Mothers and Daughters

Nota: ★★☆☆

Este Mothers and Daughters, produção americana de 2016, é mais um de tantos filmes sobre várias pessoas diferentes, cujas histórias às vezes se entrelaçam. Mosaicos, à la Short Cuts, ou, em linguagem de crítico de cinema, filmes com estrutura multiplot – algo que nos últimos anos tem ficado cada vez mais comum.

Aparentemente, não foi lançado nos cinemas brasileiros; estreou nos Estados Unidos em maio de 2016 e, em outubro, já estava disponível no Now da TV a cabo, com o título de Minha Madre e Eu. Não consigo entender por que não Minha Mãe e Eu, mas também jamais consegui entender por que no Brasil Annie Hall é Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, ou Blow Up é Depois Daquele Beijo, então paciência.

Um detalhe: há pelo menos cinco outros filmes com o mesmo título em inglês, Mothers and Daughters, feitos em 1992, 1997, 2002, 2003 e 2008. Não se trata de refilmagens – é apenas que o tema é importante, e é absolutamente natural que dê origens a várias obras diferentes.

Originalmente, conta o IMDb, era para ser Mother’s Day – o título foi alterado quando se divulgou que Garry Marshall, o diretor de Uma Linda Mulher/Pretty Woman, estava para lançar Mother’s Day, no Brasil O Maior Amor do Mundo – outro mosaico, outro filme que conta histórias de vários personagens.

O filme de Gary Marshall é uma comédia. Este aqui, co-dirigido por Paul Duddridge e Nigel Levy, ao contrário, é um drama. São cinco histórias diferentes, cinco filhas com suas mães, e todas elas têm problemas.

Não problemas materiais. Todos, nas cinco histórias, são ricos ou no mínimo estão bem de vida, e moram bem em Nova York, a capital do mundo.

Rigby é abandonada pelo namorado – e aí descobre que está grávida

O filme abre com a personagem interpretada por Selma Blair, Rigby, uma jovem fotógrafa de sucesso, especializada no mundo do rock & pop. Enquanto vão rolando os créditos iniciais, Rigby está fotografando o show de um cantor bonitinho, no auge da fama, Nelson Quinn (Luke Mitchell).

O namorado de Rigby dará a ela uma notícia ótima e outra nem tanto. A ótima é que Quinn se encantou com ela, quer que ela o acompanhe numa turnê nacional que está para começar. A notícia nem tanto é que ele, o namorado, está cascando fora da relação: ele e a ex-mulher resolveram tentar novamente, em nome do filhinho.

Pouco depois de ser abandonada, Rigby descobrirá – inesperadamente, quase inexplicavelmente, já que ela e o namorado sempre usavam preservativo – que está grávida.

Ela não queria ter filhos, nunca tinha tido sequer gato ou cachorro, e tem problemas com o fato de ter deixado a mãe, Lydia (Becky Demorest), numa casa de repouso. A princípio, quer fazer o aborto – mas qualquer espectador atento sabe que dificilmente haverá um aborto tranquilo num filme do cinemão comercial americano.

Uma observaçãozinha: já vi filmes em que Selma Blair está linda. Neste aqui, não consigo entender por que, não está sequer bonita. Não parece plástica mal feita – mas está feia, a moça. Pena.

A mulher que criara Rebecca como mãe era na verdade a avó dela

Rebecca (o papel de Christina Ricci) brigou com a mãe, Beth, e o pai, Peter (Courtney Cox e Paul Adelstein), e se recusa a atender aos insistentes telefonemas deles. A mulher que ela a vida inteira havia considerado que era sua mãe havia acabado de morrer. E a filha dessa mulher, que tinha sido sempre sua irmã, revelara que na verdade era sua mãe.

Há toda uma complicada história de família que levou a esse estranho arranjo: Beth tivera Rebecca jovem demais, com 15 ou 16 anos; Peter, o namorado dela, tinha sido convocado para o exército e passara alguns anos fora do país; a avó, autoritária, durona, tinha decidido criar a garota como se fosse sua filha, por achar que Beth não tinha maturidade para assumir o papel.

Com a morte da velha senhora, revelara-se o segredo – e Rebecca ficou magoadíssima com a mãe, a quem responsabilizava por ela ter vivido durante quase 30 anos uma imensa mentira.

Georgina tinha dado a filha para adoção; de repente, a moça quer encontrá-la

 Georgina (o papel de Mira Sorvino, aquela gracinha, já com sinais da idade aparecendo na bela baby face) está num momento especialmente feliz. Designer de moda, acabara de criar uma linha de sutiãs que estava fazendo um imenso sucesso. E está bem com o namorado, um rapaz bonito e famoso, Sebastian (Quinton Aaron, marido de Mira Sorvino na vida real).

Mas há um problema.

Quando era bem jovem, e promíscua, tinha ficado grávida – sem saber quem dos vários parceiros seria o pai da criança. E então tinha dado a filha para adoção. Tinha 23 anos na época. Agora, outros 23 anos depois, tinha recebido um e-mail de uma moça que dizia ser sua filha biológica; estava bem, estava feliz, tinha bons pais – mas precisava saber do histórico médico da mãe biológica.

