Armênia / Le Voyage en Arménie

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Nota: ★★★★

Neste Le Voyage en Arménie, o excelente Robert Guédiguian faz uma esplendorosa declaração de amor à sua mulher e musa, Ariane Ascaride, e ao país de seus antepassados.

É uma maravilha, como costuma acontecer com os filmes deste marselhês que se mantém comunista não importa quantos muros de Berlim e impérios soviéticos caiam.

Ainda se diz comunista – mas, a rigor, o que ele é mesmo, o que seus belos, sérios, densos filmes mostram é que é um humanista de primeira hora, um artista que tem profundo respeito e amor pelas pessoas.

O título original, A Viagem à Armênia, define muito mais do que se trata do que o título reduzido pelos distribuidores brasileiros, Armênia. É, literalmente, uma viagem à Armênia. Anna (o papel de Ariane Ascaride, essa talentosa atriz, de rosto tão expressivo quanto pouco belo), filha de pai armênio e mãe italiana, uma francesa em tudo por tudo, nascida e criada na França, médica bem estabelecida em Marselha, jamais sentiu grande conexão com a longínqua, em todos os sentidos, terra de seus ancestrais paternos. Não sabe nada da língua, nunca se interessou muito por sua história, suas tradições. Um tanto contra sua própria vontade, meio à força, no entanto, faz uma viagem até lá – e vive uma série de experiências com as quais definitivamente não contava.

Em 125 minutos de grande cinema, Robert Guédiguian oferece ao espectador um belo, emocionante apanhado de informações sobre esse país do qual em geral sabe-se tão pouco, e que tem uma história e um conjunto de tradições absolutamente fascinantes – e tristissimamente trágicos.

Para fugir de um operação, o pai de Anna viaja para a Armênia. Ela vai atrás

O filme abre com um casal e um grupo executando danças folclóricas armênias, no palco de um pequeno teatro. No fundo do palco, há uma imensa tela com a foto de uma belíssima montanha com o cume coberto de neve eterna. É o Monte Ararat, e vai se falar muito dele, ao longo de toda a narrativa.

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A moça que dança no palco é linda. Logo em seguida a vemos conversando com um senhor idoso, os dois em primeiro plano, com o palco com outros dançarinos atrás deles. Veremos depois que a moça é Jeanette, filha de Anna, a protagonista da história, e seu marido Pierre. (Na foto, a moça e seus pais.) E o velho é Basram, o pai de Anna, avô de Jeanette.

Corta, e Basram está no consultório de Anna. Ela é cardiologista, fez uma série de exames do pai e diz a ele, com absoluta firmeza, que ele terá que ser operado.

A conversa entre a filha médica e o pai paciente na verdade nada paciente é ríspida, tensa, nervosa. Vê-se claramente que não se dão, que se estranham, que saem faíscas sempre que os dois se encontram. Ela o acusa de autoritário, ele a acusa de insensível, mecânica. Diz que não quer saber de operação alguma.

Fica claríssimo também, logo neste iniciozinho de narrativa, que Barsam se dá muito melhor com a neta do que com a filha. E que, ao contrário da mãe, Jeannette se interessa pela cultura de seus antepassados.

Na seqüência seguinte, Anna está em casa, conversando com Pierre, e Jeanette está junto. Anna fala da situação do pai, da necessidade que há de que ele seja operado. O velho não tem atendido ao telefone. Anna, o marido e a filha resolvem ir até a casa dele; a filha tem a chave. Entram – não há ninguém lá.

Fica claro para Anna que o velho resolveu viajar para a Armênia. Pierre argumenta que ela tem que ir atrás dele, tentar encontrá-lo.

Anna vai até o lugar em que a filha aprende dança folclórica armênia – é uma espécie de centro cultural da comunidade armênia em Marselha, e lá estão diversos amigos do velho Barsam. Ela pergunta se algum deles sabe onde, na Armênia, ela poderia encontrar o pai, se ele havia dado alguma dica, alguma informação. Aquele grupo grande de idosos senhores não tem uma pista para oferecer a ela.

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Mas, quando ela já está de saída, um dos velhinhos vai até Anna e conta que um sobrinho, Sarkis Arabian (Simon Abkarian), está de viagem marcada para a Armênia dali a alguns dias; os dois então vão viajar juntos, e Sarkis promete que vai ajudá-la.

Ainda não chegamos a 15 minutos de filme quando Anna desembarca em Erevã, a capital e maior cidade da Armênia. (Erevan é a grafia francesa; os ingleses usam Yerevan, e os portugueses, Erevã.)

