Invasão a Londres / London Has Fallen

Nota: ½☆☆☆

London Has Fallen, no Brasil Invasão a Londres, co-produção Inglaterra-EUA-Bulgária, em boa parte filmado neste último país, onde certamente os custos são mais baixos, teve orçamento de US$ 60 milhões. Nem é assim uma fortuna tão grande, se se comparar com outros filmes do cinemão comercial americano.

Rendeu, só nos Estados Unidos, pouco mais do que custou – US$ 62 milhões. Mundo afora, rendeu US$ 133 milhões, o que dá um total de US$ 195 milhões. Foi, portanto, um sucesso nas bilheterias.

Para quem gosta de ação, muita ação, explosões a dar com o pau, mais tiros do que em todos os westerns de John Ford, Howard Hawks e Anthony Mann juntos, deve ser realmente um prato cheio.

Tem um monte de ator bom. Gerard Butler faz Mike Banning, o chefe da segurança pessoal do presidente americano Benjamin Asher – o papel de Aaron Eckhart. Morgan Freeman, o principal motivo para eu ter me disposto a ver o filme, faz o vice-presidente Allan Trumbull.

A sempre ótima Melissa Leo interpreta a secretária de Defesa dos Estados Unidos, Ruth McMillan. A bela e competente Angela Bassett faz a diretora do serviço secreto americano, Lynne Jacobs. E a mulher de Mike Banning, Sean, é interpretada pela belíssima Radha Mitchell.

O filme começa a mil, e continua a mil o tempo todo

O filme começa a mil – e continua a mil ao longo dos 99 minutos que demoram demais para passar. O maior terrorista do mundo, Kamran Barkawi (Waleed F. Zuaiter), está na festa de casamento de uma irmã, na casa de seu pai, Aamir Barkawi (Alon Aboutboul), um paquistanês milionário que vende armas para terroristas do mundo todo.

De um Vant, na sigla em português, UAV, na sigla em inglês,  Unmanned Aerial Vehicles, Veículos Aéreos Não Tripulados, cai uma bomba sobre a rica propriedade dos Barkawi.

Corta, e estamos dois anos depois em Washington, D.C., a capital da grande nação líder do mundo livre. O presidente dos Estados Unidos da América está se exercitando num parque juntamente com o chefe da sua segurança pessoal. São amigos, são próximos, tratam-se como bons camaradas.

Apesar de toda a amizade com o presidente, Mike Banning está pensando em se aposentar. Chega a ensaiar o pedido de renúncia no laptop de sua belíssima casa, onde sua belíssima mulher está belissimamente grávida do primeiro rebento.

Mas porém todavia contudo, no momento mesmo em que Mike Banning está polindo o texto de sua carta de demissão, é chamado à Casa Branca. Há uma emergência: o primeiro-ministro inglês acaba de morrer no hospital em que era tratado de uma doença grave. O presidente Benjamin Asher, assim como os chefes de Estado de todos os grandes países do mundo, se prepara para ir para Londres para os funerais.

“O melhor jeito de aproveitar o filme é deixar o cérebro na entrada do cinema”

Quando todos os principais líderes mundiais estão reunidos em Londres para os funerais do primeiro-ministro, os terroristas atacam.

E como atacam!

Há dezenas, centenas, milhares de terroristas que se faziam passar por policiais em Londres.

O poder de fogo é incomensurável. A sofisticação do ataque é coisa de deixar todos os inimigos de James Bond no chinelo. O Parlamento, a Abadia de Westminster, diversos prédios e locais históricos de Londres viram cinza, poeira, em uma questão de minutos.

Fiquei com uma dúvida: não dá para saber o que mais acontece em London Has Fallen – se explosões, ou se caretas de Gerard Butler.

Há muito tempo não via tanta explosão junta – nem tanta careta do ator que faz o protagonista.

