O Fundo do Coração / One From the Heart

Nota: ★★★½

O Fundo do Coração/One From the Heart, de Francis Ford Coppola, é com certeza um dos filmes visualmente mais belos que já foram feitos. É também um dos filmes mais pessoais já realizados por um grande diretor americano – e impressiona demais o fato de ter sido feito logo depois de duas produções grandiosas, épicas, painéis, afrescos gigantescos, The Godfather: Part II (1974) e Apocalypse Now (1979).

Coppola estava no auge da fama, tinha o respeito praticamente unânime de cinéfilos e críticos como um dos grandes realizadores do cinema mundial em 1982, quando lançou One From the Heart, um filme em tudo por tudo distante dos grandes afrescos que lhe deram fama mundial, prêmios e dinheiro a granel.

Só para lembrar, bem rapidinho: o primeiro Godfather (1972) teve 11 indicações ao Oscar, levou 3. Ao todo, foram 26 prêmios, fora 27 indicações. Faturou US$ 134 milhões.

O segundo Godfather teve 11 indicações ao Oscar, levou 6. Ao todo, foram 16 prêmios, fora 20 indicações. Faturou US$ 47 milhões.

Apocalypse Now teve 8 indicações ao Oscar, levou 2. No total, foram 20 prêmios, fora 32 indicações. Faturou US$ 83 milhões.

São, os três, filmes longos, de bem mais de duas horas, com grande número de personagens, centenas de extras, ação que se passa por longos períodos. E atores famosérrimos. Afrescos, painéis. Sinfonias.

One From the Heart é peça de câmara, para poucos instrumentos. Retrato pequeno. São apenas dois personagens principais, mais quatro outros – seis personagens apenas. A ação se concentra em dois ou três dias, a véspera e o 4 de Julho, a data nacional americana, e o dia seguinte a ela. Nenhum grande astro no elenco.

Um visual feérico, onírico, um excesso, um abuso de cores

A história é um fiapinho, coisa mais banal, mais comum – quer lugar comum mais comum que a vida?, como perguntava o escritor mineiro Luiz Vilela. É assinada por Armyan Bernstein, que escreveu o roteiro juntamente com Coppola, e se resume ao seguinte: na véspera do feriado de 4 de julho, em que comemorariam 5 anos de namoro, ou casamento sem papel passado, Hank e Frannie brigam. O casal é interpretado por Frederic Forrest e Teri Garr; vou falar dos dois atores mais adiante.

Ela sai de casa, vai para a casa da maior amiga, Maggie (Lainie Kazan), enquanto ele vai chorar as pitangas com o maior amigo, Moe (Harry Dean Stanton).

No feriado, cada um deles conhece uma figura que parece dos sonhos, príncipe encantado-princesa encantada. Na vida de Frannie cai Ray (Raul Julia), bonito, sonhador, disposto a aventuras. Na de Hank surge Leila (Nastassja Maravilha Kinski, no auge do auge do auge da beleza radiante), um anjo, uma visão, uma artista de circo, uma estrela.

É isso: homem perde mulher, mulher encontra outro homem, homem encontra outra mulher.

Um fiapinho de história. A diferença toda está no visual.

A história se passa em Las Vegas, a cidade dos letreiros luminosos, a capital mundial do neon. Não poderia ser mais adequado à aparência que Coppola quis dar a sua história de amor.

One From the Heart tem um visual feérico. Onírico. É um excesso, um abuso de cores. É como se as cores crescessem algumas oitavas e explodissem.

Sim, é uma explosão de cores. Não é à toa que a história se passa na véspera e no 4 de Julho, o dia do maior número de explosão de fogos de artifício no mundo. Las Vegas no 4 de Julho. Haja neon, haja fogos de artifício, haja explosão de cores.

Nos anos 60, a década em que todos os grandes realizadores que trabalhavam em preto-e-branco aderiram às cores, alguns fizeram experiências com o abuso delas. O casal Demy-Varda foi um colorido exemplo: poucas vezes houve tantas cores fortes como em As Duas Faces da Felicidade (1965), de Agnès Varda, e em Os Guarda-Chuvas do Amor (1964) e Duas Garotas Românticas (1967), de Jacques Demy. Para dar mais cor a este último, a produção do filme pintou as fachadas de diversos prédios da área central da cidade de Rochefort, onde se passa a história. François Truffaut também exagerou nas cores fortes em Fahrenheit 451 (1966), sua primeira experiência fora do preto-e-branco. Federico Fellini criou um festival de cores fellinianas em seus filmes a partir de Julieta dos Espíritos (1965). O sueco Bo Widerberg encheu de cores primaveris a gélida Escandinávia em Elvira Madigan (1967).

Todos esses filmes citados aí ficam parecendo feitos com esmaecidos tons pastéis, se comparados a One From the Heart.

