O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes / The Adventure of Sherlock Holmes’ Smarter Brother


Nota: ★★½☆

Anotação em 2009: Este filme é uma daquelas gigantescas bobagens gostosas, agradáveis. Foi a estréia de Gene Wilder na direção, depois de fazer muito sucesso em três comédias de Mel Brooks, Primavera para Hitler/The Producers, de 1968, Banzé no Oeste/Blazing Saddles, de 1974, Jovem Frankenstein/Young Frankenstein, também de 1974 – neste último, ele foi co-roteirista, junto com Brooks.

O elenco tem Madeline Kahn, Marty Feldman e Don deLuise, atores que também trabalharam sob a direção de Mel Brooks. E, como não poderia deixar de ser, o filme tem todo o jeitão, o estilo de Brooks: o humor é escrachado, beirando o non-sense; misturam-se diversos gêneros – o musical, o vaudeville, as aventuras capa-e-espada.

Só não tem mistério – apesar de ter Sherlock Holmes.

A trama, se é que podemos chamar de trama, é assim: na Londres de 1891 (exatamente o ano em que Arthur Conan Doyle começou a publicar as aventuras de Sherlock Holmes), a Rainha Vitória entrega um importante documento a seu ministro de Relações Exteriores, Lord Redcliff (John Le Mesurier) – que será em seguida roubado da casa dele. A rainha pede a ajuda de Sherlock Holmes (Douglas Wilmer); este, por sua vez, finge que vai fazer uma viagem ao exterior junto com o inseparável Dr. Watson (Thorley Walters), e faz com que um sargento da Scotland Yard, Orville Sacker (Marty Feldman), procure seu irmão mais jovem, Sigerson Holmes (Gene Wilder) e o incumba de procurar o documento roubado. Sherlock faz isso porque sabe que há uma mulher envolvida na trama, Jenny Hill (Madeline Kahn), e que ela só contará a verdade se estiver apaixonada – é onde ele quer que Sigerson entre.

Em sua crítica, Pauline Kael admitiu o talento evidente de Gene Wilder como ator cômico, mas reclamou da falta de mistério. Diz ela: “A idéia – Homes trazer seu irmão mais jovem insanamente invejoso, Sigerson, para ajudar num caso envolvendo segredos de Estado da Rainha Vitória – tem possibilidades de dar água na boca, mas elas não são desenvolvidas. Não há mistério, e já que você não pode ter uma paródia de um mistério sem um mistério, não há suspense cômico. E Wilder, ficando de olho em suas responsabilidades como diretor, perde o ritmo de sua performance.”

Pauline Kael escreveu isso na época do lançamento do filme, 1975; décadas mais tarde, o autor da crítica do filme no AllMovie escreveria coisa parecida: “Com uma idéia tão promissora e um elenco com excepcional talento cômico, é uma vergonha que The Adventure of Sherlock Holmes’ Smarter Brother não tenha sido um filme muito melhor.”

Estão aí registradas as opiniões. Mas a minha é diferente. Eu tinha visto o filme na época dele, meados dos anos 70 (embora não tenha feito nenhuma anotação então), e tinha gostado muito; peguei agora para rever com Mary já predisposto a me divertir – e me diverti muito.

Acho que a trama na verdade não importa muito – é só um arcabouço, uma desculpa para Wilder e seus colegas atores juntarem um monte de gagues, piadas, trocadilhos, e botarem no caldeirão números musicais, de dança, esgrima, o escambau. É tudo exagerado, propositadamente exagerado – e meio non-sense mesmo. Aí depende do gosto do freguês: pode haver quem deteste, claro. Eu, repito, me diverti, e Mary também.

A primeira seqüência, antes mesmo dos créditos iniciais, já tem boas sacadas: o ministro sobe as escadas para receber da Rainha Vitória o tal documento, se atrapalha e fala uma frase que fica maliciosa, sacana – e todos sabemos que a Rainha Vitória foi o símbolo de um moralismo, um puritanismo exagerado. Aí, assim que o ministro vai embora, ela diz: Oh, shit!

E logo depois, quando o sargento Orville Sacker – Marty Feldman com aqueles olhos esbugalhados dele – bate à porta do irmão que morre de inveja do grande detetive, Sigerson Holmes diz que o nome de seu irmão mais velho é Sheer Luck – sorte pura.

Uma bobagem imensa – e muito gostosa.

O Irmão Mais Esperto de Sherlock Holmes/The Adventure of Sherlock Holmes’ Smarter Brother

De Gene Wilder, EUA-Inglaterra, 1975

Com Gene Wilder, Madeline Kahn, Marty Feldman, Don DeLuise, Leo McKern, Douglas Wilmer, Thorley Walters, John Le Mesurier

Argumento e roteiro Gene Wilder

Produção 20th Century Fox

Cor, 91 min

R, **1/2

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Sherlock Holmes em 2 agosto 2010 às 11:12 pm

    […] internos, a casa do número 221 da Baker Street, a zorra absoluta que é o aposento privado de Sherlock Holmes – mas é ainda mais fantástica a reconstituição, ou a reinvenção, da Londres de […]

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