A Separação / Jodaeiye Nader az Simin

Nota: ★★★★

A Separação, do realizador iraniano Asghar Farhadi, é uma obra-prima. Um dos filmes mais extraordinários que vi nos últimos tempos.

E aqui confesso abertamente que tenho preguiça de ver os filmes que já me chegam depois de terem sido unanimemente saudados como geniais, brilhantes. A Separação foi o filme mais unanimemente saudado como genial, brilhante, nos últimos 12 meses, ao lado de O Artista. Tenho imensa preguiça de ver o Artista; nem sei se algum dia vou me animar.

Mas A Separação é diferente, porque foi feito por Asghar Farhadi, o autor de Procurando Elly, de 2009, e Procurando Elly é, como anotei, babando, logo depois de vê-lo, “uma obra-prima, um filme excepcional, extraordinário. Merece todos os superlativos que possa haver”.

Então não tinha preguiça alguma quando me sentei para ver A Separação. Tinha um pouquinho de medo de me decepcionar – ver um filme depois que todo mundo elogiou demais pode ser uma experiência um pouco frustrante.

Mas que decepção, que nada.

Asghar Farhadi conseguiu fazer outra obra-prima, outra maravilha, apenas dois anos depois de lançar Procurando Elly.

É para aplaudir de pé, como na ópera.

De cara, bem no início, uma sequência impressionante, com um diálogo extraordinário

A abertura, a primeira seqüência, que nos vem de cara, logo após os créditos iniciais (estes surgem enquanto vemos uma máquina copiadora fazendo cópias de documentos de identidade), já é acachapante. A Separação já começa em tom maior.

Câmara fixa, absolutamente parada; plano americano. Uma mulher, um homem, diante de um juiz. Ouviremos a voz do juiz, nessa sequência, mas não o veremos. É uma única tomada, a mulher e o homem sentados diante do juiz, diante da câmara, e ela dura quatro minutos.

Dois excelentes atores – Peyman Moadi, como o marido, Nader, e Leila Hatami, como a mulher, Simin –, e uma maravilha de diálogo.

O diálogo é brilhante, extraordinário. Não resisto à tentação de degravar e transcrever – até porque não pretendo falar muito sobre o enredo, a trama do filme, para não ser spoiler para ninguém. Mas o diálogo, soberbo, que abre o filme e dá o tom com que a história será contada, este tem que estar aqui.

Revi o início para copiar os diálogos, e de fato é tudo deslumbrante. Os atores Peyman Moadi e Leila Hatami estão estupendos, soberbos. Sentados lado a lado, ela à esquerda na tela, ele à direita, em geral falam se dirigindo ao juiz – olhando, portanto, para a câmara –, mas, de vez em quando, um olha para o outro. As expressões são tensas, graves.

O diálogo é longo, bastante longo:

Juiz (dirigindo-se a Simin, a mulher): – “Suas razões não bastam para um divórcio. Tem algo mais a dizer?”

Ela: – “Como assim?”

Juiz: – “Ele é viciado, agressivo, não lhe dá dinheiro?”

Ela: – “Não. É um homem muito bom e decente.”

Juiz: – “Então por que quer o divórcio?”

Ela: – “Ele não quer ir comigo. Se ele for comigo, eu retiro o pedido de divórcio. (Dirige-se ao marido.) Você vai?

Ele: – “Não.”

Ela: – “Por que, meritíssimo?”

Ele: – “Você sabe por quê.”

Ela: – “Me explique mais uma vez.”

Ele (para o juiz): – “Pergunte por que ela quer morar no exterior”.

Ela: – “Me dê uma razão para ficar.”

Ele: – “Posso dar até mil.”

Ela: – “Basta uma.”

Ele: – “Não posso deixar meu pai.”

Ela: – “Mas pode deixar sua mulher?”

Ele: – “Quando foi que deixei você?”

Ela: – “Você me trouxe para cá.”

Ele: – “Você está pedindo divórcio.”

Ela: – “Mandou sua mulher e sua filha irem. Isso não é deixá-las? Não me disse para ir, se eu quisesse?”

Ele: – “E diria de novo. Se não quer ficar, não vou forçá-la.”

Juiz: – “Não precisa gritar. Não grite.”

Ele: – “Veio viver comigo aqui e agora quer ir embora. Se você prefere…”

Ela: – “Como assim, ‘você prefere’? Começamos isso juntos. Depois de 18 meses de esforços e despesas, conseguimos nosso visto. Já faz seis meses, e ele expira em 40 dias. Vamos perder essa oportunidade?”

Ele: – “Se não quer perder essa oportunidade, sugira alguma coisa. Sabe da minha situação. Me diga o que fazer, meritíssimo.”

Ela: – “A desculpa do pai dele…”

Ele: – “Não é desculpa. É um fato.”

Ela: – “Me deixe falar.”

Juiz: – “Fiquem calmos.”

Ela: – “O pai dele tem Alzheimer. Nem reconhece mais o filho.”

Ele: – “Que diferença isso faz? Como pode dizer isso?”

Ela: – “Ele sabe que você é o filho dele?”

Ele: – “Eu sei que ele é meu pai!”

Ela: – “O futuro da sua filha não importa para você?”

Ele: – “Quem está falando da nossa filha? Acha que só você se preocupa com ela?

Juiz (para ela ): – “Então as crianças não têm futuro neste país?”

Ela: – “Prefiro que ela não cresça nestas circunstâncias.”

Juiz: -“Que circunstâncias? (Ela baixa os olhos, guarda a papelada do visto que havia tirado da grande bolsa que segura no colo para mostrar ao juiz.) Que circunstâncias são estas? Ela estaria melhor aqui, com os dois, ou lá, sem o pai?”

Ela: – “Por isso quero que ele vá junto.”

Ele: – “Mas não posso ir junto. Quantas vezes preciso repetir isso?”

Ela (para o juiz): – “Ele não pode ir. Então, o que vai acontecer comigo?”

Juiz: – “Nada. Continue sua vida.”

Ela: “Se eu pudesse, não pediria o divórcio.”

Juiz: – “Para um divórcio, precisa haver consentimento mútuo.”

Ela: – “Ele deu seu consentimento.”

Juiz (para ele): – “Consente com o divórcio?”

Ele: – “Se ela prefere deixar a família para viver no exterior, sim.”

Ela: – “Então: ele consente. Mas e a minha filha?”

Juiz: – “Precisam concordar em tudo. Qual é a idade dela?”

Ela: – “Onze anos e duas semanas.”

Juiz: – “Ela não pode ir sem a permissão do pai.”

Ela: – “Ele não vai permitir.”

Juiz: – “Isso é entre vocês dois. Assinem aqui e tenham um bom dia.”

Ela: – “Eu vim aqui resolver meu problema.”

(Ele já se levantou, pronto para assinar o papel que o juiz apresenta.)

Juiz: – “Assine aqui. (Para ela : ) Você também.”

Ela: – “Ele pode ficar com tudo. Só quero a minha filha.”

Ele: – “Sua filha é apegada a mim. Ela não quer ir com você.”

Ela: – “Ela não sabe decidir.”

Ele: – “O que está dizendo? Ela já tem 11 anos.”

Juiz: – “Assinem aqui e não me façam perder mais tempo.”

Ele: – “Acha que sabe de tudo.”

Ela: – “Você é que acha isso.”

Juiz (para ela): – “Venha assinar também.”

Ela: – “Meritíssimo, o visto expira em 40 dias.”

Juiz: – “Não pode pedir divórcio por coisas triviais.”

Ela (levanta-se, avança para perto do juiz, e portanto da câmara): – “Coisas triviais? Meu problema é sério. Estou falando da minha filha.”

Juiz: – “A filha é dele também. Ele tem direitos. Considero seu problema uma coisa menor. Assine aqui e tenha um bom dia.”

E então surge o título do filme, e o crédito – produzido, escrito e dirigido por Asghar Farhadi.

Um cineasta que demonstra que quer ficar em seu país. Quer tentar mudar o sistema por dentro

Asghar Farhadi, em entrevistas que deu depois do lançamento de Procurando Elly, deixou claro que ele – assim como este seu personagem Nader, interpretado por Peyman Moadi – não quer deixar seu país, o Irã da ditadura dos aiatolás. Quando os jornalistas ocidentais tentam extrair dele um ataque frontal à ditadura, ele escapole como um peixe ensaboado.

Quer – é o que fica claro por suas atitudes – continuar lá, fazendo seus filmes, escapulindo como peixe ensaboado da censura férrea, rígida, dizendo as verdades que quer dizer, usando os subterfúgios que for necessário. Quer – como diz Leonard Cohen em “First we take Manhattan” – tentar mudar o sistema lutando por dentro dele. (Os primeiros versos da canção dizem: “Eles me condenaram a 20 anos de tédio por tentar mudar o sistema por dentro”. A canção não tem ligação direta com o filme, é só uma ilação minha, mas aproveito para deixar os links do clip feito na época do lançamento da música, em 1988, e da versão ao vivo em Londres em 2008.)

Penso em Milos Forman e nos outros cineastas checos, Ján Kadár e Elmar Klos, Vojtech Jasný, que encantaram o mundo com seus belos filmes nos anos 60, quando o governo da então Checoslováquia tentou dar uma arejada, uma liberalizada no regime, a Primavera de Praga.

Os cineastas da Primavera de Praga aproveitaram-se dos ares liberais e fizeram belos filmes de oposição ao regime, mas usando os subterfúgios necessários para burlar a censura. Tentaram ajudar a mudar o sistema lutando do lado de dentro.

Na época em que lançou seu filme O Povo contra Larry Flynt, de 1966, Milos Forman foi entrevistado no National Press Club, em Washington; fizeram uma pergunta sobre ele, sua carreira, e ele disse o seguinte:

“Pertenci a uma geração de diretores checos que foram favorecidos por um instante de abertura” (ele não usou a expressão Primavera de Praga), “que fizeram filmes que foram aprovados no Ocidente, e os dirigentes comunistas detestavam aqueles filmes, mas ao mesmo tempo ficavam absolutamente contentes com o fato de aqueles filmes estarem recebendo elogios no Ocidente. E por isso pudemos continuar fazendo filmes, até que os tanques russos invadiram a Checoslováquia, em 1968, e aí eu fugi para cá.”

O cinema iraniano teve também sua Primavera, nos anos 1990. Lembrando, rapidinho: a ditadura do xá Raza Pahlavi, apoiada pelas potências ocidentais, foi derrubada em janeiro de 1979, após um ano de demonstrações populares cada vez mais poderosas. O aiatolá Khomeini voltou do exílio e tornou-se o homem forte do novo regime; em dezembro de 1979, foi aprovada a nova Constituição, uma Constituição teocrática, que põe os líderes religiosos acima de todos os poderes, acima da presidência da República, do Judiciário, do Legislativo. Seguiu-se uma perseguição a milhares de nacionalistas e esquerdistas que haviam lutado juntamente com os muçulmanos xiitas contra a ditadura do xá, e implantou-se uma feroz ditadura fundamentalista, contrária a toda e qualquer influência ocidental.

Mas, após a guerra Irã-Iraque, sob a presidência de Akbar Hashemi Rafsanjani, entre 1989 e 1997 – considerado um “conservador pragmático”, mais liberal que seus antecessores –, houve um período de relativa distensão.

Foi exatamente a época em que floresceu o novo cinema iraniano, e as obras de diversos diretores encantaram o mundo, conquistaram prêmios nos grandes festivais internacionais e fizeram extraordinário sucesso popular no próprio Irã, como prova o filme Salve o Cinema, de Mohsen Makhmalbaf.

Para desespero dos totalitários, sempre há os teimosos, os que resistem

Qualquer um desses realizadores poderia usar as mesmas palavras de Milos Formam:

Pertenci a uma geração de diretores iranianos que foram favorecidos por um instante de abertura, que fizeram filmes que foram aprovados no Ocidente, e os dirigentes religiosos detestavam aqueles filmes, mas ao mesmo tempo ficavam absolutamente contentes com o fato de aqueles filmes estarem recebendo elogios no Ocidente. E por isso pudemos continuar fazendo filmes, até que…”

A linha duríssima voltou ao poder após a presidência de Rafsanjani, e permanece lá, com Mahmoud Ahmadinejad.

