Downton Abbey – A Quarta Temporada

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Nota: ★★★★

Tudo, absolutamente tudo, indicava que seria dificílimo, se não impossível, que conseguissem criar uma quarta temporada de Downton Abbey à altura das três primeiras. Em primeiro lugar, porque manter o nível altíssimo, o nível mais alto que uma série pode atingir, já é mesmo uma tarefa sobre-humana. Em segundo lugar, porque – para surpresa de todos, inclusive dos próprios realizadores – a quarta temporada não teria um dos principais personagens das três primeiras.

E aqui, já no segundo parágrafo desta anotação, vai um necessário aviso de spoiler. Quem não viu a terceira temporada de Downton Abbey não deve, de maneira alguma, ler o que vem a seguir. Deve, a rigor, passar longe de toda esta anotação aqui.

Bem: quem avisa amigo é, dizia minha mãe. (Minha mãe era chegada a repetir bordões da sabedoria popular.)

Está aí o aviso.

Dan Stevens botou na cabeça que queria cascar fora, ir para Hollywood

Como bem sabem todas as pessoas que viram a terceira temporada, Matthew Crawley (Dan Stevens, na foto) morre.

zzdanMorre no finalzinho do último episódio da terceira temporada. Está absolutamente, estonteantemente feliz, após ter visitado Lady Mary (Michelle Dockery) no hospital, onde ela acabava de dar à luz o herdeiro deles, e segurado o garotinho nos braços, e então, sorrindo um sorriso aberto para o céu, está voltando para casa, para Downton Abbey, quando…

Seu carro, na alta velocidade permitida aos carros dos anos 1920, bate de frente contra outro veículo, capota, expulsa o motorista e ainda cai sobre ele.

Um filete de sangue sai de sua boca junto do chão, enquanto estão abertos e inertes seus belos olhos claros.

Muitos dos milhões de fãs de Downton Abbey mundo afora sabem por que Matthew Crawley morreu. Eu mesmo tinha ouvido falar nisso, mas fui checar na internet após ter revisto aquele último episódio da terceira temporada e logo em seguida ter devorado a quarta temporada em apenas cinco dias. É a mais pura verdade dos fatos. Não foi por vontade dos realizadores da série que Matthew morreu logo após seu filho ter nascido. Foi uma decisão pessoal e intransferível – feito dor de barriga, dor de dente – de Dan Stevens, o ator que havia interpretado tão bem o personagem fundamental da história.

Simplesmente bateu na cabeça de Dan Stevens – garotão de fina estampa, nascido no Surrey em 1982 (impressionante como agora há atores, atrizes, até diretores, nascidos depois da minha filha!), que estudou Literatura Inglesa em Cambridge – que queria fazer outras coisas na vida que não continuar participando de uma das séries de TV mais incensadas da História. Queria fazer cinema, queria ir para Hollywood.

Os contratos com os atores de Downton Abbey – aprendi ao ler um pouquinho na internet sobre a decisão de Dan Stevens de abandonar a série – são feitos para três temporadas. O ator comunicou aos produtores que não iria renovar o contrato, que não participaria da quarta temporada.

“Tentamos persuadi-lo a ficar”, disse Julian Fellowes, o criador da série, ao jornal Daily Telegraph. “Ele estava fantasticamente bem na série; sua interpretação de Matthew era excelente. Mas a vida é assim. Dan achou que essa era a decisão certa, e que era o momento de ir para outras áreas.”

Fellowes – que bolou a trama, escreveu o roteiro de vários episódios (inclusive todos os desta quarta temporada), supervisionou toda a produção e foi produtor executivo de Downton Abbey – decidiu que a saída era matar Matthew Crawley. “Se ele tivesse se preparado para voltar para dois ou três episódios, poderíamos ter feito diferente. Poderíamos tê-lo mandado para uma viagem ao exterior. De outra maneira, teríamos que tornar infeliz o caso de amor entre Mary e Matthew – que era um sucesso tremendo. Isso não será crível. Então não tivemos outra opção. Com ele morrendo, o amor deles poderia permanecer intacto.”

O criador e roteirista Fellowes soube se sair maravilhosamente bem da peça do destino

zzdown2O último episódio da terceira temporada foi ao ar na Grã-Bretanha como um especial de Natal – exatamente no dia 25 de dezembro de 2012.

Quando vimos o episódio, no DVD, Mary e eu ficamos chocadíssimos com a morte de Matthew. Ele é um personagem extremamente simpático, uma boa pessoa, boa alma, e foi uma surpresa absurda. Na época, é claro que não sabíamos dessa história dos bastidores, que o ator tinha decidido não continuar na série. Na minha anotação sobre as três primeiras temporadas, em outubro de 2013, escrevi: “O roteiro da série como um todo, nestas três primeiras temporadas, sabe temperar com maestria o drama pesado e o bom humor. Mas registro, para encerrar, que Mary e eu ficamos bastante chocados com a crueldade do destino que os autores reservaram para o final da terceira temporada.”

Imagine-se o choque que deve ter sido para milhares e milhares de ingleses ver, na noite de Natal, Matthew Crawley morrer assim que nasceu seu filho! Segundo o Daily Telegraph, a ITV, a rede que transmite a série, foi inundada por reclamações de espectadores que falavam em “tragédia”, “ultraje”, um episódio que “arruinou o Natal”.

