Impulsividade / Thumbsucker


Nota: ★★½☆

Anotação em 2009: Uma pequena, simpática comédia dramática do atual cinema independente americano sobre as agruras da adolescência. É um daqueles filmes muito bem feitos, com grande capricho e apuro, mas que, ao final, a gente percebe que a rigor, a rigor, são dispensáveis.

O garoto Lou Taylor Pucci faz o papel principal em um filme que tem muitos atores conhecidos em papéis bem menores. Tinha feito apenas um filme (Personal Velocity: Three Portraits, de Rebecca Miller) quando foi escolhido entre cem atores, segundo o iMDB, pelo diretor Mike Mills, ele próprio um estreante em longa-metragem, depois de uma carreira bem sucedida como diretor de filmes de publicidade e vídeo musicais.

aimpulsividade1Foi uma boa escolha. O garoto tem uma interpretação sensacional como Justin, um adolescente um tanto típico, um tanto problemático. Para começar, ainda chupa o dedo, aos 17 anos – daí o título original do filme, Thumbsucker, assim como o adotado em Portugal, Chupa no Dedo. Não consegue se concentrar na escola, em especial nas aulas de debates sobre problemas do mundo, com o professor Geary (Vince Vaughn). O pai, Mike (Vincent D’Onofrio), preocupa-se com ele, mas não há muita comunicação entre os dois. A mãe, Audrey (Tilda Swinton), também se preocupa, mas não sabe muito bem como ajudá-lo, e parece mais preocupada com sua adoração por um ator de TV (Benjamin Bratt). O ortodontista com quem trata dos problemas causados inclusive pelo hábito de chupar o dedo, Perry (Keanu Reeves), meio hippie, meio alternativo, tentará livrá-lo do vício com uma sessão de hipnose. A colega de classe bonita e gostosa, Rebecca (Kelli Garner), não consegue arrancar dele uma conversa mais pessoal, em que ele revele um pouco do que pensa e sente.

De repente, como num passe de mágica, alguém na escola vai identificar que ele tem um problema chamado Desordem de Déficit de Atenção, e indicar um tratamento com medicamentos, após o qual o antes avoado Justin vira uma outra pessoa, seguro de si, um gênio nos debates conduzidos pelo professor Geary. O novo Justin vai atrás de Rebecca, mas Rebecca também passou por uma transformação shazâmica e virou uma maconheira meio tarada.

A trilha sonora é agradável, pontuada com canções com um tom meio folk, vozes suaves e violões idem; numa determinada hora aparece Trouble, de Cat Stevens, interpretada por um tal Elliott Smith.

aimpulsividade2Dei uma olhada no que dois críticos portugueses acharam, e eles não gostaram muito. O do Público disse que é “uma comédia magrinha que pouco adianta para além da repetição, sem grande graça ou originalidade”. O do Expresso diz que é “um simpático character study que, por via da interpretação de Lou Taylor Pucci, acaba por conseguir ocultar as debilidades de um argumento que nunca parece saber muito bem para onde vai e de um casting desajustado”. Concordo com o adjetivo simpático, que eu já havia usado nesta anotação antes de ler essa opinião dele na internet, e com o “não sabe bem para onde vai”, mas discordo sobre o casting, que achei bem bom.

Já Leonard Maltin gostou muito. Deu 3.5 estrelas em 4, disse que o filme é perceptivo, impressionante, estiloso, com múltiplas camadas, sobre “a alienação e os desafios que tanto os garotos quanto os seus pais têm que enfrentar”. Diz que é tão real que desarma o espectador, com um elenco afiado e uma ótima interpretação do garoto Pucci.

O que mais chamou a minha atenção no filme foi a importância que ele mostra – talvez sem que isso tenha sido intencional – que existe na competição, nessa coisa maluca da necessidade de as pessoas serem melhores que as outras, serem vitoriosas, serem as premiadas. Tudo gira em torno da competição. Sociedade maluca.

Impulsividade/Thumbsucker

De Mike Mills, EUA, 2005.

Com Lou Taylor Pucci, Tilda Swinton, Vincent D’Onofrio, Vince Vaughn, Keanu Reeves, Kelli Garner, Benjamin Bratt

Roteiro Mike Mills

Baseado no livro de Walter Kim

Música Tim DeLaughter

Produção Bob Yari Productions. Exibido na Mostra Internacional de Cinema de SP em 21/10/2005. Estreou em Portugal 26/1/2006.

Cor, 96 min

**1/2

Título em Portugal: Chupa no Dedo

Um Trackback

  1. Por 50 Anos de Filmes » Até o Fim / The Deep End em 31 julho 2011 às 3:22 pm

    […] em 2011: Não me pareceu um bom filme, este Até o Fim/The Deep End, feito em 2001, com Tilda Swinton como protagonista. Mas talvez eu não tenha condições de fazer um juízo isento do filme, porque […]

Postar um Comentário

O seu email nunca é publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com um *

*
*