A Difícil Arte de Amar / Heartburn

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Nota: ★★½☆

Heartburn, no Brasil A Difícil Arte de Amar, que Mike Nichols lançou em 1986, me impressionou por três características. Em primeiro lugar, ele revela intimidades da vida conjugal de duas personalidades famosas, a escritora, roteirista e diretora Nora Ephron e o jornalista Carl Bernstein, do caso Watergate.

A própria Nora Ephron é a autora do roteiro, baseado em seu romance Heartburn, publicado em 1983. O romance não tentava esconder, de forma alguma, que contava a história real da relação entre a autora e seu segundo marido – tanto que ele ameaçou entrar com uma ação contra a ex-mulher, mas acabou não cometendo essa asneira.

zzheart kevinA segunda característica marcante, impressionante, é o elenco. O casal central é interpretado por dois monstros, então no auge de suas carreiras – Meryl Streep e Jack Nicholson. E, para interpretar personagens secundários, que aparecem pouco tempo na tela, o diretor Mike Nichols e a diretora de casting Juliet Taylor (a dos filmes de Woody Allen) conseguiram reunir um elenco absolutamente notável, que inclui Jeff Daniels, Maureen Stapleton, Stockard Channing e o genial realizador checo Milos Forman, em uma de suas raras participações como ator.

O elenco é tão afiado, o trabalho de escolha dos atores é tão bom que, para um papel bem pequeno, mas importante – o de um homem que cede lugar à protagonista no metrô, e depois a segue -, foi escolhido um então absoluto novato chamado Kevin Spacey (na foto).

A terceira característica fascinante é como se entrecruzam, se interpenetram as trajetórias das pessoas envolvidas na produção. É absolutamente delicioso. Volto a esse tema, é claro, mais tarde.

Um caso de amor à primeira vista, uma paixão avassaladora

O filme mostra que o relacionamento entre a então jornalista nova-iorquina Nora Ephron (que no livro e aqui se chama Rachel Samstat) e o então reconhecido e badalado jornalista do Washington Post Carl Bernstein (rebatizado de Mark Forman) foi um caso amor à primeira vista, de paixão intensa, que deu aos dois alguns anos de intensa felicidade – até que ela descobrisse que ele estava sendo infiel.

A ação começa numa igreja, numa cerimônia de casamento. Rachel e Mark se vêem pela primeira vez na vida ao chegarem à igreja. Enquanto vão rolando os créditos iniciais, cada um se senta em um dos lados da igreja, mas em bancos próximos. Mark está sozinho. Rachel senta-se entre amigos, ao lado de Richard (Jeff Daniels), seu editor.

Olham um para o outro durante a cerimônia.

Rachel pergunta aos amigos quem é aquele sujeito do outro lado, na fila de trás, ao lado daquela mulher de chapéu. Richard informa: – “É Mark Forman, escreve uma coluna em Washington.” Rachel pergunta: – “Ele é solteiro?” Uma das amigas responde: “Ele é famoso por ser solteiro”. A outra amiga acrescenta: “Muito famoso”.

zzheart2Éramos todos bem mais jovens, em 1986, o ano de lançamento do filme. Meryl Streep nos parece hoje extremamente jovem neste Heartburn, extremamente jovem e estrondosamente bela, aos 37 aninhos e já com seis indicações ao Oscar, duas delas coroadas com o prêmio (por Kramer x Kramer, 1979, e A Escolha de Sofia, 1982). Jack Nicholson ainda parecia bem jovem, embora estivesse com 49 anos em 1986. Jeff Daniels, então, que a gente vê bem maduro na ótima série The Newsroom (2012-2014), estava com apenas 31 anos, e parece um adolescente.

(Euzinho, em 1986, estava com 36 anos e o segundo casamento, fruto de uma paixão avassaladora, começava a acabar – embora ainda fosse levar bastante tempo para acabar de fato. Trabalhava muitas, muitas horas por dia na revista Afinal, o que certamente explica o fato de eu ter perdido o filme na época de seu lançamento. Só fui ver pela primeira vez agora, quando estamos todos 28 anos mais velhos.)

Convidados esperando, a noiva reluta em aceitar a idéia de se casar

Quando terminam os créditos iniciais, começa a recepção aos amigos dos noivos, e o encontro entre Rachel e Mark é inevitável. Ela diz que o viu num programa de TV, ele diz que lê as colunas dela sobre culinária.

Mark é um sujeito direto. Um minuto depois que os dois se encontram ele já propõe: – “E o que você acha de sairmos daqui e irmos a algum lugar tomar alguma coisa?”

À saída do bar, num passeio de uma rua de Manhattan, perto de um cinema que exibe Mephisto (1981), do húngaro István Szabó, e outro em que passa A Força do Destino/An Officer and a Gentleman (1982), beijam-se.

O filme não tem sequer 10 minutos e os dois já treparam e, às 4 horas da manhã, Rachel volta para a cama com um prataço de spaghetti à carbonara, que acabara de preparar. Mark diz que é o melhor spaghetti à carbonara que ele já comeu na vida: “Quando nos casarmos, quero comer isso uma vez por semana”.

zzheart3Tanto Rachel quanto Mark (assim como, na vida real, Nora Ephron e Carl Bernstein) já haviam sido casados antes. E Rachel, embora apaixonadíssima por Mark, a princípio não pensa em casamento. Acha que todo casamento resulta em fracasso, em divórcio. Reluta em aceitar a idéia – até mesmo no próprio dia do casamento.

Reluta até meio demais. Aquela demora imensa em aparecer para a cerimônia, dezenas de convidados esperando, me pareceu prolongada demais, um tanto exagerada, um tanto irritante…

Vivem uma paixão furiosa, Rachel e Mark, durante alguns bons meses.

O marido – escreveu Nora Ephron – era “capaz de fazer sexo com uma veneziana”

O problema é que Mark – segundo Nora Ephron escreveu em seu livro – era “capaz de fazer sexo com uma veneziana”. Era do tipo que não consegue manter a braguilha fechada.

É o que diz a Wikipedia no verbete sobre Nora Ephron. A enciclopédia conta que o casamento dela com Carl Bernstein foi em 1976. Em 1979, ela tinha um bebê, Jacob, e estava grávida do seu segundo filho, Max, quando descobriu que Bernstein estava tendo um caso com Margaret Jay, amiga do casal. Margaret era casada com um político.

Tudo exatamente igual ao que o filme mostra – com a única exceção de que, na “ficção”, Rachel tem filhas, e não filhos homens. (Na foto, o casal da vida real, Carl Bernstein e Nora Ephron.)

zzheart veroNo livro, segundo a Wikipedia, é dito que Thelma (o nome fictício dado ao personagem inspirado em Margaret Jay) parece uma girafa com “pés grandes”. No filme é dito vários vezes que Thelma é uma mulher muito alta.

A Wikipedia também afirma que “Bernstein ameaçou processar Ephron por causa do livro e do filme, mas acabou não fazendo isso”.

Para a autora, o amor não era uma arte difícil – era uma azia

As palavras às vezes são como as aparências, e enganam. Pode-se imaginar que heartburn tenha a ver com coração queimado, ou, por extensão, figurativamente, dor no coração. Confesso que sempre imaginei que era algo por aí a palavra que dá o título do filme. Ledo engano, erro crasso. Heartburn é uma palavra que não tem absolutamente nada de lírico, de poético, de imagem, de figurativa: significa, pura e simplesmente, azia.

Para Nora Ephron, ao menos à época em que expiou sua angústia, vingou-se do ex-marido infiel contando ao mundo as intimidades dos dois, o amor não era uma arte difícil – era uma azia.

Passei a admirar Nora Ephron a partir de Harry e Sally – Feitos Um para o Outro/When Harry Met Sally…, de 1989. É dela o roteiro desse filme que virou rapidamente um novo clássico, um marco da comédia romântica.

O primeiro roteiro que ela assinou foi o de Silkwood – O Retrato de uma Coragem, baseado numa história real de uma operária de uma fábrica de processamento de plutônio que lutou em favor dos trabalhadores ameaçados de contaminação. O papel central, da personagem título, coube a Meryl Streep, e o filme foi dirigido por Mike Nichols. E aí já vai um pouco daquela coisa de que falei e ainda volto a falar, de trajetórias que se interpenetram, se entrecruzam.

