O Pagador de Promessas

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Nota: ★★★½

Em 1962, o Brasil ganhou a Copa do Mundo no Chile e a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

A Copa do Mundo, o Brasil ganhou três outras vezes. Jamais voltou a ganhar o principal prêmio de Cannes. Nunca ganhou o Leão de Ouro em Veneza, nem o Oscar.

Um dos dois mais importantes prêmios internacionais para um filme brasileiro, em toda a história, é a Palma de Ouro para O Pagador de Promessas. (O outro foi o Urso de Ouro no Festival de Berlim de 2008 para Tropa de Elite. E aqui preciso agradecer a André Farias, que me fez corrigir o texto ao me lembrar do prêmio para o filme de José Padilha.)

Os concorrentes em Cannes, naquele ano de 1962, eram fortíssimos. Tinha Antonioni, Buñuel, Germi, Cacoyannis, Lumet, Varda, Bresson, Ray, Preminger, Richardson…

Vale a pena enumerar alguns dos filmes que concorriam com O Pagador de Promessas. Ah, se vale!

Tempestade Sobre Washington, de Otto Preminger. O Anjo Violento, de John Frankenheimer. O Anjo Exterminador, de Luis Buñuel. Cléo de 5 às 7, de Agnès Varda. Devi, de Satyajit Ray. Divórcio à Italiana, de Pietro Germi. O Eclipse, de Michelangelo Antonioni. Electra, de Michael Cacoyannis. Os Inocentes, de Jack Clayton. Longa Jornada Noite Adentro, de Sidney Lumet. O Processo de Joana d’Arc, de Robert Bresson. Setenta vezes sete, de Leopoldo Torre Nilsson. Um Gosto de Mel, de Tony Richardson.

Quando Anselmo Duarte voltou de Cannes carregando a Palma de Ouro, foi recebido como costumam ser recebidos os jogadores da Seleção ao voltar com um caneco da Fifa. Teve desfile em caminhão do Corpo de Bombeiros.

Consta que François Truffaut fez campanha no júri para o filme brasileiro

zzpagador2Diante da excelência dos competidores, alguém mais ranzinza, mais pentelho (há sempre quem torça pela derrota da Seleção), ou mais ligado ao cinema novo poderia tentar argumentar que foi uma decisão política, aquela coisa tão francesa de querer agradar ao Tiers Monde, puxar o saco dos países periféricos. Que foi um prêmio dado ao exotismo – afinal de contas, O Pagador de Promessas mostra candomblé, macumba, capoeira, miséria, ainda que uma miséria festiva.

Esnobar o sucesso dos outros é um esporte bastante praticado por aqui. Domingos Oliveira diria, poucos anos depois de O Pagador de Promessas, quando seu Todas as Mulheres do Mundo fez tremendo sucesso de público remando totalmente contra a maré do cinema novismo, que o Brasil detesta gente que faz sucesso.

O júri de Cannes naquele ano tinha representantes de França, Japão, Estados Unidos, Alemanha, Polônia, União Soviética, Itália, Suíça, Inglaterra.

Para falar bem a verdade, dos nomes do júri só reconheço Mel Ferrer, Romain Gary, Mario Soldati e François Truffaut.

Não imagino esses senhores dando a Palma para O Pagador por motivos outros que não a qualidade do filme.

Consta, inclusive, que Truffaut fez campanha para o filme brasileiro.

Está na estupenda Enciclopédia do Cinema Brasileiro (Editora Senac São Paulo, 2000), por Fernão Ramos e Luiz Felipe Miranda, organizadores: “François Truffaut, que integrava o júri, foi um dos maiores entusiastas do filme, fazendo campanha para atribuir o prêmio ao filme brasileiro”.

Anselmo Duarte, segundo Gláuber, estava “a serviço de uma ideologia do entorpecimento”

zzpagador3É uma tremenda ironia que o maior prêmio internacional jamais dado a um filme brasileiro tenha sido para um filme de um diretor que não era um queridinho da crítica, não era do então nascente e cheio de si cinema novo.