Tudo artificial, e caríssimo. O orçamento estourou, e Coppola faliu

One From the Heart não se parece com nenhum outro filme.

Visual feérico, onírico. Tudo artificial, nada parecido com a realidade. Uma Las Vegas com aquele monte de cassinos totalmente reconstruída em estúdio. Muito efeito especial, elaboradíssimos movimentos de câmara em ruas povoadas por multidões de extras. Sofisticados bailados – e, ao longo da maior parte de seus 107 minutos, tudo ao som da música esfumaçada, sofisticada, jazzística, nada pop, de Tom Waits, cantada por ele mesmo, com aquela voz soturna, cavernosa, e por Crystal Gayle.

Toda a ousadia formal de Coppola custou caríssimo. O orçamento inicial de US$ 2 milhões estourou de forma nunca antes nem depois vista na história do cinema e chegou a US$ 27 milhões – uma fortuna altíssima para um drama-musical romântico.

Só a construção dos sets consumiu fortunas. Coppola insistiu em recriar no estúdio até mesmo o aeroporto McCarran de Las Vegas – que aparece rapidamente numa sequência no final. Uma sequência belíssima, é verdade, mas que poderia perfeitamente ter sido feita junto do próprio aeroporto.

Tudo, tudo sofisticado demais. Nenhum astro para atrair espectador. Não deu outra: o público simplesmente não compareceu aos cinemas. O filme teve, nos cinemas americanos, a renda ridícula, ínfima de US$ 636 mil, e a empresa do diretor, a Zoetrope Studios, faliu.

Francis Ford Coppola diria, bem mais tarde, que os filmes que fez no resto dos anos 80 e em parte dos 90 – Vidas Sem Rumo (1983), Cotton Club (1984), O Poderoso Chefão III (1990), Jack (1996) e O Homem Que Fazia Chover (1997) – foram para pagar as dívidas contraídas para produzir One From the Heart.

Atores que não eram astros, mas eram absolutamente perfeitos para os papéis

Falei antes de fiapinho de história: homem perde mulher, mulher encontra outro homem, homem encontra outra mulher. Agora vou me desdizer.

Em parte, é isso mesmo: homem perde mulher, mulher encontra outro homem, homem encontra outra mulher. Mas é mais que isso.

Hank e Frannie são pessoas comuns, gente como a gente. Paul McCartney, que fez diversas canções em homenagem às pessoas comuns, gente como a gente, diria ordinary people.

Hank e Frannie não são pobres, mas também estão anos-luz distantes dos ricos. São classe média média, vivem uma vidinha normal, comum, sem qualquer glamour especial, numa sociedade que despreza o normal e endeusa o glamour, numa cidade que é a perfeita Ilha da Fantasia.

Ele é pé no chão, simplesão. Ela é sonhadora, romântica.

Não são feios pra burro, mas também não são lindos. Não têm nada, absolutamente nada a ver com a beleza de astros de cinema, de modelos, manequins – e aqui vai a importância da escolha dos principais atores, uma sacada das mais brilhantes.

Li em algum lugar, depois de rever agora o filme, que foi um erro danado botar nos principais papéis Frederic Forrest e Teri Garr, dois atores que não sabem cantar nem dançar, num filme que afinal é um musical. Bobagem: eles são perfeitos para os papéis desse casal sem glamour especial. Têm o físico perfeito para encarnar Hank e Frannie.

Teri Garr é um assombro de atriz; acho que ela é brilhante em todos os filmes que vi com ela, bons filmes de realizadores top de linha: o  próprio Coppola (A Conversação), Steven Spielberg (Contatos Imediatos do Terceiro Grau), Martin Scorsese (Depois de Horas), Mel Brooks (O Jovem Frankenstein), Sydney Pollack (Tootsie).

Só a relação desses nomes de realizadores que quiseram trabalhar com ela já é uma prova cabal do talento da atriz.

Mas, sobretudo, Teri Garr tem o physique du rôle para fazer Frannie. Aos 34 anos em 1981, o ano das filmagens, era uma mulher vistosa, atraente, mas longe de ser uma beldade. Sabe ser sensual – e se mostra bem sexy nas cenas em que Frannie precisa estar sexy –, mas também tem um jeitão simples, despretensioso, um tanto largadão, mondrongo. Anti-glamour.

Uma elegia às pessoas simples, uma ode à felicidade que podemos ter com o que temos

E aí então cada um desses dois seres simples, banais, anti-glamour de repente se vê diante de uma criatura dos sonhos. Outro belo acerto de casting: Raul Julia de smoking é glamour puro.

E Nastassja Kinski é uma das pessoas mais belas que já apareceram diante de uma câmara de cinema.

Assim, One From the Heart pode ser visto como um conto de fadas – mas também como uma séria consideração a respeito desse eterno desejo das pessoas de encontrarem uma princesa perfeita, um príncipe encantado.

