Grey Gardens

Nota: ★★★½

Anotação em 2010: Grey Gardens é um filme impressionante.

Claro: um bom filme impressiona cada espectador de uma determinada forma. Drew Barrymore diz que, para ela, é uma extraordinária história de amor entre duas mulheres. Para mim, Grey Gardens pareceu um filme de terror. Sinistro, sombrio, lúgubre, apavorante, como, por exemplo, O Que Aconteceu com Baby Jane?/Whatever Happened to Baby Jane?, ou Com a Maldade na Alma/Hush… Hush, Sweet Charlotte.

Com a diferença de que é uma história real.

É o terror, é o horror absoluto o que a sociedade que nós criamos é capaz de fazer com as pessoas. O que as pessoas são capazes de fazer com as outras e consigo mesmas.

Mas acho que estou, como em tantas outras vezes, passando o carro na frente dos bois. Vamos tentar começar do começo.

         Uma história real, e mais a metalinguagem

Grey Gardens conta a história real de duas mulheres, mãe e filha, ambas com o mesmo nome, Edith Bouvier Beale, ao mesmo tempo em que reconstitui, com uma exatidão absurda, como foi feito, em 1973, um documentário sobre elas, com o mesmo título do filme realizado agora em 2009. É ao mesmo tempo, portanto, uma cinebiografia e um exercício estilístico de metalinguagem.

É uma porrada na cara da gente – e da sociedade americana.

As duas Edies, a mãe e a filha, passaram da mais alta sociedade de Nova York, das festas elegantérrimas da Park Avenue, à mais execrável, abjeta miséria, semelhante à dos sem-teto que vemos nas ruas. A travessia da Suíça a Biafra, do paraíso ao inferno – e, ao anotar essa frase, me lembro da epopéia do garoto James Graham de Império do Sol, de Spielberg, criado entre os estrangeiros muitíssimo ricos do bairro mais elegantes de Xangai e que, num piscar de olhos, cai num campo de concentração mantido pelos ocupantes japoneses na China do início dos anos 1940.

A diferença é que o garoto James Graham é uma vítima da guerra China-Japão; simplesmente não podia fazer nada para evitar a queda do paraíso ao inferno. As duas mulheres retratadas em Grey Gardens optam pelo inferno da miséria mais degradante. Não fazem absolutamente para evitá-lo.

         A miséria mais sub-humana numa casa de 28 cômodos

Ora, direis, ouvir estrelas – mas miséria é uma coisa comum, está nas ruas, diante de nós, a cada momento.

Verdade, miséria é lugar comum na vida. Mas o fato de ser lugar comum não torna a miséria menos execrável, abjeta.

E há fatores que tornam nada lugar comum a miséria em que mergulham Edie mãe e Edie filha. Um deles: não experimentam a vida sub-humana nas ruas, e sim dentro de uma bela propriedade, uma grande casa de 28 cômodos, chamada Grey Gardens, numa região rica, fina e chique, a exclusiva East Hampton, em Long Island, Estado de Nova York, a poucos quilômetros do umbigo do capitalismo mundial.

O outro fator é o nomezinho do meio que as duas carregam: Bouvier.

A Edie mais velha é tia e a Edie mais nova é prima-irmã de Jacqueline Lee Bouvier, depois Jacqueline Lee Bouvier Kennedy, depois Jacqueline Lee Kennedy Onassis.

Numa bela sacada dos roteiristas Michael Sucsy e Patricia Rozema – o primeiro é também o diretor do filme –, Jackie aparece criança numa seqüência quando o filme está aí com uns 20 minutos: está na praia, junto de Grey Gardens, de mãos dadas com a prima uns dez anos mais velha que ela, a Edie filha.

         No filme, duas mulheres vêem um filme em que elas são as estrelas

Como tantas cinebiografias feitas nas últimas décadas, como de resto tantos filmes mais recentes de todos os gêneros, este Grey Gardens é construído em cima de idas e vindas no tempo. Enquanto são apresentados os créditos iniciais, vemos um exercício de metalinguagem: um filme em que aparecem duas mulheres está sendo apresentado para as duas mulheres que são as protagonistas do filme.

Só o espectador muito atento notará que a mulher um pouco mais jovem, que no filme projetado na tela para as duas mulheres aparece de short e meias pretas, dançando riduculamente e ridiculamente carregando uma bandeirinha americana, é Drew Barrymore, e que a mulher mais idosa, bem idosa, cabelos inteiramente brancos, é Jessica Lange.

