela função e não tem como escapar dela. É uma ordem!

Pantaleón Pantoja é um soldado perfeito: quando dão uma ordem, ele cumpre – com desvelo, com fervor, com perfeição.

Criará um Servicio de Visitadoras para Guarniciones, Puestos de Frontera y Afines (SVGPFA) perfeito, que funciona como um relógio suíço da melhor qualidade.

O problema é que La Colombiana entra na história.

O filme tem momentos de perfeita chanchada, como as da Atlântida

Há sequências, ainda na primeira metade do filme, quando Pantoja está montado o SVGPFA, que me fizeram pensar: mas meu Deus, é uma perfeita chanchada!

Não uma pornochanchada dos anos 70. Não, não é uma pornochanchada, nem chega perto do que eu chamo de quasepornô. Sim, há muitas cenas de nudez e muitas cenas de sexo, mas nunca são explícitas. São até um tanto recatadas. Vemos em alguns momentos os peitos (fartos, lindos), vemos muito as coxas (perfeitas, esculturais), de La Colombiana-Angie Cepeda, mas não há explicitude nas cenas de sexo.

Então, os momentos muito engraçados, hilariantes, pândegos do filme me fizeram lembrar das chanchadas, não as pornô dos anos 70, mas as chanchadas mesmo dos anos 50, as da Atlântida, as com Oscarito e Grande Otelo. Que por sua vez têm a ver com os filmes, a figura de Cantinflas, esse, digamos assim, Mazzaropi mexicano. E nisso me pergunto se não temos aí um traço comum no cinema de nuestra América Latina, um traço que nos une, nós, brasileiros, aos hermanos de língua espanhola – um pendor para a chanchada, a graça um tanto simples, simplória, nada pretensiosa, apenas graça.

E nesse ponto entra a atuação de Salvador del Solar, o ator escolhido para fazer o capitão Pantaleón Pantoja. Ele está muito bem, a meu ver, porque ele está sempre sério, sisudo, dedicado, determinado – mesmo no meio das situações mais escandalosamente engraçadas, que é formar um serviço de putas, perdão, de visitadoras para atender à homarada das guarnições e postos de fronteira no meio da selva amazônica.

Quando La Colombiana arma sua teia, é como um filme noir

Há uma mudança de tom, no entanto, lá pela metade do filme, quando o espectador percebe – mesmo o espectador que não conhece a história tão conhecida – que Pantoja vai se apaixonar pela Colombiana.

Bem, pelo menos eu vi assim.

A partir do momento em que La Colombiana vai armando sua teia, e a gente percebe que não tem jeito, não tem escapatória, Pantoja vai cair nela, eu, pelo menos, passei a ver assim um filme noir, em que a femme fatale arma o laço para pegar o pato, o sonso, o bobo, a vítima.

E o filme realmente consegue pôr o espectador sentindo imensa simpatia por aquele homem tão empreendedor, tão trabalhador, que era tão certinho.

Dá pena do pobre Pantoja.

Claro: por um lado, ele tira a sorte grande, o bilhete premiado. Mas o preço – a gente sabe o tempo todo – será altíssimo.

Pantaleão e as Visitadoras ganhou dez prêmios, fora outras quatro indicações, basicamente em festivais latino-americanos. Foi indicado ao Goya da Espanha de melhor filme estrangeiro em língua castelhana, mas não levou. Passou em Gramado e lá ganhou nada menos que sete Kikitos, inclusive os de melhor filme latino dado pelo público e de melhor filme segundo o júri.

É um bom filme. Vale a pena ver.

Anotação em outubro de 2016

Pantaleão e as Visitadoras/Pantaleón y las Visitadoras

De Francisco J. Lombardi, Peru-Espanha, 2000

Com Salvador del Solar (Pantaleón Pantoja), Angie Cepeda (Olga Arellana, la Colombiana)

e Mónica Sánchez (Pochita), Pilar Bardem (Chuchupe), Gianfranco Brero (General Collazos), Gustavo Bueno (Coronel López), Carlos Kaniowsky (Padre Beltrán), Sergio Galliani (Tenente Bacacorzo), Tatiana Astengo (Pechuga), Pold Gastello (Chupito), Carlos Tuccio (General Scavino), Aristóteles Picho (El Sinchi), César Bravo (Palomino Ríoalto), Basilio Soraluz (Sinforoso Caihuas), Norka Ramírez (Vanessa), Marisela Puicón (Sandra), Patricia Cabrera (Lalita), Roxana Yépez (Iris), Maricielo Effio (Salomé), Nacira Atala (Coca), Shirley Pfenning (Pichuza), Tula Rodríguez (Peludita), Javier Arboleda (Carlos Rodríguez), Fernando Pasco (Alferes Santana), Víctor Ángeles (Sargento Panduro), Pierre Linares (Paquito)

Roteiro Enrique Moncloa e Giovanna Pollarolo

Baseado na novela de Mario Vargas Llosa

Fotografia Teo Delgado

Música Bingen Mendizábal

Montagem Danielle Fillios

Produção América Producciones, Inca Films S.A., Tornasol Films. DVD FlashStar.

Cor, 114 min

***

Um Comentário

  1. albertino.ferreira
    Postado em 5 fevereiro 2017 às 2:19 pm | Permalink

    Eu li o livro da Vargas Llhosa duas vezes e achei delicioso, além de original. Agora como conseguir o filme em DVD aqui em Portugal, não é fácil.

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