Nos anos 60, o francês Philippe de Broca fez um filme admirável, uma encantadora pequenina jóia, sobre esse tema – para, ao fim e ao cabo, fazer uma elegia às pessoas simples, comuns, uma ode à felicidade que podemos ter com aquilo que temos: Un Monsieur de Compagnie, no Brasil O Irresistível Gozador (1964).

Para mim, One From the Heart é exatamente como o filme de de Broca: uma elegia às pessoas simples, comuns, uma ode à felicidade que podemos ter com aquilo que temos.

Não é pouca coisa.

E além disso ainda é um show para os olhos.

Uma elegia ao simples, feita da forma mais sofisticada, mais bem trabalhada possível. Francis Ford Coppola em estado puro.

Nos anos 70 e 80, o realizador alternava filmes grandiosos com obras pessoais

É fascinante como Coppola de fato alternava, naqueles anos 70 e 80, filmes grandiosos com outros mais íntimos, amplos afrescos com pequenos retratos. Obras mais, digamos assim, industriais, com filmes pessoais.

Este One From the Heart é tão pessoal que ele conseguiu enfiar diante da câmara seu pai e sua mãe. Numa hora lá qualquer, Frannie entra no elevador de um hotel, e dentro do elevador está um simpático casal de senhorinhos já idosos. São Italia Coppola e Carmine Coppola. Mamãe e papai.

Entre o primeiro The Godfather, de 1972, e o segundo, de 1974, legítimos representantes de obras grandiosas, ele lançou A Conversação, um filme bem em tom menor, que dá para se definir como pessoal. Depois de outra grandiosidade, Apocalypse Now, fez este One From the Heart – que custou caríssimo e levou o estúdio à falência porque Coppola é mesmo um exagerado, mesmo quando faz obras pessoais.

Ele é tão preocupado com essa coisa de fazer filmes pessoais que, em dois dos filmes que dirigiu nos anos 90, fez questão de botar no título original o nome do autor do livro em que as obras se basearam: Bram Stoker’s Dracula, de 1992, um épico, uma sinfonia, e John Grisham’s The Rainmaker (no Brasil, O Homem Que Fazia Chover), bem mais modesto. Em 2009, aos 70 anos de idade, fez Tetro, uma obra personalíssima, em que repassa a história de sua própria família. Passou pelo Brasil em dezembro de 2010 para divulgar o filme e, em todas as muitíssimas entrevistas que deu, salientou de novo essa coisa de que a partir de então só queria fazer filmes “modestos e pessoais”.

O primeiro filme que foi “mais falado pela técnica do que pelos astros”

Roger Ebert deu 2 estrelas em 4 ao filme, e enfatizou, em sua resenha, o fato de que a produção do filme foi faladíssima em Hollywood e nos órgãos de imprensa que cobrem a indústria cinematográfica. O filme só estreou – ele realça – dois anos e meio depois de os jornais e revistas falarem muito das técnicas de filmagem inovadoras adotadas por Coppola e dos altíssimos custos de produção.

“Este deve ser o primeiro filme na História a chegar com mais publicidade sobre as técnicas de produção do que sobre suas estrelas. Todo mundo sabe que Coppola usou equipamento de vídeo experimental para ver e montar o filme, trancando-se num trailer cheio de engenhocas eletrônicas que permitiam que ele visse na TV o que o operador da câmara estava vendo através das lentes.”

E mais adiante:

One From the Heart é um balé de movimentos de câmara graciosos e complexos ocupando cenários magníficos, e de alguma maneira os personagens se perdem no processo. Não houve um momento sequer no filme em que eu me importei com o que estava acontecendo com as pessoas nele. (…) O contador de histórias de The Godfather aqui virou um técnico. Há paralelos assustadores entre o controle obsessivo de Coppola sobre este filme e o personagen de Harry Caul, o grampeador de A Conversação, que só se importava com os resultados técnicos do que gravava, e se recusava a pensar sobre as consequências humanas.”

Em geral adoro as ponderações de Roger Ebert, e concordo com quase tudo o que ele diz. Aqui, discordo inteiramente. O filme mostra pessoas e emoções humanas, sim, o tempo todo.

Mas dá para entender que Ebert escreveu sobre o filme na época do lançamento, depois de, como diz ele, ler sobre a produção durante mais de dois anos, e então ele estava sob o impacto direto de tanta notícia a respeito das técnicas de produção, do tipo de equipamento.

É diferente de ver o filme agora, bem distante daquele ruído todo. Agora, podemos ver o filme apenas pelo que ele é, sem interferência do ruído todo feito pela imprensa na época.

