Crepúsculo dos Deuses / Sunset Boulevard

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Nota: ★★★★

Crepúsculo dos Deuses/Sunset Boulevard é um dos filmes mais cruelmente amargos que já foram feitos sobre a indústria cinematográfica. Na verdade, é um dos filmes mais cruelmente amargos que já foram feitos, ponto final.

Tive essa certeza já bem no início do filme, ao revê-lo agora, muitos, muitos anos após a última vez. (Nem tantos assim: ao checar minhas anotações, constatei que revimos o filme em 2002. Na época, não fiz comentário algum.)

É amargo, triste, desolador, desesperançado, desesperador, trágico demais.

Alguém poderia perguntar: mas então por que ver e rever este filme?

Eu mesmo cheguei a me perguntar isso, enquanto revia tanta amargura. Mas a resposta é simples: porque é uma obra-prima. É arte maior, arte em estado puro.

Filho da mãe esse Billy Wilder.

Os dois personagens centrais estão indo celeremente ladeira abaixo

Sunset Boulevard não se baseia em um livro ou uma peça de teatro. É uma história original, criada diretamente para o cinema, por Wilder, mais seu co-roteirista de diversos filmes Charles Brackett e mais D.M. Marshman Jr.

zzsunset2Fala da ambição de jovens por fazer sucesso, e da tragédia imensa que é a decadência de quem já teve sucesso e não tem mais. É a história do encontro entre um jovem aspirante a roteirista e uma mulher idosa que já foi uma das maiores atrizes de Hollywood, décadas antes, e de quem agora as audiências já não se lembram mais.

A decadência de artistas que no passado tiveram imenso sucesso já foi tema de muitos filmes, e certamente voltará a ser, muitas vezes. Basta lembrar de Nasce uma Estrela/A Star is Born – enquanto uma estrela começa a brilhar, seu parceiro vai ladeira abaixo. A história é tão forte, tão emocionante, que virou filme três vezes: em 1937, 1954 e 1976. O primeiro, dirigido por William A. Wellman, tinha Janet Gaynor e Fredric March nos papéis centrais. O de 1954, o mais famoso, reuniu Judy Garland e James Mason, sob a direção de outro mestre, George Cukor. O de 1976, dirigido por um não mestre, Frank Pierson, tinha Barbra Streisand e Kris Kristofferson como os protagonistas.

Mas há também, e não dá para esquecer, Luzes da Ribalta/Limelight, de e com Charles Chaplin, um dos últimos filmes do mestre dos mestres, feito em 1952. O gênio interpretava Calvero, um velho palhaço da época do vaudeville, que vai ladeira abaixo enquanto sua protegida, a bailarina Thereza, interpretada por Claire Bloom, emerge como uma grande estrela.

Em Sunset Boulevard ninguém está crescendo, estourando, virando grande. Aqui, estão indo ladeira abaixo o jovem aspirante a grande roteirista e a atriz que já foi imensa.

Uma abertura sensacional, com um texto de brilho puro

Billy Wilder tem uma tendência forte para a amargura tão gigantesca quanto seu talento para escrever belos textos e criar belos filmes.

Consta que Billy Wilder uma vez disse que a chegada do som ao cinema fez mal a Chaplin. Chaplin, ele disse, foi genial em seus filmes mudos – e continuou a fazer filmes sem diálogos mesmo após o advento do som, em 1927. Quando finalmente cedeu, e passou a incluir diálogos em seus filmes – disse Wilder –, Chaplin passou a fazer discursos, e seus filmes ficaram piores.

Irônico, cruel, amargo, Wilder era um fraseur, um fazedor de frases, boutades, maldades, chistes, gracejos. Talvez até estivesse falando sério, quando fez essas frases sobre Chaplin e os diálogos. Mas é extremamente fascinante que Wilder diga isso, já que ele é autor de alguns dos melhores diálogos da história do cinema.

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Sunset Boulevard começa com um texto absolutamente brilhante.

Vemos o nome da avenida de Los Angeles, na região de Hollywood, escrito no trecho vertical do passeio, entre o passeio e o asfalto – e aí então a câmara começa a andar, presa a um carro. Vamos vendo o asfalto rolando, enquanto vão rolando os créditos iniciais. Os créditos terminam, e a câmara que estava voltada para o chão se movimenta um pouco para cima, e vemos o Sunset Boulevard enquanto ouvimos a voz em off do narrador:

– “Sim, isto é o Sunset Boulevard, Los Angeles, Califórnia. São cerca de 5 horas da manhã. Isso aí é o esquadrão de homicídios, completo, com detetives e gente da imprensa.”

Várias viaturas de polícia e de jornais vão a alta velocidade pela Avenida Paulista de Hollywood, se é que a comparação pode fazer algum sentido para quem não conhece São Paulo. OK, pela Quinta Avenida, pela Champs Elysées de Hollywood. Entram numa propriedade gigantesca, no meio da qual há uma imensa mansão, quase um castelo daqueles do campo inglês.

O narrador – a voz, os cinéfilos mais atentos logo percebem, é de William Holden – prossegue:

– “Houve uma informação sobre um assassinato em uma das mansões na quadra do número 10.000. Com certeza vocês lerão sobre isso nos jornais, ouvirão falar no rádio e na televisão, porque uma estrela dos velhos tempos está envolvida – uma das maiores. Mas antes que vocês ouçam o relato distorcido e exagerado, antes que os colunistas de Hollywood botem sua mão na história, talvez vocês queiram ouvir os fatos, toda a verdade dos fatos. Se for assim, chegaram à pessoa certa.”

zzsunset4Os policiais chegam à área da piscina da propriedade.

– “Vejam, o corpo de um jovem foi encontrado na piscina da mansão dela, com dois tiros nas costas e um no estômago. Ninguém importante. Só um roteirista com dois filmes B no seu currículo.”


E aí temos uma tomada em contreplongée, com a câmara embaixo d’água, mostrando o corpo de William Holden flutuando na piscina, emborcado, o rosto para baixo, as costas para para cima, para o ar.

– “O pobre sujeito”, prossegue o narrador. “Sempre quis uma piscina. No final, acabou conseguindo uma – só que o preço se revelou um tanto alto.” E, depois de uma breve pausa: “Vamos voltar atrás uns seis meses, até encontrar o dia em que tudo começou.”

Logo na abertura, Wilder comete dois pecados mortais contra a lógica

Quando eu era bem garoto, aí por uns 16, 17 anos, li um livro que me marcou muito, Film World, de Ivor Montagu, um sujeito que teve a honra de trabalhar tanto com Serguei Mikhalovich Eisenstein quanto com Alfred Hitchcock. Montagu dizia que, em nome da lógica, a câmara jamais poderia estar – como está em tantas centenas, milhares de filmes – dentro de uma geladeira, ou dentro de uma lareira.

(O eventual leitor já reparou quantas vezes os filmes mostram tomadas feitas como se a câmara estivesse colocada dentro de uma lareira, ou de uma geladeira?)

Montagu dizia que esse tipo de tomada é ruim porque a câmara deve mostrar o que os olhos humanos vêem. A câmara, ela é como se fossem os olhos.

Montagu fala a pura lógica: a câmara é como se fossem os olhos. Qualquer um de nós sabe muito bem que o que nossa máquina fotográfica ou nossa câmara de filmar focaliza é o que os nossos olhos vêem. Nossos olhos estão atrás dela, a câmara – ela vê o que nós vemos.

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Pois Billy Wilder inicia seu filme cometendo dois pecados mortais contra a lógica. Ele bota a câmara no fundo da piscina (algo tão ilógico quanto a câmara que fica dentro da geladeira, ou da lareira, onde os olhos não costumam ficar), focalizando o corpo, o corpse, o dead body, o presunto que está emborcado para baixo, costas pra cima. E quem está narrando a história é o morto.

O narrador estar morto é um recurso absolutamente fascinante

Quem narra a história é o morto!

Acho isso absolutamente fascinante.

Não que fosse um achado narrativo inédito. Eu não havia me lembrado – foi Valdecir Tozzi que, em comentário (abaixo), lembrou que Machado de Assis, um dos maiores gênios que já nasceram neste planeta, fez exatamente isso em Memórias Póstumas de Brás Cubas, lançado em 1880.

Ao escrever originalmente esta anotação, só me lembrei de exemplos bem menos augustos do que Machado: duas canções pop.

Neil Young escreveu uma canção que é um perfeito conto, em que o narrador está tão morto quanto o Joe Gillis da obra-prima que Billy Wilder lançou em 1950. Em “Powderfinger”, o narrador conta a história de um assalto a uma fazenda: chegam os bandidos, aproximam-se da casa – e dão um tiro no narrador. E aí ele nos narra sua história, lá naquele outro universo que o eventual leitor e eu ainda não tivemos o prazer de conhecer.
“Powderfinger” é uma canção belíssima. Neil Young a canta como um rock pauleira. Alguns anos após a gravação original, os Cowboy Junkies fizeram um cover extraordinário da canção, com um andamento estupidamente mais suave, e a voz de Margo Timmins surge de forma hipnótica.

Não foi Neil Young que, na música popular, inventou essa coisa fantástica, extraordinária, de um morto contar sua história.

Em 1959, Danny Dill e Marijohn Wilkin escreveram uma balada como se fosse uma folk song em que o narrador está debaixo da terra, mortinho e bem enterrado, e à noite sua amante passeia na grama por cima dele. “Long black veil” é belíssima.

O narrador estar morto, portanto, não é algo único, nem novo. Mas é uma maravilhosa sacada.

Ele: “Você era do cinema mudo. Você era grande”. Ela: “Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos”.

Uns seis meses antes de ser encontrado morto na piscina, Joe Gillis tentava escrever a idéia básica de um roteiro que interessasse a algum estúdio. Tinha abandonado o emprego em um jornal de sua cidade natal, no interior do Ohio, e se mudado para Hollywood em busca da fama, do sucesso, mas estava descobrindo que encontrar fama e sucesso não é tão fácil quanto acreditava. Morava num pequeno apartamento em Los Angeles, e estava devendo três meses de aluguel e três prestações do carrão que havia comprado a crédito.

zzsunset6Por uma dessas trapaças do destino, ao fugir dos homens da financeira que exigiam ou o pagamento das prestações atrasadas ou o carro de volta, Joe acaba entrando naquela gigantesca propriedade na altura do número 10.000 do Sunset Boulevard – um palacete dos anos 1920, que parecia abandonado.

Por outra dessas trapaças do destino, os dois únicos habitantes da casa – a proprietária e seu mordomo – estavam naquele momento aguardando a chegada de um agente funerário que iria levar para lá um caixão para acondicionar o corpo de um chimpanzé de estimação que havia morrido.

Max, o mordomo (interpretado por Erich von Stroheim), recebe Joe como se ele fosse o agente funerário e o manda falar com Madame, no segundo andar da imensa mansão. Joe até que tenta explicar que deve haver algum engano, mas, provavelmente movido pela curiosidade – uma excelente chance de conhecer uma mansão daquelas –, vai até o quarto de Madame.

Conversam por alguns momentos. Joe finalmente consegue dizer que não é o agente funerário. Está para ir embora, enxotado pela senhora idosa, quando finalmente a reconhece. O diálogo que vem então é um dos mais maravilhosos da história do cinema:

– “Você é Norma Desmond. Você era do cinema mudo. Você era grande.”

– “Eu sou grande. Os filmes é que ficaram pequenos.”

Assim como a personagem que interpreta, Gloria Swanson havia sido grande

Norma Desmond é interpretada por Gloria Swanson.

Exatamente como Norma Desmond, Gloria Swanson havia sido uma grande estrela, uma das maiores, na época do cinema mudo e início do flado – mas, em 1950, ano de lançamento de Sunset Boulevard, completava nove anos longe das telas.

Nascida em Chicago, em 1899, começou no cinema aos 16 anos, em 1915. Em 1919, foi contratada pelo diretor e produtor Cecil B. DeMille, já na época um dos grandes de Hollywood, e então tornou-se estrela.

Teve uma vida atribulada, cheia; casou-se seis vezes (sua personagem Norma Desmond casou-se três) e, fora disso, teve diversos amantes, inclusive Joseoph P. Kennedy, o pai de John F., Bob e Edward Kennedy; foi o patriarca dos Kennedy que produziu para ela o filme Minha Rainha/Queen Kelly, de 1929.

Minha Rainha, grande sucesso, foi dirigido por Erich von Stroheim, o alemão que é uma lenda do cinema – e que, em Sunset Boulevard, interpreta o fiel, marcial, louco de pedra mordomo de Norma Desmond.

A vida real e a trama do filme se interconectam de maneira impressionante

É absolutamente impressionante como a vida real e a história amarga do encontro de Norma Desmond com o aspirante a roteirista bem mais jovem, bonitão, se interconectam, se comunicam. Na sequência em que Norma joga cartas em sua mansão com um grupo de amigos, eles são representados por Buster Keaton, H. B. Warner e Anna Q. Nilsson, que na vida real foram contemporâneos e companheiros da atriz Gloria Swanson.

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O filme que é projetado pelo mordomo Max-Erich von Stroheim na sala da mansão de Norma é exatamente Minha Rainha, aquele com Gloria Swanson que von Stroheim dirigiu!

No filme, Norma diz: “Sem mim, não haveria mais Paramount Studio”. A atriz Gloria Swanson poderia dizer a mesma coisa na vida real: durante seis anos consecutivos, ela havia sido a principal estrela do estúdio.

As dezenas e dezenas de fotos de Norma Desmond que aparecem em porta-retratos espalhados pelas salas da mansão são de fato fotos da atriz Gloria Swanson em sua juventude.
Numa das sequências mais admiráveis deste filme extraordinário, Norma Desmond retorna pela primeira vez depois de anos e anos de esquecimento a um estúdio de Hollywood – o estúdio da Paramount, que produziu Sunset Boulevard. Lá ela se encontra com Cecil B. DeMille, que interpreta a si próprio.

A personagem interpretada por Gloria Swanson, assim como a própria atriz na vida real, havia feito vários filmes sob a direção de Cecil B. DeMille – naqueles estúdios da Paramount!

Cecil B. DeMille estava de fato filmando Sansão e Dalila no estúdio 18 da Paramount. Quando Norma Desmond-Gloria Swanson entra no estúdio 18, o que vemos no filme de Billy Wilder é autêntico, verdadeiro: toda uma gigantesca equipe reunida para as filmagens de um daqueles dramas inspirados em personagens bíblicos, uma marca registrada do diretor e produtor que as gerações mais novas talvez conheçam por causa da superprodução Os Dez Mandamentos, de 1956.

Há outro diálogo extraordinário nesse momento. DeMille não havia sido avisado da chegada de Norma Desmond. Seu primeiro assistente diz, sobre a atriz que andava havia décadas totalmente sumida do mundo:

– “Ela deve ter um milhão de anos!”

Ao que DeMille, fazendo maravilhosamente bem o papel de si próprio, diz: – “Odeio pensar onde isso me coloca. Eu poderia ser o pai dela.”

Pouco antes, o tal assistente já havia proposto inventar uma desculpa: “Posso dizer que o senhor está na sala de projeção e me livrar dela”.

E De Mille, com uma expressão contrariada no rosto: “30 milhões de fãs já se livraram dela. Isso não basta?”

Os personagens são vítimas de circunstâncias contra as quais não conseguem lutar

O DeMille personagem de Crepúsculo dos Deuses é uma pessoa extremamente doce, bondosa, compreensiva, afetuosa. É um oásis de bondade nesse universo tão absolutamente amargo em que vivem a velha estrela que perdeu o brilho e o jovem aspirante a roteirista.

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Não é, no entanto, o único personagem bom caráter. Há também a jovem Betty Schaefer (interpretada por Nancy Olson), que trabalha na Paramount como leitora de roteiros e sonha, ela também, em ser autora. Tem 22 anos, é bela, inteligente, aplicada no que faz. Seria absolutamente natural que Joe Gillis ficasse fascinado por ela.

Joe Gillis não é propriamente um mau caráter. De forma alguma. Ele bem que tenta resistir à situação esdrúxula em que vai parar – um jovem bonitão que vira teúdo e manteúdo por uma mulher bem mais velha e riquíssima. Fica muitíssimo incomodado com os presentes caros que Norma passa a dar a ele. E se acaba se deixando levar pela situação absurda, é, em grande parte, por um genuíno afeto que passa a ter por ela – ou, no mínimo, no mínimo, por pena, piedade, dó.

A rigor, a rigor, ninguém na história é absolutamente mau caráter. São, todos eles, os personagens centrais, vítimas de circunstâncias contra as quais não conseguem lutar.

A personagem tinha cerca de 50 anos, e era considerada uma velha

William Holden não era ainda considerado muito promissor na época do filme. Começara a carreira 12 anos antes, em 1938, mas nenhum de seus filmes anteriores havia tido grande sucesso de público ou crítica. Em 1950, o ano de Sunset Boulevard, estava com 31 anos, e era um dos mais belos galãs de Hollywood. A partir deste filme, sua carreira decolou.

Trinta e um anos!

Nada longe dos 51 de Gloria Swanson, que faz a atriz “idosa”.

O “jovem” Joe Gillis-William Holden diz para Norma Desmond-Gloria Swanson: “Norma, você é uma mulher de 50 anos, então cresça. Não há nada trágico em ter 50, a não ser que você esteja tentando parecer que tem 25.”

Num outro momento, Norma diz: – “As estrelas não têm idade, não é?”

É absolutamente impressionante como o mundo mudou, nestes 64 anos que se passaram depois do lançamento de Sunset Boulevard – e em alguns aspectos para bem melhor. As mulheres na faixa dos 50 anos, e na dos 60, não são consideradas “velhas”, “idosas”. Estão no auge, no esplendor da beleza, da forma física, da inteligência, da atividade.

O filme teve 11 indicações ao Oscar, mas só levou três

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A própria Gloria Swanson, como já foi dito, havia ficado sem filmar entre 1941 e 1950. Afastou-se das telas como sua personagem – mas, bem diferentemente de Norma Desmond, retomou a carreira. Assim como havia passado sem problemas da era do cinema mudo para o falado, permaneceu na ativa. Fez diversos filmes e séries para a TV nos anos 60 e 70. Tornou-se figurinista e pintora, fundou sua própria empresa de cosméticos. Morreria aos 84 anos, em 1983.

Teve três indicações ao Oscar – por Sedução do Pecado/Sadie Thompson, de 1928, Tudo por Amor/The Trespasser, de 1929, e por Sunset Boulevard. Nunca levou para a casa a estatueta.

O filme teve um total de 20 prêmios, fora outras 13 indicações. Foram 11 indicações ao Oscar. Perdeu nas categorias de melhor filme, melhor direção, melhor ator para William Holden, melhor atriz para Gloria Swanson, melhor ator coadjuvante para Erich von Stroheim, melhor atriz coadjuvante para Nancy Olson, melhor fotografia em preto-e-branco para John F. Seitz, melhor montagem para Arthur P. Schmidt e Doane Harrison.

Só levou os Oscars de roteiro, música (Franz Waxman) e direção de arte em preto-e-branco (Hans Dreier, John Meehan, Sam Comer, Ray Moyer). Sunset Boulevard perdeu o Oscar de melhor filme para A Malvada/All About Eve, de Joseph L. Mankiewicz, que também ficou com o prêmio de melhor diretor. William Holden perdeu para Jose Ferrer por Cyrano de Bergerac. E Gloria Swanson perdeu para Judy Holliday por Nascida Ontem/Born Yesterday – outro filme em que William Holden trabalha. Outras derrotadas por Judy Holliday foram Bette Davis e Anne Baxter, ambas por A Malvada.