Na verdade, a patota do cinema novo detestava Anselmo Duarte.

Em novembro daquele ano de 1962, Gláuber Rocha escreveu um artigo para “dar nome aos bois e estabelecer linhas divisórias nesse conglomerado difuso e amorfo que se chamava Cinema Novo”, como escreve Fernão Ramos em outra obra importante, História do Cinema Brasileiro (Art Editora, São Paulo, 1987).

Gláuber colocava, de um lado, os nomes dos “verdadeiramente preocupados com um cinema espetáculo que dê dinheiro e tire prêmios” – e Anselmo Duarte abria a lista, que seguia com Carlos Coimbra, Rubem Biáfora, Lima Barreto e Roberto Farias.

Esses aí, segundo Gláuber, faziam o cinema de “efeito fácil”. Eram os “produtores a serviço de uma ideologia de entorpecimento”.

Do outro lado, do lado correto, segundo ele, estavam os que faziam “cinema experimental”, os que estavam “preocupados com um cinema ‘que exprima a transformação de nossa sociedade, comunicando e processando esta transformação’”. Os nomes dos heróis, segundo Gláuber: Ruy Guerra, Nelson Pereira dos Santos, Paulo Saraceni, Alex Viasni, Jean-Claude Bernadet, Gustavo Dahl, Joaquim Pedro de Andrade, Leon Hirszman, Roberto Pires, Miguel Torres, Mario Carneiro, Miguel Borges, Marcos Farias, Ely Azeredo, David Neves.

Para os jovens realizadores brasileiros, o que tinha vindo antes era porcaria

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Os jovens do cinema novo – não só Gláuber, mas todos eles – queriam, como todos os jovens, romper com tudo aquilo que estava ali. Com a única exceção de Nelson Pereira dos Santos, que eles adotaram como aliado, o resto, praticamente tudo o que tinha vindo antes deles, era porcaria. Acadêmicos, classicistas, que faziam cinema de “efeito fácil”, “ideologia do entorpecimento”.

Seguiam exatamente os mesmos passos dos jovens da nouvelle vague – Jean-Luc Godard, François Truffaut, Claude Chabrol, Eric Rohmer.

Truffaut, seguramente o mais articulado deles, o que mais escrevia na imprensa, poupava pouquíssimos realizadores franceses que tinham vindo antes deles. Idolatrava Jean Renoir e Robert Bresson – mas detestava diversos dos grandes nomes do cinema francês, a começar por René Clément e René Clair. Exatamente como os jovens brasileiros, o jovem Truffaut se referia a Clément, Clair e diversos outros realizadores que vieram antes como acadêmicos, classicistas.

Fiquei imaginando aqui. Posso estar viajando longe, mas fiquei imaginando: será que Truffaut, ao defender o filme brésilien, tinha se confundido, e achado que aquele era um filme da nouvelle vague brasileira, o cinémá novô?

Mestre Jean Tulard diz que o filme é “muito acadêmico”

No seu monumental Guide des Films, mestre Jean Tulard escreve ele próprio sobre La Parole Donnée, a palavra dada, título na França do filme de Anselmo Duarte. O guia, uma obra de mais de 3 mil páginas, 15 mil filmes comentados, é editado por ele, mas, como tantos outros guias, com diversos colaboradores. É ele que escreve sobre La Parole Donnée – e ele é curto e grosso: “Palma de Ouro em Cannes. Na realidade, um filme muito acadêmico, ainda que projetando uma luz insólita sobre as mentalidades religiosas no Brasil”.

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Em outra obra, o seu Dicionário de Cinema – Os Diretores, Jean Tulard dedica a Anselmo Duarte um verbete mínimo: “Ator que passou para a realização, obteve a palma de Ouro em Cannes em 1962. Distanciado do ‘Cinema Novo’, Duarte vincula-se à corrente acadêmica da produção brasileira.”

