Heróis / Push

Nota: ★½☆☆

Anotação em 2011: Este filme Heróis, no original Push, muitíssimo provavelmente teve esse título no Brasil para confundir o pobre espectador com a série de TV Heroes, que teve quatro temporadas a partir de 2006 e, parece, foi um grande sucesso. Mas não tem nada a ver com ela.

Quer dizer – a rigor, tem um pouco a ver, sim, porque, afinal de contas, o filme, assim como a série, trata de pessoas especiais, com poderes extra-sensoriais. São super-homens e super-mulheres, super-heróis como nas histórias em quadrinho – as únicas diferenças entre os personagens do filme o os super-heróis dos quadrinhos é que eles não vestem roupas especiais e são especializados: cada um tem um tipo de super-poder extra-sensorial.

Assim, temos, neste filme, os movedores, que conseguem fazer mover os objetos com o poder da mente; os enfiadores, que conseguem enfiar na cabeça dos outros uma idéia, uma sensação, uma lembrança; os observadores, que conseguem ver o futuro; os sangradores, que emitem ruídos altíssimos, capazes de furar os tímpanos dos outros e fazê-los sangrar pelos ouvidos; os cheiradores, que conseguem localizar as pessoas pelo cheiro, mesmo que estejam do outro lado da Terra; os sombras, que conseguem tornar as pessoas ou os objetos não rastreáveis por nenhum meio…

E aí, ao escrever o parágrafo acima, me deu uma grande vergonha: mas por que raios eu, um senhor sexagenário, de algum estudo na vida, estou aqui escrevendo sobre um filme idiota, que só teria algum interesse para crianças e adolescentes?

Bem, as respostas são as de sempre: porque sou meio doido (meio?), porque gosto de ver filmes, porque vi esta porcaria, e, como tenho um site sobre filmes, já que vi, que perdi tempo com ele, posso ao menos garantir mais um post.

Uma sinistra agência do governo americano usa o poder dos heróis

A trama é assim: há no mundo movedores, enfiadores, observadores, sombras, sangradores, etc, etc, etc. Os nazistas foram os primeiros a tentar explorar esses seres dotados de poderes extra-sensoriais como armas, como soldados. Desde os anos 1940, diversos outros países passaram a tentar o mesmo. O governo americano criou uma agência especializada em pegar essas pessoas e tentar aumentar ainda mais os seus poderes extra-sensoriais. A agência é chamada apenas de A Divisão, e as pessoas que trabalham nela são o retrato do mal em si, são os Bad Guys, os bandidos. Os Good Guys, os mocinhos, são os extra-sensoriais, que não querem saber de virar cobaias da Divisão, e fogem dela feito o diabo da cruz.

Muitos deles – exatamente como os protagonistas do filme – vivem em Hong Kong, aquela cidade superpopulosa, cheia de becos, esconderijos. O principal herói da história (Chris Evans), Nick, um movedor meio sem muita prática, está em Hong Kong faz tempo, tentando não ser encontrado pelos homens da Divisão. Ele será, no entanto, encontrado por Cassie (Dakota Fanning), uma adolescente observadora, que tentará persuadir Nick a ajudá-la a libertar sua mãe das garras dos agentes da Divisão.

O diretor se leva muito a sério

Foi o último filme, ou um dos últimos, de Dakota Fanning ainda garotinha, adolescente bem jovem. Apenas um ano depois, em 2010, ela já faria o papel de uma garota de uns 16 anos em The Runaways – Garotas do Rock. Ela é uma das poucas coisas boas do filme, na minha opinião.

O engraçado é que, pelo que se vê na internet e nos especiais sobre o filme no Blu-ray e DVD, o diretor Paul McGuigan se leva extremamente a sério – a si próprio e a seu filme. Diz que escolheu Hong-Kong como locação porque a cidade faz lembrar o que era Casablanca nos anos 40; diz que, apesar de ser um filme de ação, teve grande preocupação com a parte psicológica dos personagens. E insiste em dizer que o filme se baseia em fatos reais, já que o governo americano de fato tentou usar os poderes psíquicos como arma do exército.

Lá isso é verdade – conforme mostrou o jornalista inglês Jon Ronson na reportagem que transformou no livro Os Homens Que Encaravam Cabras, que por sua vez deu origem ao saboroso e maluquérrimo filme homônimo com George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges e Kevin Spacey. O filme, dirigido por Grant Heslov, é uma total delícia. Este aqui, tadinho, é só para adolescentes – ou loucos varridos como eu.

Heróis/Push

De Paul McGuigan, EUA-Canadá, 2009

Com Chris Evans (Nick), Dakota Fanning (Cassie), Camilla Belle (Kira), Djimon Hounsou (Carver), Neil Jackson (Victor Budarin), Maggie Siff (Teresa), Joel Gretsch (o pai de Nick)

Argumento e roteiro David Bourla

Fotografia Peter Sova

Música Neil Davidge

Produção Summit Entertainment, Icon Productions, Infinity Features Entertainment. Blu-ray e DVD Paris Filmes.

Cor, 111 min.

*1/2

3 Comentários

  1. Postado em 9 setembro 2011 às 6:26 pm | Permalink

    Eh Eh Eh…
    Ainda estou rindo deste teu comentário, Sérgio…

  2. José Luís
    Postado em 9 setembro 2011 às 10:21 pm | Permalink

    E a coitada da Dakota Fanning lá vai indo de desgraça em desgraça.
    Talvez a irmã Elle Fanning tenha mais sorte.

  3. Sérgio Vaz
    Postado em 9 setembro 2011 às 11:33 pm | Permalink

    Pô, Rato, eu fui sincero… Já que vi a josta do filme, pelo menos faço um post sobre ele…
    Como você faz no seu blog? Os filmes ruins que você vê, você comenta – ou ignora?
    E, José Luis, a garotinha Dakota não está perdida de vez… “A Vida Secreta das Abelhas” é um bom filme. E ela tem uma bela interpretação nesse “The Runaways”…

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Amistad em 26 Fevereiro 2013 às 3:32 pm

    […] extrema, feroz. A primeira tomada é um super big close-up do pedaço de um rosto, o de Cinque (Djimon Hounsou, na foto acima e no meio na foto abaixo), que está arrancando os pregos que prendem suas correntes […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » ela / her em 25 Fevereiro 2015 às 12:19 am

    […] Runner (1982), Os Agentes do Destino (2011), Substitutos (2009), Heróis (2009) são do tipo […]

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