Minha Mãe Gosta de Mulher / A Mi Madre le Gustan las Mujeres


Nota: ★★★★

Anotação em 2008: Um grande viva para o novo cinema espanhol – bem humorado, alegre, de bem com a vida. Este filme é uma graça, um encanto, em que tudo funciona. É uma ode à liberdade, ao avanço dos costumes, à vida sem preconceitos.

Sofia (a excelente Rosa Maria Sardà), uma mulher de seus 50 e poucos, pianista clássica, separada dos maridos, recebe as três filhas e anuncia para elas o que o título já tinha entregue: está apaixonada por outra mulher – outra instrumentista, a checa Eliska (Eliska Sirová, em primeiro plano na foto abaixo, ao lado de Rosa Maria Sardà, com as filhas ao fundo), bem mais jovem, da idade de sua filha mais velha.

amimadre2Cada uma das três moças, extremamente diferentes umas das outras em tudo, recebe a notícia de uma maneira. Gimena (Maria Pujalte), a mais velha, e mais careta, fica em estado de choque. Sol (Silvia Abascal), a mais jovem, mais liberal, cantora de um grupo de rock, acha engraçadíssimo, sensacional. Elvira (Leonor Watling, bonita e excelente atriz), a do meio e a mais sensível, absolutamente neurótica, insegura, escritora inédita, entra em pânico, começa a ter dúvidas sobre sua própria sexualidade. 

Vão surgir situações engraçadas, grotescas, esquisitas, estranhas, complicadas, apavorantes – que não vale a pena adiantar porque poderia fazer perder a graça para quem ainda não viu o filme.

Todo o elenco é um brilho, uma maravilha, mas duas das atrizes se sobrassaem, são brilhantíssimas: a veterana Rosa Maria Sardà, que é a protagonista do também delicioso filme catalão Anita Não Perde a Chance/Anita No Perd el Tren, e a menina Leonor Watling (foto abaixo), que tem exatamente a idade da minha filha Fernanda (as duas são de 1975), trabalhou com a catalã Isabel Coixet em pelo menos três de seus filmes: Minha Vida Sem Mim, A Vida Secreta das Palavras e no episódio dela em Paris, Te Amo/Paris, Je t’Aime. Trabalhou também com Almodóvar em Fale Com Ela/Hable com Ella. Tão jovem, está com tudo, só não sei se está prosa. Duas belas, ótimas atrizes.

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Em termos de ciências humanas, é fascinante ver que em 2002 a Espanha – até 30 anos atrás uma ditadura fascista, país atrasado, quase subdesenvolvido, para os padrões europeus – é um país civilizado, moderno, rico, um oásis para a instrumentista Eliska, que emigra da sua lindíssima mas pobre República Checa em busca de uma vida melhor.

Vi o filme em janeiro, e no fim de abril quis rever. Ele ficou ainda melhor na revisão.

O filme ganhou nove prêmios e teve oito outras indicações – inclusive o Goya, o mais importante do cinema espanhol, na categoria melhor diretor novo, para as autoras e roteiristas Daniela Féjerman e Inês Paris.

Ça va sans dire, mas, em todo caso, registro: como outros bons filmes que falam sobre homossexualismo, este aqui não é uma ode ao lesbianismo, não é um panfleto pela opção homo. É uma ode, isso assim, às diferenças, ao respeito às diferenças, à convivência alegre e saudável com as diferentes opções.  

Minha Mãe Gosta de Mulher/A Mi Madre Le Gustan Las Mujeres

De Daniela Féjerman e Inês Paris, Espanha, 2002.

Com Leonor Watling, Rosa Maria Sardà, Eliska Sirova, Maria Pujalte, Silvia Abascal

Argumento e roteiro Daniela Féjerman e Inês Paris

Música Juan Bardem

Produção Fernando Colomo. Estreou em São Paulo 6/8/2004.

Cor, 96 min.

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