“Um filme de Disney no mundo adulto”, segundo o próprio diretor

Leonard Maltin deu 2 estrelas em 4 e classificou o filme como Romance/Musical. “Comédia romântica luxuosamente produzida mas praticamente desprovida de trama sobre casal (Forrest, Garr) que briga, procura outros parceiros (Kinski, Julia). A Las Vegas estilizada de Dean Tavoularis e a fotografia Vittorio Storaro e Ronald V. Garcia são fabulosos! Infelizmente, belas imagens não fazem um filme. As canções de Tom Waits enchem a trilha sonora enquanto os atores se movem em uma das diversões mais surreais de Coppola. Deve ser visto pelos curiosos – os demais devem ter cuidado. Preste bastante atenção para ver Rebecca De Mornay como a dona de um restaurante.”

Ah, sim. Foi a estréia de Rebecca De Mornay, a bela loura que na época namorava Harry Dean Stanton, o bom ator feioso que dois anos depois, em 1984, faria ao lado de Nastassjia Kinski o esplendoroso Paris, Texas, de Wim Wenders. Em One From the Heart, Harry Dean Stanton aparece com um cabelo desgrenhado que o torna ainda mais feio.

Nos anos 90, já grande estrela, Rebecca de Mornay namoraria o poeta, cantor e compositor Leonard Cohen.

O Guide des Films de Tulard diz: “Esplêndidas imagens obtidas com uma técnica sofisticada e uma reconstituição em estúdio de Las Vegas, mas uma intriga bem magra: ‘Um filme de Disney no mundo adulto’, diz de sua obra Coppola.”

De minha parte, adorei rever o filme. Foi um grande prazer.

Anotação em dezembro de 2016

O Fundo do Coração/One From the Heart

De Francis Ford Coppola, EUA, 1982

Com Frederic Forrest (Hank), Teri Garr (Frannie), Raul Julia (Ray), Nastassja Kinski (Leila), Lainie Kazan (Maggie), Harry Dean Stanton (Moe), Italia Coppola e Carmine Coppola (casal no elevador)

Roteiro Armyan Bernstein & Francis Ford Coppola

Baseado em história de Armyan Bernstein

Diálogos adicionais (não creditados) Luana Anders

Fotografia Ronald V. Garcia e Vittorio Storaro

Montagem Rudi Fehr, Anne Goursaud e Randy Roberts

Casting Jennifer Shull

Produção Zoetrope Studios. DVD Lume Filmes.

Cor, 107 min

R, ***1/2

Título na França: Coup de coeur. Em Portugal: Do Fundo do Coração.

4 Comentários

  1. José Luís
    Postado em 22 abril 2017 às 1:41 pm | Permalink

    Lamento discordar, acho o filme desinteressante e aborrecido. Não chegam as imagens bonitas e a música excelente para fazer um bom filme. “Não houve um momento sequer no filme em que eu me importei com o que estava acontecendo com as pessoas nele.” Escreveu Roger Ebert. Concordo inteiramente.

  2. Postado em 20 maio 2017 às 12:44 pm | Permalink

    Primeiramente, parabéns pela página. Certamente uma bela referência. Eu entendo e respeito comentários como os do José Luís e do crítico Roger Ebert, pois visualmente o filme é tão deslumbrante que pode tirar o foco dos personagens, não é difícil imaginar isso (como aqueles comerciais que todo mundo acha engraçado, incrível, maravilhoso, mas ninguém lembra o nome do produto…). Mas minha opinião vai mais de encontro à do Sergio Vaz. Nutro um carinho especial por esse filme e pela mistura de amor e arrojo cinematográfico que Coppola colocou nele. Lembro que as críticas da época fizeram efeito e o filme praticamente levou à falência a Zoetrope, a ponto de, para se recuperar, Coppola ter produzido no ano seguinte duas obras de baixíssimo orçamento, rodadas em preto e branco, que fizeram muito sucesso e salvaram suas finanças: “O Selvagem da Motocicleta” e “Vidas Sem Rubo”, ambas com algumas futuras estrelas de Hollywood bem no início da carreira.
    *OBS. Sergio, no final está escrito “Anotação em dezembro de 2017”, teclou o ano errado…

  3. Postado em 20 maio 2017 às 3:01 pm | Permalink

    Desculpe, teclei errado o nome do filme: “Vidas Sem Rumo”.

  4. Sérgio Vaz
    Postado em 20 maio 2017 às 3:12 pm | Permalink

    Olá, David. Muito obrigado pelo comentário – e também, claro, por me alertar sobre o erro de digitação. Já corrigido.
    Um abraço.
    Sérgio

Um Trackback

  1. […] Feliz, sim. Fiel coisa nenhuma: o espectador já havia visto, na sequência que vem logo antes dessa do jantar em Paris, que Porter é amante de Alex, uma violoncelista de música erudita que vem na pele e na beleza estonteante de Nastassja Kinski. […]

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