O Jogo da Imitação / The Imitation Game

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Nota: ★★★★

A vida de Alan Turing parece ter sido escrita por um alucinado autor de histórias da ficção mais fantástica, mais incrível, mais inacreditável que possa haver. Segundo estudiosos, esse matemático inglês nascido em 1912 e morto jovem demais, pouco antes de completar 44 anos, encurtou em cerca de dois anos a Segunda Guerra Mundial, poupando mais de 14 milhões de vidas.

Turing foi o criador de uma máquina – um antecessor do que hoje conhecemos como computador – que conseguiu uma tarefa tida como impossível: decifrar as mensagens das forças armadas da Alemanha nazista, que eram criptografadas por um aparelho chamado Enigma. Com base no que a máquina de Turing decifrava, o serviço de inteligência britânico pôde instruir o governo Churchill sobre as ações nazistas, o que mudou o curso da guerra.

Como era um segredo de Estado, no entanto, o trabalho de Turing e de seu grupo de matemáticos e decifradores de códigos foi mantido em absoluto sigilo durante 50 anos.

Assim, ele não teve sua imensa, gigantesca, fabulosa importância reconhecida enquanto viveu.

E, muitíssimo pior ainda que isso, foi preso e julgado por ser homossexual – uma humilhação que encurtou sua vida.

O Jogo da Imitação/The Imitation Game, o filme de 2014 que conta a vida de Alan Turing, faz jus ao personagem. É uma belíssima obra. (Na foto, Alan Turing e o ator que o interpreta, Benedict Cumberbatch.)

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Um matemático e ativista da causa gay escreveu a biografia do cientista

O filme se baseia em uma biografia – Alan Turing: The Enigma, de 1983 – escrita por Andrew Hodges, ele próprio um respeitado matemático que dá aula em Oxford e escreve trabalhos destinados a popularizar conhecimentos da ciência de maneira geral e da matemática em particular. Foi também um ativista em defesa da causa gay. Ou seja: era de fato a pessoa mais indicada para escrever sobre a vida de Alan Turing.

O livro deu origem a uma peça teatral escrita por Hugh Whitemore, Breaking the Code, encenada em 1986 e que, dez anos depois foi adaptada para a televisão britânica, com Derek Jacobi no papel do cientista.

A biografia escrita por Hodges foi adaptada para o cinema por Graham Moore, um muito jovem roteirista americano, nascido em Chicago em 1981.

Fez um trabalho brilhante, o jovem Graham Moore. Ele levou o Oscar de melhor roteiro adaptado – o único Oscar que o filme ganhou, após ter sido indicado para sete outras categorias: filme, direção para Morten Tyldum, ator para Benedict Cumberbatch, atriz coadjuvante para Keira Knightley, montagem para William Goldenberg, trilha sonora para Alexandre Desplat e desenho de produção para Maria Djurkovic e Tatiana Macdonald.

O filme teve 9 indicações ao Bafta e 5 ao Globo de Ouro; no total, foram 45 prêmios e outras 147 indicações.

O roteiro escrito por Graham Moore mostra três diferentes épocas da vida de Alan Turing, que vão sendo intercaladas ao longo da narrativa. O filme começa em 1951, em Manchester. Após esse intróito que dura cinco minutos, passamos a acompanhar os fatos ocorridos a partir de 1939, o ano em que se iniciou a Segunda Guerra Mundial.

A maior parte da ação focaliza os acontecimentos da época da guerra. Mas de vez em quando voltamos a ver os fatos acontecidos em 1951 e a partir daí – e também fatos ocorridos em 1928, quando Alan Turing, adolescente de 16 anos, estava num colégio interno.

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Em 1951, a casa de Alan Turing é assaltada. Mas ele não coopera com a polícia

O intróito escrito por Graham Moore traz informações demais – e parece ter sido idealizado para dar um ar de mistério à história que se seguirá, um tom de thriller, de um filme policial ou de espionagem.

Há o tradicional letreiro avisando: “Baseado em uma história real”, e em seguida outro letreiro com o quando e onde: “1951, Manchester, Inglaterra”.

A primeira imagem é do protagonista da história – interpretado por esse fenômeno que é Benedict Cumberbatch – sentado diante de uma pequena mesa. É – veremos em seguida – uma delegacia de polícia. Um policial chega à sala, com uma pequena pasta de papel, que deposita sobre a mesa. Ele se senta na cadeira de frente para o homem que será interrogado.

