Espiral da Cobiça / The Rich Man’s Wife

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Nota: ★½☆☆

Com alguma boa vontade, dá para considerar esse Espiral da Cobiça/The Rich Man’s Wife, de 1996, um thriller mediano. Com um pouquinho de rigor, é um filme fraco. A atração principal do filme, o motivo pelo qual resolvemos vê-lo, é Halle Berry, essa belíssima mulher que em 2001 ganharia o Oscar de melhor atriz por seu desempenho em A Última Ceia/Monster’s Ball.

Logo na primeira seqüência, Josie Potenza, o papel de Halle Berry, a mulher do homem rico do título original, está numa sala de interrogatório de uma delegacia de polícia. Dois detetives, um branco e um negro, Ron e Dan, interpretados por Frankie Faison e Charles Hallahan, retiram as algemas que a prendiam.

O espectador vê que, do outro lado de um espelho falso, outros policiais estão preparados para ouvir o que a presa dirá.

Os detetives recitam para ela aquela ladainha que conhecemos bem de tantos filmes: você tem direito a permanecer calada, tem direito a ter um advogado; o que você disser poderá ser usado contra você no tribunal.

zzrich5Josie-Halle Berry diz que vai falar, e não precisa de um advogado. Os policiais perguntam se ela tem certeza disso. E ela diz que sim, pois o que vai contar é a verdade.

E começa a contar sua história. O relato de Josie aos policiais vai ocupar a maior parte da narrativa.

Ela admite que as coisas não iam muito bem entre ela e o marido, Tony Potenza (Christopher McDonald). Tony – veremos que é um empresário bastante, bastante rico – andava bebendo muito, e tinha uma amante. Verdade que ela também tinha o seu amante, Jake (um Clive Owen muito magro e muito jovem), dono de um restaurante aberto com um dinheiro emprestado por Tony.

Mas Josie não estava contente com aquela situação. Resolveu, então, romper com o amante e pedir a Tony que tentassem melhorar as coisas. Pediu a ele que parasse de beber, e propôs que fossem passar uns dias de férias juntos, só os dois, na cabana no meio das montanhas de um amigo comum.

Fazem a viagem para a cabana no meio das montanhas. Mas Tony continuava bebendo, e tinha sempre problemas graves para resolver pelo telefone com algum de seus empregados, e então Josie sugeriu que ele voltasse para Los Angeles, para tocar seus negócios; ela ficaria uns dias ali para descansar.

Numa ida a um bar do lugarejo mais próximo, Josie observa um homem que a observa. Veremos depois que se chama Cole (Peter Greene). Quando está voltando para a cabana, o jipe que Josie está usando morre. E, no meio da escuridão, surge exatamente Cole, que se prontifica para levá-la até a cabana e, no dia seguinte, consertar o jipe que ela usava. Cumpre o prometido, e pede que ela jante com ele naquele mesmo bar.

Conversam. Ela conta do marido, dos problemas no casamento. Conta que era muito pobre, e conheceu Tony – vários anos mais velho que ela – quando tinha apenas 17 anos.

Cole diz que ela, na verdade, no fundo, gostaria que o marido morresse. E se oferece para matá-lo. Ela diz que não, de jeito nenhum, que loucura. Estamos aí com uns 15 minutos de filme.

 A diretora Amy Holden Jones demonstra não saber dirigir atores

Com cinco minutos de filme, já dava para ver que a diretora Amy Holden Jones não domina uma das tarefas mais importantes do seu ofício: o saber como dirigir os atores. Halle Berry não está bem. Não é uma interpretação desastrosa, horrorosa, mas está longe de ser boa. Idem com relação a Clive Owen, esse ótimo ator. Christopher McDonald, que faz o marido rico, está pavoroso, assim como Peter Greene, que faz o desconhecido Cole que de repente irrompe na história.

zzrich6E as situações da trama, os diálogos, nesse início de filme, parecem forçados, artificiais, falsos.

Condescendi: bem, pode ser tudo meio falso porque afinal essa é a versão de Josie para os fatos.

A rigor, a rigor, daria para parar de ver por aí, com uns 15 minutos de ação; já estava claro que não era um bom filme. Mas também não era uma absoluta porcaria, e então resolvemos ir em frente.

Mas as coisas não melhoram nada, a partir daí.

Nas sessões teste, o público achou que faltava violência. Tristes tempos  

Vi depois que essa Amy Holden Jones é basicamente roteirista. Fez poucos filmes, uns quatro, e este aqui, de 1996, foi o último que dirigiu. Continuou escrevendo roteiros, mas não voltou a ter chance de dirigir.

Às vezes a indústria de Hollywood toma decisões acertadas.

The Rich Man’s Wife tem uma característica de grande qualidade: a fotografia. Mérito do diretor de fotografia Haskell Wexler, experiente, tarimbado, talentoso.

Segundo o IMDb, Wexler relatou que uma das seqüências finais não agradou ao público das sessões teste; pareceram brandas demais, e então foram refeitas com muito mais violência explícita.

Tristes tempos.

E chega. Anotações curtas para filmes de curta importância.

Anotação em outubro de 2012 

Espiral da Cobiça/The Rich Man’s Wife

De Amy Holden Jones, EUA, 1996

Com Halle Berry (Josie Potenza), Peter Greene (Cole Wilson), Clive Owen (Jake Golden), Frankie Faison (Detetive Ron Lewis), Charles Hallahan (Detetive Dan Fredricks), Allan Rich (Bill Adolphe), Clea Lewis (Nora Golden), Christopher McDonald (Tony Potenza)

Argumento e roteiro Amy Holden Jones

Fotografia Haskell Wexler

Música John Frizzell

Produção Caravan Pictures, Hollywood Pictures.

Cor, 94 min

*1/2

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Chamada de Emergência / The Call em 14 setembro 2013 às 5:13 pm

    […] de emergências, a câmara chega, depois de passar por várias pessoas, ao rosto lindo de Halle Berry. Ela faz a protagonista, a atendente Jordan Turner, em torno de quem toda a trama vai […]

  2. […] Aí então é que corta, Bobby Darin começa a cantar “Mack the Knife” e vão rolando os créditos iniciais, enquanto vamos vendo imagens de guardas uniformizados entrando no cofre forte de um banco e depois saindo de lá carregando um envelope, que é levado até o estúdio de uma emissora de televisão. No auditório lotado, o envelope será entregue ao apresentador do programa “Twenty One”, Jack Barry (Christopher McDonald). […]

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