Quem sou eu para contestar mestre Tulard?

No entanto…

Essa coisa de dividir o mundo, a arte, o cinema, qualquer coisa, entre os “acadêmicos, formalistas, classicistas” de um lado, e os “revolucionários, inovadores” de outro, me enche tremendamente o saco.

É uma coisa de patota. Nós x eles. Os queridinhos da crítica e dos festivais x os não queridinhos da crítica e dos festivais.

A vida não se resume a festivais, disse Vandré, ele mesmo da patota, queridinho da crítica e também dos festivais.

Mas vamos em frente.

A vida de Anselmo Duarte daria um belíssimo filme

O verbete sobre Anselmo Duarte (1920-2009) na Enciclopédia do Cinema Brasileiro demonstra que a vida dele daria um bom filme. E ao mesmo tempo dá boas pistas para se compreender por que ele não poderia mesmo ser abençoado pela patota do cinema novo. Era mais velho que os meninos do cinema novo; tinha feito muito sucesso antes que os meninos começassem a fazer seus filmes; não era um ‘intelectual’; não era baiano nem carioca – nasceu em Salto, interior de São Paulo, portanto era caipira. Ainda por cima – isso o verbete não diz, mas eu digo – era bonito.

Transcrevo parte do início do verbete:

“Galã número um da Atlântida e da Vera Cruz (…), Anselmo Duarte, caçula de sete irmãos, criado sem pai (que fugira, abandonando a mãe à própria sorte), começou a trabalhar cedo: foi engraxate, lavou garrafas numa farmácia e foi ajudante de barbeiro. Aos 14 anos, mudou-se para a capital paulista, onde morou algum tempo com a irmã mais velha e arrumou um emprego de datilógrafo numa escola de contabilidade. Trabalhou depois na editora de música dos irmãos Vitale, tendo sido admitido no mesmo dia em que o compositor Zequinha de Abreu (a quem Anselmo interpretaria anos mais tarde no filme Tico-tico no Fubá) se demitia.”

Bem adiante, a Enciclopédia conta que Anselmo passou um tempo no respeitadíssimo IDHEC, o Institut des Hautes Études Cinématographiques, em Paris. E, em 1960, assistiu a filmes no Festival de Cannes. Lá, lançou um desafio: voltaria a Cannes como concorrente, e ganharia a Palma de Ouro.

(Esse troço me faz lembrar a história de outro diretor que não era nada bem amado por seus pares e fez um desafio. Em 1966, ao ganhar a Palma de Ouro por Um Homem, Uma Mulher, Claude Lelouch disse que voltaria dali a 20 anos para mostrar a continuação da história. Assim como Anselmo Duarte, Lelouch cumpriu sua promessa, e apresentou, acho que hors-concours, seu maravilhoso Um Homem, Uma Mulher 20 Anos Depois.)

Um realizador que “patenteou sólidas qualidades narrativas e de artesanato”

“Entre os que vieram do Sul para filmar na Bahia destaca-se desde logo Anselmo Duarte, que realizou para Oswaldo Massaini O Pagador de Promessas, que, pelo conjunto de suas qualidades intrínsecas e de comunicabilidade dramática com amplas audiências do Brasil e do exterior, é certamente o filme mais completo, ser não o melhor, já realizado entre nós.”

Esse texto está na História do Cinema Mundial, de autoria do historiador e crítico francês Georges Sadoul, numa edição lançada em 1963 pela Livraria Martins Fontes Editora. É uma obra gigantesca, editada em dois volumes. O texto que transcrevi evidentemente não é de Sadoul, e sim dos responsáveis pela edição brasileira. Vem num apêndice, “Post-Scriptum do Editor ao Capítulo ‘O Cinema Brasileiro’ de Georges Sadoul’, que explica que o texto do estudioso francês “cobre os acontecimentos cinematográficos brasileiros aproximadamente até 1960”.

