Audazes e Malditos / Sergeant Rutlegde

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Nota: ★★★½

Sergeant Rutledge, no Brasil Audazes e Malditos, é um grande western, um filmaço, uma obra de arte importante. Lançado em 1960, o filme do mestre John Ford discute com um vigor e uma clareza impensáveis à época a grande chaga do racismo.

Tenho a impressão de que o filme não teve quando foi lançado todo o reconhecimento que merece. Talvez até porque estivesse à frente do tempo, porque tivesse parecido muito chocante à época. Admito que posso estar completamente errado: como sempre faço, só vou consultar os alfarrábios depois que escrever um pouco aqui, para começar a anotação sem ter sido influenciado por outras opiniões.

Não me lembro de que Sergeant Rutledge tenha sido colocado entre as mais estupendas obras de John Ford, como é o caso, só para dar exemplos de westerns, de No Tempo das Diligências/Stagecoach (1939), Rastros de Ódio/The Searchers (1956) e O Homem Que Matou o Facínora/The Man Who Shot Liberty Valence (1962). Claro, é preciso lembrar que, entre os mais de 140 filmes dirigidos por John Ford, são muitas, muitas as obras estupendas.

Sergeant Rutledge tem uma das tramas mais ricas de todos os westerns que já vi. Em geral, as tramas dos westerns são bem simples, retilíneas. Claro que há muitas exceções, mas é possível afirmar que a maioria não tem tramas muito complexas, cheias de zonas cinzentas, de matizes, de detalhes importantes, de diferentes histórias que se cruzam e se entrelaçam – o que é o caso da trama aqui, criada por James Warner Bellah. Este, o autor do livro, assina também o roteiro do filme, juntamente com Willis Goldbeck.

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Boa parte deste western se passa num tribunal militar

É um western, com todas as características de um western, com muitos tiros, ataques de índios – mas é também um filme de tribunal. Boa parte dos 111 minutos de duração se passa num tribunal, uma corte marcial do Exército americano no Sudoeste do país, em 1881, poucos anos portanto após a derrota dos Estados confederados do Sul na Guerra Civil de 1861-1865. São feitas várias referências à guerra recente, iniciada com a rebelião dos Estados sulistas contra a decisão do governo da União de acabar com a escravidão.

Quem está sendo julgado é um primeiro sargento da Cavalaria da União, um veterano, um homem considerado até então um perfeito soldado, um grande lutador, o sargento Rutledge do título – um homem negro, algo não muito comum no Exército da época. Mas aquela companhia específica da Cavalaria, estacionada no Arizona, era uma exceção, e tinha vários negros, e todos eles, assim como os brancos, respeitavam e admiravam o sargento Rutledge.

Para total surpresa de todos no regimento, no entanto, Rutledge havia se tornado o único suspeito de um crime duplo e absolutamente brutal. O major Debney, comandante do forte Linton, e sua filhinha de uns 15, 16 anos, haviam sido encontrados mortos na sala de sua casa; a garotinha, Lucy Dabney (Toby Michaels), havia sido estuprada, e o assassino havia retirado com violência a correntinha de ouro com o crucifixo que ela usava sempre, deixando marcas no pescoço.

Rutledge foi visto entrando e saindo da casa do comandante perto da hora do crime. E pior: logo após o crime, havia fugido, desaparecido do forte.

O espectador levará um pouco de tempo para saber que o crime de que ele é acusado é este – o de matar seu oficial superior e estuprar e assassinar a filha dele. Nas primeiras sequências, vemos a chegada ao quartel-general em que haverá a corte marcial do tenente Tom Cantrell (o papel de Jeffrey Hunter), que atuará na defesa do acusado. Vemos que o julgamento atraiu para a sala em que funcionará a corte marcial todas as mulheres dos oficiais da região, vestidas com suas roupas domingueiras, e também diversos civis da região – todos absolutamente certos de que o assassino negro tem que ser condenado à forca.

