Quando Estou Amando / Quand j’étais Chanteur


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2009: Parece que todo mundo adorou este filme em que Gérard Depardieu faz – com brilho – um cantor de salão de bailes em uma cidade do interior da França. Vi no site CommeAuCinema diversos trechos de críticas cheios de elogios.

“Uma síntese maravilhosa entre poder e doçura”, disse o Le Monde. “Giannoli evita os clichês que poderiam talvez frisar o sórdido. Trata-se de outra coisa”, diz a revista Première. “Melhor, ele oferece a um ator um dos pontos altos de sua carreira. O jovem cineasta compreendeu que não se deve tratar um monumento tentando ocultar sua grandeza”, diz a Studio. “Um grande Depardieu, com Cécile de France deixando o registro de adolescente por um verdadeiro primeiro papel de mulher”, diz a Télé 7 Jours. “A simplicidade e a universalidade de uma bela história de amor”, diz a Score.

Todo mundo adorou – menos eu.

Para começo de conversa, não há propriamente uma história de amor. Sim, o cantor Alain Moreau, o papel de Depardieu, sente uma forte atração por Marion (a personagem de Cécile de France, aquela gracinha que brilhou em Um Lugar na Platéia e Meu Coronel) desde o momento em que a vê pela primeira vez. Alain estava cantando num salão de baile, em Clermont-Ferrand, na região de Auvergne, quando ela entra, levada por seu amigo e patrão, Bruno (Mathieu Amalric), dono de uma imobiliária e ele também muito amigo do velho cantor de músicas românticas, adocicadas, algo assim como uma espécie de Julio Iglesias. Alain vai até a mesa onde estão Bruno e Marion, e despeja sobre ela um papo de conquistador-clichê. Mas Marion, bem mais nova, distante do mundo daquelas canções que as legendas em português traduzem como bregas, mostra-se absolutamente indiferente, distante. Apesar disso, os dois irão para a cama, naquela mesma noite. Na manhã seguinte, vemos Marion acordar como se estivesse arrependida, e até surpresa por ter dormido com o cara; veste-se rapidamente e desaparece sem cumprimentá-lo.

O desenrolar da história dos dois será como estes primeiros momentos mostrados no início do filme. Não haverá propriamente uma história de amor entre eles; Marion vai sempre oscilar entre um pouco de desprezo pela figura de Alain e uma fascinação que não consegue deixar de sentir. É mais uma história de um encontro que não chega a haver, um amor que não chega a se concretizar, do que propriamente uma história de amor. 

Sim, Depardieu está em um grande momento. Brilha o filme inteiro – e foi ele mesmo que cantou as muitas canções beirando o brega que seu personagem Alain apresenta para as platéias em geral formadas por gente já de idade avançada. (Embora goste muito de música francesa, eu não conhecia nenhuma delas.) E Cécile de France, ótima atriz, embora tão novinha (ela é de 1975) diante de um dos monstros sagrados do cinema francês, faz com talento essa Marion que demonstra claramente sua oscilação entre o desprezo e a admiração por Alain, e que na verdade está a rigor distante dele, mais preocupada com seus problemas pessoais, sua relação difícil com o filho de cinco, quase seis anos, que vive com o pai

Pois é, mas e daí? Por que, então, eu não gostei do filme? Sei lá. Não rolou, não pintou empatia. Fiquei, em relação ao filme, meio como o personagem de Marion se sente em relação a Alain Moreau – distante. Acontece, uai, fazer o quê?

Quando Estou Amando/Quand j’étais Chanteur

De Xavier Giannoli, França, 2006.

Com Gérard Depardieu, Cécile de France, Mathieu Amalric, Christine Citti, Patrick Pineau

Argumento e roteiro Xavier Giannoli

Música Alexandre Desplat

Produção Europa Corp. Estreou em São Paulo 1/8/2008.

Cor, 112 min.

** 

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