Tim Holland escreveu o seguinte no belo site AllMovie:

“O melhor jeito de aproveitar London Has Fallen, a sequência brutal, sangrenta sequência de Olympus Has Fallen, é deixar o seu cérebro na entrada do cinema e então permitir que todas as explosões, facadas, tiroteios, espancamentos e momentos de patriotismo caírem sobre você, não se importando nada com o absurdo e a sordidez daquilo tudo.”

Quem conseguir fazer isso, diz o crítico, vai gostar do filme. “Outros espectadores, no entanto, poderão achar difícil de apreciar um filme que parece ter um prazer sádico com tanto derramamento de sangue e perda de vidas, e defende que carnificina é uma forma de patriotismo.”

Nem nos meus dias mais inspirados para meter o pau em filme ruim conseguiria me igualar ao que diz esse rapaz Tim Holland.

Tinha sido esperto o suficiente para não ver o primeirto filme…

Olympus Has Fallen. Então este London Has Fallen é uma sequência de Olympus Has Fallen. Eu não sabia disso. Esse outro filme no Brasil se chamou, semelhantemente, Invasão a Casa Branca. É uma produção de 2013, dirigida por Antoine Fuqua, um especialista em filmes de ação e violência – que, agora em 2016, está dando o que falar com a refilmagem do clássico western Sete Homens e um Destino (1960), que por sua vez era uma adaptação do clássico Os Sete Samurais (1954) de Akira Kurosawa.

Invasão a Casa Branca/Olympus Has Fallen traz Gerard Butler, Aaron Eckhart, Morgan Freeman, Angela Bassett, Melissa Leo e Radha Mitchell nos mesmos papéis deste Invasão a Londres/London Has Fallen de 2016. A única pequena diferença é que Allan Trumball, o papel de Morgan Freeman, naquela época ainda era o presidente da Câmara dos Deputados, a House of Representatives – e neste de 2016 ele é o vice-presidente.

Eu tinha sido esperto o suficiente para não cair na besteira de ver Invasão a Casa Branca. Bobeei agora, e caí na frente deste London Has Fallen.

Sugeriria, se me fosse permitido sugerir, que o eventual leitor tivesse a sabedoria de passar sem essa bobagem.

Anotação em outubro de 2016

Invasão a Londres/London Has Fallen

De Babak Najafi, Inglaterra-EUA-Bulgária, 2016

Com Gerard Butler (Mike Banning), Aaron Eckhart (presidente Benjamin Asher), Morgan Freeman (vice-president Allan Trumbull), Melissa Leo (secretária de Defesa Ruth McMillan), Angela Bassett (Lynne Jacobs, diretora do serviço secreto), Charlotte Riley (Jacqueline Marshall, do MI6), Robert Forster (general Edward Clegg), Jackie Earle Haley (DC Mason), Radha Mitchell (Sean O’Bryan), Sean O’Bryan (Ray Monroe, da NSA), Waleed F. Zuaiter (Kamran Barkawi), Adel Bencherif (Raza Mansoor), Mehdi Dehbi (sultão Mansoor), Michael Wildman (agente Voight). Patrick Kennedy (John Lancaster, do MI5)

Roteiro Creighton Rothenberger & Katrin Benedikt e Christian Gudegast e Chad St. John

História de Creighton Rothenberger & Katrin Benedikt

Baseada em personagens criados por Creighton Rothenberger & Katrin Benedikt

Fotografia Ed Wild

Música Trevor Morris

Montagem Michael Duthie e Paul Martin Smith

Produção Millennium Films, G-BASE, LHF Film, Nu Boyana Film Studios.

Cor, 99 min

1/2

Um Comentário

  1. Joel Forteski
    Postado em 7 fevereiro 2017 às 11:40 am | Permalink

    Concordo 100%. Também vi essa porqueira e perdi meu tempo, pelas barbas do profeta, que filme mais ruim!

Um Trackback

  1. […] Melinda é interpretada nas duas versões pela mesma atriz, a estonteantemente bela australiana Radha Mitchell. As pessoas em volta dela são umas na versão drama, e outras na versão comédia, o que faz com […]

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