Morte Sobre o Nilo / Death on the Nile


Nota: ★★★☆

Anotação em 2007, com complemento em 2008: Gostei de rever este filme; acho que é ainda e sempre uma dos boas adaptações de histórias de Agatha Christie para o cinema. E Morte Sobre o Nilo, afinal, é uma das histórias mais conhecidas da velhinha inglesa doida.

Peter Ustinov é um Hercule Poirot perfeito, e todo o grande elenco de atores ingleses e americanos está ótimo – David Niven, Jane Birkin, Lois Chiles, Angela Lansbury, Bette Davis, Maggie Smith, Jack Warden, Jon Finch, George Kennedy, Olivia Hussey.

Mas o destaque especial é Mia Farrow, linda, gracinha, na fase pré-Woody Allen, e que está maravilhosa, sensacional, como Jacqueline de Bellefort. Jacqueline tinha acabado de ser abandonada pelo namorado, que a trocou por uma herdeira riquíssima, Linnet (Lois Chiles), e os segue mundo afora, para infernizar sua lua-de-mel – inclusive na viagem num navio luxuoso pelo Rio Nilo.  

No mesmo navio está ele, Hercule Poirot, o detetive belga de grande apetite, imensa vaidade e pantagruélico amor pelas celulinhas cinzentas de seu próprio cérebro. Junto com ele viaja seu amigo, o Coronel Race (David Niven).

A bordo estão ainda uma milionária americana chata que nem a fome (Bette Davis), com sua dama de companhia (Maggie Smith), uma inglesa sem nenhuma paciência com a patroa, um americano grosseirão (George Kennedy), um jovem com profundo desprezo pelos ricos (Jon Finch), e uma escritora de romances baratos, que adora falar de si mesma, se veste como se tivesse 40 anos menos e muita beleza mais, e está sempre bebinha ou bêbada mesmo.

Este último é o papel de Angela Lansbury – e é fascinante vê-la neste filme, porque sua carreira várias vezes se cruzou com as histórias de Agatha Christie. Dois anos depois deste filme aqui, em 1980, ela faria o papel de Miss Marple no filme A Maldição do Espelho/The Mirror Crack’d, também com grande elenco, que incluía Elizabeth Taylor, Kim Novak, Tony Curtis e Rock Hudson. E, entre 1984 e 1996, seria a estrela de uma série da TV americana, Murder, She Wrote, em que interpretava uma escritora de livros policiais que, como Miss Marple, era ela própria uma detetive amadora, diletante. O título da série é, evidentemente, a citação de um livro de Agatha Christie, Murder, She Said.

 A jovem e rica Linnet é o primeiro cadáver que a velhinha adoradora de sangue produz na sua trama. O espectador vai descobrindo que muitos dos passageiros tinham motivos para assassinar a moça.

 Outros corpses apareceração, claro, pois Dame Agatha raramente se contenta com um só.

 Uma das boas sacadas do roteiro de Anthony Shaffer é mostrar as mesmas cenas de acordo com os vários testemunhos que vão sendo apresentados a Poirot. Nada de novo, mas o recurso é muito bem usado. A produção cara ainda contou com o luxo da música de Nino Rota, o grande compositor que foi parceiro de Fellini na maioria de seus filmes.  

Morte Sobre o Nilo/Death on the Nile

De John Guillermin, Inglaterra, 1978.

Com Peter Ustinov, David Niven, Mia Farrow, Jane Birkin, Lois Chiles, Angela Lansbury, Bette Davis, Maggie Smith, Jack Warden, Jon Finch, George Kennedy, Olivia Hussey

Roteiro Anthony Shaffer

Baseado na novela de Agatha Christie

Música Nino Rota

Produção G.W. Films, distribuição Paramount

Cor, 140 min

R, ***

5 Trackbacks

  1. Por 50 Anos de Filmes » Quando nasceram as estrelas em 1 junho 2011 às 11:17 pm

    […] Queen (1955); Nas Garras do Ódio/The Nanny (1965);  O Aniversário/The Anniversary (1968); Morte Sobre o Nilo/Death on the Nile […]

  2. Por 50 Anos de Filmes » 8 Mulheres / 8 Femmes em 21 novembro 2011 às 12:09 am

    […] fulana dava para sicrano, as disputas por dinheiro, herança. Algo assim como o cruzamento de Morte sobre o Nilo com Parente é Serpente/Parenti Serpenti, de Mario Monicelli – aliás, fala-se muito em cobras, […]

  3. Por 50 Anos de Filmes » A Era do Rádio / Radio Days em 22 Abril 2012 às 12:34 am

    […] nomes mais conhecidos do elenco são a sempre ótima Dianne Wiest, como a tia Bea, e Mia Farrow, como Sally […]

  4. […] com a gravação de “Je t’aime, mois non plus”, em que sua então mulher, a inglesa Jane Birkin, fazia ruídos como se estivesse gozando. Um gigantesco escândalo, nos anos 1960 – mas também […]

  5. Por - Blog Informa em 11 outubro 2015 às 3:41 pm

    […] com a gravação de “Je t’aime, mois non plus”, em que sua então mulher, a inglesa Jane Birkin, fazia ruídos como se estivesse gozando. Um gigantesco escândalo, nos anos 1960 – mas também […]

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