Acabei me alongando ao relatar essa história, mas é que ela é de fato fascinante. Não sei se é amplamente conhecida: eu mesmo não sabia desses detalhes todos, que estão numa excelente matéria do huffingtonpost.com. Então achei que valia a pena contar.

A questão é que a morte de Matthew Crawley é fundamental para tudo o que vem a partir daí.

Como manter a história da família, de Downton Abbey, sem ele?

É incrível, é um absurdo: Julian Fellowes (que assina sozinho todos os nove episódios da quarta temporada) soube se sair fantasticamente bem dessa peça que o destino pregou neles – e em nós, os espectadores.

Três homens passarão a disputar as atenções de Lady Mary

O primeiro episódio da quarta temporada (são nove, num total de 6 horas e 34 minutos que passam rapidissimamente) começa seis meses depois do final da terceira. George, o filho de Matthew e Mary, está com meio ano de vida, e é criado por uma babá, West (Di Botcher), juntamente com o priminho mais velho, o filho de Sybil, a caçula da família, já morta, e de Tom Branson (Allen Leech, na foto acima, junto c om Michelle Dockery-Lady Mary). Mary dá pouca atenção ao filho – na verdade, Mary parece morta como o marido – simplesmente não consegue tocar a vida, tamanha a dor pela perda.

zzdown5Como era Matthew que tomava as decisões sobre a forma de administrar as terras da família, adotando medidas modernizadoras – tendo para isso que vencer as resistências do conde, Robert, seu sogro (Hugh Bonneville, na foto abaixo), Tom se sente obrigado a preencher o vazio. Passa a participar ativamente da gerência das terras, fazendo contato com os posseiros, ou meeiros que trabalham para a família.

Tom tenta atrair Mary para essas tarefas – mas, a princípio, não obtém qualquer resultado. A condessa idosa, mãe de Robert, Violet (o papel da extraordinária Maggie Smith), também tentará trazer Mary de volta à vida. E, após algum tempo, vai conseguir, é claro.

Entrarão na história três homens que disputarão as atenções de Mary. Tony Gillingham (Tom Cullen) vem de uma família tão nobre quanto os Crawley; quando criança, brincava junto com as três filhas do conde de Grantham, Mary, Edith e Sybil. Passaram, no entanto, vários anos sem se ver.

Tony vai declarar abertamente seu amor por Mary no quarto episódio – mas ela dirá que ainda não está preparada para pensar na possibilidade de uma nova relação, ainda inteiramente envolvida com a saudade de Matthew.

Evelyn Napier é um velho conhecido de Mary; aparece na região a trabalho – está fazendo, com um superior, Charles Blake (Julian Ovenden), um trabalho para o governo, de exame da situação econômica das grandes propriedades da nobreza. Mary convida os dois para se hospedarem em Downton.

Com o tempo, veremos que Charles Blake e Tony Gillingham – os dois principais competidores pelas atenções de Mary – se conhecem bem, lutaram junto na Primeira Guerra.

Todos os sentimentos, emoções, de que as pessoas são capazes

zzdown3A volta de Mary à vida, e depois seus encontros com Blake e Gillingham, são parte importante da trama geral da quarta temporada – mas é impressionante como há fatos inesperados, surpreendentes, envolvendo todos os muitos personagens centrais da história – tanto os dos andares de cima, a família Crawley e seus amigos, quanto os dos andares de baixo, a criadagem.

Na minha anotação sobre as três primeiras temporadas, escrevi: Alguém disse que Shakespeare foi o autor que conseguiu reunir em sua obra toda a imensa gama de sentimentos, emoções, de que a humanidade é capaz.

No cinema, mestre Akira Kurosawa conseguiu o mesmo que o bardo inglês.

Downton Abbey chega lá também. Há amor, ódio, inveja, simpatia, solidariedade, traição, ciúme, vingança, honra, dignidade, ofensa, rivalidade, orgulho, arrependimento, tenacidade, força, fraqueza, dúvida, certeza, incerteza, pusilanimidade, desejo, repulsa, prepotência, ira, generosidade, ganância.

Vale perfeitamente também para esta quarta temporada. Acontecem aqui, entre muitas outras situações:

* Uma gravidez inesperada, fora do casamento, que levará a moça a uma clínica de aborto; ela mudará de idéia na última hora, a gravidez será escondida de todos durante longa estadia na Suíça e a criança será dada a uma família de lá;

* Um estupro, dentro de Downton Abbey – com, naturalmente, conseqüências pavorosas para a vítima e as pessoas em seu entorno;

* A suspeita de um assassinato, que poderia ter sido cometido por um dos personagens centrais;

* Um caso de racismo/classismo abominável: Cora Crawley, a condessa Grantham (Elizabeth McGovern, aquele encanto para os olhos) flagra a babá West xingando o filho de Lady Sybil e Tom Branson, pelo fato de Tom ser irlandês e plebeu. É c laro que a mulher é demitida sumariamente.

* Um absolutamente impensável – naquela época – caso de amor entre uma nobre branca e um cantor de jazz negro, Jack Ross (Gary Carr).

