Sabotagem / Sabotage

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Nota: ★☆☆☆

Os guias de filme e os críticos todos falam muito bem deste Sabotage, que Alfred Hitchcock dirigiu em 1936, depois de fazer O Homem Que Sabia Demais (1934), Os 39 Degraus (1935) e Agente Secreto (também de 1936).

Tsc, tsc. 

Claro, o filme tem alguns pontos isolados que demonstram que ali estava um diretor de talento. Mas, a rigor, é ruim. É bem ruim – e sua trama simplesmente não se sustenta, não fica de pé. Na minha opinião, é claro, e vou logo repetindo que minha opinião vale no máximo uns três guaranis furados.

Começo transcrevendo a sinopse do filme feita por Robert A. Harris e Michael S. Lasky no livro The Films of Alfred Hitchcock. O livro tem um capítulo dedicado aos filmes do início de carreira, entre 1922 e 1933, e em seguida um chamado “Becoming the Master of Suspense”, que focaliza os filmes feitos entre 1934 e 1939, inclusive este Sabotage, é claro. Em seguida vem um capítulo dedicado aos Anos Selznick, a primeira fase americana do cineasta, entre 1940 e 1947.

É importante dar essa explicação porque não se deve achar que este Sabotage é um de seus filmes iniciais. Não, de forma alguma. Ele já havia feito 17 filmes entre 1922 e 1933. Em 1936, já estava – como aponta o título do capítulo no livro – se transformando no Mestre do Suspense.

Eis o que diz o livro; aqui e ali, vou acrescentar algumas informações básicas, em itálico:

“A trama do filme não é complicada. Verloc (Oscar Homolka, na foto abaixo) é um sabotador que usa seu cinema como um disfarce. (É um pequeno cinema em Londres, chamado Bijou; a casa de Verloc e família fica no andar de cima, e, muitíssimo estranhamente, para chegar até a casa as pessoas têm que atravessar a sala do cinema!) Sua mulher (Sylvia Sidney) e o garoto irmão dela (Desmond Tester) vivem com ele. Ted, um detetive que se faz passar por um vendedor de frutas (vizinho ao cinema, e que é interpretado por John Loder), aproxima-se da Sra. Verloc e do irmão dela.”

Ahn… A sinopse vai revelar toda a trama. São terríveis spoilers para quem não viu o filme e tem interesse em ver. Como tenho sido cada vez mais cuidadoso com essa coisa de spoiler, fica aqui o aviso. A partir daqui, não é aconselhável a leitura por quem não viu o filme.

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Atenção: a partir daqui haverá spoilers

“Quando é revelado (por um cúmplice do sabotador) que Ted é um detetive e que Verloc é suspeito de sabotagem, Verloc dá ao jovem um pacote contendo uma bomba. (Ele pede que o cunhadinho leve aquele pacote até Picadilly Circus, no trecho mais central e movimentado de Londres.) O garoto acaba se atrasando e a bomba explode quando ele está dentro do ônibus. A sra. Verloc, chocada com a verdade, mata Verloc com uma faca. O assassinato que ela está para confessar permanece desconhecido quando outro sabotador entra no Bijou e o explode.”

A afirmação dos autores de que a trama do filme não é complicada me parece bastante simplista. A trama fica complicada, sim, pela forma desajeitada com que o roteiro foi construído, e pela imensa quantidade de furos.

O filme se baseia em um romance de Joseph Conrad (1857-1924), The Secret Agent, publicado em 1907. No livro, Verloc é um anarquista que quer destruir Londres. No filme, Verloc é… é…é…

O filme não diz por que Verloc comete os atos de sabotagem!

São mostrados dois atos. Primeiro, ele provoca um blecaute na cidade inteira, ao atacar uma usina de energia. Depois, fica encarregado de explodir uma bomba às 13h45 em Picadilly Circus, em dia de festa municipal.

O filme dá a entender que ele ganha dinheiro para cometer os atos. Vemos Verloc conversando com um estrangeiro rico, e os dois falam de dinheiro, o pagamento ao sabotador que, num momento, diz que não mexe com nada que provoque a morte de uma única criatura, e logo em seguida concorda em explodir uma bomba no meio de uma multidão.

Mas qual é a intenção desse estrangeiro em provocar esses atos de sabotagem na capital do Império Britânico no ano da graça de 1936? Quem está por trás daquele estrangeiro – a União Soviética de Stálin? A Alemanha de Hitler? Por que querem provocar o pânico, o caos em Londres?

Qualquer explicação que alguém der para essas questões é chute, é invenção, é mera conjetura, porque o filme não dá pista alguma.