E ficamos sabendo que o crime envolveu tema difícil, delicado, polêmico, que não deveria ser discutido em frente de mulheres – rapidamente, pouco depois do início do julgamento, o presidente do júri militar, o coronel Otis Fosgate (Willis Bouchey), de fato ordenará que toda a audiência seja retirada da sala.

A única mulher autorizada a permanecer na sala é Mary Beecher (Constance Towers), uma jovem que foi arrolada como testemunha de defesa pelo tenente Cantrell.

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O espectador bate o olho no ator que representa o sargento e sabe que ele é inocente

Quando o réu é levado para a sala do tribunal – o filme está aí com uns 10 minutos –, o espectador não tem dúvidas: aquele homem é inocente.

O primeiro-sargento Braxton Rutledge é interpretado por Woody Strode (1914-1994), e Woody Strode era um monumento.

É uma figura em tudo por tudo imponente, bela, forte, firme, orgulhosa. Um monumento.

Não era à toa que Woody Strode tinha aquele físico perfeito, admirável, de estátua grega. Nascido em Los Angeles, tinha sido um astro no esporte, tanto no declato quanto no futebol americano. Aos 25 anos, em 1939, tinha tido sua primeira experiência no cinema: apareceu como figurante, um sujeito num bar, numa sequência de No Tempo das Diligências, a obra-prima do mestre Ford que, entre outros feitos, transformou John Wayne em astro.

Na superprodução Os Dez Mandamentos (1956), de Cecil B. de Mille, interpretou o rei da Etiópia. Em 1960, o mesmo ano de Audazes e Malditos, teve um papel importante em outra superprodução, esta com a assinatura de Stanley Kubrick: em Spartacus, Woody Strode faz um escravo africano que é posto no circo para enfrentar, numa luta de vida ou morte, o protagonista da história, Spartacus, o papel de Kirk Douglas. Em 1962, John Ford o escalaria para fazer o papel de Pompey, o fiel escudeiro de Tom Doniphon-John Wayne em O Homem Que Matou o Facínora.

Tendo ou não conhecido Woody Strode antes, o espectador bate os olhos naquele homem entrando no tribunal com a farda da Cavalaria e sabe que ele é inocente.

Só o próprio sargento Rutledge, o tenente Cantrell e o espectador têm certeza disso. Todas demais as pessoas no tribunal têm absoluta certeza de que aquele homem havia jogado fora seu currículo perfeito e assassinado o comandante e sua filhinha.

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Uma bela trama, contada em flashbacks muito bem montados

Esse, acho, é um dos pontos altos deste filme cheio de pontos altos: Rutledge é apresentado ao espectador de tal maneira que ele de imediato fica certo da inocência do réu.

A primeira testemunha a ser ouvida é a jovem Mary Beecher.

Toda a narrativa é estruturada desta maneira: vamos tomando conhecimento, ali, no tribunal, através do que contam as testemunhas, dos fatos que antecederam e que se seguiram ao crime. Quando cada testemunha começa a prestar depoimento, temos um flashback.

John Ford é homem da narrativa limpa, pura, escorreita. Clássica. John Ford é o clássico dos clássicos. Nunca foi de invencionices, frescuras formais, fogos de artifício.

Aqui, no entanto, ele permitiu que seu diretor de fotografia William H. Clothier criasse um pequeno efeito, um pequeno detalhe: quando a câmara focaliza a pessoa que está no banco das testemunhas, e ela vai começar a narrar os fatos, a tela vai escurecendo.

É como se a câmara estivesse se aproximando da cabeça da testemunha, como se fosse penetrar no território recôndito da memória dela.

Mary Beecher está no banco de testemunhas, fez o juramento segurando a Bíblia, e a tela vai escurecendo – para surgir então o flashback em que ela vai expor sua versão dos fatos.

