A Lista de Adrian Messenger / The List of Adrian Messenger

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Nota: ★★★☆

O próprio John Huston dizia não ter um estilo, um jeito específico seu de fazer filmes, já que fazia filmes de todos os estilos, todos os jeitos, todos os gêneros. É bem verdade – talvez. Ou em parte.

Ao rever agora, após dezenas de anos, A Lista de Adrian Messenger (1963), fiquei pensando que é John Huston puro. Que só John Huston faria esse filme do jeito que ele fez.

É a história de um criminoso que, no total, mata umas 180 pessoas. No entanto, mais do que apavorar, espantar, o filme nos diverte. Talvez exatamente porque a trama seja por demais implausível, fora da realidade – é uma fantasia, um conto de bruxas, se é que podemos usar uma expressão assim. Não tem nada a ver com o mundo real. É tudo produto de uma imaginação feérica.

Mas seguramente em boa parte porque John Huston transforma a história implausível, distante do mundo real feito o capeta da cruz, em uma grande aventura.

John Huston era o cineasta da aventura por excelência. O que então desmente a informação inicial de que ele não tinha estilo.

Pois é. É assim mesmo. John Huston se divertia fazendo filmes. Claro, seus filmes divertiam – e ainda divertem as audiências. Mas creio que ele fazia seus filmes mais para sua própria diversão do que por qualquer outra coisa.

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Grandes astros aparecem irreconhecíveis, com máscaras

A Lista de Adrian Messenger é também uma ode, uma elegia a um tipo específico de profissional: o maquiador. Não o maquiador que faz o trabalho mais simples de passar pós no rosto dos atores, mas o que cria caras novas, que não têm nada a ver com a cara de verdade dos atores. O do tipo de Jack P. Pierce, nascido Janus Piccoulas na cidade de Valdetsyou, na Grécia, em 1889, que o IMDb descreve como “o genial artista da maquiagem, o lendário fazedor de monstros que trabalhou nos anos 1930 e 1940 nos estúdios da Universal durante seu período clássico de horror”. Entre outros feitos, Jack P. Pierce criou o rosto do Monstro que Boris Karloff interpretou no clássico Frankenstein de 1931 e depois em mais dois filmes – e que se transformou na imagem definitiva da criatura.

No filme de John Huston, cinco grandes atores, dos maiores do cinema americano daquela época, aparecem absolutamente irreconhecíveis embaixo de máscaras criadas por um gênio da estirpe de Jack P. Pierce, chamado Bud Westmore (1918-1973).

Burt Lancaster, Tony Curtis, Robert Mitchum e Frank Sinatra têm participações especiais no filme – fazem pequenos papéis, nada fundamentais para o desenvolvimento da trama, mas que chamam bastante a atenção. Não dá para reconhecê-los, de forma alguma.

E então John Huston e esses grandes atores – graças ao trabalho do artista da maquilagem Bud Westomore – se divertem e divertem o respeitável público. A narrativa termina, aparece o letreiro “The End” – mas um letreiro diz: “Mas o mistério não terminou”. E então, um a um, diante da câmara do diretor de fotografia Joseph MacDonald, Burt Lancaster, Tony Curtis, Robert Mitchum e Frank Sinatra vão retirando a máscara, os enchimentos, a cola que fica grudada no rosto, e aí sorriem zombeteiramente, alegremente.

O quinto ator que aparece absolutamente irreconhecível no filme é Kirk Douglas – mas o caso dele é bem diferente dos quatro colegas, que se divertiram aparecendo cada um em apenas algumas poucas sequências. Kirk Douglas faz um personagem importantíssimo na história: o assassino.

Sim, porque A Lista de Adrian Messenger é daquele tipo de filme policial, de crime, de mistério, que revela logo de cara quem é o assassino.

E Kirk Douglas não tem apenas um disfarce, uma aparência, e sim três diferentes máscaras, aparências, personificações. Como há também sequências em que aparece de cara limpa, com cara de Kirk Douglas, temos aí que o ator faz como se fossem quatro papéis diferentes – embora na verdade seja uma pessoa só, um assassino camaleão, um criminoso de muitas caras.

Penso aqui agora que John Huston e Kirk Douglas, em 1963, se anteciparam a Stanley Kubrick e Peter Sellers – em 1964, o ator inglês faria três papéis diferentes em Dr. Fantástico/Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb, com outro magnífico trabalho desse tipo de profissional normalmente não tão valorizado, o make up artist, ou make up designer, como é chamado nos créditos. A coincidência fantástica é que nesses dois filmes, o de Huston e o de Kubrick, o grande ator George C. Scott tem papéis bastante importantes.