Pode ser considerado ótimo, grande, um filme sobre um sabotador que não conta por que estão sendo praticados atos de sabotagem?

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Um leitor do IMDb destruiu a trama do filme ponto por ponto

É fascinante como uma mesma obra pode ser vista de formas tão diferentes por diferentes pessoas. Como é ampla a gama de opiniões díspares diante de um mesmo filme. Assim que terminamos de ver Sabotage, Mary, que considerou o filme um absoluto horror (embora com uma ou duas ou três coisas que já denotam o talento do realizador), mergulhou nas páginas do IMDb em que os leitores dão suas opiniões.

Leitores do site – pessoas comuns, ordinary people, gente como a gente. Não “críticos de cinema”, entendidos, especialistas, estudiosos.

No meio de loas, e loas, e mais loas, ela viu o comentário de uma pessoa que escreveu dos Estados Unidos, em 2008, usando o nome krdement. Em meio a tantos “Sinais iniciais da grandeza de Hitch”, “Magnífico filme de Hitchcock com um monte de tensão e emoção”, “Thriller tenso, cheio de clima”, “Sabotage é melhor que alguns filmes posteriores de Hitchcock”, krdement afirma, com ponto de exclamação: “O pior Hitchcock de todos os tempos!” – e premia o abacaxi com 1 estrela em 10.

Tenho respeito por pessoas que ousam ver pés de barro em obras que todo mundo considera sagradas, de ouro maciço.

krdement vai desconstruindo o filme pedacinho por pedacinho – como definiu a Mary, ao ler, entusiasmada, os vitupérios do rapaz. (Presumo que seja um rapaz. Claro que pode ser uma moça, mas botei na cabeça que é um homem.) O texto dele é bem longo, mas é delicioso. Vou transcrever algumas partes:

“Não acho que Oscar Homolka pretendia ser engraçado neste drama, mas ele é imbecil como uma caixa de pedras! (Na verdade, cada personagem deste filme é convenientemente estúpido.) Na cena do aquário, o contato de Homolka informa que ele não será pago até completar a sua tarefa; a interrupção de energia feita por Homolka não tinha conseguido o efeito desejado! Mas Homolka apenas diz: ‘Ahn? Não entendo.’ Ele é igualmente lento para captar a idéia de soltar uma bomba no Picadilly Circus. ALÔ! (Aqui, o bravo krdement dá uma de Val, a perua rica que apareceu naquele programa de peruas ricas da Rede Bandeirantes…) E então ele tropeça no lado errado da porta de saída, não consegue entender e fica lutando até a pessoa seguinte o puxar para o lado certo da porta.”

E depois:

“A cena em que Homolka vai à loja de pássaros e animais domésticos do fazedor de bombas é totalmente inexplicável. No jogo de espiões, contatos entre agentes são estritamente minimizados. E no entanto a visita de Homolka não serve a nenhum propósito. Nós ficamos conhecendo a família do fazedor de bombas. Vemos os brinquedos de sua filha misturados aos artefatos que servem para fazer bombas. Vemos que ele guarda seus ingredientes em garrafas de ketchup e copos de geléia. Mas Homolka não precisa estar lá quando o realizador nos mostra essas coisas. Ele se arrisca a ir lá só porque disseram a ele que ele receberia uma bomba em uma gaiola de pássaros??? (Bravo, krdement usa três pontos de interrogação.) Por que o contato no aquário não contou isso para ele?”

Sylvia Sidney (Sylvia Verloc) suspects that her kindly husband Oskar Homolka (Verloc), a movie theater manager, is hiding something for her. With Desmond Tester (Stevie).

Fiquei fã desse krdement. Ele vai em frente (e grafa erradamente o nome da atriz Sylvia Sidney, nas fotos acima e abaixo, como sendo Sydney):

“O homem da Scotland Yard disfarçado é igualmente estúpido. Nós nunca o ouvimos explicar para Sydney ou Homolka quem ele é, ou o vemos mostrar a eles qualquer identificação. Ele apenas solta seu interrogatório sobre Sylvia Sydney na sala de cinema, bem embaixo do nariz de Homolka. Isso é que é inteligente e discreto! Ele termina revelando mais para ela do que ela revela para ele, mesmo que ela devesse logicamente ainda estar sob suspeita. Ele rapidamente interroga Homolka da mesma maneira. Mas termina dando a Homolka mais informações do que obtém.”