O segundo volume tem na capa uma foto de O Pagador de Promessas.

O texto prossegue:

zzpagador6“Anselmo Duarte estreou como diretor no filme por ele igualmente interpretado Absolutamente Certo, trabalho sem ambição mas onde patenteou sólidas qualidades narrativas e de artesanato. Em O Pagador de Promessas ele não só as confirma integralmente e com brilho excepcional, como ultrapassa de muito o simples terreno da competência profissional, para se alçar a um inspirado e comovente tratamento da história contada por Dias Gomes em sua peça teatral. Contando com a colaboração de ótimos intérpretes do teatro paulista e do cinema baiano, e igualmente auxiliado por técnicos seguros em matéria de fotografia e montagem, Anselmo Duarte deu uma lição de como contar uma história brasileira na linguagem geral já abundantemente testada nos países cinematograficamente mais adiantados.”

“A ingenuidade de Zé é explorada por uma série de personagens inescrupulosos”

A edição brasileira do livro 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer inclui O Pagador de Promessas. Um certo número de filmes brasileiros foi acrescentado pelos editores para a edição aqui. Não sei se foi o caso de O Pagador. Quem assina o texto sobre o filme é Roumiana Deltcheva, uma estudiosa que, pelo que diz o livro, vive no Canadá.

Eis o que ela escreveu:

“Baseado na peça do dramaturgo brasileiro Alfredo Dias Gomes, O Pagador de Promessas é uma parábola sobre a fé incondicional diante das adversidades. O enredo se desenvolve em torno de Zé do Burro (Leonardo Villar), um simplório camponês que tenta cumprir a promessa feita ao espírito que ele acredita ter salvo a vida de seu burro. Zé e a mulher Rosa (Glória Menezes) vivem em um sítio a 45 quilômetros de Salvador. Dentro do contexto da espiritualidade brasileira, Salvador simboliza um espaço religioso onde os rituais católicos e africanos se fundem de forma pacífica. (…) A ingenuidade de Zé é explorada por uma série de personagens inescrupulosos. É tão cruel a visão da humanidade exibida na tela que fica fácil de entender por que o melhor amigo de Zé é um burro.

O Pagador de Promessas é um poderoso libelo contra a rigidez da Igreja Católica diante da flexibilidade religiosa que caracteriza a cultura brasileira. O final é trágico, cruel e belo. Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, sua maior conquista foi a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1962.”

Um filme que merece respeito, baseado numa peça que parte de belíssima trama

Certo. Estão aí diferentes opiniões – mas ainda não dei propriamente opinião minha, pessoal, sobre o filme, e minhas anotações sempre são pessoais, intransferíveis como dor de dente.

Pra começo de conversa: há filmes que, antes de tudo, merecem respeito. O Pagador de Promessas merece respeito.

zzpagador7A história criada por Dias Gomes é um brilho. Parte de uma idéia  sensacional, uma belíssima sacada, para falar do sincretismo religioso e da intolerância da Igreja Católica: Zé do Burro (Leonardo Villar) vai a uma sessão de candomblé e faz uma promessa a Iansã – se o seu burro sarar, ele pagará a promessa carregando a pé, sobre seus ombros, uma cruz pesada como a de Jesus Cristo por 7 léguas, desde sua terra, no sertão baiano, até a Igreja de Santa Bárbara, em Salvador.

Na cabeça de Zé do Burro, assim como na de milhares de brasileiros, Iansã é Santa Bárbara e Santa Bárbara é Iansã. Dá na mesma. São a mesma coisa.

Zé do Burro é católico. Mas, como seu burro estava sangrando depois de ter sido atingido por uma árvore, ele tentou de tudo – inclusive uma ida ao candomblé, onde fez a promessa a Iansã, que para ele é igual a Santa Bárbara.

Caminha então as 7 léguas, carregando a cruz, com a mulher, Rosa (Glória Menezes), caminhando junto.