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O assassino tem uma lista de nomes dos homens que ele mata

O filme abre mostrando como um homem de meia-idade, bem vestido, com bom terno e sobretudo, prepara o assassinato de um outro de tal maneira que pareça um acidente. O assassino – cujo rosto vemos em close-up, um rosto de alguém que o mais assíduo frequentador de cinema em 1963 não reconheceria – prepara uma armadilha no elevador do prédio em que a vítima mora. No momento em que as luzes do apartamento da vítima, no último andar, são apagadas – e o assassino já sabia que a vítima estaria saindo de casa àquela hora –, ele vai até prédio, usa um livro de capa-dura para segurar a porta, desce até o subsolo, mexe na caixa de controle do elevador.

A câmara mostra o elevador caindo direto do último andar do prédio até o fosso, enquanto ouvimos um grito de pavor.

Na rua, o assassino saca uma folha de papel com uma lista de nomes, a maior parte deles já riscada, e risca o nome de John M. Devitt. O único nome que ainda falta riscar é o de Adrian Messenger.

O nome Adrian Messenger é retirado da folha de papel, é destacado na tela, e temos então o título – The List of Adrian Messenger.

Começam os créditos iniciais.

Não é para levar a sério, certo? Não tem nada a ver com a realidade – é fantasia, é brincadeira, é aventura.

Nenhum assassino do mundo retiraria do bolso uma lista de pessoas já assassinadas para riscar a vítima mais recente.

Da mesma forma com que nenhum assassino do mundo seria tão esperto, tão engenhoso, tão perfeito como esse interpretado por Kirk Douglas com quatro caras diferentes.

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Um religioso chega de bicicleta a uma propriedade de nobres ingleses

Nos créditos iniciais, vemos alguns rostos de atores que não conseguimos identificar – mais os nomes, em destaque, dos cinco atores que aparecem no filme irreconhecíveis, embaixo das máscaras criadas por Bud Westmore. Para realçar o clima de brincadeira, a tela se enche também de pontos de interrogação, enquanto vão aparecendo os nomes dos cinco e os rostos irreconhecíveis. Quem é quem? – é a piada óbvia.

Só depois que somem da tela os tais rostos mascarados é que surgem os nomes dos atores que aparecerão sem máscaras – George C. Scott, Dana Wynter, Clive Brook…

O nome de Bud Westmore aparece com o merecido destaque: “Make up created by Bud Westmore”.

O roteiro é de Anthony Veiller, com base numa história de Philip MacDonald.

E, quando terminam os créditos finais, vemos um religioso, de terno e aquele colarinho que identifica de longe um ministro protestante, andando de bicicleta num campo inglês. De novo, tem um rosto que nenhum fã de filmes americanos dos anos 60 reconheceria – e a câmara o mostra em close-up, no momento em que ele pára a bicicleta para observar, ao longe, uma daquelas gigantescas mansões do campo inglês, como Downton Abbey. Essa que ele e os espectadores estão vendo se chama Gleneyre, “o lar ancestral da família Bruttenholm”. Sabemos disso porque o religioso abre um livro sobre as grandes propriedades dos aristocratas ingleses, bem na frente da câmara, algo que, de novo, não seria de se esperar se estivéssemos diante de uma narrativa realista.

Como acontecia de verdade no campo inglês, como acontece em tantos filmes sobre aristocratas e milionários ingleses, como acontece em Downton Abbey, haverá então uma grande caçada à raposa. John Huston contou sobre as sequências da caçada em sua autobiografia, e mais tarde vou transcrever sua narrativa.

Neste momento da caçada, o espectador será apresentado aos atuais ocupantes do lar ancestral da família Bruttenholm. O patriarca, o atual marquês de Gleneyere, é interpretado por Clive Brook. Sua nora, Lady Jocelyn Bruttenholm, é o papel de Dana Wynter (na foto acima). Lady Jocelyn ficou viúva: o filho do marquês morreu na Segunda Guerra. O neto do marquês e herdeiro de toda a fortuna, Derek, um garoto aí de uns dez anos, é idêntico ao avó – e é interpretado por Tony Huston. Ou Walter Anthony Huston, como está grafado nos documentos dele e também nos créditos iniciais – sendo o Walter, evidentemente, uma homenagem ao avô, o pai do diretor John, o grande ator Walter Huston (1883-1950).

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Para matar Adrian Messenger, o assassino faz explodir um avião

Hospedados na mansão, e participando da caçada, estão Adrian Messenger (John Merivale) e seu grande amigo Anthony Gethryn (o papel de George C. Scott).