Diversas histórias envolventes – numa delas, aparece o próprio príncipe de Gales!

zzdown4Há histórias emocionantes, envolventes, atraentes, de todos os tipos.

(Na foto, da esquerda para a direita, Michele Dockery-Lady Mary, a esplendorosa Elizabeth McGovern, no papel da condessa, e Laura Carmichael-Lady Edith.)

Numa noite de bebedeira, Tom Branson é seduzido por uma camareira, Edna (MyAnna Buring); como ela continua a assediá-lo, o pobre viúvo de Lady Sybil pede a ajuda do mordomo, Mr. Carson (Jim Carter) e da governanta, Ms. Hughes (Phyllis Logan). Edna será demitida – mas conseguirá bem mais tarde ser readmitida como a criada da condessa de Grantham, em substituição à megera Sarah O’Brien (Siobhan Finneran).

Thomas Barrow (Rob James-Collier), o criado mau caráter, vai se aliar a essa Edna em sua eterna tentativa de infernizar a vida do casal John e Anna Bates (Brendan Coyle e Joanne Froggatt).

Um homem muito pobre, vivendo doente num abrigo público, chamado Charles Grigg (Nicky Henson), tenta de todas as maneiras entrar em contato com o orgulhoso, rígido Mr. Carson, o mordomo – mas este se recusa a atender aos pedidos. Coração imenso, Ms. Hughes irá procurar o tal Grigg, que conta a ela ter sido muito amigo de Carson quando ambos eram bem jovens e trabalhavam no teatro.

Epa: qual será o segredo do passado de Mr. Carson?

Sem função depois da morte de Matthew, de quem era o valete, o infeliz Joseph Molesley (Kevin Doyle) é demitido – e só encontrará empregos bem mais modestos. Ms. Hughes será a pessoa que o socorrerá.

No último episódio desta quarta temporada – um especial de 93 minutos, a duração de um filme normal –, a imaginação fascinante de Julian Fellowes brinda os espectadores com uma fantástica história de tentativa de chantagem contra ninguém menos que o príncipe de Gales, o herdeiro do trono! O príncipe, interpretado por Oliver Dimsdale e mostrado como um namorador incorrigível, terá uma de suas cartas de amor a uma mocinha da Corte surrupiada por um escroque, Terence Sampson (Patrick Kennedy).

zzdown7Quem dá a dica sobre a carta para o tal escroque é Lady Rose MacClare (Lily James. na foto), a jovenzinha prima dos Crawley que está vivendo com eles em Downton enquanto seus pais estão na Índia. Robert, o conde, vai se sentir por isso responsável pelo enrosco em que a monarquia poderá se envolver caso a carta seja vendida a algum jornal americano. (Não se admite a possibilidade de que um jornal inglês fosse capaz de tamanha baixeza.)

Um pouquinho de História, então. O príncipe de Gales em 1923, o ano em que se passa a ação, e descrito aqui como um mulherengo, era Edward, que assumiria o trono britânico em janeiro de 1936 como Edward VIII – para abdicar em dezembro daquele mesmo ano e se casar com a americana Wallis Simpson. A história de Edward e Wallis é contada no filme W.E. – O Romance do Século (2011).

Com a renúncia de Edward VIII, subiu ao trono seu irmão Albert Frederick Arthur George, que assumiu como George VI. George VI reinou de 1936 até 1952, quando assumiu sua filha, Elizabeth II. Parte da história de George VI está no excelente O Discurso do Rei/The King’s Speech (2010)

Participações deliciosas de Shirley MacLaine, Paul Giamatti, Kiri Te Kanawa

Há, assim, no último episódio, um certo clima de intriga palaciana e caso policial – mas essa história envolvendo o príncipe herdeiro do trono britânico é apenas uma parte de uma narrativa cheia de outras subtramas.

No penúltimo e nesse último episódio da quarta temporada, estão em visita à Inglaterra a mãe e o único irmão de Cora – a condessa, como se sabe, é americana, e foi com a fortuna da mãe que Robert, o conde, salvou Downton da ruína, no passado.

A mãe de Cora, Martha Levinson, quem viu as três primeiras temporadas não se esquece, é interpretada por Shirley MacLaine. Já o outro filho da milionária, Harold, nunca havia aparecido antes – e vem na figura do excelente Paul Giamatti.

A visita dos dois americanos permite que o roteiro brinque à vontade com os estereótipos do embate americanos x ingleses. E os cinéfilos podemos nos deliciar com um duelo de titãs entre essas duas grandes damas, Shirley MacLaine e Maggie Smith, a milionária americana e a velha condessa britânica. Em 2013, tanto Shirley quanto Maggie estava com gloriosos 79 anos – são, as duas, de 1934, o mesmo ano da minha sogra e do meu irmão mais velho.

zzdown9O último episódio ainda tem a participação especial de James Fox, como Lord Aysgarth, um nobre sem dinheiro que fica fascinado com a possibilidade de dar o golpe do baú com a milionária ianque. É interessante rever James Fox em outro papel de nobre, depois do Lord Darlington de Vestígios do Dia/The Remains of the Day (1993). Outra coincidência: em W.E. – O Romance do Século, James Fox interpreta o rei George V – o pai de Edward VIII e George VI, o mesmo rei que neste último episódio da quarta temporada aparece rapidissimamente, interpretado por um tal Guy Williams.