Zé do Burro conta sua história para o padre da Igreja de Santa Bárbara, o padre Olavo (Dionísio Azevedo). O padre ouve e decide: a promessa foi feita num terreiro de macumba, coisa do Diabo. Não, de jeito nenhum – a cruz que Zé do Burro prometeu que entraria na Igreja de Santa Bárbara não vai entrar lá, não.

E então arma-se o grande circo nada místico e até às vezes místico. Acorrem para o local a imprensa, o povo da capoeira, as velha baianas do candomblé. Tem o galego comerciante, dono do bar, tem o autor de cordel. Tem a puta, tem o cafetão – que logo de cara come Rosa, a caipira mulher até então reta, fiel a seu Zé do Burro

Rever hoje O Pagador de Promessas foi uma bela experiência. Há ali grande cinema

E é aí é que está.

Dias Gomes parte de uma bela situação dramática – um pobre coitado que faz uma promessa para Iansã-Santa Bárbara e é impedido de cumprir sua promessa por um padre idiota, careta, primitivo.

O problema, na minha opinião, é que, a partir desse início de trama fantástico, Dias Gomes passa a seguir as ordens do Partido.

Tudo fica então uma questão ideológica.

Trata-se, aqui, da luta do Comunismo contra o Capitalismo. Os anjos, os bons, os escolhidos, contra os safados, os porcarias.

A imprensa é uma porcaria. A Igreja, essa aí, então, vixe Maria, um nojo. O comerciante, o sujeito que está ali tentando ganhar um dinheirinho com o agito, é um salafrário. Não se salva sequer o escritor de cordel – é um safado.

Todos os personagens são uns safados, filhos da mãe, imbecis, idiotas – menos o herói, que dividiu seu sítio com outros mais pobres do que ele, e o grupo de capoeiristas, que representam O Povo.

Rever hoje O Pagador de Promessas foi uma bela experiência.

Há ali grande cinema.

E há também uma visão de mundo com a qual não concordo mais. Concordava com ela quando vi o filme pelas primeiras vezes. Cresci, amadureci, mudei, o mundo mudou. Não concordo mais com essa visão de mundo.

Acho que O Pagador de Promessas acaba se perdendo um pouco ao virar um panfleto ideológico.

zzpagador8Mas, evidentemente, é um grande filme. A fotografia de Chick Fowle é extraordinariamente bela. Há movimentos de câmara e enquadramentos de babar. As tomadas dos instrumentos musicais, em close-up, são um grande achado. As tomadas gerais, feitas bem do alto, da escadaria diante da Igreja de Santa Bárbara, na região central da Cidade Alta de Salvador, próximo ao Pelourinho, a multidão se movendo lá embaixo, são fantásticas.

Leonardo Villar tem um desempenho estupendo, maravilhoso.

Fernão Ramos cita, na Enciclopédia do Cinema Brasileiro, que o produtor Oswaldo Massaini queria Mazzaropi no papel de Zé do Burro. Anselmo Duarte fincou o pé: queria Leonardo Villar, o ator que havia criado o papel no teatro. Não poderia haver decisão mais acertada. Com todo o respeito por Mazzaropi, ele iria estragar o filme, porque sua figura ficou marcada demais pelo personagem do caipira do Sudeste – e pela sua comicidade. Zé do Burro não tem nada a ver com o caipira do Sudeste, o Jeca Tatu – e não tem nada a ver com comicidade. É um personagem dramático, é a personificação do drama.

A atuação de Leonardo Villar é um brilho, um espanto.

Não diria a mesma coisa sobre os demais atores. Dionísio Azevedo como o padre, Geraldo Del Rey como o cafetão, Othon Bastos como o repórter, Norma Bengell como a puta, todos eles, na minha opinião, estão um tanto exagerados, algumas oitavas acima do necessário.