Alguns artistas e cineastas partiram para o exílio. Marjane Satrapi, por exemplo, fez no Ocidente, com dinheiro da França e dos Estados Unidos, o extraordinário Persépolis, que jamais passaria pela censura dos aiatolás. Samira Makhmalbaf preferiu usar o subterfúgio de falar de outro país, o vizinho Afeganistão, em seu Às Cinco da Tarde, de 2003, uma co-produção Irã-França, como seu pai, Mohsen Makhmalbaf, já havia feito em 2001 em A Caminho de Kandahar.

Jafar Panahi, o autor do maravilhoso O Círculo, foi preso, e continua em prisão domiciliar, proibido de fazer filmes. Teimoso feito uma mula – bendita teimosia! –, fez um não-filme, o documentário Isto Não é um Filme.

Asghar Farhadi ainda continua fazendo filmes em seu país. Trying to change the system from within, como diz Leonard Cohen.

Dentro do medieval mundo do fundamentalismo, Simin é uma mulher até independente demais

Ao contrário de vários realizadores iranianos nas duas últimas décadas, que focalizaram a vida de pessoas mais pobres, muitas vezes beirando a miséria, Farhadi, tanto em Procurando Elly quanto neste A Separação, retrata gente da classe média, gente que não passa pela falta das coisas mais básicas. Seus personagens são homens e mulheres na faixa dos 30 aos 40 e tantos anos, que tiveram boa educação, têm empregos bem remunerados, moram em bons apartamentos, dirigem seus carros.

Os homens vestem-se praticamente como qualquer ocidental. E as mulheres usam apenas os obrigatórios véus cobrindo os cabelos, mas nada de burka, nada daquelas capas que escondem todo o rosto.

A Simin interpretada por Leila Hatami é uma mulher bela, que, sob o véu, deixa à mostra seus vistosos cabelos ruivos. Vem de família rica, como se verá ao longo da narrativa. Estudou, é professora, dirige seu próprio carro, tem opiniões firmes, exige ser ouvida. Dentro do machista, retrógado, medieval mundo do fundamentalismo muçulmano, é uma mulher até independente demais.

E Nader, o marido, é, em termos de Irã, até um homem moderno, à frente da imensa maioria. Não é, de forma alguma, um machista troglodita; como a própria Simin faz questão de dizer, “é um homem muito bom e decente”.

Mas a sociedade como um todo, o Estado – bem representado, naquele maravilhoso diálogo da abertura do filme, pelo juiz –, tudo conspira contra a liberdade das mulheres. “Não pode pedir divórcio por coisas triviais.” “Considero seu problema uma coisa menor.”

Farhadi cria histórias que são especificamente iranianas e ao mesmo tempo universais

O que para mim é absolutamente fascinante em A Separação, assim como em Procurando Elly, é que o autor e diretor Asghar Farhadi consegue construir uma história que ao mesmo tempo é intrinsecamente iraniana e também universal. Por trás do cotidiano do casal em crise há todo o contexto específico de um país que vive sob uma rígida ditadura religiosa fundamentalista – mas muito dos desentendimentos, da falta de comunicação, dos pequenos segredos que infernizam a relação entre o homem e a mulher está acima das questões específicas iranianas, é de fato universal.

Muito do que acontece com Simin e Nader poderia perfeitamente acontecer em qualquer país do mundo, em qualquer tipo de sociedade.

Simin e Nader têm um grande problema que é especificamente do contexto: ela não quer mais viver sob a ditadura dos aiatolás. Quer liberdade para si, para sua filha. Isso não é dito explicitamente hora alguma, mas é o óbvio, já está implícito no diálogo inicial: “Prefiro que ela não cresça nestas circunstâncias”.

Simin não quer saber dessa coisa de combater o sistema por dentro. Quer viver uma vida melhor – portanto, quer sair do país.

Mas, além disso, o casal enfrenta um grave problema específico que não tem nada a ver com o Irã, o Corão, os aiatolás, a burka ou não burka: o pai de Nader (interpretado, extraordinariamente, por Ali-Asghar Shahbazi) tem Alzheimer, está senil, já não consegue controlar a urina, é um peso, um fardo dificílimo de suportar.

