Questão de Vida / Nine Lives


Nota: ★★★☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: O diretor Rodrigo García – filho de Gabriel García Márquez – repete o esquema que já havia usado em seu filme anterior (Things You Can Tell Just by Looking at Her, de 2000), de mostrar pequenos retratos de vidas de pessoas comuns, levemente entrelaçados.

São pequenos contos, pequenos esquetes, flagrantes de momentos comuns – uma tendência que está cada mais em voga no cinema americano, principalmente o independente.

A novidade aqui é que ele faz tudo em planos-sequência, sem corte algum. É um exercício de estilo, um tour-de-force, uma demonstração de competência e domínio absoluto do artesanato que é de fazer tirar o chapéu.

Além disso, Rodrigo Garcia consegue atuações extraordinárias de seus atores que interpretam gente nada extraordinária. Robin Wright Penn, por exemplo, como a mulher casada, provavelmente não muito feliz, que reencontra um antigo grande amor num supermercado, está brilhantérrima.

E, pelo elenco que ele conseguiu reunir, um bando de gente boa – Glenn Close, Dakota Fanning, Holly Hunter, Sissy Spacek, Joe Mantegna, Aidan Quinn – tanto neste como no filme anterior que vi, deve estar com grande moral.

De fato deve. Vejo no iMDB que tanto Leonard Maltin quanto Roger Ebert puseram o filme na lista dos dez melhores do ano – o filme é de 2005. Passou em Locarno e outros festivais mundo afora; colecionou nove prêmios e outras dez indicações.

Questão de Vida/Nine Lives

De Rodrigo García, EUA, 2005.

Com Robin Wright Penn, Glenn Close, Dakota Fanning, Holly Hunter, Sissy Spacek, Joe Mantegna, Aidan Quinn

Argumento e roteiro Rodrigo García

Produção Mockingbird Pictures

Cor, 115 min.

6 Comentários para “Questão de Vida / Nine Lives”

  1. Será que existe alguém que goste mais de pessoas cheias de dramas e conflitos do que o Rodrigo García e o Iñárritu? Aqui o último foi produtor executivo do filme, o que acho que explica boa parte dos dramaços (embora tenha sido escrito pelo García, acho que o Iñárritu deu uma força pra ele pesar a mão em algumas histórias, rs). Do meio pro final ficou muito deprê. É o segundo filme do R. García a que assisto e termino meio deprimida, cruzes! Mas gostei mais deste do que do “Things You Can Tell Just by Looking at Her”. No mais, concordo com tudo o que vc disse e tiro o chapéu pros planos-seqüências tb. Como foi ele quem dirigiu a série “In Treatment”, poderia chamar o analista Paul e fazer uma terapia em grupo com esse povo, rs. Ô gente mal resolvida!
    PS: tb achei muito boa a atuação da Lisa Gay Hamilton (embora um pouco acima do tom). Acho que o papel dela foi um dos mais complexos.

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