O Ídolo de Cristal / Beloved Infidel


Nota: ★★☆☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: A verdade dos fatos, por mais triste que seja, é que F. Scott Fitzgerald e o cinema nunca se deram muito bem.

Ele não foi feliz na temporada que passou em Hollywood, no fim da vida; não fez um grande roteiro, não conseguiu terminar The Last Tycoon, o romance que retrataria a vida de um poderoso chefão de estúdio – e nenhum grande filme foi feito com base nas obras dele.

Suave é a Noite, dos anos 60, e O Grande Gatsby, dos anos 70 (não vi a versão de 1949, com Alan Ladd) são apenas medianos e, na minha opinião, não conseguem transpor para a tela a complexidade dos livros e seus personagens – da mesma forma como A Última Vez que Vi Paris, dos anos 50. Nesse ponto, Fitzgerald (1896-1940) teve o mesmo destino que seu contemporâneo tão diferente Hemingway, amigo-rival-inimigo cordial.

O Ídolo de Cristal, que focaliza os últimos anos da vida do escritor, justamente o período no final dos anos 30 que ele passou em Hollywood, tentando trabalhar como roteirista (e não obtendo sucesso algum) para pagar as contas dos tratamentos psiquiátricos de Zelda e as escolas da filha, também não decola.

O roteiro se baseia no livro escrito por Sheilah Graham, a colunista social que foi o último amor da vida de Fitzgerald e é a personagem de Deborah Kerr. Ela está belíssima, e trabalha bem, assim como Gregory Peck, que está perfeito (e deprimente) nas cenas de bebedeira. Mas o filme não decola. De alguma forma, falta vida, falta força, falta paixão. Sei lá. Nem as histórias nem a história de Fitzgerald deram certo no cinema.

Vou ver outras opiniões.

O filme não está no livro de Pauline Kael. Maltin não gostou nada, deu duas estrelas em quatro e matou a resenha em uma frase: “O erro de escolha de Peck como F. Scott Fitzgerald faz o romance com a colunista de Hollywood Sheilah Graham (Kerr) no final dos anos 1930 mais ridículo do que real; bela fotografia é a única virtude de um olhar embotado sobre a capital do cinema. CinemaScope.”

Não sei se o problema foi a escolha de Gregory Peck. Não sei se qualquer outro ator teria feito o filme ser melhor. Mas concordo plenamente quando ele diz que a história não parece real.

Steven H. Scheuer diz apenas e tão somente que o filme é um novelão carregado.

O Ídolo de Cristal/Beloved Infidel

De Henry King, EUA, 1959

Com Deborah Kerr, Gregory Peck, Eddie Albert

Roteiro Sy Bartlett,

Baseado no livro de Gerold Frank e Sheilah Graham

Produção 20th Century Fox

Cor, 123 min.

Um Comentário

  1. Postado em 21 março 2011 às 6:29 pm | Permalink

    É verdade: Fitzgerald nunca foi adaptado à altura pelo cinema. E nesses dois filmes de Henry King, “Ídolo de cristal” e “O grande Gatsby”, os atores principais, Jason Robards e Gregory Peck, não dão de modo algum a dimensão desejada. Deborah Kerr, que começa o “Ídolo de cristal” com língua ferina, acaba virando uma heroína de melodrama, abnegada, sofrida, amando Fitzgerald de qualquer modo, e tudo isso parece violentamente irreal. O filme não é ruim, tem boa fotografia e alguns momentos (a briga do casal parece muito verossímil), mas desaba na “soap opera”.

2 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Quando nasceram as estrelas em 29 maio 2011 às 10:14 pm

    [...] King: Estigma da Crueldade/The Bravados (1958); O Ídolo de Cristal/Beloved Infidel [...]

  2. [...] Leroy é um parente próximo de muitos dos personagens de F. Scott Fitzgerald, aqueles jovens dos anos 20 e 30 que dissipavam a vida, a beleza, a juventude e o conforto material [...]

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