A partir de 1992, Nora Ephron passaria a dirigir – em geral, filmes com roteiros assinados por ela mesma. Em 1993, teve um extraordinário sucesso com Sintonia de Amor/Sleepless in Seattle, que reuniu dois namoridinhos da América na época, Tom Hanks e Meg Ryan. Os dois atores, então no auge do sucesso, foram reunidos de novo pela diretora e roteirista em Mens@gem para Você/You’ve got mail (1998), uma modernização da história original de um clássico de Ernst Lubitsch, A Loja da Esquina/Shop Around the Corner (1940).

zzheart4Seu último filme foi Julie & Julia, reunindo de novo Meryl Streep e Amy Adams (que haviam trabalhado juntas em Dúvida/Doubt, 2008). Aí há outra coincidência: além de ser o segundo filme estrelado por Meryl e Amy, além de ser o terceiro filme com roteiro de Nora e estrelado por Meryl, o personagem da estrela tem a ver com culinária, assim como o personagem Rachel deste A Difícil Arte de Amar. Rachel escrevia sobre culinária, e Julia Child foi uma famosérrima autora de livros sobre o assunto.

Nora Ephron morreu em 2012, aos 71 anos.

Um intrincado novelo une as pessoas envolvidas na produção do filme

E então vou às outras coincidências unindo, atando, enrolando as pessoas envolvidas na produção deste filme. As lembranças vão saindo da minha cabeça aos borbotões. Ainda nem dei uma olhada na página de Trivia do IMDb sobre o filme.

* Mike Nichols dirigiu Meryl Streep em quatro filmes. Além deste aqui e do já citado Silkwood, os dois trabalharam juntos também em Lembranças de Hollywood/Postcards from the Edge (2000) e na extraordinária série Angels in America (2003).

* Em três desses filmes de Nichols com Meryl, ela interpreta personagens baseados em figuras reais: Karen Silkwood no filme que tem o nome da personagem, Nora Ephron neste Heartburn, e Carrie Fisher em Lembranças de Hollywood. Este último filme se baseia no livro autobiográfico da filha de Eddie Fisher e Debbie Reynolds, que muita gente conhece por causa da primeira trilogia Guerra nas Estrelas, em que ela faz a Princesa Leia.

* Carrie Fisher trabalha no já citado Harry e Sally, escrito por Nora Ephron; ela faz Marie, a grande amiga de Sally que acaba se envolvendo com o grande amigo de Harry, Jess (Bruno Kirby).

zzheart5* O casal formado por Marie e Jess em Harry e Sally faz lembrar bastante o casal formado aqui por Julie e Arthur Siegel (os papéis de Stockard Channing e Richard Masur). Nos dois casos, são os amigos mais próximos do casal central.

* Em Todos os Homens do Presidente (1976), que conta como os dois repórteres do Washington Post foram desvendando o caso Watergate, que levaria à renúncia do presidente Richard Nixon, o jornalista Carl Bernstein é interpretado por Dustin Hoffman. Em 1967, Mike Nichols dirigiu Dustin Hoffman em A Primeira Noite de um Homem/The Graduate.

* Como se sabe, a trilha sonora de The Graduate tem várias canções de Paul Simon cantadas pela dupla Simon & Garfunkel. Art Garfunkel se arriscou como ator de cinema a partir de 1970, ano em que foi lançado o último disco da dupla Simon & Garfunkel. Seus primeiros dois filmes foram dirigidos por Mike Nichols: Ardil 22/Catch 22 (1970) e Ânsia de Amar/Carnal Knowledge (1971).

* Os dois personagens centrais de Ânsia de Amar são interpretados por Art Garfunkel e Jack Nicholson.

* Art Garfunkel gravou várias faixas com James Taylor, que foi marido de Carly Simon entre 1972 e 1983; Carly Simon é a autora da trilha sonora deste A Difícil Arte de Amar.

* O ex-parceiro de Garfunkel também teve uma carreira bissexta no cinema; atuou, por exemplo, em Annie Hall (1977), de Woody Allen; a diretora de elenco do filme é a mesma deste filme aqui, a já citada Juliet Taylor.

* Em Annie Hall, aparece, em uma rapidíssima cena, quase impossível de o espectador perceber, uma então jovem atriz iniciante, Sigourney Weaver. Essa mulher deslumbrante seria dirigida por Mike Nichols em Uma Secretária de Futuro/Working Girl (1988).

* Jack Nicholson e Meryl Streep voltariam a trabalhar juntos em Ironweed (1987), dirigido por Hector Babenco.

* Além de em Ânsia de Amar e neste Heartburn, Jack Nicholson trabalharia sob a direção de Mike Nichols também em O Golpe do Baú/The Fortune (1975) e Lobo/Wolf (1994).

É muita coincidência demais da conta sobre um mesmo filme

Essas são coincidências de que eu me lembrava. Vou agora ver se a página de Trivia do IMDb sobre o filme acrescenta muitas outras.