É outra boa sacada dos roteiristas: fica parecendo que o crime de que o sargento Rutledge está sendo acusado tem a ver com aquela jovem. Até porque o ardiloso, astuto e mal intencionado promotor do caso, o capitão Shattuck (Carleton Young), vai interrogando Mary até o momento em que ela conta que, ao chegar do Leste numa estação perdida no meio do nada, onde esperava ser recebida por seu pai, foi presa e dominada por aquele gigante negro, que tapou sua boca com a mãozorra e a ordenou que ficasse quieta.

É de fato uma bela sacada: claro que o espectador imagina que o crime fosse o estupro de Mary. Mas não é. Exatamente qual é o crime de que Rutledge está sendo acusado, o espectador só saberá um pouco mais tarde, com o depoimento de mais uma testemunha, a terceira, o médico do Forte Linton, Walter Eckner (Charles Seel).

O médico conta que, depois de examinar os corpos das vítimas, deu ordem para que nada fosse mexido, e foi então se encontrar com o tenente Cantrell, na estação ferroviária, para que, juntos, voltassem a examinar a cena do crime.

A segunda testemunha a depor havia sido a mulher do coronel Fosgate, exatamente o juiz presidente daquela corte marcial. A sra. Cordelia Fosgate contou do último momento em que havia visto a garotinha Lucy Dabney viva, em companhia do sargento Rutledge, no armazém do local, pertencente ao sr. Hubble (Fred Libby). Na noite daquele mesmo dia, ela havia ouvido dois tiros, e, pela janela de sua casa, tinha visto o sargento Rutledge sair da casa do major Dabney, ferido; o sargento havia montado em seu cavalo e desaparecido.

Naquela mesma noite, ferido na barriga, Rutledge haveria de se encontrar na estação ferroviária com Mary Beecher, que chegava de volta de uma longa temporada no Leste.

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Meio western, meio filme de tribunal, Sergeant Rutledge tem o ritmo de thriller

Tanto a mulher do coronel quanto o médico do lugar dão depoimentos que incriminam direta e inequivocamente Rutledge. E fica absolutamente claro o imenso preconceito racial. Tipo aquela coisa: ah, tinha boa fama, era respeitado, mas é negro, então, se não fez besteira na entrada, fará na saída.

É a atitude de várias pessoas daquela comunidade. É a atitude do ardiloso promotor, que ficará escancarada num diálogo bem construído – e apavorante, quase ao final da narrativa.

A questão da cor da pele está presente o tempo todo. A mulher do coronel demonstra profundo racismo o tempo todo – mas é apenas o exemplo mais gritante do preconceito.

Os outros negros do destacamento, que tinham Rutledge como herói, ficam absolutamente desorientados com o volume de indícios que o apontam como o criminoso.

A trama é envolvente, e não permite que o espectador fique desatento por um segundo. Quando as testemunhas vão contando os fatos que vieram logo após o momento do assassinato do major e da filha, surge o enfrentamento com um grupo de apaches rebeldes, e novos e imprevisíveis acontecimentos. Meio western, meio filme de tribunal, Sergeant Rutledge tem um ritmo de bom thriller.

É uma beleza de filme. Tem, na minha opinião, apenas um defeito. É algo um tanto constante nos filmes de John Ford: ele sempre gosta de colocar elementos bem humorados, engraçados, um tanto bobos, tolos, no meio das histórias. Em Rastros de Ódio, por exemplo, há isso, em especial nas sequências com a personagem de Vera Miles. Aqui, mestre Ford exibe elementos humorísticos ao longo de toda a narrativa. A tal sra. Cordelia Fosgate é uma pândega, e as discussões dela com o marido que preside a corte marcial, no meio da corte marcial, pretendem fazer o espectador rir, e podem fazer muito espectador rir. Eu, euzinho, acho apenas ridículo – e fora de lugar, fora de contexto. No meio de uma trama séria, pesada, tensa, densa, que discute preconceito racial e o perigo de se chegar uma sentença errada baseada em indícios, não em provas, evidências, as piadinhas de fato me parecem grotescas.

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Jeffrey Hunter morreu bem jovem. Constance Towers continua na ativa

Vamos a alguns fatos e a outras opiniões.