Terminados os créditos iniciais, corta, e temos o letreiro – Nova York, 1936. Os Estados Unidos viviam ainda na Grande Depressão, mas o que surge ali é o lado milionário do país mergulhado na pior crise econômica de sua história – uma festa de debutantes num exclusivo hotel. E aí, sim, reconhecemos Jessica Lange, neste momento maquiada para parecer mais jovem do que nos seus 60 anos, como Edie, a mãe da garotinha Edie interpretada por Drew Barrymore, igualmente bem tratada para parecer menos que seus 34 anos da época da filmagem, 2009.

Edie mãe é casada com um grande empresário, Phelan Beale (Ken Howard). A família tem uma casa de campo na então distante East Hampton, a bela propriedade chamada Grey Gardens.

E aí, nesses primeiros minutos, o diretor Michael Sucsy arrasa. Faz um daqueles travellings aéreos em que a câmara sobrevoa uma região e se aproxima do objeto específico da história – uma região linda, arborizadísima, perto do mar, e uma única grande casa ali, Grey Gardens, a casa de campo do empresário Phelan Beale, sua mulher Edie, sua filha adolescente Edie e seus dois filhos mais novos. Logo em seguida, teremos outro travelling aéreo sobre a mesma região, indo chegar até a mesma casa, em 1973 – só que, aí, Grey Gardens, ainda no meio de muitas grandes árvores, já está cercada de diversas outras casas amplas, ricas.

Essas duas tomadas amplas, dois extraordinários planos gerais, definem muito do que o filme vai mostrar. A família foi pioneira a ocupar aquele lugar, nos anos 30, ainda durante a Grande Depressão, onde ao longo das décadas seguintes se radicariam outros muito ricos. Eram ricos antigos. Foram sendo cercados por novos ricos.

Só que – o espectador entenderá por que nos primeiros 20, 30 minutos do filme – entre 1936, ano do baile de debutante de Edie filha, e 1973, ano em que chegam a Grey Gardens dois documentaristas para filmar como vivem então Edie mãe e Edie filha, as duas haviam feito, sem sair do lugar, a tal travessia Suíça-Biafra, em vôo sem escalas, direto e reto, entre o paraíso e o inferno, a opulência e a miséria, as festas chiques e a solidão total, a miséria total.

         Uma esmerada reconstrução, de babar, de cair o queixo

Não vi o documentário Grey Gardens, rodado em 1973 por Ellen Hovde, Albert Maysles, David Maysles e Muffie Meyer e lançado em 1975, em que Edie mãe e Edie filha se mostram à câmara, exibem os cômodos de Grey Gardens, a varanda, o terreno, suas histórias, suas almas, seus segredos.   

No making of do filme Grey Gardens de 2009, que está no DVD lançado pelo Warner no Brasil, aparecem trechos do documentário, e aí fica nítido todo o cuidado da produção do filme em recriar o mais fielmente possível aquela realidade. O trabalho de direção de arte, dos figurinos, é de babar, de cair o queixo. Entre os entrevistados no making of está Albert Maysles, um dos dois diretores do documentário. Ele foi consultor técnico do filme produzido agora pela HBO.

Para tornar mais direta a narrativa da recriação da história real, os roteiristas preferiram esquecer os co-diretores Ellen Hoyde e Muffie Meyer, concentrando-se nos irmãos Albert e David Maysles. Licença poética mínima, natural, normal, na adaptação de fatos reais para o cinema

Então, eu dizia: não vi o documentário original, e imagino que 99% de quem gosta de cinema no Brasil também não viu, mas muitos americanos viram. Drew Barrymore conta que ele virou um clássico. Diversas outras pessoas envolvidas na produção citam o documentário como algo especialmente marcante – e de fato deve ter sido. Não é todo dia que são mostrados parentes diretos da primeira-dama mais charmosa de 200 e tantos anos de república vivendo na mais absoluta miséria.

Nesse making of, os envolvidos na produção do filme insistem em que se tentou não fazer juízo de valor sobre os personagens, sobre Edie mãe, Edie filha. Tentaram reconstituir um fato histórico, apenas. Tudo bem. Estava no papel deles dizer isso.

