A Mulher do Povo / Otilia Rauda


Nota: ½☆☆☆

Anotação em 2008: Bola preta. Eis aqui um filme de sacanagem travestido como coisa pretensamente séria. 

Registro aqui a sinopse do site da 2001 (que está também, ipsis literis, em outros sites):

A Mulher do Povo é a história de Otilia Rauda (Gabriela Canudas), uma bela garota que, depois de ser obrigada pelo pai a casar-se com o chefe da polícia de sua cidadezinha, resolve abandonar seu passado e se tornar uma prostituta. Ela é desejada por todos os homens. Até o padre cobiça Otilia, mas ela é infeliz. A vida da bela mulher dá uma volta depois do aparecimento de um famoso foragido da polícia, acusado de ter matado muitos homens. Otilia salva o rapaz da morte, cuida de seu corpo e por ele se apaixona.”

A sinopse tem um erro básico: a mulher, Otília Rauda, não é bela – ela tem uma grande marca no rosto, que a deixa feia e causa repulsa a muitos homens. Essa marca, essa feiúria, são fundamentais, me parece, na construção da personagem, e no entendimento, ou na tentativa de entendimento, de por que ela é tão violentamente infeliz.

Acontece que, apesar da marca feia no rosto, que provoca repulsa, rejeição, marginalização, ela tem um corpo sensacional, é gostosíssima, uma coisa assim absurda – e utiliza o corpo para seduzir quem passa pela frente dela.

O filme usa e abusa do belíssimo corpo da atriz, e tem várias cenas absolutamente explícitas de sexo. Mas a história não faz qualquer sentido.

O cinema mexicano dos últimos anos tem dado vários outros exemplos dessa coisa de utilização de cenas quase ou muito explícitas de sexo, na pretensa roupagem de estar fazendo um seriíssimo, com dois is e acento no segundo, filme profundo, de estudo psicológico de caráter, de personalidade. Bullshit. Na verdade, isso me parece a maior enganação que possa existir. Um travestimento calhorda, filho da puta. O que se quer é garantir bilheteria, pura e simplesmente – com uma falsa cobertura de chantilly, de coisa séria. A pornochanchada brasileira dos anos 70 é muito mais clara, mais franca, mais honesta do que essa horrorosa mistificação.

 A Mulher do Povo/Otilia Rauda

De Dana Rotberg, México, 2001

Com Gabriela Canudas, Alvaro Guerrero, Carlos Torres Torrija

Roteiro Jorge Goldenberg e Dana Rotberg

Baseado em livro de Sergio Galindo

Cor, 110 min.

Bola preta

2 Comentários

  1. Postado em 8 maio 2010 às 11:17 pm | Permalink

    Filminho sem graça esse. A capinha do dvd promete muito mais do que conseguimos encontrar nele (por exemplo, aquela tal da cena mais sensual do cinema, ou coisa que o valha, quando Otília “acaricia seu corpo com a mão daquele homem que dorme enfraquecido”). E nenhum ator convence de que está na história pra valer. Essa história de filme premiado em festival acaba funcionando como pega-trouxa.

  2. Clayton Rauda
    Postado em 3 novembro 2010 às 7:00 pm | Permalink

    Eu senhor Clayton Rauda estou procurando os descendêntes da família Rauda.se algum descendênte da família Rauda responder,vai ser muito legal.

2 Trackbacks

  1. […] de mostrar o corpo dela. Comparado com outro filme mexicano mais ou menos recente, o pavoroso A Mulher do Povo/Otilia Rauda, extremamente explícito, é até pudico; nas cenas de sexo, se fixa mais no rosto da moça, não […]

  2. […] filmes mexicanos recentes que tenho visto exageram um tanto na explicitude de sexo: a porcaria A Mulher do Povo/Otilia Rauda, e até o ótimo E Sua Mãe Também, para citar apenas dois. No início, imaginei que Arranca-me a […]

Postar um Comentário

O seu email nunca é publicado ou compartilhado. Os campos obrigatórios estão marcados com um *

*
*