Adrian Messenger é primo de Lady Jocelyn. Anthony Gethryn foi um alto oficial nos serviços britânicos de inteligência; apesar de jovem – estaria aí com uns 50 anos –, já está aposentado, embora mantenha amizade e proximidade com altos figurões do governo.

Após a caçada, Adrian tem uma conversa séria com o amigo. Pergunta se ele poderia fazer um favor – e, diante da resposta positiva, entrega a Anthony uma lista de 11 nomes – entre os quais o dele mesmo – e pede que ele investigue o que há de comum entre aquelas pessoas. Ele mesmo, Adrian, não vai nem sequer dizer qual é a sua suspeita, por ser tão absolutamente absurda.

Algum tempo depois, Adrian Messenger viaja para o Canadá. Na fila do aeroporto para o check in do mesmo vôo está também aquele clérigo que havíamos visto observando a caçada à raposa. Vemos que a mala dele é despachada. Ele mesmo, no entanto, não embarca no avião. Em vez disso, vai até o banheiro, e está lá, retirando a máscara que usava, e revelando o rosto de Kirk Douglas, enquanto dos alto-falantes saem os pedidos para que ele se apresente – é a última chamada.

O avião levanta vôo, viaja um tanto sobre o Oceano Atlântico – e explode.

Estamos então com uns 15 minutos de filme, e já ficamos sabendo que o assassino é o personagem interpretado por Kirk Douglas.

O mistério é: quem é ele, e por que mata as pessoas daquela lista. Por que raios é tão absolutamente cruel que é capaz de, para matar Adrian Messenger, matar também mais cento e tantas pessoas que não tinham absolutamente nada a ver com nada.

Anthony Gethryn é bom de serviço. Com a ajuda de amigos nos serviços de inteligência e na polícia, rapidamente fica sabendo que 10 homens da lista de 11 deixada por Adrian Messenger morreram nos últimos dois anos, em diversas partes do Reino Unido, todos em mortes aparentemente acidentais.

Nas investigações que fará a seguir, Anthony terá a ajuda de Raoul Le Borg (o papel de Jacques Roux), um francês que lutara contra os nazistas na Segunda Guerra, e que ele conhecia via rádio-amador. Raoul tinha estado no avião acidentado, fora um dos pouquíssimos sobreviventes e estivera com Adrien Messenger enquanto os dois flutuavam no meio do Oceano Atlântico apoiando-se em destroços. Antes de morrer devido aos ferimentos, Adrien falara algumas palavras que pareceram um tanto desconexa, mas que Raoul, mesmo também ferido, conseguira decorar com precisão.

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Tudo é implausível, improvável, impossível. Não tem nada a ver com a realidade

Não tem sentido revelar mais nada do que virá a partir daí, claro. Seria spoiler. Vem muita coisa, muitas surpresas, muitas revelações.

É uma trama bem urdida, bem bolada: tudo se encaixa, não há propriamente furos. O que há é que é tudo implausível, improvável, impossível. Repito, insisto: não se roça sequer a realidade. É tudo artificial – é uma história policial, uma história de mistério, um jogo, um quebra-cabeça, uma brincadeira criada por uma mente imaginativa.

A mente de Philip MacDonald. Romancista inglês, nascido em Londres em 1901, morto em 1980, foi também roteirista: está entre os que assinaram a adaptação do romance de Daphne Du Maurier para o cinema que resultou em Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940), de Alfred Hitchcock. Publicou 23 novelas policiais – a penúltima delas, de 1959, foi The List of Adrian Messenger.

O roteirista Anthony Veiller era da mesma geração do autor do livro: nasceu em 1903, em Nova York (morreria em 1965). Sua filmografia inclui 44 filmes como roteirista. Já havia escrito o roteiro de um filme de John Huston, Moulin Rouge (1952), e voltaria em seguida a trabalhar com o diretor escrevendo junto com ele o roteiro de A Noite do Iguana (1964), baseado em peça de Tennessee Williams.

O texto sobre o filme no livro The Universal Story começa, muito justificadamente, falando do trabalho do maquilador Bud Westmore:

“O homem da maquilagem Bud Westmore fez um trabalho absolutamente maravilhoso de disfarçar os rostos bem conhecidos de Tony Curtis, Kirk Douglas, Burt Lancaster, Robert Mitchum e Frank Sinatra em The List of Adrian Messenger, elegantemente dirigido por John Huston, que deve ter sido o único diretor na História do cinema a ter seis dos maiores astros masculinos de seu tempo à sua disposição e no entanto estava preparado para fazer segredo disso. Foi uma sacada que prejudicou o conteúdo narrativo do filme, e provou ser mais um entrave do que uma ajuda.”