E então vemos cenas de uma casa que foi obviamente assaltada, e que teve todas as coisas absolutamente reviradas. Há papéis pelo chão.

Um novo letreiro informa: “Sede do Serviço Secreto de Inteligência”. Uma secretária leva para uma figura obviamente muito importante um recado escrito a mão: “Alan Turing assaltado. Polícia de Manchester investiga”.

Enquanto vamos vendo essas cenas, ouvimos uma voz em off – a de Benedict Cumberbatch – dizendo o seguinte:

– “Você está prestando atenção? Bom. Se você não ouvir com cuidado, vai perder coisas. Coisas importantes. Não vou fazer pausa, não vou me repetir, e você não vai me interromper. Você pensa que, como está sentado aí onde está, e eu estou sentado onde estou, você está no controle do que vai acontecer. Você está errado. Eu estou no controle, porque eu sei coisas que você não sabe.”

Uma pausa, e a voz em off continua: – “O que vou precisar de você agora é de um compromisso. Você vai me ouvir atentamente, e não vai me julgar até que eu tenha terminado. Se você não puder se comprometer a isso, então por favor deixe esta sala. Mas se você escolher ficar, lembre-se de que escolheu ficar aqui. O que acontece a partir deste momento não é de minha responsabilidade. É da sua. Preste atenção.”

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O detetive que atende à ocorrência de assalto acha tudo muito suspeito

Um policial civil – o mesmo pronto a interrogar Alan Turing naquela sala de delegacia – chega à casa assaltada, onde já está o sargento Staehl (Tom Goodman-Hill). O sargento Staehl informa ao recém-chegado detetive Robert Nock (Rory Kinnear, à direita na foto acima) que a casa é de Alan Turing, professor no King’s College. E não foi ele que comunicou o assalto à polícia, e sim um vizinho, que na noite anterior tinha ouvido barulhos fortes na casa.

O detetive tenta obter informações. O homem que teve a casa assaltada não apenas não responde às perguntas como não admite ter havido assalto, é extremamente grosseiro, diz frases agressivas aos dois policiais e pede que o deixem em paz.

Quando os policiais saem da casa, o detetive Nock comenta com o sargento que aquilo tudo é muito suspeito: um professor misterioso que tem em casa uma máquina esquisita, que é assaltado mas não quer ajudar a polícia, que ao contrário quer se livrar os policiais depressa… – “Acho que Alan Turing está escondendo algo”, diz ele, com cara de quem não vai deixar barato, de quem vai investigar.

Passaram-se apenas cinco minutos.

Surge o título do filme – e estamos em Londres, 1939, numa estação de trem abarrotada de gente. A Grã-Bretanha acaba de decretar guerra à Alemanha nazista.

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Alan Turing se apresentou para trabalhar na equipe que tenta decifrar a Enigma

Quando a guerra começou, Alan Turing estava com 26 anos, mas já era reconhecido, nos círculos acadêmicos, como um dos matemáticos mais brilhantes do país – e do mundo.

O comandante Denniston (Charles Dance), da Real Marinha britânica, não sabia disso, quando aquele sujeito apareceu na sua sala sem aviso prévio. A sala de Denniston ficava numa fábrica de rádios, numa cidade do sul da Inglaterra. Na verdade, a fábrica de rádios era uma fachada: naquele lugar, chefiado pelo comandante, trabalhava um grupo de pessoas de altíssima inteligência recrutado secretamente pelo governo para trabalhar na tentativa de quebrar o código dos comunicados nazistas, de descobrir como funcionava a Enigma, a máquina de criptografar mais avançada que a humanidade já havia inventado.

O primeiro diálogo entre o comandante Denniston e aquele desconhecido é uma afiada disputa de espadachins. O visitante – como o espectador já havia visto na sequência inicial do filme – é cheio de si, é presunçoso a não mais poder. É a antipatia personificada. Sabe que tem uma inteligência superior, e demonstra isso a cada frase que pronuncia.

Denniston, por sua vez, também se acha o dono da verdade. Insiste em dizer que já rejeitou diversos candidatos que se mostraram extremamente bem preparados, e começa a gritar pela secretária, para que ele leve embora o tal sujeito que se diz um dos maiores matemáticos do mundo.

