Holiday

Nota: ½☆☆☆

Holiday tem três bons atores – Jean-Pierre Darroussin, Judith Godrèche e Josiane Balasko –, e uma sinopse anunciava um filme de suspense. Assim, me dispus a ver.

Com dez minutos de filme, poderia perfeitamente ter desligado a TV. Como sou meio doido, e afinal de contas tenho um site de filmes, vi até o filme.

É um abacaxi azedo, uma porcaria.

Muito mais que um thriller, um mistério, é uma comédia – mas as piadas são tão idiotas, o nível todo é de tamanha baixaria, que não dei um sorriso sequer, ao longo dos 90 penosos minutos de filme.

O diretor – e também um dos três autores da história e do roteiro – se chama Guillaume Nicloux. É bom guardar o nome, para nunca mais chegar perto de alguma coisa que tenha a ver com ele.

Guillaume Nicloux. Nascido em 1966, tem 18 títulos como diretor. Em 2013,  refilmou A Religiosa, que Jacques Rivette havia feito justamente em 1966, com Anna Karina no papel central; é dele também O Vale do Amor, de 2015, com Isabelle Huppert e Gerard Depardieu.

Tudo de ruim que é possível acontecer acontece com o protagonista

Começa com o personagem de Jean-Pierre Darroussin num táxi, à noite, chegando à estação ferroviária de uma pequena cidade do interior e pedindo uma passagem para Paris. A funcionária diz que o trem acabou de sair, três minutos antes, e o próximo será pouco depois das 6 da manhã. E a estação será fechada em seguida – nem poder esperar ali a noite toda ele vai poder.

O sujeito – veremos que se chama Michel Trémois – se desespera, não sabe o que fazer. Está se sentindo mal, um mal estar geral. De repente ocorre a ele pedir ajuda ao farmacêutico. Vai até a farmácia, bate tanto na porta que é atendido. Fica óbvio que ele já conhecia o farmacêutico – que oferece a ele um vidrinho de analgésico, dizendo para ele tomar três gotinhas.

Michel engole quase todo o conteúdo do vidrinho – e desmaia. O farmacêutico chama a mulher para ajudá-lo a tentar reanimar o sujeito. Quando Michel finalmente abre os olhos, perguntam a ele o que aconteceu.

Surge um letreiro na tela: “16 horas antes do crime” – e vem o flashback. Michel – que é um dentista em Paris – está chegando àquela mesma estação ferroviária, junto com a mulher, Nadine (o papel de Judith Godrèche) e a sogra (Josiane Balasko). Vão passar o fim de semana num hotel chique ali da região – um antigo castelo rural, imponente, belíssimo.

Mostra-se que o casal pretendia descansar, conversar, e quem sabe melhorar um pouco a situação que estão vivendo – fazia dois anos que Nadine havia perdido inteiramente o apetite sexual, não conseguia mais ter orgasmo, e o sexo tinha virado uma atividade entediante, maçante.

Mostra-se também que a sogra é do tipo grudento, que não deixa o casal em paz por um momento. Mas, naquele fim de semana, mudará completamente de atitude, porque terá um caso fogosíssimo com um pintor belga hospedado no hotel – na verdade, como se verá depois, um criminoso que acabara de cumprir pena.

Todas as desgraças possíveis e imagináveis acontecerão com o pobre Michel a partir da chegada dos três ao hotel. Claro, óbvio: Nadine vai ter um caso com um hóspede e vai gozar como nunca. E Michel será tido como o principal suspeito de ter cometido o crime que o letreiro logo aos 4 minutos de filme anuncia que vai acontecer.

Jean-Pierre Darroussin, grande ator dramático, consegue se sair bem neste abacaxi

As piadas são de baixo nível. Coisa de ginasiano que acaba de descobrir o sexo. É tudo muito, muito lamentável.

Com duas únicas exceções, creio. Uma exceção é o final da trama policial, a reviravolta que acontece bem no final. Claro que não dá para adiantar aqui: sou contra spoilers, até mesmo quando se trata de filme muito ruim. Mas de fato é um final totalmente inesperado, e bem inteligente – o que é surpreendente, porque inteligência é algo que não está presente no resto do filme todo.

A outra exceção é Jean-Pierre Darroussin.

É muito estranho ver esse ator que está em tantos filmes do excelente diretor Robert Guédiguian, que trabalha em tantos dramas sérios, no meio dessa comédia de equívocos.

Mas o fantástico é que, mesmo nesse filme horroroso, ele consegue atuar bem.

Dei uma conferida na página sobre o filme do AlloCiné, o grande site que tem tudo sobre o cinema francês. Três das revistas francesas sobre cinema – a Positif, a Première e a Studio Ciné Live – deram ao filme 1 estrela em 5.

Anotação em março de 2017

Holiday

De Guillaume Nicloux, França, 2010

Com Jean-Pierre Darroussin (Michel Trémois), Judith Godrèche (Nadine Trémois), Josiane Balasko (Christiane Mercier), Scali Delpeyrat (Fabien, o maître do hotel), Marc Rioufol (Anthony Rivière), Françoise Lebrun (Marie-Paule, camareira), Biyouna (Eva Lopez, a cantora dona do hotel), Éric Naggar (M. Abraham, o concierge), Yves Verhoeven (inspetor Delteil), Pascal Bongard (Richard Ponce), Camille de Sablet (Sandy), Stéphan Wojtowicz (Sylvain Caccia), Nicolas Jouhet (Olivier Desanti), Christian Drillaud (Alain), Yveline Hamon (Danielle)

Argumento e roteiro Guillaume Nicloux & Nathalie Leuthreau & Jean-Bernard Pouy

Fotografia Georges Lechaptois

Música Julien Doré

Montagem Guy Lecorne

Produção Les Films du Worso, Josy Films, Papaye, Canal+, CinéCinéma.

Cor, 90 min

½

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