         A indolência total dos muitos ricos, a falta de propósito

Para mim, a trágica saga das duas Edie Bouvier Beale trouxe à mente coisas mais conhecidas via literatura. Me lembrei dos clássicos ingleses, franceses, russos, brasileiros, sobre a vida dos muito ricos no passado. Jane Austen. Liev Tolstói. Machado de Assis. 

Os nobres, os ricos, os privilegiados não trabalham, não fazem nada produtivo, não constroem nada. Não sabem o que é isso, não têm noção do que é isso. Em vários textos sobre a alta casta inglesa, há referências ao fato de que trabalho, para eles, é vergonha, ingnomínia.

E à mulher cabia na vida, única e tão somente, casar. Tudo, tudo se resumia ao casamento. Não casar é infortúnio, casar com pobre é infortúnio igual ou pior. Casar com homem rico é a única aspiração da mulher, de suas famílias. 

Os americanos muito ricos seguiam rigidamente as tradições inglesas.

O que as Bouvier Beale mostram é o quanto os americanos muito ricos seguiam essas tradições.

A mãe conseguiu o alvo: casou-se com um milionário. Tanto a mãe quanto o pai queriam para a filha o mesmo objetivo. Era o único possível, tangível, permitido, aceitado, existente.

A mãe gostaria de ser cantora. Para o Beale macho, aquilo era absurdo, impossível: mãe dos filhos dele não poderia ser igual a cantora de botequim. Uma vez casada, a Bouvier tornada Bouvier Beale resolveu o problema tendo na folha de pagamentos dos serviçais um compositor-pianista-cantor que era também eventual amante. Não se apresentava em teatros, mas cantava nas festas incessantes que dava em Grey Gardens.

(Há um clima de O Grande Gatsby nas festas de Edie na mensão Grey Gardens.)

A filha gostaria de ser dançarina. Mãe e pai, distantes, diferentes em tudo, uniam-se contra tal loucura: a filha teria era que se casar com homem rico.

Quando se dá a separação, e a mãe passa a depender da mesada do ex-marido, aborta-se a tentativa da filha de tentar carreira como dançarina, e mãe e filha são reunidas na antiga casa de campo. Mesada pequena, perde-se o empregado-amante, perdem-se as demais serviçais. Nem mãe nem filha são capazes sequer de levar um prato usado para perto da pia, quanto mais de lavá-lo.

É a indolência absoluta e total.

         Bola de neve morro abaixo ou morro acima. Às vezes, folie à deux

Mary e eu discutimos a respeito das responsabilidades. Mary atribuía a responsabilidade maior da tragédia que se abate sobre elas à mãe, que cortou no nascedouro as tentativas da filha de fazer alguma coisa na vida. Discordei: a filha foi igualmente indolente, assim como a mãe havia sido.

Mãe e filha são igualmente responsáveis.

É a velha história da bola de neve que resulta de uma relação. A soma de um homem e uma mulher, de duas pessoas, seja de sexo forem, pode ser morro abaixo – um empurra o outro para o negativo, o outro empurra o um, os dois se-empurram-se para baixo – ou pode ser morro acima – um fortalece o outro, apóia o outro, melhora o outro.

É sempre assim. Cada relação estabelece para onde vai: morro abaixo ou morro acima.

Tive uma vizinha no mesmo andar meu, aqui neste prédio médio-médio em que vivo há mais de 30 anos, que apanhava do segundo marido. Berrava ao apanhar. Numa noite de berros mais altos que o “normal”, berramos aqui do lado que chamaríamos a Polícia, e os berros cessaram. Algum tempo depois separaram-se, mudaram-se daqui, certamente foram para apartamento mais caro: o marido espancador era da Polícia Civil, e seguramente corrupto. Soube outro dia que voltaram a viver juntos. Optaram por viver mais tempo rolando morro abaixo.

Coisa comum, registrada nos livros da psiquiatria. Tem nome bonitinho, em francês – em francês, qualquer coisa fica bonita: folie à deux.

         Quando se opta pelo brejo, ninguém segura

Edie mãe e Edie filha viveram uma folie à deux. Cada uma se destruiu enquanto cada uma destruía a outra. Foram rolando morro abaixo durante anos e anos e mais anos, até que a casa antes elegante se tornasse pior que a sarjeta mais insuportavelmente suja da mais infecta Cracolândia possível.