Mas então Alan Turing menciona o nome da máquina alemã, a Enigma. Denniston percebe que tem diante dele alguém que poderá vir a ser útil. O primeiro diálogo dos dois – que vão se desentender o tempo todo, ao longo da narrativa – termina assim:

Alan Turing: – “Eu gosto de resolver problemas, comandante. E Enigma é o problema mais difícil do mundo.

Denniston: – “Enigma não é difícil, é impossível. Os americanos, os russos, os franceses, os alemães, todo mundo pensa que Enigma não pode ser decifrada.”

Alan Turing: – “Bom. Deixe-me tentar, e então teremos certeza.”

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A máquina alemã era capaz de fazer 159.000.000.000.000.000.000 combinações de letras

Na sequência seguinte, o comandante Denniston está se dirigindo ao grupo de seis homens selecionados para a tarefa tida como impossível – Alan Turing inclusive. É uma forma esperta encontrada pelo roteirista Graham Moore de apresentar para o espectador, em rápidas palavras, as noções básicas sobre a máquina Enigma. Os poloneses haviam conseguido roubar uma delas, e ela estava agora ali, naquela sala em que Denniston se dirige aos seis cérebros privilegiados – e, claro, aos espectadores:

– “Bem-vindos à Enigma. Os detalhes de cada ataque surpresa, de cada escolha secereta, da localizapção de cada submarino no Atlântico entram nessa coisa e saem em forma de letras aleatórias. Interceptamos milhares de mensagens a cada dia. Elas não fazem sentido. Para decodificar é preciso saber as combinações da máquina. Os alemães mudam a combinação todos os dias, à meia-noite em ponto. Em geral, interceptamos a primeira mensagem do dia às 6 da manhã, o que dá a vocês 18 horas para decifrar o código, antes que ele mude e vocês tenham que recomeçar.”

Alan Turing se aproxima da Enigma, conta os cabos, começa a fazer uma conta. Os outros do grupo também começam a fazer contas de quantas combinações são possíveis. Alguém fala em 150 milhões de milhões de milhões. Hugh Alexander (o papel de Matthew Goode) diz: – “159, para ser preciso. 159 seguido de 18 zeros de possibilidades todos os dias”.

159.000.000.000.000.000.000 combinações de letras possíveis.

Hugh Alexander havia sido campeão nacional de xadrez duas vezes. Tinha sido escolhido para chefiar a equipe.

Outro membro importante da equipe é John Cairncross, interpretado por Allen Leech, o ator que, em Downton Abbey, interpreta o chofer irlandês que acaba se casando com Sybil, a caçula das três filhas do conde. É interessante que Matthew Goode também trabalhou em Downton Abbey, na sexta e última temporada. Dois atores que estão na fantástica série estão também neste filme maravilhoso.

Keira Knightley aparecerá quando o filme já está aí com uns bons 40 minutos, mais ou menos. Ela interpreta Joan Clarke, uma jovem de inteligência descomunal que é descoberta por Alan Turing e passa a trabalhar na equipe encarregada de tentar quebrar o código da Enigma.

Naquela seqüência em que o comandante Denniston apresenta a Enigma para a equipe e para o espectador, está também presente na sala um sujeito chamado Stewart Menzies (o papel de Mark Strong) – o mesmo que já havia aparecido rapidamente na abertura do filme, na sede do MI6, o Serviço Secreto de Inteligência da Grã-Bretanha.

Ele estava escondido num canto, ouvindo a preleção do comandante Denniston. Quando se aproxima do grupo, Denniston o apresenta como do Secret Intelligence Services, o MI6. Um dos homens da equipe, Charles Richards (Jack Tarlton), diz que aquilo não é possível: – “Só existem cinco divisões da inteligência militar. Não existe um MI6”. Ao que Menzies responde: – “Exatamente. Esse é o espírito da coisa.”

Esse Stewart Menzies terá papel importantíssimo na história.

Na adolescência, Alan teve uma grande paixão por um colega

zzenigma5-500O trabalho da equipe, como ele se desenvolve, as brigas entre Alan Turing, com aquele seu jeito de superior, de gênio muito acima de todos os demais mortais, e o resto da equipe, mais sua eterna briga com o comandante Denniston, tudo é fascinante, e é mostrado no filme de forma fascinante. A chegada da bela Joan Clarke-Keira Knightley vai iluminar ainda mais a tela. Vai haver também a informação de que no meio daquela pequena equipe há um espião trabalhando para o governo soviético.