Ariane está sempre nos filmes do marido, assim como Darroussin e Meylan

Robert Guédiguian é daquele tipo de realizador que trabalha sempre com a mesma equipe – os mesmos amigos de sempre. Assim, Pierre, o marido de Anna, é interpretado por Jean-Pierre Darroussin, e Yervanth, uma figura estranha, polêmica, que Anna conhecerá na Armênia, é interpretado por Gérard Meylan. Meylan e Darroussin estão sempre presentes nos filmes de Guédiguian – trabalham em A Cidade Está Tranquila (2000), Marie-Jo e Seus Dois Amores (2002), Lady Jane (2008), As Neves do Kilimandjaro (2011), entre outros.

Guédiguian e Ariane Ascaride se conheceram nos anos 1970, quando estavam aí na faixa dos 20 e poucos anos (ele é de 1953, ela, de 1954, ambos nascidos em Marelha) e estudavam na faculdade de Aix-en-Provence. Arinae já era militante da Union Nationale des Étudiants de France (UNEF). Ele rodou seu primeiro longa-metragem, Último Verão/Dernier Eté em 1980; Ariane fazia a protagonista, ao lado de Gérard Meylan.

Ela trabalhou em todos os filmes que o marido dirigiu até agora, com apenas uma exceção, O Último Mitterrand/Le Promeneur du Champ de Mars, de 2005.

Nos créditos finais, ficamos sabendo que a bela atriz que interpreta Jeannette, a filha de Anna-Ariane Ascaride, é Madeleine Guédiguian. Nem o IMDb, nem o AlloCiné, nem a Wikipedia em francês diz com todas as letras, mas me parece óbvio supor que Madeleine é filha do casal Robert Guédiguian e Ariane Ascaride.

Anna ouve, com cara de nojo, um discurso contra o comunismo

Anna desce do avião em Erevã juntamente com Sarkis Arabian, e o sujeito está sendo esperado por um motorista de terno escuro e carrão imponente igualmente preto. No caminho até o hotel em que havia sido feita reserva para Anna, Sarkis vai fazendo um discurso anticomunista.

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Para mim, simpatizante do comunismo na juventude e no início da idade madura, e já há muitos anos absolutamente descrente desse sonho, foi fascinante ver o discurso anticomunista que o eterno comunista Guédiguian escreveu para botar na boca desse sujeito que vai se revelar um mafioso. Há no discurso algo de verdade, e muito de preconceito, simplificação, visão pequena e grosseira.

– “Eu sempre digo. Essas pessoas que vivem esperando que o governo dê tudo para elas não entendem que quem tem um carro como este já teve que suar muito. O pior do comunismo, sabe o que é? É que as pessoas são invejosas. Não é apenas a preguiça, não é apenas a falta de ambição – elas são invejosas.”

A câmara mostra ora o rosto de Sarkis, ora o rosto de Anna, sempre em close-up. O espectador percebe que Anna está nauseada pelo que ouve. E o outro prossegue:

– “Elas não gostam de quem se dá bem. Elas não gostam de mudanças. Agora, reclamar, isso elas adoram. Mas não querem se arriscar nunca. Se um americano fica rico, é sucesso. Para o armênio, é pecado.”

Anna finalmente diz alguma coisa: – “Eu fui comunista militante durante 20 anos.”

Sarkis: – “Mas seu marido não foi.”

Anna: – “Por quê? Porque ele é empresário? Ele foi comunista, sim, e talvez continue sendo.”

Sarkis: – “Sabe qual é o problema dos comunistas? É que a França nunca teve comunismo. Sonhar não custa nada para vocês. Vocês nunca sofrerão as consequências. Eu também teria sido comunista, se tivesse dinheiro para isso.”

A rigor, todo esse discurso anticomunista em relação à Armênia é um tanto extemporâneo – e sem sentido. Não se especifica, no filme, exatamente a época em que se passa a ação, mas as indicações todas são de que tudo acontece nos dias de hoje, ou seja, a época em que o filme foi feito e lançado. Le Voyage en Arménie é de 2006, chegou aos cinemas franceses em 28 de junho de 2006. A União Soviética havia se esfacelado, virado pó, uma década e meia antes. A Armênia, assim como seus vizinhos Geórgia e Azerbaijão, havia sido república socialista do império soviético, mas, também como os dois vizinhos, havia se tornado novamente país independente a partir do início dos anos 90.

E, em suma, a Armênia não havia aderido ao comunismo, preferido o comunismo, lutado para ser comunista: tinha sido submetida ao comunismo pelo poder irrefreável do império poderoso liderado pela Rússia bolchevique que, a partir de 1917, substituiu o império poderoso liderado pela Rússia czarista.

Anna fica conhecendo uma manicure ambiciosa e um sujeito poderoso e estranho

Na trama criada pelo casal Guédiguian-Ascaride, mais Marie Desplechin (os três assinam o argumento e o roteiro), Anne, ao chegar a Everã, com a promessa de que teria a companhia e o auxílio desse Sarkis Arabian, é a rigor um tanto abandonada por ele. Sarkis promete encontrá-la no dia seguinte ao da chegada, às 11 da manhã, mas não aparece.