O filme simplesmente não se segura, é um pedaço de queijo suíço, diz o leitor

krdement mostra que é absolutamente irracional a reação da mulher do sabotador quando ela fica sabendo que seu irmãozinho morreu na explosão da bomba. Em vez de procurar a polícia – o homem da Scotland Yard estava sempre por lá –, ela resolve confrontar o marido diretamente, o marido que ela agora já sabe que é um terrorista assassino.

E, depois, questiona o que qualquer espectador deveria mesmo questionar: como foi que o fazedor de bombas arranjou uma bomba para explodir quando estava já dentro da casa dos Verloc, em cima da sala de cinema?

“A mulher do fazedor de bomba o bota para fora da loja com seu chapéu, capote e guarda-chuva. Nenhuma bomba. Nada de tempo para fazer uma bomba. Nenhuma bomba quando ele pára o táxi. Nenhuma bomba no táxi. Nenhuma bomba quando ele sobe até o apartamento de Homolka. Mas – PRESTO, bomba!, quando ele se tranca no apartamento e ameaça os detetives que batem na porta!

“E então, depois que a bomba explode, o detetive que chefia a operação apenas diz a Sydney que ela está livre. O bom inspetor sabe o suficiente para absolver a mulher de um terrorista sem qualquer investigação.”

E krdement então diz que leu um comentário de um leitor dizendo que a história foi “rigorosamente bem escrita”. “Ele deve ter feito confusão com algum outro filme. Este filme aqui simplesmente não se segura. TODOS os filmes ingleses de Hitchcock são muito superiores a esse pedaço de queijo suíço”.

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Maltin elogia o filme – e demonstra que não entendeu o que viu, se é que viu

Leonard Maltin, o autor do guia de filmes mais vendido do mundo (naqueles tempos em que os guias de filmes eram vendidos), deu 3 estrelas em 4 para Sabotage: “Thriller detalhadamente elaborado sobre mulher que suspeita que seu amável marido (Homolka), o gerente de uma sala de cinema, está escondendo algo dela. Cheio de toques intrigantes de Hitchcock. Baseado na obra Secret Agent de Joseph Conrad, originalmente retitulado A Woman Alone nos Estados Unidos.”

Gosto bastante do Maltin. Muitas vezes ele é um tanto raso, mas em geral tem bom gosto, bom discernimento. Às vezes erra feio. Este é um dos casos.

A sra. Verloc, a personagem interpretada por Sylvia Sidney, não desconfia em absolutamente nada do marido. A sra. Verloc é um poço de inocência, ingenuidade – bem, acho que o leitor krdement a chamaria de imbecil.

Quando, na sequência que abre o filme, Londres fica às escuras, devido à sabotagem de Verloc na usina elétrica, os espectadores do Cine Bijou vão à bilheteria pedir o dinheiro de volta. A sra. Verloc, sem saber o que fazer, sobe até o apartamento para pedir ajuda ao marido. O espectador viu – assim como Ted, o detetive da Scotland Yard disfarçado de verdureiro – que Verloc estava fora e tinha acabado de retornar ao seu apartamento. A mulher o encontra deitado na cama, fingindo que estava dormindo. Ela então o acorda, conversam, ele diz que é para ela devolver aos espectadores o dinheiro da entrada, porque ele está para receber uma soma.

A sra. Verloc não questiona que soma é essa. Desce e manda devolver o dinheiro – depois que Ted, para ajudá-la, já havia convencido a pequena multidão de que eles não tinham direito a receber o dinheiro de volta, já que não era culpa do cinema que Londres estivesse inteiramente sem energia.

Exatamente ao contrário do que Maltin diz, a mulher não suspeita do marido em momento algum – até que o próprio marido confessa tudo para ela, após a explosão da bomba no ônibus que ia em direção a Picadilly Circus.

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Hitchcock dizia que havia errado na cena da explosão no ônibus

Pauline Kael, a primeira-dama da crítica americana, escreveu o seguinte, na tradução de Sérgio Augusto no livro 1001 Noites no Cinema:

“Hitchcock achou que errara neste filme e que isso explicava o motivo de seu fracasso. Mas se enganou: esta adaptação de O Agente Secreto, de Conrad, talvez seja um de seus melhores thrillers ingleses, e se o público não correspondeu não foi por sua culpa. Sylvia Sidney e Oscar Homolka são um casal, os Verloc, que têm um pequeno cinema; Desmond Tester faz o papel do irmão caçula da sra. Verloc, portador de um embrulho, em que ignora haver uma bomba, que o marido dela mandou-o despachar. Há uma sequência de tirar o fôlego: quando a sra. Verloc, que acabou de saber da morte do irmão, assiste ao desenho animado Quem matou Cock Robin?.”