John Ford gostava de Jeffrey Hunter, esse ator de bela estampa e olhos de um azul faiscante. Ele parecia ter bem menos do que seus 31 anos quando fez Rastros de Ódio (1956) – é o segundo ator mais importante do filme, participando o tempo todo, ao lado do personagem de John Wayne, da incansável caçada ao grupo de índios que havia atacado sua família. Em 1958, esteve ao lado de Spencer Tracy em um filme absolutamente político de Ford, O Último Hurrah.

Um ano depois deste Sergeant Rutledge, Jeffrey Hunter faria o papel de Jesus Cristo na superprodução bíblica do grande Nicholas Ray, O Rei dos Reis. Morreria em 1969, prematurissimamente, aos 42 anos.

John Ford era um diretor que teve diversas grandes e belíssimas estrelas em seus filmes, como Maureen O’Hara, por exemplo. Para o principal papel feminino deste filme aqui, um papel importante, fundamental, o de Mary Beecher, escolheu uma atriz que nunca chegou propriamente a ser uma estrela. Mas é uma boa atriz, essa Constance Towers – e ela, bem diferentemente de Jeffrey Hunter, continua firme agora, 2016, trabalhando em série de TV e em filmes. No entanto, não me lembro dela em nenhum outro filme.

“Toda a maestria e o talento de John Ford”, diz o Larousse des Films

Leonard Maltin dá 3 estrelas em 4: “Cativante, surpreendente história de um oficial negro da Cavalaria sendo julgado por estupro e assassinato; sua história é dividida em flashbacks durante sua corte marcial. Assunto pouco usual para seu tempo, apresentado solidamente por Ford (com algumas aliviadas cômicas ocasionais desconfortáveis). Strode está imponente no papel central.”

Hum… Fascinante que Maltin tenha tido a mesma sensação que eu com os trechos cômicos. De fato, eles são awkward, que é o adjetivo que ele usa. Adoro a palavra awkward: ela transmite exatamente o que significa – desconfortável, inadequado, desajeitado, inábil, embaraçoso, constrangedor.

O segundo ponto em que concordamos, creio que é unânime entre todos os que viram o filme: Woody Strode está de fato imponente, e John Ford, ao fazer a elegia da sua figura forte, gigantesca, monumental, se prova mais uma vez, além de um grande artista, um grande homem.

O Cinemania, fantástico CD-ROM lançado pela Microsoft na segunda metade dos anos 90, não traz os comentários de Roger Ebert nem de Pauline Kael sobre o filme, o que é um indício de que talvez eu estivesse certo quando disse, na abertura, que este é um filme menos reconhecido do que deveria.

Le Petit Larousse des Films elogia, mas com poucas palavras e um erro: “Durante a Guerra da Secessão (sic), o processo de um sargento negro acusado de violação e morte. Toda a maestria e o talento de John Ford.”

Não é durante a Guerra da Secessão; como já foi dito aqui, a ação se passa em 1881, exatos 16 anos após o fim da guerra. O filme faz diversas referências aos conflitos – e de forma simpática ao Sul. Enquanto está prestando depoimento, a sra. Cordelia faz referência a uma peça de louça fina que seu marido, o coronel Fosgate, roubou quando os aliados queimaram Atlanta.

O grande incêndio de Atlanta durante a Guerra da Secessão foi reconstituído pelo produtor David O. Selznick em … E o Vento Levou, outro filme que é claramente pró-Sul. É impressionante como Hollywood sempre teve imensa simpatia pelo Sul derrotado – o Sul escravagista, retrógrado, que se recusava a imaginar um mundo sem segregação racial e sem servos eternos.

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“Ford analisa sem complacência o racismo ignóbil de certos brancos”

O Guide des Films do mestre Jean Tulard traz um verbete bastante amplo sobre Le Sergent Noir, e dá ao filme 3 estrelas. Esse fabuloso guia, sempre é bom lembrar, dá cotações para poucos filmes – a imensa maioria não merece ser cotado com estrelinhas. Quando dá 3 estrelas, é porque considera que é uma obra especial.