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Anna ficará conhecendo diversas pessoas na capital armênia. Uma delas é uma prima de Sarkis, Gayané (Kristina Hovakimian), que a leva para jantar na casa de sua família. Lá Anna mostra uma foto recente do pai e uma outra, bem antiga, feita ainda na Armênia, antes de o pai emigrar para a França. Ele aparece no meio de vários músicos. Gayané e um parente reconhecem de imediato uma das pessoas que está na foto: é Martin Havanessian, “o músico armênio mais conhecido em todo o mundo”, segundo explicam à visitante. É a primeira pista concreta que Anna tem para eventualmente tentar a localizar seu pai.

Entre outros armênios que Anna encontra, estão:

* Schaké (Chorik Grigorian, à direita na foto acima), uma jovem aí de uns 20 e poucos anos, manicure e cabeleireira em um salão de beleza, que estuda francês e sonha em sair de seu país, para viver nos Estados Unidos, na Alemanha ou na França. Por absoluto acaso, Anna descobrirá que Schaké é também uma pole dancer, bailarina numa daquelas boates em que as mulheres ficam nuas e dançam junto a postes. E Anna verá também que a moça entrega objetosd ao motorista de Sarkis.

* Manouk (Romen Avinian), um senhor de cabelos e barbas bem brancas, que parece passar todo seu tempo no hall do hotel em que Anna está hospedada, à espera de um gesto de Anna para se oferecer para ser o motorista dela. Não é um chofer de táxi, o carro dele não é um táxi. Mas ele está ali, sempre à disposição, e leva Anna para passear, embora ele não fale uma palavra de francês. Anna tentará aprender com ele as palavras básicas do idioma armênio.

* Simon (Jalil Lespert), um jovem francês também de Marselha, e também médico, que atende num posto dentro de um ônibus velho, estacionado numa determinada praça de Everã. Simon é jovem, trabalhador, abnegado, num país que não tem sistema organizado de saúde, que não tem sistema algum organizado. Simon conta para Anna que tem um patrão, Yervanth.

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E então finalmente temos Yervanth, o papel, como já foi dito lá atrás, de Gérard Meylan (à direita na foto), um dos três atores que estão em quase todos os filmes de Guédiguian.

É um personagem rico, multifacetado – e difícil de o espectador compreender.

De origem armênia, cresceu em Marselha. Comunista, nos anos 60 aderiu aos roubos de banco para juntar dinheiro para ações de grupos radicais de esquerda. Fugiu da França para a Armênia, possivelmente nos anos 70; acabou virando um herói nacional em uma das muitas batalhas da Armênia contra vizinhos inimigos. É respeitado por muita gente – mas não dá para compreender exatamente qual é o papel dele na sociedade.

O filme apresenta uma quantidade incrível de informações sobre a Armênia

A rigor, parece que os autores do roteiro quiseram mostrar que nós, ocidentais, jamais iríamos compreender muito bem como se organiza aquele país tão absolutamente antigo, e que no entanto, neste início do terceiro milênio pós Cristo, está tentando recomeçar, está tentando se reconstruir.

Depois que o filme terminou, e Mary fez uma pesquisa no Google e leu um pouquinho sobre a Armênia – informação demais, lutas e guerras demais, conquistadores demais, persas, otomanos, turcos, soviéticos –, ela exclamou: “É impressionante como o filme faz uma apresentação geral de tantos e tantos fatos históricos”.

É verdade. Os três roteiristas conseguiram juntar, em 125 minutos de filme, uma quantidade absurda de informações sobre a Armênia, esse incrível país que foi o primeiro a adotar o cristianismo como religião de Estado, no ano de 301 – 1.200 anos de Pedro Álvares Cabral dar com os costados por aqui e acabar com a felicidade dos índios – e que teve 1,5 milhão de pessoas mortas pelos turcos no primeiro genocídio do século XX, perpetrado entre 1915 e 1923.

A Armênia tem hoje, quase cem anos após o genocídio, pouco mais de 3 milhões de habitantes.

Nestes últimos quase 100 anos, a população deste pobre planeta saltou de algo em torno de 2 bilhões para 7 bilhões. Os turcos assassinaram, 100 anos atrás, a metade dos armênios que existem hoje no país.

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“Acabamos de nos livrar dos soviéticos. Precisamos recomeçar tudo do zero.”

Anna é mostrada no filme – tanto pelo que ela diz, quanto pela forma com que ela diz – como uma pessoa um tanto sem limites, sem simancol, sem desconfiômetro. Parece padecer do mesmo mal que atribui ao pai: é autoritária, mandona, metida a besta.

Conversando com os armênios – sejam eles quem forem, da recepcionista do hotel ao mafioso Sarkis e ao herói nacional Yervanth – , ela fala como se eles todos tivessem obrigação de servir a ela. Como se fossem empregados dela.

