Olhar de Anjo / Angel Eyes


Nota: ★★½☆

Anotação em 2010: Gostei bastante deste filme. São dois personagens interessantes, bem construídos, bem interpretados por Jennifer Lopez e Jim Caviezel. Muita gente detesta J.-Lo, e Jim Caviezel nunca chegou a virar um astro – mas acho que eles estão muito bem.

Não é, de forma alguma, um grande filme. Tem seus pecadinhos; na segunda metade, fica previsível, beira o sentimentalismo, a pieguice; exagera, fica over. Mas gostei de vê-lo pela primeira vez, em meados de 2006, e gostei também de revê-lo agora, no início de 2010.

Essa coisa é assim mesmo, estranha e imprevisível, pessoal demais. Às vezes a gente reconhece que determinado filme é muito bom, mas não chega a se envolver com ele – não rola, e pronto. E há os exemplos opostos, filmes que não têm uma grande qualidade, mas que pegam, fisgam a gente. É exatamente o caso deste Olhar de Anjo.

Jennifer Lopez faz o papel de Sharon Pogue, uma policial de Chicago, dedicada, séria, trabalhadora – às vezes muito violenta com os bandidos que prende. É uma mulher que a vida tornou muito dura, muito rude; tem insônia, é extremamente solitária. Sai para beber com os colegas e trata os homens de igual para igual; quando tem um encontro com algum homem, se sente incomodada porque em geral sua companhia quer saber como é seu trabalho de prender bandidos, pergunta se ela já matou gente.

         Uma família com histórico de violência doméstica

Aos poucos, vamos ficar sabendo a respeito da família dela, a mãe (interpretada por Sonia Braga), o pai (Victor Argo), o irmão (Jeremy Sisto), a cunhada. Não é uma família que vive em paz; houve no passado, e ainda há agora, problemas de violência doméstica, que causam profunda revolta em Sharon.

Quando a ação começa, Sharon e seus colegas estão atendendo as vítimas de um grave acidente de carro; há um sobrevivente, que ela ajuda a retirar dos escombros. Temos aí um corte no tempo, e passamos a acompanhar o dia-a-dia de Sharon um ano depois.

Entremeadas às seqüências no trabalho da policial, vamos vendo um outro personagem, um sujeito que vagueia pelas ruas da cidade; veremos depois que ele se chama Catch – só assim, sem sobrenome. Tem um olhar distante, um jeito um tanto alheio, de alguém que passou por um violento trauma. É um sujeito do bem, que gosta de ajudar as pessoas, em pequenos gestos – e também em grandes: depois de ficar fascinado ao ver Sharon em um bar com os colegas, Catch a segue durante uma perseguição a um bandido e acaba salvando a vida dela, quando ainda não temos nem 15 minutos de filme.

A aproximação entre os dois é bastante interessante, e muito bem contada. São pessoas que a princípio não têm nada a ver um com o outro; são, os dois, seres solitários na cidade gigantesca, mas, tirando essa característica, tudo o mais os separa. Ela é uma mulher dura e rude, ele é um homem doce, suave.

O roteirista Gerald Di Pego acertou em cheio ao criar os dois personagens e as situações em que eles vão se encontrando, se estranhando, mas ao mesmo tempo sendo atraídos um pelo outro – e é nesse trecho, o miolo do filme, que Jennifer Lopez e Jim Caviezel garantem o que o filme tem de melhor.

         Um diretor que trabalha com bons atores

O diretor Luis Mandoki, um mexicano que estudou nos Estados Unidos e na Inglaterra e desde os anos 80 está radicado em Hollywood, não chega a ter um currículo admirável, mas fez um ou outro filme bom, e trabalhou com excelentes atores. Em 1987, fez Gaby – Uma História Verdadeira, com Liv Ullmann e Norma Aleandro, que foi indicada ao Oscar de atriz coadjuvante. Em 1990, fez Loucos de Paixão/White Palace, com muitas cenas de sexo entre Susan Sarandon e James Spader. Em 1993 fez uma desnecessária refilmagem de Nascida Ontem, que no Brasil teve o título de O Renascer de uma Mulher. Em 1994 abordou o tema sério e importante do alcoolismo em Quando um Homem Ama uma Mulher, com Meg Ryan e Andy Garcia. Em 1999 fez uma história de amor um tanto melosa, reunindo Kevin Costner, Robin Wright Penn e Paul Newman, em Uma Carta de Amor/Message in a Bottle. Nos anos 2000 fez poucos filmes.

A crítica do AllMovie chega à seguinte conclusão: “Apesar de algumas boas atuações e uma subtrama promissora, Angel Eyes não funciona, incapaz de convencer a audiência sobre sua autenticidade, tão incerto que é de sua própria identidade”.

Leonard Maltin deu 2.5 estrelas em 4. Ele usou adjetivos corretos, na minha opinião: “Atuações sinceras dos dois atores principais tornam este filme assistível, embora a história seja previsível e familiar”. 

É exatamente isso, eu acho: são sinceras as atuações de Jennifer Lopez e Jim Caviezel, para dois personagens interessantes. Repito: não é um grande filme, mas gostei bastante de vê-lo e de revê-lo. 

Olhar de Anjo/Angel Eyes

De Luis Mandoki, EUA, 2001

Com Jennifer Lopez (Sharon Pogue), Jim Caviezel (Catch), Sonia Braga (Josephine Pogue), Terrence Howard (Robby), Jeremy Sisto (Larry), Victor Argo (Carl Pogue), Monet Mazur (Kathy Pogue), Shirley Knight (Elanora) 

Argumento e roteiro Gerald Di Pego

Fotografia Piotr Sobocinski

Música Marco Beltrami

Produção Franchise Pictures

Cor, 102 min

R, **1/2 

Título em Portugal: Olhos de Anjo

13 Comentários para “Olhar de Anjo / Angel Eyes”

  1. Boa noite! Estou há anos na internet procurando pelo nome do lugar onde foi gravada a cena de amor entre j-lo e jim no filme Olhar de Anjo. Pessoal, quem estiver com as mesmas duvidas que eu, pode entrar em contato comigo para procurarmos juntos na internet.

  2. Mara, segundo o iMDB, o filme foi rodado em Chicago, nos Estados Unidos, e nas cidades de Elora e Toronto, no Canadá.

  3. Sou muito fã desse filme. Apesar das cenas de violência, o amor é uma forma de ultrapassá-la.
    E é muito bom ver quando ocorrem todas aquelas cenas vividas pela policial, para que depois, no encontro com “Catch”, a substituição pelo romantismo trazido nas cenas, é excitante. Faz com que muitos casais sintam-se com vontade de viver uma história assim, onde o amor seja uma maneira de contrabalancear.

  4. O filme tem seus defeitos, porém gostei muito do filme e da atuação J-Jo e Jim.
    A cena no bar onde são tocadas as músicas Nature Boy e In Sentimental Mood é antológica.

  5. Quando o filme é muito confuso, as cenas parecem não se encaixar e detalhes que poderiam ser cortados, fica claro que a mensagens por trás da história principal, o final até que é legal, mas suas mensagens subliminares são gritantes. ex: A escolha de no roteiro haver aquelas musicas que catch toca, elas são tocadas quase que inteiras de forma a entrar em seu subconsciente. Fiquem de olho!!!

  6. Justamente um filme comum, mas acima da média para os do tipo.Agora aquela da “ela exagera na violência ao prender os bandidos” eh fogo, risos, porque não sei se toda policial feminina é xingada de vadia e tem seus genitais bolinados, mas com certeza a reação dela é a altura. Me surpreendeu como a Sonia Braga ficou bem no filme.

Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *