
Nota: 



Anotação em 2007, com complemento em 2008: Mais um filme sobre a imprensa de moda – como o delicioso Teu Nome é Mulher/Designing Woman, de Vincente Minnelli, de 1957, e Cinderela em Paris/Funny Face, de Stanley Donen, do mesmo ano, tempos em que o cinema era muito melhor.
Se o espectador deixar a lógica de lado durante cem minutos, para não pensar o óbvio – por que raios essa garota inteligente, esperta, ágil, talentosa, trabalhadora, que quer ser jornalista, se sujeita a esse inferno de ser secretária da megera durante tanto tempo? -, dá para ter alguma diversãozinha.
O elenco ajuda muito. Meryl Streep está sempre perfeita em tudo que faz, e compõe com graça e brilho Miranda Priestley, a megera, a diretora de redação da respeitadíssima revista de moda Runway, cruel, implacável, exigentíssima, quase sádica, uma rainha absolutista que faria morrer de inveja o Murilinho Felisberto, o lendário diretor do Jornal da Tarde cujo apelido era exatamente Rainha e, num período de corte de pessoal, eu vi assobiar diante das listas de nomes e dizer: “Cortando cabeças ao som de Vivaldi”.
A seqüência em que Miranda Priestley aparece pela primeira vez na redação, e todo mundo, do contínuo às editoras, quase morrem literalmente de medo, é engraçadíssima.
A garotinha Anne Hathaway também está bem como Andy, a jovem jornalista recém-formada que vai trabalhar como secretária de Miranda e come o pão que a rainha-diaba amassa diariamente. É fascinante como a personagem dela – interessada em outras coisas na vida, no jornalismo dito sério – não consegue entender aquele mundo da imprensa feminina, de moda, e como e por que as pessoas ali se julgam tão importantes. E é gostosa também a transformação pela qual passa seu figurino, da jovem estudante largada, que não dá a menor importância para a aparência, para a secretária elegantérrima de roupas de grife. Essa garota tem talento, e está tendo bons papéis; logo depois deste filme aqui, interpretou a escritora inglesa Jane Austen em Becoming Jane, que eu ainda não vi.
E ainda há Stanley Tucci, excelente como Nigel, o segundo da hierarquia da redação, ambicioso, maquinador, mas que tem seu lado boa gente e é o único a ajudar a secretária Andy a sobreviver naquela gaiola das loucas.
Não consigo deixar de pensar que é uma crueldade absurda Regina Lemos, aquela anti-Miranda Priestley, que dirigiu as redações de Moda Brasil e Marie Claire com competência, elegância, humanidade e um clima de absoluta democracia, não estar viva para ver este filme. Ela certamente se divertiria muito com ele, como se divertiu vendo e revendo Teu Nome é Mulher.
O Diabo Veste Prada/The Devil Wears Prada
De David Frankel, EUA, 2006.
Com Anne Hathaway, Meryl Streep, Emily Blunt, Stanley Tucci
Roteiro Aline Brosh McKenna
Baseado na novela de Lauren Weisberger
Produção Fox 2000 Pictures
Cor, 109 min.


Um Comentário
Peguei esse filme por pura pressão do pessoal da locadora. Pra completar o pacote de leve 5 pague 4 , ou algo assim. Corri dele pq todo mundo falava muito, e moda não é bem um assunto que me interesse. Mas é como vc falou, é só abstrair por cem minutos que tá tudo bem, rs. No final acabei gostando. A olhuda Anne Hathaway é uma boa atriz, dos filmes que vi com ela até agora, achei que ela está bem em todos. E Meryl Streep é Meryl Streep. Está tão bem que é humanamente impossível não sentir raiva da personagem quando ela entra em cena. Os figurinos da Andy são de babar ao longo do filme, mas tb, convenhamos que eles forçaram um pouco a mão ao deixá-la bem largada no começo, pra dar o contraste depois.
6 Trackbacks
[...] Quando o filme começa, vemos, em ações paralelas, Andrew e Margaret acordando para mais um dia de trabalho no coração da capital do mundo, o lugar mais competitivo do planeta. A entrada de Margaret na empresa faz lembrar, e muito, a entrada no local de trabalho de Miranda Priestley, a diretora de redação megera, tirana, cobra cascavel, interpretada por Meryl Streep em O Diabo Veste Prada. [...]
[...] Arthur Herk (o ótimo Stanley Tucci, exagerando mais que Jack Nicholson e Jim Carrey juntos, se é que isso é possível) trabalhava [...]
[...] que já fez o papel de Nora Ephron, já havia trabalhado antes com Stanley Tucci, em O Diabo Veste Prada, e também com Amy Adams, essa gracinha em ascensão, em Dúvida. Assim como também já havia [...]
[...] Blunt. Essa menina, nascida em Londres em 1983, tem muito talento, como depois mostraria também em O Diabo Veste Prada/The Devil Wears Prada, de 2006, e especialmente em O Clube de Leitura de Jane Austen/The Jane Austen Book Club, de 2007. [...]
[...] O Diabo Veste Prada/The Devil Wears PradaA Última Noite/A Prairie Home Companion [...]
[...] para o público infanto-juvenil (O Diário da Princesa 1 e 2, Uma Garota Encantada), comédias (O Diabo Veste Prada, Agente 86), filme de época (Amor e Inocência), dramas (Passageiros, O Casamento de Rachel). [...]