Numa conversa com Yervanth, bem no meio da narrativa, ela se excede em seu autoritarismo, sua certeza de ser dona da verdade, e aí Yervanth reage com firmeza:

– “Pare antes de falar asneiras. Acabamos de nos livrar do domínio dos soviéticos. E veja só o que sobrou. Indústrias decadentes, fábricas depredadas, gente sem trabalhar, umas fronteiras de merda. Precisamos recomeçar tudo do zero. Tudo!”

Anna ainda tenta argumentar, fala uma ou duas frases de asneiras. E Yervanth replica:

– “Achei que você não quisesse saber nada da Armênia. Deixe a gente tirar nosso país da merda e vá cuidar dos seus doentes. Ainda existe assistência social em Marselha?”

O filme foge da postura vingativa como o diabo da cruz, o mentiroso da verdade

zzarmenia9O Monte Ararat é um símbolo nacional da Armênia. Está no centro das armas nacionais da República da Armênia. Conforme o filme mostra, ele domina o horizonte da capital, Everã, assim como a Cordilheira dos Andes domina o horizonte de Santiago de Chile, aquela cidade esplendorosa.

A Armênia foi dominada por tantas hordas de conquistadores, desde muito antes de Jesus Cristo, que hoje o Monte que é seu orgulho nacional não está em seu território, e sim no extremo oriental do território da Turquia, o país que, quase um século atrás, fez com os armênios o que os nazistas alemães fizeram com os judeus.

Quase o que os judeus vêm fazendo, nos últimos quase 70 anos, com os seus vizinhos palestinos.

Em sua ode ao país de seu pai e à mulher que ama, Robert Guédiguian fugiu da postura vingativa como o diabo da cruz, o vampiro do alho e também da cruz, o mentiroso da verdade, o ladrão da honestidade, o safado da honra.

Ele já havia citado, ao final de Lady Jane, um provérbio da terra de seus antepassados, datado do século XI, mil anos atrás, meio milênio antes de Pedro Álvares Cabral vir acabar com o sossego dos índios: “Aquele que busca se vingar é como a mosca que bate contra o vidro sem ver que a porta está escancarada”.

Ao final deste maravilhoso Le Voyage en Arménie, Manouk, o motorista, diz, enquanto mostra o Monte Ararat para Anna, que logo em seguida vai pegar um avião para a França:

– “Está vendo? É o Monte Ararat. Você já entende um pouco de armênio agora. Como um homem pode viver sem um sonho? Impossível. O meu sonho é aquela montanha. Os turcos vão devolver o Ararat para nós algum dia. Ele não significa nada para eles. Não tem nada lá mesmo, não tem ferro, não tem ouro. Não tem nem grama para as cabras. Acham que os turcos não são iguais a nós por causa do que eles fizeram, mas não é verdade. Eles vão devolver o Ararat para nós porque sabem que é o nosso sonho. E vão se sentir melhor depois.”

Robert Guédiguian é um dos cineastas mais admiráveis destes 120 anos de cinema.

Não tenho a mínima idéia do que ele acharia de tal comparação, mas, de repente, me ocorreu que Guédiguian é um tanto primo-irmão de Frank Capra.

Eles acreditam na humanidade. Eles gostam das pessoas.

Anotação em agosto de 2015

Armênia/Le Voyage en Arménie

De Robert Guédiguian, França, 2006

Com Ariane Ascaride (Anna), Gérard Meylan (Yervanth, o general), Chorik Grigorian (Schaké, a manicure), Romen Avinian (Manouk, o motorista), Simon Abkarian (Sarkis Arabian, o mafioso), Serge Avedikian (Vanig), Kristina Hovakimian (Gayané Arabian, a prima de Sarkis), Madeleine Guédiguian (Jeannette, a filha de Anna e Pierre), Jean-Pierre Darroussin (Pierre, o marido de Anna), Jalil Lespert (Simon, o médico), Marcel Bluwal (Barsam, o pai de Anna)

Roteiro Ariane Ascaride, Marie Desplechin e Robert Guédiguian

Fotografia Pierre Milon

Música Arto Tunçboyaciyan

Montagem Bernard Sasia

Produção Agat Films & Cie, France 3 Cinéma, Canal+, CinéCinéma, Cofimage 17. DVD Imovisión.

Cor, 125 min.

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  1. […] em sua cadeira, à direita de seu advogado. Ele está de pé entre ela e o marido, Elisha Amsalem (Simon Abkarian, também […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » O Presidente / President em 28 julho 2017 às 2:55 pm

    […] final, deixa uma mensagem semelhante às dos filmes de Robert Guédiguian, o realizador marselhês que por imensa coincidência (ou não) descende de família da Armênia, […]

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