Os passos todos para a criação da máquina de Alan Turing são interessantíssimos.

As sequências passadas em 1928 servem para dar um retrato do gênio quando bem jovem. O Alan adolescente (interpretado por Alex Lawther) era vítima de bullying violentíssimo dos colegas, inconformados com aquele garoto metido que tirava as melhores notas da classe sempre. Seu único amigo na escola era Christopher Morcom (Jack Bannon). Na verdade – os flashbacks passados em 1928 vão mostrando –, Christopher foi o primeiro grande amor da vida de Alan. O primeiro e possivelmente o único.

No trabalho durante a guerra, ele dará à máquina que está criando o nome de Christopher.

E, nas sequências passadas em 1951 e logo em seguida, o detetive Robert Nock vai dedicar imensa energia à tarefa de procurar descobrir o que era, afinal, que aquele professor estava escondendo, após ter tido a casa assaltada. Nock se apega à teoria de que Alan Turing é um espião soviético.

Não dá para compreender como a homofobia era a lei inglesa até há pouco

Será o sargento Staehl que descobrirá a verdade. Alan Turing estava tentando esconder algo, sim. Nada a ver com espionagem, absolutamente nada a ver com os soviéticos. Estava tentando esconder que era homossexual.

Apenas em 1967 – em plena era da beatlemania, dos hippies, da minissaia, das drogas aos montes – o homossexualismo, ou, como se dizia lá, a sodomia, deixaria de ser crime na Inglaterra e no País de Gales. Na Escócia, só deixou de ser crime em 1980.

Há fatos, fenômenos, processos na História da humanidade que são terrivelmente difíceis de se entender, compreender, aceitar. Este filme tão belo quanto importante trata de dois deles – o nazismo, o fato de um país desenvolvido como a Alemanha ter permitido a existência, o crescimento e o domínio do nazismo, e o absurdo que é a Inglaterra, um dos países mais avançados do mundo, a mais sólida e longeva democracia que há no planeta, ter mandado para a prisão homens homossexuais até 1967.

1967! Outro dia mesmo!

Ao final da narrativa, O Jogo da Imitação mostra, em letreiros – como tantos outros filmes sobre fatos reais –, eventos que vieram após o que é mostrado na história. Um dos letreiros conta que cerca de 49 mil homens homossexuais foram condenados por indecência segundo a lei britânica entre 1885 e 1967.

A lei medieval, pré-histórica, jurássica fez com que o mundo perdesse a inteligência luminosa de Alan Turing cedo demais. O filme deixa muito claro que foi a lei homofóbica a responsável pela morte do cientista: em seu julgamento, o juiz deu a ele duas opções – ou a prisão, ou a castração química. Ele optou pela segunda – e, debilitado, alquebrado, humilhado, se matou em 1954. Estava com apenas 41 anos.

Há um filme importantíssimo sobre essa questão da legislação homofóbica na Inglaterra: Victim, que no Brasil teve o título grotesco de Meu Passado Me Condena, de Basil Dearden, com uma interpretação maravilhosa de Dirk Bogarde, foi lançado em 1961, pouco antes, portanto, da decisão dos legisladores ingleses que jogaram na lata de lixo da História a legislação jurássica. Quem já viu esse belo filme seguramente se lembrará dele ao ver agora este O Jogo da Imitação.

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O filme tem a ver com A Teoria de Tudo, com As Sufragistas

Uma outra relação imediata que se faz é com A Teoria de Tudo/The Theory of Everything, de James Marsh, a cinebiografia de outro cientista genial, dos mais importantes do século XX, Stephen Hawking. Os dois filmes foram lançados exatamente no mesmo ano, 2014. Hawking nasceu em 1942, quando Alan Turing estava trabalhando no desenvolvimento de sua máquina Christopher para o governo britânico. Quando o filme sobre sua vida foi lançado, estava com 72 anos, produzindo incessantemente, fazendo avançar o conhecimento da humanidade.

Algo que foi negado a Alan Turing – continuar a produzir conhecimento até a maturidade, a velhice.

