Quando Explode a Vingança / Giù la Testa / Duck You Sucker


Nota: ★★★☆

Anotação em 2008: Estávamos zapeando quando vimos que este filme ia começar – um Sergio Leone inédito. Só depois do filme terminado, ao consultar os alfarrábios, vi que este foi um dos últimos dele, entre o Era Uma Vez no Oeste, de 1968, e o Era Uma Vez na América, de 1984.

Nem o título em inglês, nem o título em italiano, nem o em português, nenhum deles é o mais correto – Era Uma Vez na Revolução, que foi como se chamou na França e chegou a ser chamado durante as filmagens, seria mais adequado.

 O filme é estiloso como o anterior – seqüências longas, looooongas, para dizer muito pouca coisa. Começa com o que parece ser um fiapinho de história: um ladrãozinho rural (Rod Steiger, exageradíssimo, overacting a não mais poder) perdido em algum lugar do México durante a revolução da década de 1910.

Aí aparece naquele fim de mundo o personagem de James Coburn, um irlandês perito de explosões – e dá-lhe explosões. 

Só muito depois é que Leone vai mostrando o quadro maior, com direito a muita filosofada sobre o que é uma revolução – no que ele faz lembrar o também ótimo Os Profissionais/The Professionals, que Richard Brooks fez em 1966 também com a revolução mexicana como pano de fundo.

É como se o filme começasse com um ultra very big close-up do detalhe do rosto de uma pessoa (e Leone adora os very big close-ups, abusa deles), e depois fosse dando um zoom para trás, para mostrar um grande afresco daquela época naquele país.

Os exibidores e críticos americanos demoraram para deglutir e entender Sergio Leone. Seus filmes são estilosos demais, barrocos demais, cheios de floreios, de tiques. Vários deles foram remontados para exibição nos Estados Unidos – e brutalmente assassinados nesse processo. Só depois que o diretor morreu (em 1989, aos 60 anos) foi havendo uma reavaliação da sua obra.

Agora, no livro 1,000 Best Movies on DVD, de Peter Travers, o crítico da Rolling Stone, por exemplo, estão lá Três Homens em Conflito/The Good, the Bad and the Ugly, Era uma Vez no Oeste e Era uma Vez na América.  E o 1001 Filmes para Ver Antes de Morrer, lançado no Brasil no final de 2008, inclui os mesmos três filmes.

Leonard Maltin fala das diversas versões que o filme teve no mercado americano – 121 minutos, 138, enquanto o lançamento original na Itália tinha 158. Dá 3 estrelas em quatro: “Grande, esparramada história da revolução mexicana, e de como o ladrão camponês Steiger é convencido a tomar partido de um dos lados pelo especialista em explosivos irlandês Coburn. Tremendas seqüências de ação; os toques contorcidos de Leone e a trilha ultra-esquisita de Ennio Morricone garantem a diversão. Também conhecido como A Fistfull of Dynamite.”

Quando Explode a Vingança/Giú La Testa/Duck You Sucker

De Sergio Leone, Itália, 1971.

Com Rod Steiger, James Coburn, Romolo Valli, Maria Monti

Roteiro Luciano Vincenzoni, Sergio Donati e Sergio Leone

Baseado em história de Sergio Donati e Sergio Leone

Música Ennio Morricone

Cor, 157 minutos. Exibido nos EUA inicialmente cortado para 121 minutos, e depois teve versões de 138 e 154 minutos.

***

4 Comentários

  1. Manoel
    Postado em 24 agosto 2009 às 1:41 am | Permalink

    Quando ví com minha mulher este épico, ela achou graça da música. Será que falta às pessoas terem um entendimento mínimo de música?
    Fiquei calado. Eu devia ter uns 12 anos quando ví este filme pela 1ª vez, e o considero muito melhor que Butch Cassidy, este último tão aclamado e tão chato, mais famoso pela cena da bicicleta que por qualquer outra coisa. Tenha paciência….