Glória Menezes, jovem, bela, se sai bem com a sofredora Rosa. E quem está muito bem, acho, é o jovem Antônio Pitanga, como o líder do grupo de capoeiristas. Jovem, de bela estampa e muito à vontade no papel.

É um grande filme.

Anotação em abril de 2013     

O Pagador de Promessas

De Anselmo Duarte, Brasil, 1962

Com Leonardo Villar (Zé do Burro), Glória Menezes (Rosa), Dionísio Azevedo (padre Olavo), Geraldo Del Rey (Bonitão), Norma Bengell (Marly), Othon Bastos (o repórter), Antonio Pitanga (Coca, o capoeirista), Gilberto Marques (Galego, o dono do bar), Roberto Ferreira (Dedé), Milton Gaucho (o policial)

História e diálogos (é assim que aparece nos créditos iniciais) Dias Gomes

Baseado em sua peça de teatro

Roteiro Anselmo Duarte

Fotografia Chick Fowle

Música Gabriel Migliori

Montagem Carlos Coimbra

Produção Cinedistri. DVD Dyna Filmes.

P&B, 95 min.

R, ***1/2

Título na França: La Parole Donnée. Em inglês: The Promise 

5 Comentários

  1. André Farias
    Postado em 21 junho 2013 às 6:53 pm | Permalink

    Sérgio,
    Só para não deixar de ser pentelho, tenho que dizer que o “Tropa de Elite” ganhou o Urso de Ouro de 2008.

    Fora isso, devo dizer que “O Pagador…” é o melhor filme brasileiro de todos os tempos, pois é o que melhor demonstra o quanto o Brasil popular é diversificado e fantástico, e quanto a casta que manda no país há 500 anos usa de todos os meios para alijar o povo de qualquer esfera decisória.

    Grande abraço!

    André
    http://filmow.com/usuario/andreluiz.scussiatofarias/

  2. Senhorita
    Postado em 22 junho 2013 às 5:23 pm | Permalink

    Faltou meia estrela para fazer justiça ao filme, hein!!!

    Ah, Anselmo Duarte, o homem mais bonito do Brasil S2…

  3. Sérgio Vaz
    Postado em 24 junho 2013 às 5:35 pm | Permalink

    Obrigado, André Farias, pela correção. Graças a você, pude acertar o texto.
    Obrigado a você também, Senhorita!
    Um abraço.
    Sérgio

  4. André Farias
    Postado em 25 junho 2013 às 10:28 am | Permalink

    Sérgio, estamos aqui para contribuir.

  5. Ivan
    Postado em 25 junho 2013 às 12:02 pm | Permalink

    E se “Orfeu Negro” ou ” Orfeu do Carnaval” de 1959, não fôsse reconhecido como Frances, pela Academia , teríamos o oscar de melhor filme em lingua estrangeira.
    Um abraço !!

4 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Assalto ao Trem Pagador em 6 setembro 2013 às 4:31 pm

    […] ao Trem Pagador, que Roberto Farias lançou em 1962, o mesmo ano de O Pagador de Promessas, é um […]

  2. Por 50 Anos de Textos » Norma em 10 outubro 2013 às 12:04 am

    […] a puta que brigava no meio de uma ladeira de Salvador com a mulher do camponês ingênuo, puro, pagador de promessas. O tempo da explosão de João Gilberto, o amor o sorriso e a […]

  3. […] ao contrário, não era da patota – um tanto assim como Anselmo Duarte, e também, a rigor, Roberto Farias não eram da patota do cinema novo da mesma época, finalzinho […]

  4. Por 50 Anos de Filmes » Noite Vazia em 6 fevereiro 2015 às 9:48 pm

    […] Noite Vazia tem algumas das mais belas tomadas de toda a história do cinema brasileiro. Acho que posso dizer isso sem medo de errar. Em Noite Vazia, a câmara de Walter Hugo Khoury e de seu diretor de fotografia Rudolf Icsey se demora em longos close-ups dos rostos de Odete Lara e Norma Bengell. […]

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