Em todas as histórias, há problemas. Mas, no fim, tudo acaba bem

Nina (o papel de Sharon Stone, linda porém magérrima, biafrenta, aneróxica) é uma mulher rica, de sucesso, editora chefe de grande revista de moda. Gastou fortunas para dar a melhor educação possível à filha, Layla (Alexandra Daniels), que fez não uma, mas três faculdades, das melhores do país.

Layla, no entanto, abandona a grande empresa em que havia sido admitida como estagiária para se dedicar a um trabalho menor, como garçonete. Pelo menos é isso que ela diz para algumas pessoas, e o que acaba chegando aos ouvidos da mãe.

Não é verdade. A verdade é bem mais positiva. A história de Nina e Layla terá final feliz, como todas as demais histórias deste Mothers and Daughters.

E, finalmente, temos Millie e Gayle, mãe e filha, interpretadas respectivamente por Susan Sarandon e Eva Amurri Martino, mãe e filha na vida real.

Assim como a Nina da outra história, Millie é muito rica. Assim como Layla da outra história, Gayle saiu da casa materna – e vive com Kevin (Paul Wesley). Os dois jovens são muito apaixonados um pelo outro, mas há um problema: Kevin quer se aventurar como confeiteiro,  criador de doces. Tem talento, tem disposição, tem vontade – mas não tem dinheiro.

Tudo no filme é forçado, artificial, fabricado numa linha de montagem

Assim que o filme terminou, Mary sentenciou: “Não fede nem cheira”.

E ainda acrescentou: “Não que seja um filme ruim. Mas também não é bom”.

Não é sempre que Mary sentencia assim que um filme termina – mas, quando sentencia, costuma ter toda razão.

É exatamente isso: Mothers and Daughters é um filme que não fede nem cheira. Não que seja ruim. Mas está longe de ser bom.

Mas meu diagnóstico é ainda mais severo. Acho que, além de ser repetitivo nessa coisa de misturar várias histórias, além de não ter nada particularmente original ou interessante na trama, além de padecer desse mal que é apresentar um monte de problemas para depois resolver todos e entregar não um, mas cinco happy endings, Mothers and Daughters tem um defeito grave: é forçado. Artificial. Fabricado.

Os créditos explicam que o roteiro é de Paige Cameron, baseado em um conceito de Paul Duddridge, um dos dois diretores.

Pois é isso mesmo: esse Paul Duddrige partiu de um “conceito”: vamos fazer um drama com várias histórias de mães e filhas. E aí fabricaram a fórceps cinco histórias.

O espectador nota perfeitamente que não são histórias escritas porque surgiram na cabeça de um escritor e foram saindo de forma natural, foram se escrevendo – como os textos em geral se escrevem eles mesmos.

Não são histórias que foram fluindo. Foram feitas sob pressão, como numa indústria, numa linha de produção.

O filme todo tem esse gosto de coisa forçada, artificial.

Tantas boas atrizes… E não estão mal, não, Sharon Stone, Mira Sorvino, Susan Sarandon, Christina Ricci, Courtney Cox. Esforçam-se, são competentes, estão bem.

Quem destoa é Selma Blair. Além de estar incompreensivelmente feia, a moça tem um desempenho pateticamente ruim. Que tristeza.

Anotação em outubro de 2016

Mothers and Daughters

De Paul Duddridge e Nigel Levy, EUA, 2016

Com Selma Blair (Rigby), Dave Baez (Dr. Conrad), Luke Mitchell (Nelson Quinn), Elizabeth Daily (Momma Quinn), Quinton Aaron (Dr. Hamilton), Natalie Burn (Lydia jovem), Becky Demorest (Lydia velha), Ella Stabile (Rigby criança)

Christina Ricci (Rebecca), Courteney Cox (Beth), Paul Adelstein (Peter), David Kloehr (Tony),

Mira Sorvino (Georgina Scott), Cristopher Backus (Sebastian),

Sharon Stone (Nina Chapman), Alexandra Daniels (Layla Chapman), Stephanie Shamie         (Tricia),

Eva Amurri Martino (Gayle), Paul Wesley (Kevin), Susan Sarandon (Millie)

Roteiro Paige Cameron

Baseado em idéia de Paul Duddridge

Fotografia Mikael Levin

Música David Hlebo

Montagem Vince Filippone

Casting John Hubbard e Ros Hubbard

Produção Siempre Viva Productions, Aloe Entertainment, Future Proof Films, TV4 Entertainment.

Cor, 90 min

**

2 Trackbacks

  1. […] Susan Sarandon e James Gandolfini fazem o casal central da história, Nick Murder e Kitty Kane. Interessantes nomes, não? Um sujeito cujo sobrenome é Assassinato, uma mulher cujo apelido é Gatinha. […]

  2. […] seria melhor deixá-lo de lado. Já sabia da temática básica – a personagem interpretada por Mira Sorvino, essa gracinha de atriz, se apaixona pelo personagem de Val Kilmer, que é cego. O interesse em ver […]

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