É preciso entender a que Madame Kael se refere quando diz que “Hitchcock achou que errou”.

A resposta está no já citado livro The Films of Alfred Hitchcock: “Se há uma única cena de que Hitchcock se arrepende, é a sequência da bomba-relógio. Ele agora admite que errou ao deixar a audiência em suspense e depois não dar alívio a ela. A explosão, matando a criança e todas as pessoas que estavam no ônibus, é um anti-clímax. A opinião pública ficou contra Hitchcock, não tanto por deixar a bomba explodir, mas por permitir que uma criança fosse morta de uma maneira tão aterradora.”

O livro chega a fazer a seguinte afirmação: “Sabotage teve sua exibição proibida no Brasil porque perturbava a ordem pública, segundo o governo sul-americano (!!). O censor declarou que o filme ensinava conspiração e técnica terrorista.”

Nunca ouvi falar disso. Considero essa informação simplesmente absurda, falsa – mas não posso garantir. É até possível que o governo brasileiro tenha, sim, em algum momento, proibido a exibição do filme – afinal, 1937, o ano seguinte ao do lançamento do filme, foi o ano da ditadura do Estado Novo, e nas ditaduras qualquer ministro ou delegado pode dar ordem de censurar um filme.

Mas então Hitchcock admite que errou.

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Em entrevista a Truffaut, Hitchcock põe a culpa no ator que faz o policial

No estupendo HitchcockTruffaut, o calhamaço em que François Truffaut transcreveu suas diversas conversações com o mestre inglês, ele se diz um tanto decepcionado com Sabotage – mas em seguida descreve, deleitado, a abertura, que tem, sim, sinais de maestria.

François Truffaut: – “Vi, bem recentemente, e devo confessar que me decepcionou um pouco, em relação à fama que tinha. A exposição é excelente. Primeiro, o close no dicionário com a definição da palavra ‘sabotagem’, depois um close numa lâmpada elétrica, plano geral de uma rua iluminada, volta ao close da lâmpada que se apaga, plano da escuridão, e, na central elétrica, alguém diz: “Sabotagem”, recolhendo um pouco de areia perto de uma máquina. Em seguida, um camelô vende na rua fósforos ‘Lúcifer’, depois vemos passar duas freiras e ouvimos risos diabólicos. Em seguida, você apresenta Oscar Homolka, que volta para casa, dirige-se ao lavatório, lava as mãos, e no fundo da pia vemos cair um pouco de areia. O que acho decepcionante no filme é basicamente o personagem do detetive.”

E aí Alfred Hitchcock responde ao realizador francês que John Loder não era o ator que ele queria para o papel do detetive Ted, da Scotland Yard. Ele queria Robert Donat, mas o produtor Alexander Korda, que possivelmente mantinha Donat sob contrato, não o liberou.

“Durante a filmagem, fui obrigado a reescrever o diálogo porque o ator não convinha”, diz Hitch a Truffaut. “Mas há também um erro meu gravíssimo: o garotinho que leva a bomba. Quando um personagem passeia com uma bomba sem saber, como um simples embrulho, você cria em relação ao público um fortíssimo suspense. Ao longo de todo esse trajeto o personagem do garoto tornou-se demasiado simpático para o público, que, em seguida, não me perdoou tê-lo feito morrer quando a bomba explodiu com ele no bonde. O que deveria ser feito? Oscar Homolka deveria matar voluntariamente o garoto – e talvez não se visse esse crime – e em seguida sua mulher deveria matá-lo para vingar o irmãozinho.”

Todo mundo tem direito às suas opiniões, e então tudo bem que Hitch ache que esse foi o seu erro no filme.

Eu concordo com krdement: toda a história é mal contada, é cheia de furos, não se sustenta de pé.

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Quatro, cinco momentos que mostram talento, no meio de uma trama que não se sustenta

Mas, como escrevi logo na abertura desta anotação, o filme tem seus bons momentos, sacadas que demonstram o talento de Hitchcock.

Um deles é exatamente a abertura, que Truffaut descreveu com detalhe e precisão.

O fato de o espectador ficar sabendo desde bem o início a identidade do sabotador é Hitchcock puro. O suspense não se dá pelo fato de a platéia ficar se perguntando quem é o bandido – muito ao contrário, se dá com o público acompanhando a ação do bandido.