O fato de que Jacqueline Lee Kennedy Onassis fosse sobrinha de uma e prima-irmã da outra só torna a história mais patética, mais apavorante. Um chequinho de US$ 1 milhão, ou de US$ 2 milhões, ou de US$ 3 milhões, ajudaria (e, para Aristoteles Onassis, um chequinho desses seria igual eu dar uma moedinha de R$ 1,00 de gorjeta), mas não necessariamente resolveria a questão.

Quando uma pessoa opta pelo brejo, ninguém segura.

Pode-se lutar muito pra sair do brejo, e jamais conseguir. Mas há quem consiga. Existe a possibilidade. Existe a chance.

Agora, quando se opta pelo brejo, ninguém segura.

As Edier mãe e filha têm a indolência dos muito ricos – como alguns personagens das sociedades retratadas por Jane Austen, por Tolstói, por Machado. É uma absurda mistura de indolência, vaidade, orgulho, incapacidade de reagir, de agir. Simplesmente vão deixando a miséria tomar conta.

No mergulho na loucura, contam com a ajuda dos próprios parentes, que não fazem nada para sacudi-las da letargia. Só quando a história chega à imprensa, depois que os vizinhos reclamam às autoridades que cuidam da saúde pública, é que finalmente há uma intervenção externa. Passada essa intervenção, no entanto, as duas mulheres se deixam cair de novo na indolência, na letargia.

         Uma história tão impressionante que resultou em vários filmes

Cada espectador pensa sobre um filme o que quiser. A rigor (tentaram me fazer entender isso, nas desnecessárias aulas dos vários cursos de comunicação que tentei fazer e não tive paciência para terminar), uma obra não existe por si só: só existe quando é vista por alguém, e cada alguém vê uma obra naquela obra ali. Se a Mona Lisa não fosse vista por ninguém, simplesmente não existiria. Este filme feito para a TV americana pode sequer ser visto por um bando de gente, que de cara acha menor qualquer filme para a TV, mais ainda a americana. Pode ser visto como mais um filme sobre história real, não muito importante, não muito bom. Até porque filme americano, hum, hum, é tudo menor.

A mim ele impressionou bastante. Demais.

A história em si é tão impressionante que foi contada não apenas no documentário lançado em 1975 (na foto acima, a capa do DVD) e neste filme agora de 2009. Vejo no AllMovie que houve também The Beales of Grey Gardens, lançado em 2006 – uma montagem de outros trechos filmados em 1973 para o documentário original e que não apareceram nele. Também em 2006 foi lançado um curta metragem, Ghosts of Grey Gardens, a respeito do documentário original de 1975, dirigido por Liliana Greenfield-Sanders. Em 2008, outro documentário, Grey Gardens: From East Hampton to Broadway mostrou o impacto que as duas Edies tiveram sobre o mundo da arte, entretenimento e moda.

         Os velhos Barrymores devem estar brindando a Drew. Eu brindo também

Este Grey Gardens de 2009 é, portanto, o primeiro filme de ficção baseado na vida das Edies mãe e filha.         

Jessica Lange já não precisava provar mais nada: tem uma carreira luminosa, cheia de grandes interpretaçãoes. Começou como um rosto lindo – ah, o anjo da morte de All That Jazz –, mas cresceu, estudou, aprendeu, virou uma grande atriz. Está brilhante mais uma vez.

A garota Drew Barrymore, essa pessoa que tem uma história de vida riquíssima, trágica, fascinante – por volta dos 15 anos, viciada em drogas e álcool e com internações em clínicas de desintoxicação, era considerada página virada, coisa do passado, has-been –, tem aqui a melhor interpretação de sua carreira até agora. (E que seja longa sua carreira!) Pelo menos do que eu conheço de sua carreira. É uma interpretação emocionante. Princesa de uma dinastia de atores que tem um século e meio, agora também diretora, a moça impressiona. Os Barrymoore do começo do século XX, John, Ethel, devem seguramente estar brindando a ela. 

Percebe-se facilmente como as duas atrizes se entregaram aos papéis, com dedicação, devoção e um imenso profissionalismo.

O trabalho de maquiagem, de criação de próteses, para marcar o envelhecimento das personagens, é de um brilho fantástico.

Jessica e Drew foram indicadas ao Globo de Ouro de melhor atriz em minissérie ou filme feito para a TV. Drew levou o prêmio. E o filme ganhou outro Globo de Ouro na categoria de melhor minissérie ou filme feito para a TV.

No total, o filme recebeu 19 prêmios, fora outras 16 indicações.