Cada um tem direito à sua opinião, é claro, é óbvio, e é bem possível que essa tenha sido a opinião de muitos críticos na época. Mas não concordo, de forma alguma. As participações especiais dos grandes astros não atrapalham em nada a narrativa – só amplia aquela sensação de que tudo é uma grande diversão, uma aventura alegre que não quer saber de verossimilhança, realismo.

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John Huston fala mais de cavalos do que sobre o filme em si

Leonard Maltin deu 3 estrelas em 4 ao filme: “Bom filme de mistério e assassinatos tem uma sacada: Curtis, Douglas, Lancaster, Mitchum e Sinatra aparecem pesadamente disfarçados. Não era necessário ter tanto trabalho: o mistério é bom por si. O filho do diretor, Tony (creditado como Anthony Walter Huston) faz o papel do filho de Wynter. Filmado na Irlanda.”

Sim: Dana Wynter. Não me lembrava dessa atriz, que faz o principal papel feminino do filme. Dana Wynter, nascida Dagmar Winter em Berlim, em 1931, filha de um renomado cirurgião, criada na Inglaterra. Sua filmografia tem 82 títulos, e entre os mais conhecidos estão Vampiros de Almas (1956), Sangue sobre a Terra (1957), Afundem o Bismarck (1960) e Aeroporto (1970).

Sim: filmado na Irlanda.

Em uma época de sua vida, John Huston comprou uma propriedade no condado de Galway, e radicou-se lá, entre um filme e outro rodado mundo afora. Chegou mesmo a pedir a cidadania irlandesa – e a obteve.

Em sua deliciosa autobiografia, Um Livro Aberto, lançado no Brasil pela L&PM, Huston não dá muita importância a The List of Adrian Messenger. Fala do filme um tanto en passant, num capítulo dedicado às suas experiências irlandesas – com especial destaque para os cavalos e as caçadas.

“Eu sempre cavalgava com bridão, nunca com rédea dupla”, escreve ele, lá pela metade do capítulo 20 (são 37). “Quase todo mundo na Irlanda adota o mesmo costume, pois um trajeto de caça está cheio de imprevistos e ninguém quer ferir a boca do cavalo com trave ou barbelo de freio.”

E por aí vai. Na página seguinte é que ele conta:

“Nós filmamos uma caça à raposa para The List of Adrian Messenger; não foi nada fácil. É praticamente filmar uma caçada de verdade, pois não há jeito de se saber para que lado a raposa vai correr. Tivemos que espalhar um cheiro de erva-doce num trajeto predeterminado. Apesar do meu cargo de Mestre Adjunto dos Galway Blazers, fui voto vencido na questão de usar os sabujos do clube. Os sócios não quiseram ficar com o estigma de terem utilizado nossos cães para sair atrás de uma raposa falsa, em vez de uma verdadeira, mesmo sendo apenas para um filme. Os Dublin Harries tiveram menos escrúpulos. O Mestre deles, Michael O’Brien (hoje octogenário e ainda em plena forma) e os sócios de seu clube de caça aceitaram participar da produção e permitiram que usássemos sua matilha.

“Meu filho de 12 anos, Tony, interpretou o papel de um jovem aristocrata vítima de uma conspiração para matá-lo. A morte dele devia ter aspecto de acidente de caça. Montava um lindo cavalinho pardo – Connemara, mestiço de árabe. Os dois formavam uma parelha perfeita.

“Lembro-me que houve um salto especialmente perigoso e, em vez de arriscar Tony, antes que tudo estivesse pronto para ser rodado, chamaram um profissional para pular com o cavalo. Ele caiu e continuou caindo.

“ – Deixa eu experimentar” – pediu Tony.

“Todo mundo prendeu a respiração, mas o garoto, sem o menor esforço, saltou com o petiço.

“Uma criança, muitas vezes, é capaz de fazer coisas com um cavalo que um adulto não consegue. Isso se aplica especialmente às meninas.”

E ele prossegue falando de meninas e cavalos.