Várias atrizes recusaram o papel. A própria Gloria Swanson quase desistiu

A escolha dos atores foi uma aventura. Segundo o livro The Paramount Story, Billy Wilder gostava de contar que havia convidado diversas atrizes que já estavam na ativa nos anos 1920-1930. Convidou Mae West – ela quis reescrever o papel. Convidou Mary Pickford – ela exigiu ter o controle da produção. Convidou ainda Pola Negri – ela se sentiu insultada.

Isso é o que diz The Paramount Story. O IMDb dá outra versão. Diz que Mae West recusou por se achar jovem demais para interpretar uma veterana do tempo do cinema mudo. Que Wilder e Charles Brackett chegaram à conclusão de que Mary Pickford, adorada como a namorada da América, não ficaria bem no papel da estrela egocêntrica, neurótica, que se achava a melhor coisa do mundo. E que a dupla descartou Pola Negri, polonesa de nascimento, por achar que seu sotaque carregado traria problemas.

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Foi o diretor George Cukor que sugeriu a Wilder o nome de Gloria Swanson. Mas a atriz quase recusou o papel quando foi informada de que Wilder queria fazer um teste de câmara com ela. Como assim, um teste para uma atriz que já havia sido uma das maiores estrelas de Hollywood? Consta que Cukor, muito amigo da atriz, a aconselhou: “Se eles quiserem fazer dez testes, faça os dez testes. Se você não fizer isso, dou um tiro em você”.

Ela então aceitou – para a felicidade geral das nações.

Gloria Swanson não atua de maneira natural, realística, naturalista. Bem ao contrário. Tanto ela quanto Erich von Stroheim atuam de forma exagerada, com gestos grandes, largos, e grandes caretas. É uma bela sacada de Wilder, mais uma entre tantas: os atores do cinema mudo, de uma maneira geral, usavam esse tipo de interpretação exagerada, grande, larga.

Era para Joe Gillis ter sido interpretado por outro ator de fina estampa: Montgomery Clift assinou o contrato para o papel; apenas duas semanas antes do início das filmagens, no entanto, anunciou que não faria mais o filme, e rompeu o contrato. Consta – pode ser fofoca, futrica – que o ator estava, na época, tendo um caso com uma mulher rica e mais velha, a ex-atriz Libby Holman; teria desistido por temer o que diriam colunistas de fofocas como Hedda Hopper e Louella Parsons sobre a coincidência entre vida real e a trama do filme.

Billy Wilder ofereceu o papel a Fred MacMurray, com quem havia trabalho no espetacular Pacto de Sangue/Double Indemnity (1944), mas ele recusou alegando que não tinha interesse em interpretar um gigolô. O nome de Marlon Brando teria sido aventado, mas deixado de lado porque o ator – que já brilhava na Broadway – ainda não era conhecido das audiências de cinema. Procuraram Gene Kelly, mas a MGM se recusou a emprestar o ator que era seu contrtado.

Chegou-se então a William Holden. Wilder estaria bastante relutante, devido ao fato que o ator não vinha de filmes importantes. Mas afinal aceitou, e deu no que deu: uma indicação ao Oscar de melhor ator, e uma rápida ascensão a partir daí. Tornaram-se amigos, Wilder e Holden, e voltaram a trabalhar juntos em O Inferno nº 17/Stalag 17, de 1953

Só mesmo Billy Wilder para usar como atores von Stroheim, De Mille, Preminger

A quantidade de histórias, curiosidades, pequenos detalhes a respeito de Sunset Boulevard é imensa. A página de trivia do IMDb sobre o filme reúne 70 itens. Dá vontade de transcrever um bom número delas. Começo com informações que estão em um dos muitos especiais que acompanham o filme na bela edição em DVD feita pela Paramount.

* O carro de Norma Desmond tem uma importância muito grande na trama. Já era, naquele ano de 1950, uma relíquia. É um Isotta-Fraschini, e em 1929, quando foi lançado, era o mais caro que existia no mundo. Nos Estados Unidos, foi vendido na época por US$ 50 mil dólares – o que, em valores de hoje, seria algo em torno de US$ 500 mil. Meio milhão! O carro que a produção alugou para usar nas filmagens havia pertencido à socialite Peggy Hopkins Joyce, que o ganhara de presente de seu amante, o magnata da indústria automobilística Walter Chrysler. Esse carro está hoje em exposição em Las Vegas; existem apenas seis daquele modelo atualmente nos Estados Unidos.