Poucos dias antes de finalmente ver O Jogo da Imitação, tínhamos visto As Sufragistas/Suffragette – e sobre ele escrevi que, como admirador desde sempre da cultura britânica, da civilização que aquele povo construiu, fiquei chocado com a violência com que o Estado combateu as mulheres que defendiam seu direito de votar em pleno século XX. É uma mácula na história desse país admirável – assim como a legislação homofóbica que prevaleceu até 1967.

Consola um pouco saber que se anda para a frente – e a civilização britânica é um apanhado de exemplos de que se anda para a frente. Basta lembrar a belíssima cerimônia de despedida da princesa Diana, na Catedral de Westminster, em 1997. Ali, na principal igreja da religião anglicana, Elton John, homossexual assumidérrimo, amigo pessoal da princesa morta, cantou uma canção escrita originalmente em homenagem a Marilyn Monroe, e que teve uma nova letra escrita pelo parceiro Bernie Taupin para Diana Spencer, “Candle in the Wind”.

Trinta anos apenas separam o fim da legislação homofóbica da cena emocionante na Catedral de Westminster.

Quando quer, a humanidade sabe ir em frente.

Eppur si muove.

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Anotação em junho de 2016

O Jogo da Imitação/The Imitation Game

De Morten Tyldum, Inglaterra-EUA, 2014

Com Benedict Cumberbatch (Alan Turing)

e Keira Knightley (Joan Clarke), Matthew Goode (Hugh Alexander), Allen Leech (John Cairncross), Matthew Beard (Peter Hilton), Rory Kinnear (detetive Robert Nock), Charles Dance (comandante Denniston), Mark Strong (Stewart Menzies), James Northcote (Jack Good), Tom Goodman-Hill (sargento Staehl), Steven Waddington (superintendente Smith), Ilan Goodman (Keith Furman), Jack Tarlton (Charles Richards), Alex Lawther (Alan Turing adolescente), Jack Bannon (Christopher Morcom)

Roteiro Graham Moore

Baseado no livro Alan Turing: The Enigma, de Andrew Hodges

Fotografia Oscar Faura

Música Alexandre Desplat

Montagem William Goldenberg

Casting Nina Gold

Produção Black Bear Pictures, Bristol Automotive.

Cor, 114 min

****

6 Comentários

  1. Senhorita
    Postado em 25 setembro 2016 às 11:48 pm | Permalink

    Perfeitos.
    O filme. O Benedict. Esse texto.
    Brilhante. 4 estrelas ****

  2. Jussara
    Postado em 26 setembro 2016 às 12:00 am | Permalink

    Benedict Cumberbatch: <3. Só ele pra me fazer ver um filme com a sonsa da Keira Knightley.

  3. Carla
    Postado em 26 setembro 2016 às 4:19 pm | Permalink

    Tive uma feliz surpresa em ver esse filme resenhado aqui. Vi o filme faz talvez uns três meses e não tive ninguém com quem comenta-lo. Belíssimo, belíssimo, belíssimo…
    Resenha estupenda, para um filme que mais que o merece. Ah! Eu também vi Meu Passado Me Condena com Dirk Bogarde. Infelizmente acho que a biografia de Turing não saiu em português (se o filme tivesse ganhado 10 oscars, talvez). E meu inglês não é suficientemente bom.

  4. Marinete Veloso
    Postado em 26 setembro 2016 às 9:32 pm | Permalink

    Excelente análise. Já li muito sobre o Turing, personagem fascinante, mas perdi o filme.
    Ler seu texto me aguçou ainda mais a vontade de ver o filme. Vou atrás… Parabéns e obrigada por seu magnífico trabalho!!!

  5. Jussara
    Postado em 20 novembro 2016 às 8:24 pm | Permalink

    Agora vamos ao meu comentário pra valer, que uma linha apenas nem pode ser considerada como tal.
    Toda vez que vejo histórias reais sobre esses gênios, fico me sentindo a mosca do cocô do cavalo etc. E por isso mesmo, relevo a aparente arrogância do personagem; se uma pessoa com inteligência acima da média já sofre preconceito, se sente deslocada e incompreendida, imagina alguém com um cérebro daquele? Até por isso acho que ele não tinha tato social: por ter sofrido bullying na adolescência, o ataque passou a ser sua defesa. E mais, tudo bem uma pessoa com tamanha inteligência se achar, né? Se eu tivesse 1% daquela inteligência, me acharia também, e não seria pouco.