É fascinante também ver Kiri Te Kanawa fazendo uma participação especial. No terceiro episódio desta temporada, os Crawley dão uma festa para um seleto grupo de amigos e convidam para abrilhantá-la uma das maiores cantoras de ópera da época, uma (fictícia, é claro) Dame Nellie Melba. E quem melhor para interpretar Dame Nellie Melba que uma das maiores cantoras de ópera da atualidade?

Num dos especiais que acompanham a quarta temporada no TV, a grande cantora, uma simpatia, conta que a princípio achou estranho que a produção de Downton Abbey quisesse conversar com ela. Ao ser informada do que se tratava, adorou a idéia: Kiri Te Kanawa, como milhões de pessoas do mundo todo, é fã de Downton Abbey.

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Diálogos afiados, sagazes, espertos, inteligentes

É tudo suntuoso e perfeito em Downton Abbey – mas um dos muitos elementos em que a série me encanta são os diálogos. Inteligentes, afiados, irônicos, bem humorados, sagazes, eles são uma absoluta maravilha. Anotei alguns deles.
* Jantar em Downton. Anthony, Lord Gillingham, apaixonado por Lady Mary, acaba de voltar de uma viagem à Escócia:

Anthony: – “Tive tempo de sobra para pensar.”

A condessa viúva (o papel de Maggie Smith): – “Sobre o que, exatamente?”

Anthony: – “Minha vida, creio.”

Isobel, a mãe de Matthew (Penelope Wilton): – “Todos deveriam fazer isso de vez em quando.”

A condessa viúva (que jamais, jamais concorda com algo dito por Isobel): – “Não posso concordar. Pela minha experiência, é uma ocupação perigosa.”

Anthony: – “Perigosa?”

A condessa viúva: – “Nenhuma vida parece gratificante se pensarmos muito sobre ela.”

* Festa ao ar livre. Gente do vilarejo enche os gramados de Downton. A condessa viúva está sentada ao lado de Lady Edith (Laura Carmichael), a filha do meio, que, pobrezinha, não tem sorte na vida.

Edith: – “Às vezes acho que Deus não quer que eu seja feliz.”

A condessa viúva: – “Querida, a vida inteira é uma série de problemas que tentamos resolver. Vem o primeiro, depois outro, depois outro… até morrermos. (Suspira.) Por que você não pega um sorvete para nós?”

* O conde, acabando de chegar de volta de uma viagem aos Estados Unidos, serve-se de uma bebida e diz para a mãe, a condessa viúva: – “Deus, que alívio poder beber em público sem ser agredido pela polícia. Que horror a lei seca!”

* O fazendeiro Tim Drewe (Andrew Scarborough), que, imagino, vai ter importância ainda maior na quinta temporada, para Lady Edith: – “Trabalhar é como envelhecer, milady. É a pior coisa do mundo, exceto a alternativa.”

* Uma piada deliciosa sobre a relação de ódio e amor entre ingleses e americanos, colonizadores e colonizados. Para uma grande festa, o mordomo Carson coloca o criado pessoal de Harold Levinson, Ethan (Michael Benz), como lacaio. O garotão americano então está segurando uma bandeja com um salgadinho e diz para um casal que chega para a festa:

– “Gostaria de provar um destes? Estão ótimos!”

Mr. Carson estava passando, ouve o garoto dizer a frase, e o repreende, enfurecido: – “Ficou maluco? Perdeu a cabeça? Você é um lacaio, não um caixeiro viajante! Por favor, guarde suas opiniões sobre comida para si mesmo!”

Antes de se dividirem em ricos e pobres, a pessoas se dividem entre boas e más

zzdown00E, finalmente, um diálogo que, na minha opinião, ajuda a definir a forma com que Downton Abbey trata da questão do classismo inglês, da estrutura quase de castas que divide essa sociedade ao mesmo tempo tão desigual e tão profundamente civilizada, democrática – muito provavelmente a mais civilizada e democrática do mundo.

Tom Branson encontra novamente Sarah Bunting (Daisy Lewis), professora na escola do vilarejo mais próximo, que ele havia conhecido durante uma reunião política. Sarah diz alguma coisa que denota que ela não tem qualquer simpatia pelos nobres em geral e pelos Crawley em participar.

Tom: – “O que você tem contra eles?”

Sarah: – “Nada. Mas não me entusiasmo muito com o tipo deles.”

Tom: – “Não acredito em tipos. Acredito em pessoas.”

É isso. Downtown Abbey, como eu disse na anotação sobre as primeiras temporadas, é a coisa mais anti-Claude Chabrol que existe.

É meu mesmo o texto, então transcrevo:

Ao fim e ao cabo, o que me parece que Downton Abbey quer dizer é que, antes mesmo de se dividirem entre ricos e pobres, as pessoas se dividem entre boas e más.

E, assim, a série me parece absolutamente inovadora, até mesmo revolucionária.

zzdown8Downton Abbey é (ou ao menos me pareceu) algo que poderíamos chamar, de maneira talvez grosseira, de pós-marxista. Pós essa coisa idiota, burra, revoltantemente simplista, reducionista, de entender que o mundo se divide entre de um lado pessoas pobres, e todas elas são boas, santas, puras, apenas exatamente por isso, porque são pobres, e de outro lado as pessoas que têm posses, e portanto são filhas da mãe, cruéis, imbecis, doentes da cabeça ou do pé ou as duas coisas juntas.