* A mansão que aparece no filme foi construída em 1924, e não fica no Sunset Boulevard. Na época das filmagens, pertencia à ex-mulher do magnata do petróleo J. Paul Getty. Foram filmados o exterior da construção e os jardins; os interiores, no entanto, foram todos construídos em um dos estúdios da Paramount. A mansão seria demolida em 1957; em seu lugar ficou um posto de gasolina.

zzsunset99* Em algumas sequências do filme aparece uma grande loja, a Schwab’s Drug Store. O lugar existiu de fato, no quarteirão do número 8.000 do Sunset Boulevard, e era um ponto de encontro de gente de cinema e de gente que tinha vontade de entrar para o cinema. Foi lá que F. Scott Fitzgerald – então contratado como roteirista por um dos grandes estúdios – teve um ataque cardíaco quando esteve no lugar para comprar cigarros. Segundo o especial do DVD, foi na Schwab’s Drug Store que Harold Arlen compôs “Over the rainbow” – e Harold Lloyd e Charles Chaplin jogaram fliperama nos fundos da loja. A Schwab’s Drug Store foi inteiramente redecorada depois de aparecer no filme, mas acabaria, com o tempo, perdendo seu glamour. Fechou em 1983, e o prédio foi demolido para dar lugar a um complexo de salas de cinema.

* Não é apenas o produtor e diretor Cecil B. DeMille que interpreta a si próprio em Sunset Boulevard. Hedda Hopper, uma das mais famosas colunistas que escreveram sobre filmes e artistas de cinema na primeira metade do século XX, aparece no papel dela mesma. E, como já foi dito, Buster Keaton, H. B. Warner e Anna Q. Nilsson interpretam a si próprios como os únicos amigos que ainda visitam Norma Desmond e jogam cartas com ela.

* Billy Wilder dirigiu, em outro filme estrelado por William Holden, O Inferno nº 17/Stalag 17, de 1953, mais um grande produtor e diretor de Hollywood, Otto Preminger. Só mesmo Billy Wilder para usar como atores nomões como DeMille, Preminger e Erich von Stroheim.

* A dupla William Holden-Nancy Olson voltaria a aparecer em outro filme no ano seguinte, 1951: O Tigre dos Mares/Submarine Command, dirigido por John Farrow, o pai de Mia.

* Sunset Boulevard foi a 17ª e última parceria de Billy Wilder e Charles Brackett. A partir de 1957, Wilder passaria a ter outro colaborador em diversos filmes, seu co-roteirista I.A.L. Diamond.

E chega, porque esta anotação já está grande demais, até para os meus padrões.

Assim, apenas registro que tanto Leonard Maltin quanto o Cinebooks’ dá ao filme a cotação máxima. O livro 501 Must-See Movies diz que Sunset Boulevard é até hoje considerado o melhor filme sobre Hollywood, e o 1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer dedica a ele duas páginas, algo só reservado para alguns poucos.

É um filmaço.

Anotação em maio de 2014

Crepúsculo dos Deuses/Sunset Boulevard

De Billy Wilder, EUA, 1950

Com William Holden (Joe Gillis), Gloria Swanson (Norma Desmond), Erich von Stroheim (Max von Mayerling), Nancy Olson (Betty Schaefer), Fred Clark (Sheldrake), Lloyd Gough (Morino), Jack Webb (Artie Green)

e, interpretando a si mesmos, Cecil B. De Mille, Hedda Hopper, Buster Keaton, Anna Q. Nilsson, H.B. Warner, Sidney Skolsky, Ray Evans, Jay Livingston e Bernice Mosk

Argumento e roteiro Charles Brackett, Billy Wilder e D.M. Marshman Jr.

Fotografia John Seitz

Música Franz Waxman

Montagem Doane Harrison e Arthur Schmidt

Figurinos Edith Head

No DVD. Produção Charles Brackett, Paramount Pictures. DVD Paramount.

P&B, 110 min

R, ****

12 Comentários

  1. Valdecir Tozzi
    Postado em 17 julho 2014 às 10:12 am | Permalink

    Grande resenha, com sempre.É, de fato, um grande filme.
    Apenas gostaria, se me permite, de lembrar sobre que narrativas a partir do ponto de vista de um morto já havia aparecido em Memórias Póstumas De Brás Cubas, de Machado de Assis.

    Um grande abraço!

  2. Sérgio Vaz
    Postado em 17 julho 2014 às 3:43 pm | Permalink

    Verdade, Valdecir! Grande toque! Eu havia me esquecido do genial Machado. Vou acrescentar sua observação.