    O que não faz a obsessão de uma pessoa quando mal direcionada? O tal detetive Robert Nock foi até o fim, tentando investigar algo que não tinha nada a ver com o que ele suspeitava, pra no final descobrir apenas que Turing era gay. De alguma forma essa obsessão me fez lembrar de “Os Miseráveis”. E que pena que ele simplesmente não tenha deixado pra lá; presumo que teve que seguir as leis da época, ou não tinha boas intenções. Ao mesmo tempo, é maravilhoso ver tamanha inteligência e genialidade direcionadas ao bem. Ainda assim, quantos anos foram necessários para o desenvolvimento da máquina e quantos milhões não foram dizimados pelos nazistas enquanto ela não ficava pronta? O mal parece estar sempre alguns passos à frente, pelo menos aqui na Terra.

    Como fã e órfã de “Downton Abbey” fiquei contente em ver dois dos atores da série no filme, ainda que Matthew Goode tenha entrado só na última temporada. Como enfearam Cumberbatch, os dois acabam sendo colírio para os olhos. (Impossível não notar como Allen Leech está cada vez mais rechonchudo. Acho que desde a 4ª temporada ele já aparece bem gordinho na série. E por que estou falando isso? Porque se fosse uma atriz, a “mídia” já teria caído de pau, pois segundo a sociedade homens podem ser gordos e barrigudos, mas as mulheres não. E não precisa nem ser famosa pra sofrer a ditadura da magreza).
    E já que convidaram dois atores da série para o filme, podiam ter chamado uma das ótimas atrizes também (com exceção da que fazia a lady Mary, a mais fraca em todas as temporadas), já que qualquer uma seria melhor que Keira Knightley, que só sabe fazer as mesmas caras e bicos (bicos mesmo no caso dela, e não bocas). Quantas vezes uma atriz excelente não deixa de ser escalada para um papel, só por não ser tão famosa quanto outra não tão boa, mas com um rostinho dentro do padrão?

    É tristíssimo saber que a lei medieval homofóbica, como você bem diz, fez com que Alan Turing cometesse suicídio. Uma grande e lamentável perda. Talvez o fato de ele levar uma vida sexual meio às escondidas (pelo que o filme mostra, nem havia sexo de fato) tenha colaborado para as suspeitas sem fundamento. É impossível mesmo não fazer ligação com “Meu passado Me Condena”, os encontros às escuras do personagem principal, e tudo o mais.

    Também sou admiradora da cultura britânica, e concordo com o que você falou sobre as manchas da Inglaterra tanto em relação à violência contra as mulheres que lutaram pelo direito ao voto, como sobre essa lei homofóbica retrógrada. E não engulo o tal perdão da rainha, pois com isso continuam afirmando que o homossexualismo era errado. Como se fosse preciso perdoar alguém por algo que não é crime, e que só foi considerado crime à época, por obscurantismo. Ainda assim, o perdão só saiu depois de vários pedidos, não foi aceito nas primeiras vezes. “Em 2012, onze cientistas britânicos, entre eles Stephen Hawking, solicitaram o perdão real, mas não foram atendidos.” Quem devia pedir perdão era ela, por ter condenado pessoas inocentes à morte. Andaram pra frente, pero no mucho.

    P.S.: Sérgio, não há divergência na idade dele, não. Se ele nasceu em 1912 e faleceu em 1954, estava com 41 anos. Morreu 16 dias antes de completar 42. Há um erro de digitação na data: em vez de 1954, você digitou 1944, no parágrafo anterior ao em que você fala da divergência.
    Falando em divergência, há controvérsias sobre as circunstâncias de sua morte; alguns biógrafos e estudiosos dizem que pode ter sido intoxicação, e que a investigação foi mal conduzida.
    Tirei do site da BBC News:
    “The exact circumstances of Turing’s death will probably always be unclear,” Prof Copeland concludes.
    “Perhaps we should just shrug our shoulders, and focus on Turing’s life and extraordinary work.”

  6. Sérgio Vaz
    Postado em 21 novembro 2016 às 1:55 am | Permalink

    Jussara, maravilha de comentário, como sempre.
    Muito obrigado por esclarecer a questão da idade dele, e por me chamar a atenção para o erro de digitação da data da morte.
    Um abraço!
    Sérgio

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