Downton Abbey é anti-Claude Chabrol! É anti-Godard, anti todo aquele tipo de cinema – em especial o italiano e o francês – que durante meio século simplificou a vida dizendo que todo pobre é necessariamente gente fina e quem tem mais do que comida e teto é filho da mãe, safado, sacana.

Fui hoje à locadora saber se já chegou a quinta temporada. Claro que não chegou – é a que está sendo exibida neste ano de 2014, e concorre mais uma vez ao Globo de Ouro de melhor série de TV – drama. (A lista dos indicados saiu exatamente neste dia em que finalmente consigo terminar esta anotação, 11 de dezembro.)

A série já ganhou 41 prêmios (inclusive dois Globos de Ouro), fora outras 144 indicações.

Uma sexta temporada já está prometida, mas ainda não começou a ser filmada.

Anotação em dezembro de 2014

Downton Abbey – A Quarta Temporada

De Julian Fellowes, criador, roteirista e produtor executivo, Inglaterra, 2013

Diretores: David Evans, Catherine Morshead, Philip John, Edward Hall, Jon East

Com (nos andares de cima) Hugh Bonneville (Robert Crawley, conde de Grantham), Elizabeth McGovern (Cora Crawley, a condessa), Michelle Dockery (Lady Mary Crawley, a primogênita), Laura Carmichael (Lady Edith Crawley, a filha do meio), Maggie Smith (Violet Crawley, a condessa viúva), Penelope Wilton (Isobel Crawley, mãe de Michael Crawley), Allen Leech (Tom Branson), Lily James (Lady Rose MacClare), Samantha Bond (Lady Rosamund Painswick),

(nos andares de baixo) Jim Carter (Mr. Carson, o mordomo), Phyllis Logan (Mrs. Hughes, a governanta), Brendan Coyle (John Bates, o valete do conde), Joanne Froggatt Bates (Anna Smith, a camareira), Siobhan Finneran (Sarah O’Brien, a criada da condessa), Rob James-Collier (Thomas Barrow, criado), Matt Milne (Alfred Nugent), Lesley Nicol (Mrs. Patmore, a cozinheira), Sophie McShera (Daisy, a ajudante de cozinha), Kevin Doyle (Joseph Molesley), MyAnna Buring (Edna Braithwaite), Ed Speleers (Jimmy Kent), Cara Theobold (Ivy Stuart), Raquel Cassidy (Baxter), Di Botcher (Nanny West)

e Tom Cullen (Anthony Gillingham), Julian Ovenden (Charles Blake), Brendan Patricks (Evelyn Napier), David Robb (Dr. Clarkson), Daisy Lewis (Sarah Bunting), Patrick Kennedy (Terence Sampson), Andrew Scarborough (Tim Drewe), Gary Carr (Jack Ross), Michael Benz (Ethan Slade),  Oliver Dimsdale (príncipe de Gales), Guy Williams (rei George V)

e ainda, em participações especiais, Shirley MacLaine (Martha Levinson), Paul Giamatti (Harold Levinson), James Fox (Lord Aysgarth) e Kiri Te Kanawa (Dame Nellie Melba).

Argumento e roteiro Julian Fellowes

Música John Lunn

Produção Carnival Film & Television. DVD Universal.

Cor, 514 min

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13 Comentários

  1. Postado em 24 janeiro 2015 às 7:53 am | Permalink

    Olá Sergio, fiquei feliz quando descobri que haverá uma sexta temporada! Parece que Julian Fellowes vai decidir ano a ano se prossegue a saga dos Crawley. Como o roteiro usa elementos da história de Hiclere Castle, onde a série é gravada, seria interessante se Fellowes trouxesse Downton Abbey até a atualidade, mostrando como os proprietários de grandes mansões tiveram que abri-las ao público para poder mantê-las. Seriam muitas temporadas a mais! 😉 Ainda não perdoei Dan Stevens por deixar Downton! E para fazer uns filmes tão insignificantes…

  2. Mônica
    Postado em 2 fevereiro 2015 às 10:56 pm | Permalink

    Amei amei amei

  3. Marilda
    Postado em 26 março 2015 às 2:47 pm | Permalink

    Foi o seriado que mais gostei na vida!!!!

  4. chantal Frazão
    Postado em 27 junho 2015 às 1:27 am | Permalink

    Achei o seu texto por acaso, gostei do que você escreveu sobre o seriado Downton Abbey. Quero só entender algo: Não sei de onde você tirou que Claude Chabrol simplificou a vida dizendo que todo pobre é necessariamente gente fina!!! No filme LA CÉRÉMONIE (1995), uma emprega domestica (Sandrine Bonnaire), massacra a família inteira, na casa da qual trabalhava e era muito bem tratada pelos donos. Nos seus filmes, quase todos rodados no interior da França, Chabrol apresenta burgueses e pobres turvos e maus. A obra de Chabrol foca o lado sombrio da alma humana, tanto faz os personagens serem pobres ou ricos.