Um problema leva a outro, e a outro. É uma bola de neve, uma avalanche de infelicidades

Um problema leva a outro, e a outro, e a outro. Quando Simin resolve sair de casa, ir viver com a mãe (na tentativa de fazer com que o marido enfim decida ir com ela para o exterior? por que não consegue, ela própria, continuar suportando a convivência com o sogro, que a adora? pelos dois motivos?), Nader tem que contratar alguém para ficar com o pai, enquanto ele trabalha e a filha, Termeh (Sarina Farhadi), está na escola.

A mulher que ele contrata para a tarefa dura, Hojjat (Shahab Hosseini, na foto acima, outra interpretação espetacular), tem ela própria uma carga imensa de problemas. Não tem com quem deixar a filha bem jovem, de uns sete anos, e portanto a leva para a casa do novo patrão; está grávida; o marido, Razieh (Sareh Bayat), está desempregado há um ano, a família está cheia de dívidas.

Um problema leva a outro, e a outro, e a outro.

Simim, Nader, a filha Termeh, a pobre senhora Hojjat – todos são pessoas boas. Não há ninguém sacana, safado, ruim, mau caráter. Mas a teia de problemas vai crescendo, crescendo, e desaguando numa tragédia, e continua crescendo depois da tragédia.

Cada pequeno equívoco de uma daquelas pessoas – e todos nós cometemos equívocos a cada dia – vai se avolumando. É uma bola de neve, uma avalanche de infelicidades, a história que Asghar Farhadi entrega, com brilho ímpar, ao espectador.

Uma obra-prima que carrega o espectador para o mundo dos personagens

Para A Separação, cabe perfeitamente o que observei ao ver Procurando Elly: É daquele tipo de filme que tem a capacidade de envolver o espectador, carregar o espectador para dentro dele; a gente vai ficando cada vez mais aflito, angustiado com o desenrolar da história. Tem um pegada forte, envolvente, que só grandes cineastas conseguem criar. Lembrei de Polanski, de A Faca na Água, O Bebê de Rosemary, O Inquilino – obras-primas que carregam o espectador para o mundo dos personagens e o deixam com profunda angústia, como se estivesse participando da trama.

A Separação ganhou nada menos que 56 prêmios em diversas partes do mundo, mais outras 19 indicações. Entre essa carrada de prêmios estão o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro (ele foi também indicado para o Oscar de roteiro original), os Ursos de Prata para os atores e as atrizes principais mais o Urso de Ouro para o realizador Farhadi no Festival de Berlim, e o César e o David di Donatello, respectivamente o Oscar francês e italiano, de Melhor Filme Estrangeiro.

É um dos filmes mais extraordinários dos últimos tempos.

Anotação em julho de 2012

A Separação/Jodaeiye Nader az Simin

De Asghar Farhadi, Irã, 2011

Com Peyman Moadi (Nader), Leila Hatami (Simin), Sarina Farhadi (Termeh), Shahab Hosseini (Hojjat), Ali-Asghar Shahbazi (o pai de Nader), Sareh Bayat (Razieh), Merila Zare’i (srta. Ghahraii), Babak Karimi (o interrogador), Kimia Hosseini (Somayeh)

Argumento e roteiro Asghar Farhadi

Fotografia Mahmoud Kalari

Música Sattar Oraki

Produção Asghar Farhadi. DVD Imovision.

Cor, 123 min

****

 

10 Comentários

  1. Jussara
    Postado em 12 agosto 2012 às 11:59 pm | Permalink

    Filmão, um iraniano que não nos faz pegar no sono. Mas depois desse texto estou até com vergonha de deixar meu simples comentário.

    Achei muito legal a relação pai-filha.
    Logo deu pra ver que alguém estava mentindo na história, só não sabia que *ele também tinha mentido. Acho que o filme mostra que algumas mentiras são “necessárias”, mas achei que ele foi muito rígido no final com a mulher, pois ele mesmo havia mentido. Dois pesos, duas medidas.

    Interessante mostrarem um pouco do fanatismo religioso. Tudo tem que jurar por Alá, e o tal “temor” a ele pesa.
    Agora o final… me decepcionou um pouco. Fiquei me coçando pra saber quem ela escolheria.
    O casal parece incomum para um país machista – em termos de Irã – como você disse, e gostei muito de ver uma mulher moderna até o ponto aceitável para os costumes de lá.

