A Garota do Parque / The Girl in the Park

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Nota: ★★½☆

Pode acontecer muito tipo de tragédia na vida de qualquer pessoa. Mas não pode existir tragédia maior do que a que se abate sobre Julia, a protagonista deste A Garota do Parque, interpretada pela extraordinária Sigourney Weaver.

Acontece bem no comecinho da narrativa, antes que o filme chegue ao décimo minuto: Julia leva a filhinha Maggie (Daisy Tahan), de três anos, para brincar no parque perto de casa. Passam lá um tempão. Na hora de ir embora, Julia se distrai por um brevíssimo instante, ao arrumar os brinquedinhos da garota na sacola – e Maggie desaparece.

Julia caminha pelo parque em todas as direções – e não encontra mais a filhinha.

A rigor, a rigor, adiantar qualquer outra informação sobre a trama de A Garota do Parque, sobre qualquer coisa que acontece a partir do oitavo minuto do filme, seria spoiler.

zzgirl2Não que este seja um filme de suspense, de mistério. Não é nada disso. É um drama familiar, um pesado, pesadíssimo drama familiar.

A sinopse da caixinha do DVD revela. A sinopse do IMDb revela. Provavelmente todas as sinopses revelam. Eu mesmo cheguei a revelar nesta anotação – mas aí li para Mary, e ela argumentou que era spoiler. Mary ficou muito chocada com o letreiro que vem exatamente quando o filme está com oito minutos: foi total surpresa para ela, e portanto deverá ser também para outras pessoas.

Pensei melhor, a partir do que ela falou, e resolvi então não dar o spoiler que a sinopse da caixinha do DVD dá, que a sinopse do IMDb dá. Não é porque outros entregaram o spoiler que eu devo segui-los – e tenho ficado cada vez mais cuidadoso para evitar spoilers.

Sigourney Weaver está maravilhosa no papel dessa triste mãe

Dá para dizer, então, que o filme consegue criar um clima  apavorante, angustiante, aterrador, que envolve o espectador.

Sigourney Weaver está excelente como essa Julia, uma mulher que levava uma vida gostosa, boa, em paz, com o marido, Doug (David Rasche), e com os dois filhinhos, o primogênito Chris e a caçula Maggie – até o momento em que tragédia cai sobre ela.

Sigourney Weaver transmite ao espectador toda a dor, a angústia, o desespero de uma mãe que é obrigada a enfrentar uma tragédia dessa dimensão.

zzgfirl3O filme, lançado em 2007, tem argumento, roteiro e direção de David Auburn, um autor de pouquíssimas obras. Nascido em Chicago em 1970, Auburn só dirigiu um filme até hoje – exatamente este A Garota do Parque.

Ele escreveu a peça teatral Proof, sobre a filha de um gênio da matemática com sérios problemas psiquiátricos, que vive apavorada com a perspectiva de ter herdado ao menos em parte a insanidade do pai. A peça foi muitíssimo bem recebida: ganhou o Tony, o Oscar do teatro americano, em 2011, mais o Pulitzer e dois outros prêmios. Em 2005, foi lançado o filme baseado na peça, com direção do inglês John Madden, o realizador de Shakespeare Apaixonado e O Exótico Hotel Marigold. O próprio autor escreveu o roteiro do filme, ao lado de Rebecca Miller. A Prova/Proof, o filme, é muito bom.

Em 2006, David Auburn assinou o roteiro de A Casa do Lago, dirigido por Alejandro Agresti, com Keanu Reeves e Sandra Bullock. Não me pareceu um bom filme.

E esta é toda a obra de David Auburn até agora.

A Garota do Parque não é, na minha opinião, um grande filme, talvez nem mesmo um ótimo filme. Mas tem qualidades, a começar da maravilhosa, convincente interpretação de Sigourney Weaver. O resto do elenco também está bem, com destaque para Kate Bosworth, uma atriz que, acho, mereceria mais bons papéis, como o deste filme, e Alessandro Nivola.

Quem gosta de dramas familiares não tem por que não ver este filme. No entanto, mães de bebês ou mulheres grávidas não deveriam vê-lo:  é barra pesada demais.

Anotação em abril de 2014

A Garota do Parque/The Girl in the Park

De David Auburn, EUA, 2007

Com Sigourney Weaver (Julia), Kate Bosworth (Louise), Alessandro Nivola (Chris), Keri Russell (Celeste), Daisy Tahan (Maggie), David Rasche (Doug), Patricia Kalember (Amanda), Ian McWethy (Dean), Elias Koteas (Raymond), Michael Patterson (Dave), Joanna Gleason (Sarah), Stephen Kunken (Leo)

Argumento e roteiro David Auburn

Fotografia Stuart Dryburgh

Música Theodore Shapiro

Montagem Kristina Boden

Produção Furst Films, Oak 3 Films, Open Pictures. DVD Califórnia

Cor, 110 min

**1/2

Um Comentário

  1. Jussara
    Postado em 3 julho 2014 às 12:22 am | Permalink

    O filme é barra pesada mesmo, e o final achei confuso. Chegou uma parte onde eu continuei a assistir mais para ver até onde ia a loucura da Julia (teve momentos em que embarquei na loucura dela) do que pela história em si, pois o desenrolar do encontro com a moça no restaurante e todo o envolvimento que se deu entre as duas depois, foi meio nada a ver. Tem uns momentos que são cansativos.
    Algumas coisas são óbvias: quando o ex-marido apareceu, eu tinha certeza que eles haviam se separado e que ele estava com outra mulher. É engraçado como os homens superam mais facilmente certos acontecimentos, ou talvez eles apenas coloquem uma pedra no assunto.

    Concordo que A Prova é muito bom, e que A Casa do Lago não é (para mim a história é viajandona). Neste aqui ele ficou no meio termo, pesando um pouco a mão na neurose da Julia, o que de certa forma é compreensível: para as mães esse tipo de acontecimento é sempre mais difícil, como o próprio filme mostra, já que os outros envolvidos tocaram melhor suas vidas.

    Não entendo essas escalações onde a idade dos atores não bate com a dos personagens. Quando o filme foi feito a Sigourney Weaver tinha 58 anos. Qual mulher tem filhos pequenos aos 58, com uma caçula de 3? No começo é visível como evitam closes nela, justo para não mostrar que ela tinha idade para ser avó da menina. Mas concordo que ela está muito bem, e todos os outros também (mesmo a eterna Felicity, Keri Russell).

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » O Vôo / Flight em 7 julho 2014 às 3:07 pm

    […] nas tramas dos filmes a partir aí dos primeiros 15, 20 minutos. Outro dia mesmo, ao escrever sobre A Garota do Parque, um envolvente drama familiar, Mary me chamou à atenção, dizendo que revelar o que acontece […]

  2. […] (O que faz lembrar um detalhinho: no filme 1492 – A Conquista do Paraíso, que Ridley Scott dirigiu em 1992, exatos 500 anos após os fatos, Isabel de Castela foi interpretada pela deusa Sigourney Weaver.) […]

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