Depois de uma sinopse incomumente detalhada, o Guide faz a seguinte avaliação (vai ser aspas para me desobrigar de ser literal):

Pela primeira vez na obra de Ford, um dos dois heróis é um negro, que vai afirmar os direitos da linguagem verdadeira e o orgulho de seu povo. Ele representa o respeito e a dedicação. O fantástico ator W. Strode dirá mais tarde: “Nunca fiz algo que se igualasse a este filme. Quanta dignidade! J. Ford colocou palavras soberbas na minha boca”. O momento mais intenso é aquele em que afirma sua lealdade, com grandeza e paixão: “A 9ª Cavalaria é meu lar, minha liberdade e minha honra. Se eu desertasse, eu não seria mais que um negro sujo, o que eu não sou. Vocês entendem? Eu sou um homem!”

E o Guide prossegue:

Seus propósitos serão defendidos por Cantrel, que é um homem que cumpre seu dever. Aquilo que é o ponto culminante de Young Mr. Lincoln é aqui o fio condutor: o julgamento. Este faz aparecer emoções complexas, onde a decência e a lealdade são ameaçadas pela violência e pelo medo. Ford analisa sem complacência os pavores, as hipocrisias e o racismo ignóbil de certos brancos. Diversas cenas mostram que Ford se inflamou com sua história. São cenas que se animam com calor, nervosismo e vibram com uma profunda convicção. Quanto às tomadas externas, são de uma beleza de tirar o fôlego e de um lirismo intenso.

Ah, que maravilha que o Guide des Films reconhece a beleza e a importância do filme!

Depois desse texto do Guide de Tulard, não há mais nada a dizer. The Defense rests.

Anotação em julho de 2016

Audazes e Malditos/Sergeant Rutlegde

De John Ford, EUA, 1960

Com Jeffrey Hunter (tenente Tom Cantrell), Woody Strode (1º sargento Braxton Rutledge), Constance Towers (Mary Beecher), Juano Hernandez (sargento Matthew Luke Skidmore), Willis Bouchey (coronel Otis Fosgate), Carleton Young (capitão Shattuck), Judson Pratt (tenente Mulqueen), Billie Burke (Mrs. Cordelia Fosgate), Toby Michaels (Lucy Dabney), Charles Seel (Dr. Walter Eckner), Fred Libby (Chandler Hubble), Ed Shaw (Chris Hubble)

Roteiro James Warner Bellah e Willis Goldbeck

Baseado no livro de James Warner Bellah

Fotografia William H. Clothier

Música Cyril Mockridge

Montagem Otho Lovering

Figurinos Edith Head e Ron Talsky

Produção Warner Bros. DVD Versátil.

Cor, 111 min

R, ***1/2

Título em Portugal: O Sargento Negro. Na França: Le Sergent Noir.

2 Comentários

  1. Senhorita
    Postado em 15 novembro 2016 às 12:48 pm | Permalink

    A perfeição do seu texto faz jus à perfeição do filme, à perfeição de John Ford, à perfeição de Jeffrey Hunter, uma das mortes mais estúpidas e precoces do cinema.
    A Constance Towers fez “Shock Corridor” do Samuel Fuller. Acho que foi o papel mais importante da carreira dela.

  2. Postado em 16 novembro 2016 às 2:42 pm | Permalink

    Excelente texto! É um dos meus fordianos favoritos. John Ford costuma surpreender. É uma obra revisionista, típica das produções dirigidas pelo mestre nos anos 60. Em Audazes e Malditos, Ford nos dá uma história voltada para acusar o preconceito e aproveita pra alfinetar a América imersa na segregação racial do Sul e na luta pelos direitos civis. Em 1964, através de Cheyenne Autumn ele revisitaria o Monument Valley para trazer uma visão mais honesta em relação dos índios, um mea culpa pela forma como os nativos foram tratados nas suas obras anteriores. Um abraço!

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