  5. Sérgio Vaz
    Postado em 30 junho 2015 às 2:47 am | Permalink

    Olá, Chantal!
    Agradeço imensamente por sua mensagem.
    Posso estar enganado, é claro. Mas respondo à sua pergunta, sobre de onde tirei essa idéia de que Chabrol detesta os ricos.

    Jean Tulard escreve:
    “Reencontra-se o verdadeiro Chabrol, seu ódio da burguesia e seu gosto pela ‘comida’ na série de investigações policiais de Jean Poiret.”

    Sobre “Uma Garota Dividida em Dois” (2007), escrevi:
    Definitivamente, não gosto de Chabrol. Chabrol passa a vida fazendo, um atrás do outro, filmes sobre pequeno-burgueses ou burgueses não tão pequenos, como é o caso aqui, que ele despreza, de quem ele tem raiva e, sobretudo, nojo. Na verdade, o que seus filmes passam é que ele despreza não é apenas o burguês, pequeno ou não, mas o ser humano, a humanidade como um todo. Todas as pessoas, nos filmes de Chabrol, são desonestas, gananciosas, vis, egocêntricas, pequenas, fracas, desprezíveis.
    Não é uma visão de mundo que me agrade. Não me agradam os maniqueísmos. Prefiro os filmes (e os livros) que mostrem amor pela humanidade, ou, no mínimo, por uma parte dela. Não precisa ser um endeusamento, uma fascinação. Mas, no mínimo, um respeito, ou até alguma piedade pelas pessoas.

    Sobre “Bellamy” (2009), escrevi:
    Aqui e ali, Chabrol lança alguns dos seus eternos ataques à burguesia, ao estado geral da civilização, do planeta – e os fanáticos por Chabrol seguramente terão imenso prazer em ver o filme.

    Sobre “A Dama de Honra” (2004), escrevi:
    A verdade é que eu não consigo engolir os filmes de Chabrol. Não me recuso a vê-los, mas sempre que me sento diante de um, sem perceber vou ficando propenso a não gostar. Tudo bem: tudo que ele faz é competente, correto. Mas alguma coisa me irrita nos filmes dele. Talvez a má vontade dele para com toda a humanidade, para com tudo na vida; seus personagens são sempre abjetos, ruins, imprestáveis; tudo é pequeno, ínfimo, feio, negativo, tudo é uma grande merda. OK, boa parte da humanidade é assim mesmo, e, como diz o poema do Lorca cantado pelo Patxi Andion, la vida no es buena, ni bela, ni nada, tudo bem, tudo certo. Mas então por que precisamos desse diretor chato de galocha pra ficar repetindo isso sempre na nossa cara?

    Sobre “A Mulher Infiel” (1968), escrevi:
    Chabrol insiste, como vários de seus contemporâneos, em mostrar as vilanias da burguesia. Pega aqui uma família de posses (cuja origem do dinheiro nunca é mostrada), que mora numa bela propriedade num subúrbio de Paris, garoto de uns dez anos pouco delineado, mulher jovem, bonita e sensual (Stéphane Audran), marido (Michel Bouquet) mais velho, educado, polido, frio e nunca interessado em carinho ou sexo. (…)
    Tudo é contado com imenso distanciamento, sem qualquer emoção. Da série De Como um Burguês Simpático e Aparentemente Normal se Transforma em Assassino Frio.
    Pauline Kael mata a cobra e mostra o pau: “Este filme de Claude Chabrol é uma história de suspense sobre adultério e paixão na burguesia requintadamente detalhado, com atuações impecáveis, maravilhosamente bem dirigido (e eu ainda acrescentaria: com excelente trilha sonora, que pontua a tensão que não existe mas que sabemos vai explodir em algum momento). E no entanto não há um sopro de vida nele.”

    É isso.
    De novo, agradeço pela sua atenção!
    Um abraço.
    Sérgio

  6. Chantal Frazão
    Postado em 1 julho 2015 às 12:51 am | Permalink

    Olá Sergio

    Conheci Claude Chabrol quando eu tinha 14 anos. Assisti O AÇOUGUEIRO que me impressionou fortemente! O filme nos apresenta um simpático açougueiro, apaixonado pela professorinha da escola de uma cidade de província. Aos poucos uma serie de crimes vai acontecendo nesse pacato lugar. Pouco a pouco o filme mergulha no terror e garante um final bem impactante! É o tipo de filme que, depois de assistir, nos faz verificar se a porta da entrada está bem fechada ou se o telefone está funcionando, caso tiver que chamar a policia. Um pouco antes de assistir O AÇOUGUEIRO, me “pelei de medo” ao assistir PSICOSE de Hitchcock! Na mesma época, adorei o sutil duelo psicológico que acontece no filme O COLECIONADOR com Terence Stamp no papel principal. Coloco O AÇOUGUEIRO, PSICOSE E O COLECIONADOR num mesmo patamar de filmes. Os três dão medo e apresentam uns protagonistas muito charmosos, mas capazes de matar as pessoas como se fossem simples moscas! Aí sim! Dá para comparar esses três filmes de suspense e terror! Agora tentar comparar uma serie britânica, refinada e sutil que nos apresenta uma família nobre vivendo num lindo castelo, com a tropa de empregados perfeitos, polidos e organizados, aí não dá!