Hum… Há apenas dez informações na página do IMDb. Aí vão alguns delas:

zzheart5a* Pô, como eu não lembrei desta? Dustin Hoffman, que trabalhou com Mike Nichols em The Graduate e interpretou Carl Bernstein em Todos os Homens do Presidente, fez o papel do marido que está sendo abandonado pela mulher – interpretada por Meryl Streep – em Kramer x Kramer (1979);

* Consta que Dustin Hoffman recusou o papel de Mark Forman;

* A filha de Meryl Streep na vida real faz o papel de Annie, a filha do casal Rachel e Mark;

* Margaret Jay, a mulher que teve um caso com Carl Bernstein, e no filme é Thelma (Karen Akers), era mulher do embaixador britânico nos Estados Unidos, e filha do primeiro-ministro James Callaghan. Ela se tornou baronesa em 1992, e acabaria se tornando a primeira mulher a exercer o cargo de líder na Câmara dos Lordes;

* A mãe de Meryl, Mary Streep, e seu irmão Dana aparecem como figurantes numa cena de festa;

* A canção que fala de “My Boy Bill”, “Soliloquy”, que Jack Nicholson canta quando Mark fica sabendo que Rachel está grávida, está no musical Carousel, e foi composta pela dupla Richard Rogers-Oscar Hammerstein. Os pais de Nora Ephron, Henry e Phoebe Ephorn, são os autores do roteiro da versão cinematográfica de Carousel (1956).

Impressionante. Fascinante. É muita coincidência demais na história de um único filme.

O filme tenta mostrar graça em situações que não são engraçadas – são bem tristes     

Leonard Maltin deu 3 estrelas em 4 para o filme: “Nora Ephron adaptou seu próprio livro best-seller (e autobiográfico) sobre um casal sofisticado cujo casamento parece ótimo até que ela fica sabendo que ele está tendo um caso – enquanto ela está grávida! A história leve, superficial, é impulsionada por atores carismáticos, que tornam obrigatório ver o filme. O diretor Forman faz seu primeiro papel como ator em um pequeno papel secundário.”

zzheart6Já o grande Roger Ebert, o crítico que amava os filmes que via, deu 2 estrelas em 4. Seu primeiro parágrafo sobre o filme é maravilhoso:

“Talvez Nora Ephron devesse ter baseado sua história no casamento de alguma outra pessoa. Assim, ela poderia ter conseguido a distância e a perspectiva de que uma boa comédia precisa. Mas, em vez disso, ela baseou Heartburn – sua primeira novela e seu roteiro – em seu próprio casamento. E ela aparentemente tinha raiva demais para transformar os fatos em uma ficção agradável. Este é um filme amargo, ácido, sobre duas pessoas que são apenas marginalmente interessantes.”

Acho que Roger Ebert mais uma vez está certo. Ao fim e ao cabo, o filme não consegue acertar um tom: ele tenta mostrar graça em situações que não são engraçadas – são de fato tristes, amargas, ácidas.

Não é, de forma alguma, um filme ruim – até porque Mike Nichols jamais conseguiria fazer um filme ruim. Os atores estão todos extraordinários, há muita coisa boa, interessante, mas também não chega a ser um filme muito bom. Exatamente pelo motivo apontado por Ebert. Ao contrário das canções de Carly Simon, de James Taylor, que são doçamargas, a história contada aqui é amarga demais e não tem nada doce. Nem engraçado.

Anotação em dezembro de 2014

A Difícil Arte de Amar/Heartburn

De Mike Nichols, EUA, 1986

Com Meryl Streep (Rachel Samstat), Jack Nicholson (Mark Forman),

e Jeff Daniels (Richard), Maureen Stapleton (Vera), Stockard Channing (Julie Siegel), Richard Masur (Arthur Siegel), Catherine O’Hara (Betty),

Steven Hill (Harry Samstat), Milos Forman (Dmitri), Mamie Gummer (Annie Forman), Karen Akers (Thelma Rice), Aida Linares (Juanita), Anna Maria Horsford (Della),  Kevin Spacey (ladrão no metro)

Roteiro Nora Ephron

Baseado em seu romance

Fotografia Néstor Almendros

Música Carly Simon

Montagem Sam O’Steen

Casting Juliet Taylor

Produção Paramount Pictures. DVD Paramount.