Grey Gardens

De Michael Sucsy, EUA, 2009

Drew Barrymore (Edie Bouvier Beale, filha), Jessica Lange (Edie Bouvier Beale, mãe), Ken Howard (Phelan Beale), Daniel Baldwin (Julius Krug), Malcolm Gets (George Gould Strong), Arye Gross (Albert Maysles), Jeanne Tripplehorn (Jackie Kennedy Onassis)

Roteiro Michael Sucsy e Patricia Rozema

Inspirado no documentário Grey Gardens, de Ellen Hovde, Albert Maysles, David Maysles e Muffie Meyer, 1973.

Fotografia Mike Eley

Música Rachel Portman

Montagem Alan Heim e Lee Percy

Produção HBO, Cinetic Media. DVD Warner.  

***1/2

9 Comentários para “Grey Gardens”

  1. Eu tenho uma falha grave de personalidade (rsrsrs): gosto muito de filmes americanos. Talvez goste um tantinho mais de cinema italiano, mas nem isso é certo porque como vi muito menos filmes italianos do que americanos, na média, estes últimos me agradam mais. Isto posto, devo dizer que seu comentário sobre este filme despertou-me a curiosidade acintosamente, sem falar que aprecio Drew e Jessica Lange. Será que há DVD? (está difícil trabalhar, ler, escrever centenas de blogs e manter-me atualizada com meus desejos provocados pelos filmes descritos aqui…mas vou anotando quando a aquisição não pode ser imediata).

  2. Sim, Luciana, a filme foi lançado em DVD no Brasil, pela Warner. Se a sua locadora não tiver, sugira que eles comprem.
    Um abraço!
    Sérgio

  3. Fantástico esse seu apanhado e crítica
    sobre o filme das Bouvier Beale.
    Vi ambos, o doc e o filme vááárias vzs e sempre me impressionam.
    Aplausos mil pra vc !!!

  4. O mais marcante do filme para mim é o retrato pouco visto no cinema de um sentimento que carregamos todos: o de tudo aquilo que poderia ter sido e não foi, e como a equação escolhas e passar do tempo é inclemente com a existência humana.

    O mais emocionante, contudo, é que mesmo em uma relação doentia como tinham essa mãe e filha, marcada pelo egoísmo e autocomiseração, podem surgir os sentimentos mais generosos.

  5. Comovente a História e agonizante o lixo da casa..me faz lembrar as irmãs Linda e Dircinha Batista (cantoras do Rádio do Brasil), que segundo dizem passaram da glória ao lixo,das pompas ao esquecimento. Ao menos a casa mudou e elas não foram despejadas; do lugar que a mãe tanto gostava; reforma patrocinada pela Onasis…mais continuaram lá.
    É bonito ver também, a mãe com aquelas jóias guardadas para a filha durante tanto tempo; no meio de tanta privação, poderia ser vendida…
    Senti muita coisa durante este filme, nem sei me expressar!!!

  6. Gostaria de parabenizá-lo pelo excelente texto. Eu não havia pensado sobre a indolência de mãe e filha, considerei mais que fossem duas ‘coitadas’ vítimas de um sistema cruel que constroe e destroe celebridades. Tenho documentário e assisti, na HBO, as interpretações de Lange e Barrymore são dignas de muitos prêmios, acho que documentário e filme se completam. Parabéns mais uma vez pela brilhante análise.

  7. Belíssimo filme.
    Já vi tbém o doc de 1975 e me impressiono
    com os detalhes do tele-filme de 2009.
    Lange e Barrymore estão fantásticas.

  8. Olá, Sérgio. Conheci seu site por intermédio de um amigo que, meio por acaso, o achou na internet: trabalhamos com material didático e, por vezes, indicamos filmes para enriquecer o tema apresentado. Enfim… fiquei sua fã logo de cara e tenho assistido filmes por ‘sua indicação’. Grey Gardens foi um deles. Confesso que não é meu tipo de fime favorito (gosto de thrillers rsrsrs), mas, pela maneira como vc escreve, outros gêneros me parecem irresistíveis e tenho vários numa lista que pretendo cumprir em breve. Gostei bastante de Grey Gardens, pelo tema (não conhecia e história delas) mas, principalmente pelas atuações das atrizes. ‘Um brilho’, plagiando sua expressão de aprovação, que eu adorei. É isso. Até mais.

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