  3. Jussara
    Postado em 18 julho 2014 às 1:26 am | Permalink

    Pelo tamanho que ficou seu texto o filme deve ser realmente muito bom (por mim pode escrever assim sempre), vou procurar pra baixar.
    Interessante esse negócio da piscina, do cara querer muito uma. Quando li essa parte me lembrei do Gene Kelly (que para minha alegria foi citado mais abaixo), pois dizem que ele nunca quis piscina na casa em que viveu a vida toda; casa com piscina era muito coisa de Hollywood, e ele não queria isso pra ele. Só fez uma depois de muitos anos de residência, por insistência dos filhos, se não me falha a memória.
    Sobre o personagem para o qual ele foi cotado, que bom que a MGM não o liberou, pois foi um ano antes de “An American In Paris” (seguido de SITR), e sabe-se lá se ele os teria feito, se as cartas do destino não teriam sido outras.
    Sempre ouvi falar muito de Crepúsculo dos Deuses, e gosto bastante desse título em português. E às vezes penso sobre isso, sobre a fama desses astros e estrelas, e de como deve ser ruim não ser mais requisitado, nem reconhecido, ser esquecido. Se a pessoa não for centrada e tiver o pé no chão, pira mesmo e entra em depressão profunda.
    É meio bizarro saber que uma mulher de 50 anos era considerada idosa, ainda bem que o mundo mudou para melhor nesse sentido. Nas fotos não consigo ver muita diferença de idade entre os dois, até pq o William Holden aparenta mais de 30.
    Okay, depois que eu assistir volto para comentar.

  4. José Luís
    Postado em 19 julho 2014 às 1:24 pm | Permalink

    Um filme memorável a todos os títulos. Lembro-me de um programa que havia na RTP (TV Pública) chamado “Cineclube” e que passava filmes clássicos apresentados por um realizador Português, António-Pedro Vasconcelos. O programa começava com a cena final do Crepúsculo dos Deuses. Nunca me esqueci e tenho saudades desse tempo em a nossa TV tinha programação mesmo, agora não tem.

  5. Maria Teresa
    Postado em 19 julho 2014 às 11:22 pm | Permalink

    Grande resenha, Sérgio. Só gostaria de somar a ela uma informação sobre o belo ator Montgomery Clift. Ele era homossexual. Atormentado por uma sexualidade não assumida, ele mantinha “namoros” heteros para acalmar os estúdios.

  6. André Farias
    Postado em 21 julho 2014 às 10:30 pm | Permalink

    Sérgio e caríssimos leitores dele,
    Gostaria de deixar o “link” para o episódio nº 6 do “Hollywood: A Celebration of the American Silent Film”(http://www.imdb.com/title/tt0080230/), “Swanson and Valentino”: http://www.youtube.com/watch?v=fVqgx20CPVs.

    Essa série trata do cinema mudo estadunidense em 13 episódios. A direção é de Kevin Brownlow e David Gill, que fizeram alguns dos melhores filmes dessa seara.

    Como é uma produção de 1980, grande parte dos atores, atrizes, diretores, amigos e parentes que viveram aquela época estavam vivos, então é muito satisfatório ter contato com algumas fontes primárias, por assim dizer.

    Ah… a narração em “off” é do James Mason.

    Tomei conhecimento desse pequeno espetáculo pelo “A Personal Journey with Martin Scorsese Through American Movies” (http://www.imdb.com/title/tt0112120/ e http://www.youtube.com/watch?v=w0yuKp55cuw&list=PLrMEncyd64BcSSc0byp19_nCe0_8n2TXH&index=1), onde o Scorsese faz umas recomendações antes de se despedir do espectador. Entre elas, ele fala com espanto e satisfação sobre a referida série.

    O episódio que faço referência que trouxe à baila consiste numa descrição de como funcionava o processo de endeusamento das estrelas, operação talvez mais megalomaníaca do que a realizada hoje em dia pela indústria. Para tanto utiliza os exemplos de Gloria Swanson e Rodolfo Valentino.

    E aí é muito salutar ver a própria atriz e o irmão do ator tecendo considerações sobre as respectivas carreiras.

    Bom… era isso… perdoe o tamanho do comentário!

    Grande abraço!

    André

  7. André Farias
    Postado em 21 julho 2014 às 10:56 pm | Permalink

    Ah… eu deveria ter feito referência ao episódios 7, “The Autocrats”, sobre Cecil B. DeMille e Erich von Stroheim (http://www.youtube.com/watch?v=nCjrS7v78vA) e 8, “Comedy – A Serious Business”, sobre, entre outros, vocês imaginam quais…, Buster Keaton (http://www.youtube.com/watch?v=qwfA7suKAng0).

  8. André Farias
    Postado em 22 julho 2014 às 12:44 am | Permalink

    http://supernovo.net/oscinefilos/cinecast-cult-84-crepusculo-dos-deuses/

  9. Jussara
    Postado em 5 dezembro 2014 às 12:09 am | Permalink

    Depois de 4 meses do meu comentário, finalmente vi o filme (adoro o título em português). Não é mesmo uma história fácil.

    Interessante isso de que “a câmara deve mostrar o que os olhos humanos vêem.” Cenas com a câmera dentro da geladeira me incomodam um pouco, mas a da piscina eu até gostei, mesmo contrariando a lógica.

    Tive outra impressão sobre a amizade entre Joe e Betty: foi ela quem ficou fascinada por ele, desde a festa de réveillon, quando eles entram numa sala para conversar longe do barulho e das risadas. Sem sonhar o que viria pela frente, o namorado dela/amigo dele diz: “Eu disse que te emprestava o sofá, não a namorada”. Ah, se ele soubesse. Ali já achei que rolou uma tensão sexual, mas ele acabou tendo que voltar correndo pra casa. Depois que eles começaram a escrever juntos, meio que o interesse dele aflorou, mas ela já estava na dele faz tempo, até meio que deu em cima dele na festa (e verdade seja dita que ele era muito mais interessante e bonito que o namorado dela).

    Como todo filme de Billy Wilder (todos dos que já vi, pelo menos) neste também pode-se discutir assuntos como valores morais, hipocrisia, narcisismo etc. Concordo com você, que nenhum deles é completamente mau caráter, os personagens acabam sendo levados pelas circunstâncias. O próprio Joe agiu corretamente no final.

    Estou quase arrependida de ter dito que a MGM fez bem em não ter liberado Gene Kelly, depois que vi que Joe Gillis aparece uns 99% do tempo na tela. Sem falar que tem uma cena dele saindo da piscina, onde eu super preferiria que fosse Gene em seu lugar, pois naquela época ele estava no auge da forma física, mesmo já perto dos 40 anos (o cinema, esse machista, já mostrava as coxas e os seios das atrizes, mas mostrar as pernas dos homens era raro). A MGM também não o liberou para Pal Joey, que ele havia feito maravilhosamente bem na Broadway, tanto que estourou e foi chamado para trabalhar no cinema (onde ele pensou que não ficaria muito tempo).
    Os estúdios muitas vezes ferravam com a carreira dos atores.

    Realmente, há inúmeros detalhes e curiosidades sobre o filme. Um dos que mais me chamaram a atenção foi saber que Cecil B. DeMille parecia ser bonzinho só no filme; pediu 10 mil dólares pela ponta (quanto valeria isso hoje?) e mais um Cadillac novo em folha. Quando Wilder o chamou novamente só para garantir um close, ele pediu mais 10 mil. Fala sério!

    O que me fez rir foi saber que BW não disse “corta” na cena de beijo entre Gillis e Betty; ele deixou rolar. Quem acabou falando “corta” foi a mulher de William Holden, que calhou de estar aquele dia no estúdio (antes de ler sobre isso, eu tinha reparado que o beijo havia durado um pouco mais que o normal, para a época).

  10. Miguel
    Postado em 18 maio 2015 às 6:20 pm | Permalink

    Este filme é muito bom, é sério, decadente e estranhamente cómico. Apesar de ser um grande filme, com todo o direito, eu não idolatro Sunset Boulevard. Cansa-me um pouco. Julgo que é por achar a história um pouco óbvia. Não é um clássico que eu ame definitivamente

  11. Heitor
    Postado em 17 agosto 2015 às 10:58 am | Permalink

    A velhice é uma merda, o esquecimento é a coisa mais cruel que existe pra quem foi paparicada pela vida praticamente a vida toda; pra piorar, só se o bofe da gente der tchauzinho canalha, eu vou pra Maracangalha…

  12. Sebastião Brito
    Postado em 27 novembro 2015 às 3:43 pm | Permalink

    Adoro este filme…considero o melhor do cinema. E Swanson dá um show de interpretação… é de tocar a alma a sensação de decadência, esquecimento, velhice, morte. Assisto sempre!

7 Trackbacks

  1. […] sua produção, são tão absolutamente fascinantes quanto os maravilhosos diálogos escritos por Billy Wilder e George Axelrod e as interpretações memoráveis de Tom Ewell e Marilyn […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » Festa Selvagem / The Wild Party em 28 janeiro 2015 às 1:19 pm

    […] da Ribalta/Limelight (1952), Nasce uma Estrela/A Star is Borb (1937, depois 1954, depois 1976). Crepúsculo dos Deuses/Sunset Boulevard (1950). O Palhaço Que Não Ri/The Buster Keaton Story (1957). A Malvada/All About Eve (1950), para […]

  3. Por 50 Anos de Filmes » Sabrina em 8 abril 2015 às 4:54 pm

    […] colegas o elegeram O Homem Mais Provável a Doar US$ 50 milhões. Seu irmão. David (o papel de um William Holden com o cabelo estranhamente tingido de louro), passou por diversas das melhores faculdades por […]

  4. Por 50 Anos de Textos » Morreu Lenine em 19 abril 2015 às 9:09 pm

    […] Sunset Boulevard no Brasil é Crepúsculo dos Deuses. […]

  5. […] LEIAM TUDO AQUI – http://50anosdefilmes.com.br/2014/crepusculo-dos-deuses-sunset-boulevard/ […]

  6. Por Crepúsculo dos deuses | Cine-Fórum CCB em 10 maio 2016 às 8:11 pm

    […] Crepúsculo dos Deuses — Sérgio Vaz (50 Anos de Filmes) […]

  7. Por 50 Anos de Textos » O morto orgulhoso em 1 novembro 2016 às 1:09 am

    […] Sunset Boulevard no Brasil é Crepúsculo dos Deuses. […]

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