    Ótimos atores, a adolescente atua de igual pra igual com os adultos. E que lindas aquelas mulheres do lado de lá. É um contra-senso, mulheres tão bonitas tendo que andar tão cobertas.

    * questionável ele alegar que mentiu porque pensou na filha. Ela tinha mãe, certamente ficaria com ela se ele fosse preso.

  2. Claudia Maria de Oliveira
    Postado em 18 agosto 2012 às 2:48 pm | Permalink

    Olha, Sérgio, esse filme eu fui assistir no cinema mais por “obrigaçao”, pq foi um filme mto falado, mto premiado, muito bem criticado etc. Pois então, comprei meu ingressinho e fui. E não é que tinha uma mulher iraniana na sala de cinema, sentada logo atrás de mim? E um casal chegou pouco depois e disse a mulher que o assento era deles, e mostrou o ingresso ä mulher. Ela não entendia portugues. Drama. Enfim.. começou a sessão. Não fiquei entediada. Mas não achei nada demais. Achei banal. Achei interessante pelo ambiente do filme. Mais nada, pra mim não é memorável. 😛

  3. Glória
    Postado em 21 outubro 2012 às 3:43 pm | Permalink

    Sérgio, concordo com cada palavra exposta aqui por você. Arrebatamento, foi o que senti depois de vê-lo,mesma sensação de quando vi “Procurando EllY”. Como você bem apontou, são temas universais. Eu diria que o diferencial é a forma competente e sensível como o autor/diretor conduz tais temas. E como Jussara comentou, algumas mentiras são necessárias, mas o que fica patente nos dois filmes é a dificuldade humana em lidar com elas quando as coisas não dão certo, saem do controle. Dois filmaços imperdíveis e mais uma vez, parabéns pelo post, tão convincente e impactante quanto os filmes de Farhadi. Grande abraço!

  4. Ivan
    Postado em 30 dezembro 2012 às 2:21 pm | Permalink

    Mais uma maravilha do cinema Iraniano.Como disseste Sergio,uma verdadeira obra-prima.
    Assim como a Jussara tbm achei muito bacana a relação do pai com sua filha.Impressiona a qualidade dos atôres,meu Deus,achei todos eles ótimos.Dou ainda um destaque maior para a Sarina Farhadi;que atuação!Ela passa seus sentimentos como angústia,frustação,dúvidas só através do olhar.Como algumas vezes ela deixou seu pai desconcertado,percebendo coisas,com certas perguntas,etc…Ela foi soberba.Como uma situação toma outro rumo quando é pedido um juramento “segurando” o alcorão.Aí,fica claro a seriedade,o “pêso” e a importância desse ato.Medo ou respeito?
    Li em uma “curiosidade” que essa môça,a Sarina,é filha do diretor Asghar.
    Senti na pele a situação do Nader.Minha mãe tem Alzheimer há 8 anos.Olha… é muito difícil,Sergio.Só quem vive essa situação sabe como é.Consegui vê-la na atuação linda do pai do Nader.É muito bonito quando o Nader diz para a Simin:ele não sabe que sou seu filho mas eu sei que ele é meu pai. Minha mãe hoje (2anos)está numa casa que cuida de pessôas com Alzheimer.Durante os outros 6 anos eu e minha duas irmãs cuidamos dela.Bem,esqueci de dizer Sergio,realmente o filme já começa arrasando com aquele diálogo maravilhoso entre eles.
    É incrível não é? Perguntar à uma filha com quem ela quer ficar,se com o pai ou a mãe…
    “QUEM NÃO VIU AINDA O FILME NÃO LEIA ISTO.”
    O final achei que tinha de ser aquele mesmo.
    Cada um decide quem ela escolheu. Talves nem isso tenha acontecido porque havia chances de eles(os pais)voltarem a viver juntos o problema deles era só compreensão e então poderíam voltar a viver juntos e,isso,era tudo o que a Termeh mais quería.
    Abraço,Sergio !!

  5. Ivan
    Postado em 30 dezembro 2012 às 2:32 pm | Permalink

    Relendo minha opinião percebi que da mesma forma como aconteceu com Jussara certa vez, percebi que em um só parágrafo,escrevi duas vezes ” voltar a viver juntos “.
    Pura distração.
    Um abraço, amigo !!