  2. Postado em 25 setembro 2009 às 9:52 am | Permalink

    Inacreditável como as pessoas somente dão valor às boas obras depois de seus responsáveis de criação não estarem mais entre nós.
    Ainda bem que Morricone está, porque suas incursões nos filmes de Leone são algo como se “achados”.
    A musica de Qdo. explode a vingança é de lhe atingir profundamente no mais intimo de seu ser de tão bela. Sem falar na perfeição da criação deste grande maestro na do filme (bem fraquinho até) Era uma vez no Oeste. Acho que é o mais raro em perfeição e beleza que Ennio já criou. Aquela música é de estremecer o mais rancoroso dos homens. E, para não deixar de citar, coloco aqui, com orgulho por saber ouvir o que é lindo, a musica de Tres homens em conflito. Não a musica tema do filme e sim aquela que é cantada pelos prisioneiros quando Eli Wallache leva uma sonora surra. Aquilo é simplesmente saber fazer musica. Ela é de uma lindeza tão estonteante que até esquecemos do sofrimento de Eli para apenas ourir aquele hino cheio de sons e beleza aos ouvidos.
    Tenho de reverenciar um homem deste.
    Jurandir

  3. luiz fernando rocha
    Postado em 3 agosto 2013 às 3:11 am | Permalink

    O crítico esta de brincadeira. Este filme é um dos mais belos faroestes que já vi na minha vida. E sou do tempo de Shane, Wild Bunch, e depois disso não se fez mais bons filmes. Nem o badalado filme do Clint Eastwood,Unforgiven,uma b…A música de Morricone é uma obra de arte. Acho sua melhor trilha embora seja difícil escolher. O cara é gênio.

  4. José Luís
    Postado em 25 julho 2014 às 12:20 pm | Permalink

    Vi este filme quando ele saiu e gostei bastante embora não tanto como gostei de The Good, the Bad and the Ugly ou de Once Upon a Time in the West; o último acho mesmo uma obra genial.
    Há dias comprei o DVD e regalei-me a rever este filme que não sendo genial é muito bom, na minha opinião, claro.

5 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Pat Garrett & Billy the Kid em 16 agosto 2010 às 11:51 pm

    […] tentado atuar na televisão e no cinema em seu país mas não tinha dado muito certo. Em 1964, Sergio Leone deu a Clint Eastwood o papel principal em um western-spaghetti de poucas palavras e muito tiro, Por […]

  2. […] Os Finzi-Contini eram muito, muito, muito ricos, provavelmente a família mais rica de Ferrara. Não costumavam convidar muita gente para partilhar do conforto, da beleza de sua gigantesca propriedade. Convidavam agora porque já não podiam jogar tênis no clube. Mas não convidavam apenas judeus: entre os jovens daquele grupo, havia vários não judeus, ou “arianos” – o termo aparece no filme pela primeira vez durante um diálogo entre Giorgio e seu pai (Romolo Valli). […]

  3. […] A começar pelo título, Guns, Girls and Gambling, aqui Tiros, Garotas e Trapaças, eis um filme que não se leva a sério. Escancara desde logo, desde sempre, que é uma comédia escrachada, mais pastelônica do que os antigos pastelões, mais exageradamente sarcástica do que os momentos mais exageradamente sarcásticos dos western spaghetti de Sergio Leone. […]

  4. […] momento me ocorreu: não foi à toda, de forma alguma, que Clint Eastwood, danado, trabalhou com Sergio Leone. Ele aprendeu muito com o genial realizador italiano. Toda essa sequência do quase estupro, aquela […]

  5. Por 50 Anos de Filmes » Joe Kidd em 17 outubro 2015 às 5:55 pm

    […] acerta na mosca ao dizer que o ator faz uma versão americanizada do Homem-Sem-Nome dos filmes de Sergio Leone. É bem isso. Joe Kidd é igualzinho ao personagem interpretado por Clint Eastwood em Por um […]

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