    Primeiro porque a serie nos apresenta um mundo fantasioso, onde quase todos os personagens se amam, são calorosos, se ajudam entre si. É um cenário idílico que foge da realidade, porque imagino que essa harmonia não devia estar tão presente nas residência dos afortunados daquela época. Devia existir muita rivalidade, muita inveja e outros sentimentos não tão nobres assim! Devo lembrar que enquanto os britânicos criaram uma história idealizada sobre a nobreza inglesa e seus empregados, este ano a França lançou o realista DIARIO DE UMA CAMAREIRA, remake de um filme dos anos 60, com Jeanne Moreau no papel principal. Nessa obra, a camareira é explorada sexualmente pelo patrão, maltratada pela patroa, desprezada pelos colegas de profissão. Num emprego anterior, o patrão da camareira faleceu de uma morte suspeita… Algo muito longe da história lindinha de Downton Abbey. Enfim, tem filmes para todos os gostos…

    Amo muito a serie, mas reconheço que não tem como compará-la com o trabalho dos cineastas da Nouvelle Vague e outros. Tem quem detesta Chabrol e tem quem adora. Eu por exemplo! Assim como adoro Eric Rohmer, Maurice Pialat (fabuloso), Claude Sautet (amo de paixão), Truffaut, Ozon, André Téchiné etc. Cada um deles tem o seu estilo próprio, sua marca, sua assinatura. Truffaut é o romântico, Pialat é o passional, Sautet o caloroso e Chabrol nos apresenta o lado sombrio de alguns burgueses provincianos. São cineastas, fazem filmes e a comparação para por aí. Comparar uma serie britânica com um filme de Chabrol, é a mesma coisa que tentar comparar a serie francesa, água com açúcar, PLUS BELLE LA VIE (que passa na TV5) – onde os personagens são todos simpáticos – com o filme O SILÊNCIO DOS INOCENTES. Antes de ver este último, li o livro que é muito mais assustador! Uma amiga minha, adoradora de Downton Abbey, nunca quis assistir um filme com o Hannibal Lecter como personagem principal. É uma questão de gosto.

    O Claude Chabrol usa o FAITS DIVERS (fatos diversos) como tema dos seus filmes. FAITS DIVERS é uma palavra usada no jargão jornalistico. São notícias sobre crimes, acidentes, acontecimentos estranhos. Existem revistas e jornais especializados em FAITS DIVERS. Esse tipo de leitura é muito apreciado na França na Inglaterra etc. Quando eu tinha uns doze ou treze anos, eu devorava as revistas DETECTIVE que minha avó
    comprava. Era uma revista apresentando todos os crimes mais horrendos que aconteciam no território francês e como andavam as investigações. Lembro de ter tido muito medo ao ler aquilo, mas eu não conseguia parar de ler! Eu era fascinada por essas histórias sombrias. Eu tinha pavor, mas gostava daquilo, assim como qualquer espectador adora sofrer ao assistir os filmes de Hitchcock! Outros ficam histéricos diante das imagens do assassino da sera elétrica! Não vejo esse tipo de filme, mas compreendo que tem gente que gosta!

    O escritor Guy de Maupassant adorava ler os FAITS DIVERS, pois lhe serviam de inspiração para seus contos. Os FAITS DIVERS fazem tão parte da cultura francesa que descobri um site francês que só foca aquilo:

    http://www.faitsdivers.org/

    Igualmente existem programas na TV francesa onde os crimes mais cruéis, acontecidos no território francês, são narrados, dissecados. Podemos seguir, passo a passo, a investigação dos policiais. Fico fascinada diante do trabalho minucioso dos peritos. Todos os dias eu assisto um capitulo no youtube. Um dos programa, perfeitamente produzido, chama-se FAITES ENTRER
    L´ACCUSÉ (faça entrar o acusado). Aqui um dos capítulos de FAITES ENTRER L´ACCUSÉ no youtube:

    https://www.youtube.com/watch?v=XZMvUxZHV-8

    Existe também outro programa de TV, esse mostrando os casos não resolvidos. Chama-se NON ÉLUCIDÉ. Como não moro mais na França, não sei exatamente quantos programas abordam o tema FAITS DIVERS, mas sei que existem outros.

    Claude Chabrol não era NEM UM POUCO um homem que detestava as pessoas. Já li várias entrevistas dos atores que trabalhavam com ele, como Isabelle Huppert, uma atriz que apareceu em vários filmes de Chabrol. Ela é uma pura CHABROLIENNE. Ela é tem o look da perfeita burguesa fria e calculista! Ela ADORAVA Chabrol, assim como o pessoal técnico e todos que o conheceram. Não somente Chabrol trabalhava em família, já que seus filhos e sua esposa o ajudavam na tarefa, assim como ele tratava toda a equipe como se fosse a sua própria família. Ele bancava uns almoços que eram verdadeiros banquetes. Ele era “bon vivant” e “gourmet”. Ele aproveitava as filmagens no interior para comprar especialidades regionais e bons vinhos. Ele convidava toda a equipe para almoçar ou jantar com ele. Essas refeições eram felizes, todo mundo celebrava a vida e os prazeres da mesa. Chabrol era um senhor adorável que se dava maravilhosamente bem com toda a sua equipe, mas que adorava assustar o seu público. Ele usava FAITS DIVERS reais para fazer seus filmes. É o caso do filme chamado VIOLETTE NOZIÈRE (famosa assassina francesa dos anos 30). Os FAITS DIVERS lhe asseguravam a autenticidade , davam uma credibilidade aos personagens e uma boa base para o filme. Pronto, espero ter explicado meu ponto de vista sobre Chabrol. O gênero FAITS DIVERS é muito curtido na França, faz parte da nossa cultura e é algo tipicamente nosso!