Cor, 108 min

**1/2

2 Comentários

  1. Jussara
    Postado em 22 março 2015 às 8:54 pm | Permalink

    Não é um filme fácil, mas sabe que não achei super amargo? Já vi piores.
    Realmente não tem nada de engraçado. A única coisa que me fez rir foi a música do começo, “Coming Around Again”, que é tocada outras vezes ao longo da história, e é muito a cara brega dos anos 1980, e também a cara da relação furada dos dois ou de qualquer casal que passa por algo assim (é só prestar atenção à letra para perceber). Só não decidi qual das duas músicas é pior: essa ou a infantil-enjoativa-grudenta, conhecida por qualquer pessoa que já teve contato com crianças em idade pré-escolar: “A aranha subiu pela parede, veio a chuva forte e a derrubou” …. que a personagem de Meryl Streep canta com a filha no avião. Não satisfeitos, fizeram um mashup das duas canções no final.

    Eu não gosto de Jack Nicholson, então é raro sentir empatia por algum de seus personagens, mas no caso desse Mark, é ainda mais difícil, pois o cara é canalha, e o ator não tem carisma (nesse ponto discordo de Leonard Maltin), sex appeal, nada.
    Não consegui notar nenhuma paixão avassaladora entre o casal, acho que os atores não têm química. O filme também não mostra os bons momentos do casamento, não consegui ver felicidade entre eles. Uma vida a dois que começa com uma casa em tremenda reforma (que nunca foi terminada), talvez tenha começado mal. Mesmo nos momentos onde teoricamente houve comemoração pela chegada do primeiro bebê, não se vê alegria legítima, o personagem de Nicholson conseguiu ser no máximo chato cantando aquelas músicas.

    Por outro lado, gosto de filmes que mostram o lado nada glamoroso de uma relação, e no caso deste, até onde um homem consegue descer, tendo a capacidade de trair a mulher grávida (conheci uma história assim há muitos anos).

    É triste ver a mulher lutando pelo casamento, e esperando migalhas como um simples telefonema, quando ela praticamente foge pra casa do pai (fiquei com dó da personagem nessa hora: o pai dela não era muito bom para dar *conforto, e ela não tinha mais a mãe); mas ao mesmo tempo é algo real, que acontece com qualquer pessoa que termina uma relação, por pior que tenha sido. Esperar o sinal de vida de um cafajeste, é o fundo do poço, mas geralmente é assim. Why, God why?.

    Eu não sabia que “heartburn” significa azia, mas acho que tem tudo a ver com um relacionamento ruim. As brigas, as mágoas, as coisas desagradáveis que o outro faz começam a dar azia, dor no estômago.

    Melhor cena: quando o pai de Meryl Streep diz a ela que tinha boas notícias: Gene Kelly havia ligado pra ele sobre o seu projeto novo, e talvez fosse aceitar dirigi-lo (pelo que entendi, o pai viciado em jogo era ator). Adoro referências a atores em outros filmes. Kelly sempre dizia que queria ser lembrado também, e principalmente, pelo o que ele fez como coreógrafo e diretor, e não “só” como dançarino, então achei que foi de certo modo uma bonita homenagem (aos meus olhos de fã, óbvio).

    *confesso que ri quando ao tentar consolá-la, o pai conta uma historinha onde a mulher traída resolve deixar os 6 filhos com o marido e a amante. Claro que isso não é conselho que se dê, mas eu achei engraçado. Algo como: “Vamos ver até quando dura essa paixão, com 6 filhos pra você e sua amante criarem”.

  2. Heitor
    Postado em 12 agosto 2015 às 11:02 am | Permalink

    Da série os intelectuais também amam: Nora Ephron, a mulher mais sem bunda do mundo, fala direto ao pau de ninguém menos que Carl Bernstein, um dos dois jornalistas do caso Watergate, que, como 99% da classe, é um galinhão e come até a sua (minha?) mãe.

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  1. […] garota Kristen Wiig é camaleônica camaleônica mesmo – em cada filme ela tem uma cara, como Meryl Streep, para dar o exemplo mais exemplar, como a maravilhosa Bridget Fonda, que trabalha menos do que […]

  2. […] Meryl Streep para fazer uma participação especial – ela aparece em apenas uma sequência, longa, importante, […]

  3. […] Jack Nicholson tinha feito Chinatown (1974) com John Huston, Profissão: Repórter (1975) com Michelangelo Antonioni e Um Estranho no Ninho (também 1975) com Milos Forman – e levado o Oscar por este último, o primeiro filme a levar os Top Five desde 1934, quando Aconteceu Naquela Noite, de Frank Capra, havia ganho as estatuetas de melhor filme, direção, ator, atriz e roteiro. […]

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