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Há a suspeita de que os grandes astros na verdade só aparecem tirando as máscaras   

Pauline Kael, a grande dama da crítica americana, diz o seguinte sobre o filme:

“Este filme policial tem muitos dos prazeres do gênero – pistas fonéticas, alguns métodos fantasiosos de assassinato, uma caçada à raposa, um detetive-herói de guerra. Os papéis principais são feitos por George C. Scott e Kirk Douglas, e aparecem, ou é anunciado que aparecem, vários astros convidados, disfarçados (Tony Curtis, Frank Sinatra, Robert Mitchum e Burt Lancaster). São como aquelas personagens enlouquecedoramente suspeitas nos romances policiais, apresentadas com o único fim de jogar poeira em nossos olhos; porém a poeira de estrelas é ligeiramente irritante – nos vemos tentando desanuviar este mistério incidental e perdendo a pista da ação. Mesmo assim, é uma diversão bastante sofisticada. Há um coringa no maço dos disfarçados: Mitchum, que desafia a maquiagem – quando remove a máscara, a surpresa é que tenha usado tanta coisa para tão pouco efeito. Também há outro logro para a platéia: Lancaster e Sinatra são vistos desfazendo-se de seus disfarces no fim, mas foram outros atores que fizeram seus papéis.”

Pauline Kael endossa, assim, uma versão, um boato que existe, de que na verdade houve aí uma mentira, uma enganação, um golpe.

O IMDb registra que, segundo alguns testemunhos, Sinatra de fato só aparece após o The End, tirando a máscara. Registra também que um ator chamado Jan Merlin teria sido o sujeito a usar as máscaras, no lugar dos grandes astros, os quais na verdade só aparecem mesmo na hora de se desfazer dos disfarces.

Não dá para saber o que há de verdade nesses boatos.

Na minha opinião, os boatos só tornam o filme ainda mais curioso. Uma aventura ainda mais interessante.

Anotação em junho de 2016

A Lista de Adrian Messenger/The List of Adrian Messenger

De John Huston, EUA, 1963

Kirk Douglas (George Brougham / Vicar Atlee / Mr. Pythian / Arthur Henderson), George C. Scott (Anthony Gethryn), Jacques Roux (Raoul Le Borg), Dana Wynter (Lady Jocelyn Bruttenholm), Clive Brook (Marquês de Gleneyre), Tony Huston (Derek Bruttenholm), John Merivale (Adrian Messenger), Herbert Marshall (Sir Wilfrid Lucas), Gladys Cooper (Mrs. Karoudjian), Marcel Dalio (Max Karoudjian), Bernard Archard (inspetor Pike), Ronald Long (Carstairs)

e, em participações especiais, Tony Curtis (tocador de realejo), Burt Lancaster (mulher que protesta pelos direitos dos animais), Robert Mitchum (Slattery), Frank Sinatra (cigano)

Roteiro Anthony Veiller

Baseado em história de Philip MacDonald

Fotografia Joseph MacDonald

Música Jerry Goldsmith

Montagem Terry O. Morse

Desenho de maquilagem Bud Westmore

Produção Universal. DVD Sonopress-LW.

P&B, 98 min

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Título na França: Le Dernier de la Liste. Em Portugal: As Cinco Caras do Assassino.

3 Comentários

  1. Senhorita
    Postado em 22 setembro 2016 às 6:22 pm | Permalink

    “Burt Lancaster, Tony Curtis, Robert Mitchum e Frank Sinatra têm participações especiais no filme – fazem pequenos papéis, nada fundamentais para o desenvolvimento da trama, mas que chamam bastante a atenção. Não dá para reconhecê-los, de forma alguma.”
    Pois eu lhe digo, meu caro amigo, que minha mãe apontou o dedo pra minha tv e me disse: “ESSE AÍ É O ROBERT MITCHUM”. Não deu tempo nem de engasgar…

  2. Senhorita
    Postado em 22 setembro 2016 às 6:24 pm | Permalink

    Sempre tive um carinho especial por esse filme, por todos os motivos possíveis (talvez o maior seja aquele sorriso de 84 dentes do Burt Lancaster). Estava esperando o texto de filme velho e adorei tanto o filme escolhido como o que você escreveu dele. S2

  3. Elói Gertel
    Postado em 25 setembro 2016 às 10:28 pm | Permalink

    Muito legal, Sérgio. Huston era um craque do cinema. Revi o filme recentemente. Só uma observação, em cima de sua afirmação de que que “Nenhum assassino do mundo retiraria do bolso uma lista de pessoas já assassinadas para riscar a vítima mais recente.” em Kill Bill,de Quentin Tarantino, a personagem principal, interpretada por Uma Thurman, tem uma lista de nomes e vai riscando, um a um, na medida em que cumpre sua vingança.

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Os Desajustados / The Misfits em 30 janeiro 2017 às 2:34 pm

    […] Os Desajustados/The Misfits, de John Huston, hoje, mais de meio século depois de seu lançamento em 1961, é uma experiência que tem impacto […]

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