    Cordialmente
    Chantal Frazão

  7. Sérgio Vaz
    Postado em 1 julho 2015 às 4:34 pm | Permalink

    Hum… Bem: você ama Chabrol, eu acho Chabrol um chato de galocha. Então, deixemos um pouco de lado o genial (segundo você) e chatérrimo (na minha opinião) Chabrol.
    Mas… Como assim, “Downton Abbey” mostra um mundo fantasioso, onde quase todos os personagens se amam, são calorosos, se ajudam?
    Vixe: não foi essa série que eu vi. Na que eu vi tem sacanagem pra tudo quanto é lado, gente querendo ferrar a vida dos outros, gente mentindo, pessoas sendo falsas, hipócritas, pessoas com inveja umas das outras.
    Cordialmente,
    Sérgio

  8. Chantal Frazão
    Postado em 2 julho 2015 às 7:01 pm | Permalink

    Como falei, em DIÁRIO DE UMA CAMAREIRA, vemos um patrão explorando sexualmente sua empregada, uma patroa desprezando os empregados, e os empregados se odiando entre si. Isso era a realidade da época. Em Downton Abbey, o casal de nobre se ama, coisa rara naqueles tempos já que os casamentos entre nobres eram casamentos de interesse. O casal ama suas 3 filhas e as 3 filhas adoram seus pais e se gostam. Lady Edith sente inveja da irmã mais velha, Lady Mary, mas é uma inveja boba comum em qualquer família do planeta. Os donos do castelo tratam super bem os seus empregados e dá para ver o quanto existe afeto entre as duas castas. Entre os empregados, temos somente dois personagens que não têm boa índole: Thomas Barrow e Sarah O’Brien. Exceto esses dois, os outros são maravilhosos: o fiel mordomo Carson e a governanta Elsie Hugues são pessoas boníssimas e com bom coração. A doce Anna é uma confidente e amiga de Lady Mary etc. Enfim, reina sim uma harmonia entre as pessoas. Vez ou outra temos alguns personagem ruins, como a ex esposa de John Bates. Precisa deles para dar intriga ao seriado, senão seria meloso demais, mas de modo geral os personagens são bons.

  9. adriana lima
    Postado em 22 novembro 2015 às 9:25 pm | Permalink

    Assistia fervorosamente a serie, até a 3° temporada quando chocada vi a morte de Matthew Crawley. Perdi a noite de sono e estou inconformada, estava em um sonho e me acordaram covardemente. Estou dando um tempo para continuar, mas não sei se consigo. Imagino como ficaram os ingleses na noite de Natal, assistindo uma coisa daquelas, muito cruel…. Eu teria trocado o ator, mas nunca matado o personagem. INCONFORMADA.

  10. Sérgio Vaz
    Postado em 24 novembro 2015 às 11:13 pm | Permalink

    Adriana, veja a quarta temporada. Você vai gostar, tenho a certeza. Os autores resolveram de forma brilhante a saída de cena do ator que fazia o Matthew Craweley.
    Um abraço.
    Sérgio

  11. Vanessa
    Postado em 31 janeiro 2016 às 4:44 pm | Permalink

    Sérgio adorei o seu texto. Olha estou assistindo a 4 temporada e digo que me apeguei ao personagem Tomaz, até achei estranho a Anna falar mal dele para a nova dama de companhia da casa e o Bates tratar mal ele após ajudá-lo, confesso que começo achar esse casal Ana-Bates bem chatinho, seria legal uma reviravolta, ele se mostrou bem violento na prisão, talvez ele ter mesmo matado a mulher dele ou algo assim, porque agora torço muito pelo Tomaz, mesmo que ele continue com os joguinhos dele rs…

  12. José Luís
    Postado em 19 setembro 2016 às 8:42 pm | Permalink

    Acabei ontem de ver a quarta temporada. Continuo a achar que esta é uma série excelente, talvez a melhor que já vi. O último episódio no entanto cansou-me brutalmente. Todas aquelas cenas de baile, a apresentação das debutantes, tantas vénias e salamaleques deixaram-me à beira de desistir. Com franqueza a vida da nobreza (eu que sou um total plebeu) não me interessa nada, absolutamente nada.
    Mas vou continuar hoje a ver com a quinta temporada já em DVD porque a Netflix só tem até à quarta.
    Ao que tenho lido a oferta da Netflix em Portugal é das piores.

  13. Amanda
    Postado em 20 dezembro 2016 às 10:24 pm | Permalink

    Amo essa série, melhor série da minha vida!

Um Trackback

  1. […] minha opinião, Downton Abbey é a melhor série de TV que já foi feita. A quinta temporada (e, infelizmente, penúltima) só […]

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