  6. Jussara
    Postado em 30 dezembro 2012 às 4:21 pm | Permalink

    Quando foi será que escrevi “voltar a viver juntos” duas vezes? Dependendo da época pode ter sido algum ato falho, ou foi apenas falta de atenção mesmo. Eu publico meus comentários sem reler e acabo cometendo erros primários, bem feito pra mim.
    Mas agora fiquei preocupada ao saber que o Ivan lê e ainda lembra do que escrevi. Tenho que prestar mais atenção para não escrever bobagem. hehe

  7. Ivan
    Postado em 27 Janeiro 2013 às 4:48 pm | Permalink

    Jussara amiga, me desculpe eu é que não me expressei bem. Quando eu disse que certa vez também aconteceu contigo, eu não disse o que voce falou e, ficou subentendido que foi o mesmo que eu disse.
    Foi no comentário do filme “Rio Congelado”.
    Voce disse: escrevi “realmente” duas vezes no comentário anterior, que horror que falta de vocabulário.
    E eu disse que num único parágrafo escrevi duas vezes ” voltar a viver juntos “.
    Eu devería ter dito o que voce falou quando escrevi “da mesma forma como aconteceu com a Jussara” . . .
    Tenho certeza que voce entendeu, agora.
    E olha, não concordo que escrever duas vezes realmente, seja falta de vocabulário, claro que não. Voce não escreve bobagens,muito ao contrário. Eu já disse uma outra vez e volto a dizer aqui:” gosto muito de ler teus comentários amiga, você enxerga longe.”
    Um grande abraço !!!

  8. Jussara
    Postado em 5 Fevereiro 2013 às 9:02 pm | Permalink

    Entendi, sim, Ivan. Mas nem precisava se desculpar, imagina. Eu já li você dizer isso ( em alguns comentários. Acho que respondi algumas vezes, mas você não voltou para ler. rs
    Acho que mulher tem o famoso sexto sentido, que ajuda em alguns momentos. Obrigada pelos elogios.
    Um abraço.

  9. Jussara
    Postado em 5 Fevereiro 2013 às 9:16 pm | Permalink

    O comentário entrou sem eu ter terminado (às vezes tenho esse “poder” de apertar sem querer uma tecla e enviar o texto antes da hora).

    Eu quis dizer que já li você escrever (que eu enxergo longe) em alguns comentários aqui no site. Agradeço o elogio.. Sou um pouco assim na vida “real” também, mas nos filmes é mais fácil, por estarmos somente na posição de espectadores. E como a arte imita a vida, quando o filme é bom, é natural fazer comparações com o que já vimos e/ou vivemos.

  10. Ivan
    Postado em 6 Fevereiro 2013 às 2:17 pm | Permalink

    Oi Jussara !!
    Eu acabei de postar meu comentário e ele não foi. Vou tentar dizer tudo novamente com as mesmas palavras.
    Voce está certa , eu não tenho voltado para reler as anotações. Por coincidência estou fazendo isto agora. Tenho em arquivo todos os fimes que comentei aqui no site e, que com “A mão que balança o Bêrço”, são 119. Até brinquei com o Sergio dizendo que quando comentei “Caminhando nas Nuvens”, estava comemorando o centésimo filme, tal qual o jogador comemora 100 gols, 100 jogos, etc…
    Então, agora estou revisando todos os comentários que fiz para ver se é preciso dizer alguma coisa mais após outra anotação que tenham feito, do mesmo modo como estamos fazendo.
    A mulher tem todos os sentidos que ajudam em muitos momentos.
    Estás vendo, é como eu digo, olha só que coisa mais linda disseste no comentário 9 .
    Um grande abraço amiga e outro para o Sergio.
    Espero que desta vez este comentário vá.

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » A Outra Família / La Otra Familia em 23 novembro 2012 às 12:14 pm

    […] O contrário do que fazem muitos diretores do atual cinema argentino, ou, só para dar um outro exemplo, o extraordinário iraniano Asghar Farhadi. […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » O Passado / Le Passé em 17 dezembro 2014 às 3:13 pm

    […] Elly, de 2009, é uma obra-prima. A Separação, de 2011, é um primor, um espetáculo, uma maravilha. O Passado é do mesmo nível dos dois […]

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