Na sequência em que o sabotador Verloc se encontra com o estrangeiro no aquário do zoológico de Londres há um breve momento em que o talento de Hitch solta faísca. Vemos o aquário que Verloc está vendo, depois que o estrangeiro passou para ele a tarefa de detonar uma bomba no coração de Londres – centenas de peixes nadando. Corta, e vemos uma tomada de uma rua agitada, lotada por centenas de pessoas. Corta, e vemos uma tomada que simula a explosão de uma bomba e diversos prédios se esfacelando.

Momento de brilho.

Mais tarde, depois da morte do irmãozinho, a sra. Verloc o verá na rua, caminhando entre os passantes, antes de cair a ficha de que aquele garoto que anda na calçada não é o irmãozinho.

Há, sim, claro, a sequência em que o irmão carrega dois rolos de filme mais o pacote em que está a bomba. Diversas tomadas rápidas mostram o pacote da bomba sob o braço do garotinho em close up. Diversas tomadas. Me lembrei da tomada bem na abertura de Marnie (1964), em que a câmara faz um close-up da bolsa carregada por Tippi Hedren, que interpreta Marnie, a ladra: aquela bolsa carrega uma bufunfa roubada.

O pacote embaixo do braço do garotinho simpático esconde uma bomba.

A sequência, sem dúvida alguma, é boa.

Ah, sim, e tem a sequência em que, atordoada pela morte do irmãozinho, a sra. Verloc se senta em uma cadeira do seu próprio cinema e assiste, junto com os demais espectadores e com os espectadores que estão vendo Sabotage, a algumas cenas do desenho de Walt Disney, Quem matou Cock Robin? É uma sequência de impacto, sem dúvida alguma.

Quatro, cinco momentos que mostram talento, em meio a uma história que não se sustenta de pé e tem mais furos que o melhor queijo suíço. Em resumo, é isso o que eu acho de Sabotage.

Sabotage – ou A Woman Alone, como foi chamado nos Estados Unidos na época do lançamento. Ou Agent Secret, como foi exibido na França, onde François Truffaut o viu, e ficou um tanto decepcionado, apesar de toda a sua idolatria por Hitchcock. Ou O Marido Era o Culpado, como foi chamado no Brasil.

É um tanto irônico que no mesmo ano de 1936 Alfred Hitchcock tenha lançado um filme chamado The Secret Agent (baseado em peça de  Campbell Dixon baseada em romance de W. Somerset Maugham, com Madeleine Carroll, Peter Lorre, John Gielgud e Robert Young) e este outro filme aqui baseado no livro The Secret Agent de Joseph Conrad.

Para não ser confundido com o outro The Secret Agent, este aqui se chamou Sabotage.

Favor não confundir com Saboteur, no Brasil Sabotador, o filme americano de Alfred Hitchcock de 1942 em que o sabotador no final se refugia no alto da Estátua da Liberdade. Que também não deve ser confundido com o filme em que o bandido se refugia no alto de outro monumento básico americano, os rostos dos grandes presidentes americanos no Monte Rushmore, Intriga Internacional (1959).

Ou então, como diria o bravo krdement, não confundir obra-prima com porcaria.

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Anotação em abril de 2016

Sabotagem/Sabotage

De Alfred Hitchcock, Inglaterra, 1936

Com Sylvia Sidney (Sylvia Verloc), Oscar Homolka (Karl Verloc), John Loder (sargento Ted Spencer), Desmond Tester (Steve), Joyce Barbour (Renee), Matthew Boulton (superintendente Talbot), S.J. Warmington (Hollingshead), William Dewhurst (o professor)

Roteiro Charles Bennett

Diálogos Ian Hay e Helen Simpson; diálogos adicionais, E.V.H. Emmett

Baseado em romance de Joseph Conrad

Fotografia Bernard Knowles

Música Hubert Bath, Jack Beaver e Louis Levy

Montagem Charles Frend

No DVD. Produção Michael Balcon, Ivor Montagu, Gaumont British Picture Corporation. DVD Cine Art Pictures.

P&B, 76 min.

*

Título nos EUA na época do lançamento: A Woman Alone. Na França: Agent Secret. Título no Brasil na época do lançamento: O Marido Era o Culpado.

Um Comentário

  1. Senhorita
    Postado em 8 agosto 2016 às 10:36 pm | Permalink

    E o cachorrinho no ônibus?
    Eu sou aquela pessoa que leu o “Hitchcock/Truffaut” só por causa do Truffaut… rsrsrs

Um Trackback

  1. […] Rasgada, o filme número 50 de Alfred Hitchcock, foi muitíssimo mal recebido pela crítica ao ser lançado em 1966. Depois de rever o filme agora, […]

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